domingo, 24 de maio de 2015

Nossa Senhora Auxiliadora, vencedora do islamismo

Maria Auxiliadora
basílica de Maria Ausiliatrice, Turim



No 24 de maio comemora-se a festa de Nossa Senhora Auxilio dos Cristãos.

A devoção foi largamente difundida por São João Bosco e começa pelos menos num milagre feito por Nossa Senhora numa hora em que os islâmicos, como também fazem hoje, ameaçavam tomar conta das nações cristãs da Europa.

Quando, no ano da Redenção de 1566, o Cardeal Ghislieri foi elevado ao trono pontifício com o nome de Pio V, a situação da Cristandade era angustiante.

Com efeito, fazia aproximadamente um século que os turcos avançavam sobre a Europa, por mar e através dos Bálcãs, no intuito insolente de sujeitar à lei do Corão as nações católicas, e, sobretudo de chegar até Roma, onde um de seus sultões queria entrar a cavalo na Basílica de São Pedro.

Em 1457 caíra Constantinopla. Transposto o Bósforo, os infiéis avançaram sobre as regiões balcânicas, subjugando a Albânia, a Macedônia, a Bósnia.

O ano de 1522 viu cair a fortaleza de Rhodes. Em 1524 o novo sultão Solimão II ocupava e tratava duramente Belgrado. Seis anos mais tarde, 300.000 otomanos chegaram às portas de Viena.

No litoral dalmático os turcos saqueavam e destruíam as cidades e as ilhas próximas à Grécia.

A Espanha engajava-se individualmente numa guerra contra a Tunísia e a Argélia, em 1541 as hostes do Crescente investiam novamente contra Viena. Em junho de 1552 tomavam elas parte da Transilvânia.

São Pio V convida os príncipes a unirem suas forças


São Pio V era como um raio de luz da Idade Média a fulgurar sobre a Europa. Em dezembro de 1566, o Papa convidou as nações católicas a se unirem numa liga em defesa da Cristandade.

Em meados de maio de 1571, emergiu a boa nova: estava concluída a Santa Liga.

A aliança ajustada entre o Papa, o Rei da Espanha e a República de Veneza devia ser estável, ter caráter ofensivo e defensivo e dirigir-se não somente contra o sultão, mas também contra seus Estados tributários.


O Sumo Pontífice publicou um Jubileu geral, para atrair as bênçãos do Deus das batalhas sobre o exército cristão.

Tomou parte nas procissões rogatórias, que se realizaram ainda no mês de maio em Roma, e mandou cunhar uma medalha comemorativa.

Em 7 de outubro, na baía de Lepanto as esquadras se aproximaram. O vento mudara inesperadamente.

Os estandartes do Crucificado e da Virgem de Guadalupe investem contra as bandeiras vermelhas do Islã, marcadas com a meia-lua, estrelas e o nome de Alá.

Foi a maior batalha naval que a História jamais registrara.

Uma Senhora de aspecto majestoso e ameaçador


Soube-se depois que, no fragor da batalha, os soldados de Islã tinham avistado acima dos mastros da esquadra católica uma Senhora, que os aterrava com seu aspecto majestoso e ameaçador.

Bem longe dali, no mesmo dia 7 de outubro o Papa aguardava ansioso notícias da esquadra católica. De repente, abriu uma janela e entrou em êxtase.

Logo depois voltou-se e disse: “Ide com Deus. Agora não é hora de negócios, mas sim de dar graças a Jesus Cristo, pois nossa esquadra acaba de vencer”. E dirigiu-se à sua capela.

As notícias do desfecho da batalha chegaram a Roma duas semanas depois.

A vitória foi por todos atribuída à intervenção da Virgem. O Santo Padre acrescentou à Ladainha Lauretana uma invocação que nascera pela “vox populi”, no momento da grande proeza: “Auxílio dos Cristãos”.

Na Espanha e na Itália começaram a surgir igrejas e capelas com a invocação de Nossa Senhora da Vitória.

O senado veneziano pôs debaixo do quadro que representava a batalha a seguinte frase: “Nem as tropas, nem as armas, nem os comandantes, mas a Virgem Maria do Rosário é que nos deu a vitória” — “Non virtus, non arma, non duces, sed Maria Rosarii victores nos fecit”.

