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terça-feira, 22 de abril de 2014

São Bernardo aos barões da Bretanha: “Quem não tem espada, compre-a!”

São Bernardo consola Jesus Crucificado. Bamberg, Alemanha
São Bernardo consola Jesus Crucificado. Bamberg, Alemanha
Em 1146, o Doutor Melífluo – assim denominado pela unção que emanam de seus escritos, especialmente os dedicados a Nossa Senhora – escreveu uma carta aos barões da Bretanha.

Naquele tempo o ducado de Bretanha constituía um Estado independente.

“1. A terra inteira treme e está abalada porque o Rei do Céu perdeu sua pátria aqui embaixo, os locais que seus pés pisaram.

Os inimigos de sua Cruz conjuraram-se contra Ele e exibindo-se cheios de audácia e orgulho, bradaram todos juntos: “Apoderar-nos-emos de seu santuário”.

Eles querem se apoderar dos Santos Lugares onde se efetivou nossa salvação, e ameaçam emporcalhar com sua presença os locais regados com o sangue de nosso Salvador.

Mas o que eles querem no mais fundo de seu coração é destruir o tesouro insigne da religião cristã, esse Sepulcro onde o corpo do Salvador foi depositado e sua Face divina recoberta com um Sudário.

Eles apontam com mão ameaçadora a montanha de Sião, e se o próprio Senhor não fosse seu guardião, eles não demorariam em cair sobre a cidade santa de Jerusalém, a cidade onde o nome de Deus vivo foi outrora invocado.

Os cristãos são jogados nos cárceres ou cruelmente massacrados como ovelhas sem defesa.

O olho da Providência parece fechado sobre estas desgraças, mas só para melhor ver se encontrará alguém que compreenda a vontade de Deus e queira efetivá-la, que sofre a afronta com a qual Ele é ameaçado e esforce-se em devolver-lhe sua herança.

Embora Ele possa tudo quanto quer, só deseja que os cristãos tenham o mérito da vitória, reservando para Si o poder de esmagar seus inimigos.

Cruzados, altar em Gante, Bélgica
Cruzados, altar em Gante, Bélgica
2. Eis por que, atendendo ao premente apelo do rei nosso senhor, e obedecendo às ordens da Santa Sé, nós marchamos em multidão, no dia de Páscoa, até Vézelay, onde o rei nosso senhor e sua corte tinham se reunido.

Após ter exposto aos olhos de todos o triste estado das coisas, foi lida uma carta do Papa, da qual eu vos envio uma cópia.

O Espírito Santo tocou os corações e o rei pegou a cruz junto com uma multidão de homens e grande número de senhores, e de todas as partes se viu acudir pessoas ansiosas de colocar sobre seu peito o sinal da salvação.

Como vosso país está cheio de valentes guerreiros e de uma juventude plena de bravura, incumbe-vos alistar entre os primeiros, junto com aqueles que já deram seu nome para a expedição santa, e de espada em mão partir para defender a causa do Deus vivo.

Coragem, pois, generosos guerreiros! Revesti-vos de vossas armas e aquele que não tiver espada que se apresse a comprar uma!

Não deixeis sozinho o rei da França, vosso rei; isso seria abandonar o próprio Rei dos Céus, pelo qual nosso rei empreende uma guerra tão longe e tão penosa.

Vós não demorareis em receber a visita de um verdadeiro homem de Deus, o senhor bispo de Chartres.

Ele vos informará com mais detalhes de tudo quanto aconteceu aqui, e ao mesmo tempo vos mostrará as indulgências consideráveis que o Papa concede por meio de sua carta àqueles que tomarem a Cruz.

Em nome d’Aquele que quis morrer por vossa salvação, voai em defesa dos lugares onde Ele foi morto e consumou a nossa Redenção, se não desejais que os pagãos digam logo: “Onde, pois, está vosso Deus?”

Que Nosso Senhor Jesus Cristo, o filho de Maria, o esposo da Igreja, vos conceda a vitória na Terra e a coroa da glória nos Céus.”

