quarta-feira, 17 de julho de 2019

Dos Templários até os Apóstolos dos Últimos Tempos

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs








A Ordem dos Pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo de Salomão (em latim: Pauperes commilitones Christi Templique Salomonici), ou Cavaleiros Templários, Ordem do Templo, ou Templários, foi uma ordem militar de Cavalaria que existiu na Idade Média entre 1118 e 1312.

Foi fundada em 1118 durante a Primeira Cruzada para proteger os peregrinos a Jerusalém. Os fundadores foram Hugo de Payens e mais 8 cavaleiros, que tiveram o apoio de André de Montbard, tio de São Bernardo de Claraval e do rei Balduíno II de Jerusalém.

Os seus membros faziam votos de pobreza, castidade, devoção e obediência, usavam mantos brancos com a cruz vermelha, e o seu símbolo passou a ser um cavalo montado por dois cavaleiros.

Eles se estabeleceram no monte do Templo em Jerusalém, e de ali provém o nome. No local existira o Templo de Salomão.

O prédio foi usurpado pelos muçulmanos que o renomearam Mesquita de Al-Aqsa e se encontra em pé.

Em 1127, o Papa Honório II reconheceu a Ordem.

Na bula papal Omne datum optimum, de 29 de março de 1139, o papa Inocêncio II lhe outorgou isenções e privilégios, como construir seus oratórios e serem enterrados neles.

A ordem foi um modelo da caridade em toda a Cristandade, seus membros formaram as melhores unidades de combate nas Cruzadas, estabeleceram o embrião do sistema bancário, e ergueram muitas fortificações na Europa e Terra Santa.

A Ordem do Templo recebeu muitas doações de terras na Europa que usava para plantar trigo, cevada e criar animais. O lucro ia para financiar a guerra santa na Palestina.

A regra da ordem dos Templários foi escrita por São Bernardo de Claraval
Em 14 de outubro de 1229, o papa Gregório IX na bula Ipsa nos cogit pietas, os isentou de pagar o dízimo para as despesas da Terra Santa, atendendo “à guerra contínua que sustentavam contra os infiéis, arriscando a vida e a fazenda pela fé e amor de Cristo”

O contemporâneo Jacques de Vitry os descreve como “leões de guerra e cordeiros no lar; rudes cavaleiros no campo de batalha, monges piedosos na capela; temidos pelos inimigos de Cristo, e suavidade para com Seus amigos”. (Moeller, Charles (1912). «The Knights Templars.». In: New Advent. The Catholic Encyclopedia. (em inglês). New York: Robert Appleton Company)

Os templários não temiam morrer para defender os peregrinos. Não passavam de 400 cavaleiros em Jerusalém no auge da Ordem mas eram o terror dos muçulmanos. Nas casas da Europa eram selecionados os que substituiriam os falecidos em Terra Santa.

O cavaleiro templário era destemido. Ele protegia a alma com a armadura da fé, e o corpo com a armadura de aço.

Ele é, portanto, duplamente armado sem ter medos de demônios nem de homens. (São Bernardo de Claraval, De Laude Novae Militae, in Stephen A. Dafoe. «In Praise of the New Knighthood». TemplarHistory.com)

A regra dessa ordem militar foi escrita por São Bernardo e sua divisa foi extraída do livro dos Salmos: “Non nobis Domine, non nobis, sed nomini tuo ad gloriam” – “Não a nós, Senhor, não a nós, mas pela glória de teu nome” (Sl. 115:1).

Em 25 de novembro de 1177, os Templários travam contra o exército de Saladino a batalha de Monte Gisardo, livremente abordada em filmes como Kingdom of Heaven.

O iníquo e excomungado rei Filipe IV de França usou a sua influência sobre o papa Clemente V, sob a sua dependência, para lhes confiscar todos os bens.

Para isso, desferiu um estrondo de descrédito, acusando os Templários de heresia, imoralidade, sodomia e diversos outros crimes.

Entre os falsos crimes estava adorar uma cabeça, ao que tudo indica o Santo Sudário hoje em Turim.