Gênova e outras cidades mandaram pintar em suas portas a efígie da Virgem do Rosário, e algumas puseram em seu escudo a imagem de Maria Santíssima calcando aos pés o Crescente.



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segunda-feira, 18 de maio de 2015

Jihad vs Cruzadas: quem agrediu primeiro, mais e pior?

Bill Warner, diretor do Centro para o Estudo do Islã Político
Bill Warner, diretor do Centro para o Estudo do Islã Político.



Bill Warner, diretor do Centro para o Estudo do Islã Político, teve uma ideia muito valiosa. Ele observou que:
“sempre que você está lidando com um apologista do Islã, ou até mesmo com um muçulmano, e você fala da jihad (ou guerra santa islâmica), ele quase imediatamente dispara: ‘Mas, e essas terríveis cruzadas?’”.

Bill explicou que eles justificam moralmente a guerra santa se ela for contra o Ocidente cristão. Porém, eles se dizem contra as cruzadas, essa guerra santa promovida e aprovada por Papas, Santos e Doutores da Igreja.

Enquanto os muçulmanos não se envergonham de sua aberrante contradição, no mundo cristão parece haver vergonha de falar das santas e heroicas empresas feitas sob o signo da Cruz.

Bill enfrentou o problema pelo lado dos fatos. Ele criou um banco de dados de 548 batalhas provocadas pelo Islã contra a civilização cristã. E não foram todas: faltam combates provocados pelo islamismo invasor na África, na Índia, no Afeganistão e outros locais.

Com esses dados ele montou um mapa dinâmico e o postou em http://politicalislam.com/jihad-vs-crusades/. Apresentamos uma tradução dos excertos mais relevantes, o quer dizer de quase tudo:

“548 batalhas é muita coisa; é demais para se compreender. Então, eu criei um mapa dinâmico das batalha com centro no Mediterrâneo, com incrementos de 20 anos.

Desde o início a vontade do Islã foi invadir, destruir e matar.
Desde o início a vontade do Islã foi invadir, destruir e matar.
“Na tela, um ponto branco designa uma nova batalha num período de vinte anos. Toda vez que a tela muda para o próximo período de 20 anos, os pontos brancos anteriores ficam vermelhos e um conjunto de novas batalhas é representado para que você possa ver a história se desenrolando.

“Isto pode parecer um pouco confuso, mas assistindo ao vídeo você vai entender exatamente o que eu quero dizer.

“O início da exibição dinâmica mostra o Islã que irrompe a partir da Península Arábica e imediatamente começa a atacar o Oriente Médio.

“Observe que isso acontece não muito antes das batalhas que o Islã provocou em todo o Mediterrâneo e os ataques contra o sul da França e da Espanha.

“Aqui vemos o Islã projetando seu poder em todo o Mediterrâneo. As pequenas ilhas do Mediterrâneo são atacadas.

“Os navios do Islã atacam cidades costeiras para matar, roubar, estuprar e fazer escravos.

“Mais de um milhão de pessoas foram escravizadas na área de cultura europeia e levadas para o mundo islâmico.

“É algo que você não consegue imaginar, mas é absolutamente verdadeiro.

Castro Lorenzo: batalha naval contra os corsários maometanos que incursionavam desde o norte da África.
Castro Lorenzo: batalha naval contra os corsários maometanos
que incursionavam desde o norte da África.
Só na Espanha, o Islã provocou mais de 200 batalhas.

“Pelo leste, na Turquia, as forças islâmicas tentaram invadir a Europa.

“A luta na Espanha durou 400 anos até os cristãos empurrarem os muçulmanos para trás.

“Mas no leste, a cidade de Constantinopla caiu e a jihad pulou por cima da Europa Oriental.

“Posta para fora da Espanha, a jihad islamizou completamente a África e o Oriente Médio.

“Isso tudo foi jihad, e jihad implacável. E por que tão implacável?

“Bem, foi assim porque Maomé foi implacável pregando sua jihad, e esses invasores são bons alunos do Islã. E por isso fazem jihad contra o ‘infiel’, infinitamente.

“Era tradicional que quando um novo sultão galgava o poder, imediatamente ele ia tentar lançar novas guerras, para ficar registrado na história islâmica que ele lutou contra o infiel.

O resultado da jihad nesse longo período foi de 548 batalhas.

“Porém, quando você fala de jihad, as pessoas puxam o tema das Cruzadas!

“Por isso, eu também preparei um mapa dinâmico de todos os ataques ofensivos dos cruzados.

“Vamos vê-lo e fazer uma comparação.

“As Cruzadas entraram no Oriente Médio pela Turquia. Mas as batalhas delas decorrentes foram muito menos do que você imagina. Em pouco tempo, a lista acaba e o mapa termina.

“Agora, então, podemos falar sobre alguns fatos!

Constantinopla foi desde sua fundação uma cidade greco-romana. Os turcos invadiram sem nenhum direito nem argumento, salvo o Corão.
Constantinopla foi desde sua fundação uma cidade greco-romana.
Os turcos invadiram sem nenhum direito nem argumento, salvo o Corão.
“Sim, houve Cruzadas!

“Mas note que elas acabaram séculos atrás, e a jihad ainda está sendo impulsionada hoje.

“A jihad está ali, agredindo há 1.400 anos.

“Não há comparação possível entre a jihad e as Cruzadas.

“E, sobretudo, certamente não há comparação moral.

“Quando você olhar para as Cruzadas, lembre-se que as Cruzadas foram guerras defensivas.

“Por quê?

“Como vimos no mapa da jihad, foi o Islã quem saiu da Arábia e conquistou o Oriente Médio, que era cristão.

“Os cruzados tentaram libertar os seus irmãos e irmãs cristãos da perseguição da jihad.

“Portanto, não há comparação moral alguma. A motivação dos cruzados era libertar os cristãos; o propósito de jihad era, e ainda é, escravizar o Kafir, quer dizer, o ‘infiel’.

Então, da próxima vez que você ouvir alguém falar sobre ‘as terríveis Cruzadas’, pode responder com estes fatos.

“Você poderá dizer para a pessoa que critica as Cruzadas: ‘Você realmente não sabe nada dos fatos!’”.


Video: mapa estatístico da agressão do Islã






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segunda-feira, 11 de maio de 2015

Fanatismo, desordem, crimes, vícios e imoralidade
atolavam o mundo islâmico

Guerras intestinas e revoltas sanguinárias fazem parte do quotidiano islâmico
Guerras intestinas e revoltas sanguinárias fazem parte do quotidiano islâmico




A cada época memorável, vemos aparecerem homens cujas qualidades os elevam acima do vulgar e que diferem entre si pelo gênio, pelas paixões ou virtudes.

Esses homens extraordinários, como as figuras que animam as produções dos grandes pintores, imprimem seu caráter em tudo o que os rodeia e o brilho que difundem em redor de si, o interesse que fazem nascer por suas ações e sentimentos, nos ajudarão muitas vezes a colorir e a variar as narrações e as cenas desta história.

Os que estudaram os costumes e os anais do Oriente, puderam notar que a religião de Maomé, embora seja toda guerreira, não dava aos seus discípulos aquela bravura persistente, aquela perseverança nos revezes, aquele devotamento sem limites de que os cruzados deram tantos exemplos.

O fanatismo dos muçulmanos tinha necessidade de resultados felizes para conservar a força.

Formados à ideia de um fanatismo cego, eles estavam habituados a considerar o sucesso ou o revés como uma determinação do céu; vitoriosos, mostravam-se cheios de confiança e de ardor; vencidos, deixavam-se abater e cediam sem enrubescer a um inimigo que consideravam como instrumento do destino.

O desejo de conquistar fama raramente excitava-lhes a coragem; e, mesmo no auge de seu furor belicoso, o temor dos castigos os detinha no campo de batalha muito mais que a paixão da glória.

segunda-feira, 20 de abril de 2015

Recomeçam as Cruzadas?



Nos últimos dois anos, cristãos idealistas do Ocidente têm-se alistado voluntariamente nas milícias cristãs que combatem contra o Estado Islâmico no Iraque e na Síria.

Eles mencionam a frustração que lhes causam os governos ocidentais, que nada fazem de eficaz para combater os islamitas ultra-radicais ou prevenir o sofrimento de inocentes cruelmente massacrados.