A ordem de prisão foi redigida em 14 de setembro de 1307 no dia da exaltação da Santa Cruz, e na sexta-feira 13 de outubro de 1307 todos os cavaleiros que estavam em território francês foram detidos.

O “Pergaminho de Chinon”: o Papa e o Concílio de Vienne reconhecem não haver heresia nos templários. Mas, a ordem já tinha sido dispersada, seus bens confiscados e nunca mais se reconstituiu.
O “Pergaminho de Chinon”: o Papa e o Concílio de Vienne
reconhecem não haver heresia nos templários.
Mas, a ordem já tinha sido dispersada,
seus bens confiscados e nunca mais se reconstituiu.
A partir de 1310, a Igreja institui sua própria investigação sobre a Ordem.

Nessa depuseram 573 cavaleiros, todos em defesa da Ordem e afirmando que as confissões foram arrancadas no tribunal francês por meio da tortura.

Clemente V transferiu todos os bens Templários para os Hospitalários, exceto os de Portugal, de Castela, de Aragão e de Maiorca, os quais ficariam na posse dos monarcas.

Na Ile da Cité, em Paris, num cadafalso, em 18 de março de 1314 os cavaleiros Tiago de Molay, Hughes de Pairaud, Geoffroy de Charnay e Geoffroy de Gonneville bradaram inocência e a de todos os Templários, dos crimes e heresias. Mas foram queimados.

O chamado “Pergaminho de Chinon” declara que Clemente V pretendia absolver a ordem.

O Concílio de Vienne reconheceu que não se comprovou a heresia, mas disse que a Ordem devia ser suprimida ou remodelada.

Sete séculos após o processo, o “Pergaminho de Chinon” foi recordado em cerimônia realizada no Vaticano, a 25 de outubro de 2007, na Sala Vecchia do Sínodo.

Os Templários ficaram associados a lendas sobre segredos e mistérios. Entre elas, uma quimérica ligação entre os Templários e a Maçonaria fundada em 1717, quatro séculos após o fim da ordem católica.

Nos documentos autênticos da inquisição dos Templários nunca houve uma única menção de qualquer coisa de semelhante.

A sede dos Templários em Paris ocupava quase um 25% da cidade

O rei português D. Dinis criou a Ordem de Cristo adotando por símbolo uma adaptação da cruz templária, que foi herdada pela heráldica brasileira. Foi a Cruz das naus de Cabral, ainda presente em brasões oficiais brasileiros.

Uma reflexão: Dos Templários até os Apóstolos dos Últimos Tempos


Com a Ordem dos Templários existente e fiel à sua vocação teria sido impossível a Revolução gnóstica e igualitária que nos trouxe até o precipício de caos em que estamos.

O rei Filipe o Belo, motor primeiro do fechamento, também mandou esbofetear o Papa, fato simbólico do início dessa Revolução.

O inquérito pontifício demorou, mas não deu em nada e os templários foram absolvidos de toda suspeita.

Mas, nesse momento eles já estavam dispersos e seus bens todos perdidos, e não se reconstituíram.

A única herdeira legítima de propriedades e privilégios da Ordem do Templo foi a portuguesa Ordem de Cristo, descobridora do Brasil.

Uma espécie de revide de Deus.

Mas essa tampouco existe mais enquanto ordem religiosa.

Hoje com esse nome há um prêmio concedido pelo governo português.

Nenhum outro grupo que usou ou usa o nome de templário tem continuidade legítima com a Ordem inicial.

As acusações de sociedade secreta, etc., visam essas associações. Portanto, não atingem os templários históricos.

Por que não se reconstituíram?

Acredito firmemente que a Providência Divina tem preparado algo que vai recolher a herança dos templários com um esplendor imensamente maior.

Será a Ordem dos Apóstolos dos Últimos Tempos anunciada profeticamente por santos da dimensão de São Luis Maria Grignon de Montfort e por Nossa Senhora na aparição de La Salette.