A crítica bem pode estar se estendendo aos líderes eclesiásticos que, embora falando em nome de Cristo, pregam um ecumenismo e um diálogo imprudente, a ponto de dizer que não se deve combater os bandos islâmicos.

Multiplica-se o número de novos livros produzidos por importantes professores universitários nos EUA, desfazendo as falsas acusações contra as Cruzadas. Eles restabelecem sisuda e devidamente, no lugar de honra que lhes é próprio, essas grandes iniciativas da Igreja e da Cristandade.

A agência Reuters entrevistou um veterano do exército norte-americano que regressou recentemente ao Iraque, para se juntar à milícia cristã que luta contra o Estado Islâmico.

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Os mitos anticatólicos sobre as Cruzadas
não resistem à crítica histórica – 2

Os húsares poloneses de Jan Sobieski cobertos de glória na salvação de Viena usavam uma espécie de asas que imitavam os anjos
Os húsares poloneses de Jan Sobieski cobertos de glória na salvação de Viena
usavam uma espécie de asas que imitavam os anjos


Continuação do post anterior: Os mitos anticatólicos sobre as Cruzadas não resistem à crítica histórica – 1




Segundo mito: “os cristãos ocidentais foram às cruzadas porque sua avareza os motivou a saquear os muçulmanos para ficarem ricos”

“Novamente –explica– não é verdade”.

Alguns historiadores como Fred Cazel explicam que “poucos cruzados tinham suficiente dinheiro para pagar suas obrigações em casa e manter-se decentemente nas cruzadas”.

Desde o começo mesmo, recorda o Dr. Paul F. Crawford, “as considerações financeiras foram importantes no planejamento da cruzada. Os primeiros cruzados venderam muitas de suas posses para financiar suas expedições que geraram uma estendida inflação”.

“Embora os seguintes cruzados levaram esta consideração em conta e começaram a economizar muito antes de embarcar nesta empresa, o gasto seguia estando muito perto do proibitivo”, acrescenta.

Depois de recordar que o que alguns estimavam que as Cruzadas iam custar era “uma meta impossível de ser alcançada”, o historiador assinala que “muito poucos se enriqueceram com as cruzadas, e seus números foram diminuídos sobremaneira pelos que empobreceram. Muitos na idade Média eram muito conscientes disso e não consideraram as cruzadas como uma maneira de melhorar sua situação financeira”.

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Os mitos anticatólicos sobre as Cruzadas
não resistem à crítica histórica – 1

São Bernardo de Claraval, grande propagador da devoção a Nossa Senhora,  foi incansável pregador das Cruzadas. Vicente Berdus Osorio (1671-1673)
São Bernardo de Claraval, grande propagador da devoção a Nossa Senhora,
foi incansável pregador das Cruzadas. Vicente Berdus Osorio (1671-1673)




O historiador Dr. Paul F. Crawford do Departamento de História e Ciências Políticas da Universidade de Pensilvânia (Estados Unidos), é outro dos especialistas que desmentiram os falsos mitos anticatólicos sobre as Cruzadas.

Seu trabalho apareceu originalmente na edição de primavera da 2011 da Intercollegiate Review, sob o título “Four Myths about the Crusades”, e foi divulgado, entre outros por ACIDigital.

Ele denunciou que com frequência “as cruzada são mostradas como um episódio deploravelmente violento no qual libertinos ocidentais, que não tinham sido provocados, assassinavam e roubavam muçulmanos sofisticados e amantes da paz, deixando padrões de opressão escandalosa que se repetiriam na história subsequente”.

“Em muitos lugares da civilização ocidental atual, esta perspectiva é muito comum e demasiado óbvia para ser rebatida”, prossegue.

segunda-feira, 30 de março de 2015

Balduíno IV é enterrado ao pé do Gólgota, junto ao Santo Sepulcro

Raimundo de Tripoli nomeado regente. BNF Français 2824, fol. 162v
Raimundo de Tripoli nomeado regente.
BNF Français 2824, fol. 162v

continuação do post anterior: Quase cego e imobilizado, Balduíno IV volta a vencer Saladino e a inépcia dos vassalos


Os últimos meses do reinado de Balduíno IV quase viram estourar uma guerra civil sob o olhar inimigo.

Guy de Lusignan aproveitou-se de uma ausência de Balduíno para correr até Jerusalém, onde estava Sibila, e levá-la consigo antes do retorno do rei.

Refugiou-se com ela em seu feudo de Jaffa-Ascalon e recusou atender às ordens do rei, que lhe exigia comparecer na sua presença. Foi então luta aberta.

O rei marchou sobre Ascalon, cujas portas encontrou fechadas. Mas conseguiu tomar Jaffa. Em seguida reuniu um “parlamento” em São João de Acre, para acabar com o rebelde.

O patriarca Heráclio e o Grande Mestre do Templo tentaram interceder por ele.

Mas Guy tornava desmerecido o perdão também pelo fato de ser culpado por uma ação abominável.

Nas circunvizinhanças de Ascalon viviam beduínos nômades, tributários e ‘clientes’ do rei. Eles faziam pastar seus rebanhos com toda confiança quando, para causar dano ao soberano, Guy se jogou sobre eles e os massacrou.

segunda-feira, 23 de março de 2015

Quase cego e imobilizado, Balduíno IV volta a vencer Saladino e a inépcia dos vassalos


continuação do post anterior: Diante de Beirute, Saladino foge de Balduíno IV

Diante de um adversário com a atividade de Saladino, teria sido necessário que o rei leproso estivesse sem cessar acima do cavalo para frustrar os planos inimigos.

As campanhas francas do outono de 1182 tinham salvo a independência de Alepo dos ataques do sultão.

Mas, no ano seguinte, a imperícia dos últimos reis turcos locais lhe entregou a cidade (junho de 1183). A partir dali, a Síria muçulmana pertencia ao grande sultão, do mesmo modo que todo o Egito.

Pese os esforços desesperados de Balduíno IV, a situação dos francos se degradava cada vez mais. Após a anexação de Alepo, Saladino voltou à sua boa cidade de Damasco a fim de organizar a invasão da Palestina (agosto de 1183).

Sabendo desta notícia, Balduíno convocou todas as forças francas nas fontes de Sephoria, na Galileia, ponto de concentração habitual das armas cristãs. Foi lá que a doença venceu seu heroísmo.

Após uma interrupção de alguns meses, a terrível doença retomou seus progressos. Balduíno IV entrou em estado terminal.

“Sua lepra – diz o cronista – debilitava-o até o ponto de ele não mais conseguir fazer uso de suas mãos e de seus pés. Ele estava todo apodrecido e ia a perder a visão”.

Nesse estado, quase cego, longamente imobilizado em seu leito, um cadáver vivo, ele ainda lutava contra o destino. Quem acompanhou sua atividade desde o início da doença compreende o combate patético e doloroso que ele livrou contra si mesmo.

segunda-feira, 16 de março de 2015

Diante de Beirute, Saladino foge de Balduíno IV

Unção de Balduíno IV. BNF, Français 5594, fol. 176v haut
Unção de Balduíno IV. BNF, Français 5594, fol. 176v haut

continuação do post anterior: Um rei leproso e herói, em uma corte decadente e pusilânime



O sultão concebeu então um projeto audacioso: separar o reino de Jerusalém do condado de Trípoli, empossando-se de Beirute.

Em agosto de 1182, ele atravessou o Líbano a toda velocidade e apareceu de improviso diante da cidade, enquanto uma frota egípcia chegava remando.

Mais uma vez o rei leproso foi o salvador do país. Da Galileia, onde estava acampado, acorreu ao galope com sua cavalaria, não sem antes ordenar a todos os navios cristãos, ancorados na costa, a partir a toda vela rumo a Beirute.

O movimento foi tão rápido que os planos de Saladino ficaram frustrados. Os habitantes de Beirute tinham também se defendido bem.

Quando o sultão soube da aproximação do rei, compreendeu que havia errado o golpe e voltou pelo interior do Líbano, não sem antes saquear sítios e plantações.

A brilhante libertação de Beirute provou que, a despeito de uma situação cheia de perigos, o Estado cristão resistia face a face ao inimigo por toda parte.