(Reflexões de Plinio Correa de Oliveira, livremente colhidas e adaptadas)



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quarta-feira, 3 de julho de 2019

Não temeram combatendo sob a sombra da Imaculada

O achado miraculoso que inverteu a batalha de Empel. Detalhe de Augusto Ferrer-Dalmau (1964 - ) FD Magazine
O achado miraculoso que inverteu a batalha de Empel.
Detalhe de Augusto Ferrer-Dalmau (1964 - ) FD Magazine
Luis Dufaur
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continuação do post anterior: Empel: onde a Imaculada mostrou que o Deus católico é o único verdadeiro




Prometendo a Virgem vencer ou morrer

Oficiais e soldados esgotados correram para construir um altar de pedras e lama que ornamentaram com a Cruz de Santo André, símbolo do exército espanhol e para glorificar a imagem encontrada, entoaram a Salve Rainha.

Concluída a oração daqueles homens consolados mas à beira da morte, o chefe Bobadilla os exortou com palavras inspiradas:

“Soldados!

“A fome e o frio nos levam à derrota, mas a descoberta milagrosa vem para nos salvar.

“Quereis que na noite abordemos as galeras inimigas, prometendo ganhá-las ou tudo perder pela Virgem sem que sobre uma vida?”.

E eles juraram que queriam.

Eles queimaram as bandeiras para que em caso de derrota não caíssem em mãos inimigas e, pela mesma razão, destruíram sua artilharia.

O milagre de Empell, miraculoso achado de imagem da Imaculada Conceição
Empel: miraculoso achado de quadro da Imaculada Conceição
foi sinal que Nossa Senhora iria intervir dando a vitória impossível
O plano era desesperado, mas não havia outra alternativa: subir a bordo de alguns barquinhos que tinham, desafiar a artilharia inimiga e tentar abordar os navios holandeses na ponta das armas brancas.

Mas, o verdadeiramente prodigioso aconteceu então.

Porque um vento poderoso e glacial começou a castigar essas terras e essas águas. Tudo virou gelo.

Os maiores navios holandeses tiveram que recuar antes de serem bloqueados e estraçalhados pelo gelo.

Entre os católicos, a esperança renasceu.

O único Deus verdadeiro é católico

Num ritmo de marcha forçada correndo por cima do gelo do rio endurecido, os terços de Bobadilla atacaram os fortes, que caíram um após o outro.

Eles fizeram o mesmo com os navios que não conseguiram escapar.

Eles capturaram dez, com seus suprimentos, toda a artilharia e munição inimiga, fizeram dois mil prisioneiros ...

Foi uma vitória total que apenas algumas horas atrás parecia impossível.

Não foram só os católicos que pensaram que ali havia uma intervenção divina.

O chefe protestante vendo a derrocada suspeitou que estava lutando contra forças muito mais poderosas que as humanas.

“Para mim, parece que Deus é espanhol ao agir com um grande milagre”, confessou o almirante Hohenlohe-Neuenstein.

Até hoje o Serviço de Meteorologia Holandês indaga como o mar congelou, Jordi Bru.
Até hoje o Serviço de Meteorologia Holandês indaga como o mar congelou, Jordi Bru.
A batalha durou dois dias.

Choveu e o gelo quebrou. Os calvinistas bateram em retirada.

A imagem da Imaculada foi transferida para a igreja de Balduque.

Até então, cada tercio tinha um grande nobre que era o empregador que financiava as operações.

Mas, depois do Milagre de Empel, a Imaculada se tornou padroeira de todos os tercios de Flandres e da Itália.

Foi fundada então a Irmandade dos soldados da Virgem Concebida Sem Defeito. Seu primeiro irmão foi Bobadilla. Todos os alistados nos territórios de Flandres e Itália pertencerão a ela.

Em 12 de Novembro de 1892, a rainha regente María Cristina assinou a ordem institucionalizando o que já era um fato consumado havia três séculos: a invocação da Imaculada Conceição como padroeira da Infantaria.

Empel: a capela do milagre
Foi um milagre?

Não há opinião canônica sobre o evento climático.

O fenômeno meteorológico incomum naquele 8 de dezembro de 1585, na ilha de Bommel, foi objeto de estudo por historiadores e meteorologistas holandeses.

Hoje, o Instituto Holandês de Meteorologia se declara incapaz de compreender a concatenação de circunstâncias que levaram a água ao redor da ilha de Bommel a se congelar numa noite.

É fato que o mundo passava por uma era conhecida como o mínimo de Maunder, período de 1645 a 1715, durante a Pequena Idade de Gelo dos séculos XV a XVII.

Mas, foi um fenômeno incomum nunca visto antes nessas terras com temperaturas de quase ‒ 20ºC.

Para todos ficou claro que os homens que acreditavam na Puríssima Virgem tinham sido resgatados de modo prodigioso.

Acresceu que o vento gélido começou a soprar no momento que os católicos da vizinha cidade de Balduque tinham iniciado uma procissão com o Santíssimo Sacramento - outra verdade negada pelos protestantes. Cfr. El Tercio de Bobadilla y el Milagro de Empel

Ao que se deveu a 'mudança climática'? Para os testemunhas do fato só podia ser por causa dEla!

Assim, desde o milagre de Empel, até hoje a Imaculada Conceição é a padroeira da infantaria espanhola.

E o 8 de dezembro, data da vitória miraculosa de Empel, é o dia de sua festa universal.


Vídeo: a Virgem Imaculada lhes deu a vitória impensável





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quarta-feira, 26 de junho de 2019

A Imaculada mostrou que
o Deus católico é o único verdadeiro: o milagre de Empel

O milagre de Empel 04, Augusto Ferrer-Dalmau (1964 - ) FD Magazine
O milagre de Empel. Augusto Ferrer-Dalmau (1964 - ) FD Magazine
Luis Dufaur
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A Imaculada Conceição teve um papel essencial em vários episódios muito importantes da história da Cristandade.

Um dos menos conhecidos é o chamado Milagre de Empel onde a intervenção da Imaculada determinou a vitória dos regimentos católicos espanhóis em guerra contra os protestantes holandeses em Flandres.

O escritor espanhol José Javier Esparza dedicou uma valiosa matéria publicada pelo jornal “La Gaceta” de Madri sob o título “Empel: Um tercio para um milagre”, reproduzido por Infovaticana.

Nota: tercio, literalmente terço em português, designa um tipo de unidade militar de infantaria no exército espanhol.

O fato portentoso se deu na ilha de Bommel, lembrada como Empel, em Brabante, região hoje dividida entre Bélgica e Holanda, nos dias 7 e 8 de dezembro de 1585. A guerra religiosa de Flandres, da qual fazia parte Brabante se disputou essencialmente em trincheiras onde a infantaria desempenhou um papel determinante.

quarta-feira, 12 de junho de 2019

Carta do Infante D. Henrique a Maomé II, sultão dos turcos

Infante Dom Henrique, à esquerda de São Vicente, Nuno Gonçalves
Luis Dufaur
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Em 1453, Maomé II conquistou Constantinopla. Logo depois se voltou para a Europa, avançando em várias frentes.

Em 1456 assaltou Belgrado, sendo barrado por Hunyadi e São João Capistrano.

Durante o pontificado de Pio II, ele tomou a Bósnia, ameaçou a Hungria, a Herzegovínia e a própria Veneza.

Na Albânia travou combates repetidos com Skanderbeg, o qual até sua morte sempre os repeliu com êxito.

Ao mesmo tempo, a partir da África, os muçulmanos ameaçavam reforçar Granada e, a partir dessa cidade, irromper novamente na Espanha.

Por todas essas razões o Papa Calisto III, convocou uma cruzada contra Maomé II.

Portugal respondeu favoravelmente, tendo o Infante D. Henrique enviado ao poderoso sultão da Ásia a seguinte carta de desafio:

quarta-feira, 29 de maio de 2019

A batalha de Ourique
e o nascimento do reino de Portugal


Luis Dufaur
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Foi na Batalha de Ourique que nasceu o Reino português.