Embora representada por um infeliz leproso, a dinastia de Anjou cumpria com vigilância seu papel tutelar.

segunda-feira, 9 de março de 2015

Um rei leproso e herói, em uma corte decadente e pusilânime

Renaud de Châtillon, senhor díscolo e caprichoso pôs o reino a perder
Renaud de Châtillon, senhor díscolo e caprichoso
pôs o reino a perder

continuação do post anterior: Saladino é forçado a aceitar a paz diante do rei leproso



Infelizmente, o estado de Balduíno IV se agravava. A lepra se manifestava em toda a sua repugnância. E, com os estigmas, o temperamento do heroico jovem se toldava.

A herdeira do reino era sua irmã Sibila, a quem o marido, antes de morrer, deixou grávida de um filho, Balduíno V.

Como o rei Leproso podia desaparecer de um momento para outro e era de se prever uma longa regência, era necessário casar a princesa o mais cedo possível.

O rei e a corte procuravam um partido conveniente nas famílias soberanas do Ocidente, quando a princesa fez saber que seu coração estava com um jovem sem fortuna, sem educação e sem qualidades pessoais: Guy de Lusignan.

O romance foi ter consequências políticas desastrosas. Guy era desservido por suas qualidades negativas.

Tido como tapado na própria família, quando ficaram sabendo que “Guion” – como era apelidado – estava a ponto de ganhar uma coroa pelo raio de uma rainha fantasiosa, seu irmão mais velho estourou de rir: “Se Guy ficar rei, por que eu não ficaria deus?”

segunda-feira, 2 de março de 2015

Saladino é forçado a aceitar a paz diante do rei leproso




continuação do post anterior: Contra Saladino, Balduíno IV conquista em Montgisard a mais bela vitória das armas cristãs



Balduíno aproveitou a vitória de Montgisard para pôr a Galileia a salvo das incursões oriundas de Damasco.

Em outubro de 1178, ele ergueu uma poderosa fortaleza no Outeiro de Jacó, sobre as margens do alto Jordão, destinada a controlar a rota histórica que vai de Tiberíades a Qouneitra.

Mais ao norte, nas fontes do Jordão, disputou aos damascenos a região de Baniyas, velha marca fronteiriça perdida havia pouco tempo.

Em abril de 1179, junto com seu condestável Onfroi de Toron, ele executou uma incursão não muito feliz, sendo surpreendido pelas tropas damascenas.

Responsável pela imprudência que pôs tudo a perder, o velho condestável salvou o jovem rei cobrindo-o com seu próprio corpo na retirada, e, crivado embora de feridas, conteve o inimigo e morreu com a honra salva em seu castelo de Hounin.

Entrementes, Saladino voltou do Egito com um novo exército e preparou em Baniyas a invasão da Galileia.

Ousadamente, Balduíno IV resolveu antecipar-se.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Contra Saladino, Balduíno IV conquista em Montgisard
a mais bela vitória das armas cristãs

Balduíno IV na batalha de Montgisard. Charles Philippe Larivière (1798-1876).
Balduíno IV na batalha de Montgisard. Charles Philippe Larivière (1798-1876).


continuação do post anterior: O rei leproso começa pondo em xeque o poder de Saladino



A brilhante vitória do jovem soberano na Beqaa só fazia aumentar o pranto pela doença incurável que o tinha atingido.


A lepra piorava, vedando-lhe qualquer esperança de casamento. No lendemain de seu triunfo ele se encontrou na obrigação de acertar as questões relativas à sucessão.

A escolha de Balduíno IV e de seus conselheiros recaiu no barão piemontês Guilherme Longa-Espada, filho do marquês de Montferrato.

No início de outubro de 1176 esse loiro jovem, um dos mais formosos e valentes cavaleiros de sua época, desembarcou em Sidon, onde desposou a princesa Sibila, irmã de Balduíno, em meio a magníficas festas.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Obama é criticado por historiadores por comparar as Cruzadas com o Estado Islâmico




WASHINGTON DC, 10 Fev. 15 (ACI) – “Não acredito que o presidente saiba muito sobre as cruzadas”, expressou o historiador da Universidade de San Louis (Estados Unidos) Thomas Madden, ao referir-se às declarações de Barack Obama no tradicional Café da Manhã Nacional de Oração, onde comparou as cruzadas com as atrocidades cometidas pelo Estado Islâmico (ISIS) contra cristãos crianças e adultos que são decapitados, crucificados ou vendidos como escravos no Iraque e na Síria.