Enfrentando os infiéis maometanos, os portugueses achavam-se grande inferioridade numérica, sendo que muitos cronistas idôneos referem-se a cem ismaelitas para cada lusitano.

Nessa situação crítica, Nosso Senhor veio em auxilio dos católicos e ordenou que D. Afonso Henriques ficasse rei daquele povo.

Bastantíssima era a tradição do aparecimento de Cristo; nosso Salvador, feito a el-rei D. Afonso Henriques, e mais, confirmando-se com os escritos de nossos autores e de muitos estrangeiros gravíssimos, para se ter certo o favor que Deus Nosso Senhor quis fazer à nação portuguesa.

Mas para maior confirmação ordenou o mesmo senhor, parece que com particular providência, nos ficasse outra memória ilustríssima dessa verdade.

Vila de Ourique, Brasão ©Sergio Horta..png
E é uma escritura autêntica em que o mesmo rei D. Afonso jura aos santos Evangelhos como viu com os seus próprios olhos ao Salvador do mundo na forma que temos contado.

Achou-se, em o ano de 1506, no cartório do real mosteiro de Alcobaça e foi instrumento o Doutor Frei Bernardo de Brito, cronista-mor de Portugal, a quem o Reino deve com a gloria adquirida por seus escritos, as graças de tão ditoso achado.

É um pergaminho de letra antiga, já gastado, com selo de el-rei D. Afonso, e outros quatro de cera vermelha, pendentes de fios de sede da mesma cor, confirmados por pessoas de autoridade, em que se fenda o maior crédito humano que pode haver em escrituras.

O Doutor Frei Lourenço do Espírito Santo, abade então daquela casa geral da ordem de Cister, neste reino, pessoas de grandes letras e muita prudência, julgou ser vontade de Deus divulgar-se por todos esta memória.

E assim, indo a Lisboa, alevou o pergaminho e mostrou aos senhores do governo, e depois fazendo jornada à corte de Madrid, o apresentou ao católico rei D. Felipe II, e o viram também muitos grandes de sua corte, e de todos foi venerado e estimado como merecia um documento de tanto preço, do qual o teor é o seguinte:

quarta-feira, 15 de maio de 2019

Honras dos cruzados

Roberto de Normandia, primogênito de Guilherme o Conquistador, catedral de Gloucester. Nos túmulos, o cruzado era representado com as pernas cruzadas.
Roberto de Normandia, primogênito de Guilherme o Conquistador, catedral de Gloucester.
Nos túmulos, o cruzado era representado com as pernas cruzadas.
Luis Dufaur
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Os cruzados que tinham combatido na Terra Santa, ou mesmo aqueles que apenas haviam pronunciado o voto de fazê-lo, eram enterrados com as pernas cruzadas, atitude em que podemos contemplá-los sobre os túmulos, nos claustros dos mosteiros.

São Luís IX, em sua imensa piedade, não se cansava de dizer que preferia o apelativo de “batalhador” ao de “devoto”.

Preguiça e avareza aparecem aos olhos do Cavaleiro como inimigos mortais.

Por isso, não bastava conquistar um prêmio num torneio ou uma batalha vitoriosa.

Ao voltar para casa, ele deveria mostrar-se benevolente para com todos, amável, polido; dar esmolas aos pobres, distribuir suas velhas túnicas aos menestréis.

quarta-feira, 3 de abril de 2019

Em Petrovaradin, a aliança católica dá golpe vital à ofensiva turca

Batalha de Petrovaradin (Jan van Huchtenburg 1647–1733). - Coleção Particular
Batalha de Petrovaradin (Jan van Huchtenburg 1647–1733). - Coleção Particular
Luis Dufaur
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No dia 28 de julho de 1716, próximo à fortaleza de Petrovaradin, turcos e austríacos já se encontravam dispostos para a batalha.

O exército do príncipe Eugênio contava com 64 mil homens, enquanto o do grão-vizir Damad Ali dispunha de 200 mil.

Num primeiro embate, enfrentaram-se as cavalarias. Com mais do que o triplo de homens, os turcos obrigaram os austríacos à retirada.

Considerando a facilidade dessa primeira vitória, o grão-vizir enviou 150 mil turcos para darem início ao cerco da fortaleza.

Eugênio rejeitou o conselho de afastar-se de Petrovaradin e esperar que se enfraquecesse o ímpeto do inimigo com o desgaste do cerco.

quarta-feira, 27 de março de 2019

Face ao Islã, alemães evocam movimento que derrubou o comunismo

Escolas livres de islamismo é outra reivindicação premente
Escolas livres de islamismo é outra reivindicação premente
Luis Dufaur
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Na Alemanha, especialmente na ex-Oriental, cresce uma força política disruptiva. Essa sai às ruas como nunca antes desde o tempo que os alemães se manifestavam contra o comunismo e pela reunificação do país.

O movimento é qualificado com menosprezo de ultradireita pelo macro capitalismo-publicitário, sempre sorrateiramente favorável às esquerdas.

Mas esse progride na Alemanha toda. Sua expressão mais visível é o novo partido Alternativa pela Alemanha, ou AfD.

Esse obteve 13% dos votos nas eleições de 2017 e se converteu no principal grupo opositor no Parlamento nacional, o Bundestag. Atualmente está representado em todos e cada um dos parlamentos estaduais alemães.

O apoio à AfD é o dobro no Leste onde, entre os homens recolhe a adesão do 28%.

Os alemães do Leste sofreram de modo muito doloroso a ditadura do comunismo que nessa parte da Alemanha exibiu uma de suas formas mais brutais e impiedosas.

Mas hoje estão liderando um processo que pode redefinir a política alemã, observou o “The New York Times” numa exaustiva reportagem.

Ninguém como Ângela Merkel encarna tudo o que os alemães do AfD recusam, notadamente a imigração islâmica vista como uma verdadeira invasão.

Irritada com tanta oposição, a atual chanceler anunciou sua próxima aposentadoria da política.

Merkel também veio do leste alemão, mas se formou no “outro Leste”, quer dizer na juventude do Partido Comunista que oprimia o país sob os invasores russos.

Quando esse partido deixou de fazer sentido, Merkel entrou nas fileiras da Democracia Cristã ocidental.

quarta-feira, 20 de março de 2019

Um Papa santo convoca à vitória na ilha de Corfu

O príncipe Eugênio de Sabóia
O príncipe Eugênio de Sabóia
Luis Dufaur
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A grande vitória católica em Zenta e o tratado de paz em Karlowitz marcaram o fim da Santa Liga convocada pelo bem-aventurado Papa Inocêncio XI contra o fracassado ataque otomano que ousou conquistar Viena. Cfr: Santa Liga e a Reconquista

No entanto, passados alguns anos, os turcos armaram nova tentativa de dominar a Cristandade, cabendo novamente ao Príncipe Eugênio de Sabóia enfrentar os muçulmanos.

Em 1683, quando os turcos empreenderam sua grande invasão da Europa, o Papa Inocêncio XI conclamou todos os povos para a defesa da Cristandade.

Mais de 10 reinos atenderam ao chamado papal, incluindo a Áustria, Polônia, Veneza e Rússia.

Depois de tantas grandes batalhas descritas em artigos anteriores,1 em 1699 foi finalmente assinado em Karlowitz um tratado confirmando as muitas conquistas dos reinos cristãos.

O príncipe Eugênio, heroico general das tropas austríacas, teria certamente dado continuidade à reconquista das cidades ainda subjugadas pelos otomanos.

Infelizmente, duas grandes guerras iniciaram-se nessa ocasião, pondo os países europeus a digladiarem entre si.

Enquanto a Áustria embarcava na luta contra a França pela sucessão espanhola, a Rússia se defendia da tentativa de expansão da Suécia. Enquanto a Europa brigava, os turcos restabeleciam suas forças.

Nova investida turca contra Veneza

Somente em 1611, concluída a Grande Guerra do Norte com a vitória russa sobre a Suécia, o Czar Pedro o Grande tentou nova investida contra os turcos.