(Fonte: Obras completas de São Bernardo, abadia de Saint-Benoit, Cartas aos Templários)



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segunda-feira, 31 de março de 2014

Al-Jihad Sulami conclama uma contracruzada à 1ª Cruzada vitoriosa

Sitio de Jerusalém, Français 770, fol 349 (1187). BnF
Sitio de Jerusalém, Français 770, fol 349 (1187). BnF

A vitória da 1ª Cruzada representou um abalo moral formidável para o mundo muçulmano.

Os maometanos da seita seljúcida até então invencíveis haviam sido derrotados pelos cristãos.

O autor islâmico que ficou para a História como Al Jihad Sulami, presumivelmente de Damasco, compôs um Tratado por volta de 1105, visando inflamar o zelo dos príncipes e emires do mundo islâmico para uma contracruzada contra os católicos que já dominavam Terra Santa.

O Tratado nos revela o ponto de vista, bastante imaginoso, islâmico sobre as origens da I Cruzada.

Contudo, nos apresenta de modo muito claro o estado de desmoralização das cortes maometanas, já submersas na luxúria e pusilanimidade, diante das sucessivas derrotas sofridas pelas mãos dos cavaleiros da Cruz.

O Tratado também deita uma luz esclarecedora sobre o espírito militar agressivo dos mais genuínos representantes do Islã da época.

O apelo de Al-Jihad Sulami afasta definitivamente a ideia de uma religião muçulmana pacífica padecendo a agressividade “colonialista” dos francos.

Os argumentos de natureza econômica são afastados. O Corão e a religião de Maomé ordenam a guerra. As ideias de coexistência pacífica, diálogo ou ecumenismo simplesmente não existem e não podem existir na alma do bom muçulmano.

Mas, sim a guerra por Alá para extinguir os cristãos, então vitoriosos.

Diz Al-Jihad Sulami :

“...Parte dos infiéis atacou de surpresa a ilha da Sicília, aproveitando as disputas e rivalidades que aí reinavam da mesma maneira que os infiéis também capturaram em Espanha uma cidade após a outra.

“Quando ficou confirmada a situação conturbada da Síria [refere-se à Terra Santa] onde os soberanos se detestavam e se combatiam, eles resolveram invadi-la.

“E Jerusalém era o verdadeiro objetivo de seus desejos.

“Examinando os países da Síria, os francos constataram que os Estados estavam em lutas uns contra outros, que seus pontos de vista divergiam e que suas relações repousavam em desejos latentes de vingança.

“Sua cupidez ficou então reforçada e os animou a se engajar no ataque. De fato, eles conduzem com zelo a guerra santa contra os muçulmanos, mas estes, em revanche, dão provas de uma falta de energia e de união na guerra onde cada qual tenta passar suas obrigações aos outros.

“Desta maneira, os Francos chegaram a conquistar territórios ainda maiores dos que eles tinham em vista, exterminando e avassalando seus habitantes.

“Até o momento presente, eles prosseguem seu esforço para aumentar sua conquista.

Sitio de Jerusalém, Français 10, fol 412v, BnF
Sitio de Jerusalém, Français 10, fol 412v, BnF
“Sua cupidez cresce sem cessar na medida em que eles constatam a covardia de seus inimigos que se contentam vivendo guarnecidos contra o perigo.

“Eles anelam e têm certeza de se tornarem mestres de todo o país e em fazer prisioneiros todos os seus habitantes.

“Queira Alá, na sua bondade, frustrar suas esperanças restabelecendo a unidade na comunidade. Ele está próximo de ouvir nossas preces. (...)

“Temos assim dissipado vossas dúvidas, e vós deveis agora ter certeza de vossa obrigação em fazer a guerra pela fé.

“Esta tarefa incumbe mais especialmente aos soberanos, porque Alá lhes confiou o destino de seus súditos, e lhes prescreve cuidar de seus interesses e defender o território muçulmano.

“É preciso absolutamente que o soberano se engaje todos os anos para atacar os territórios dos infiéis para expulsá-los de lá, do modo que é obrigatório a todos os chefes muçulmanos, para exaltar doravante a palavra da fé e humilhar a fé desses incrédulos, dissuadir os inimigos da religião de Alá de qualquer desejo em empreender novamente uma expedição semelhante.

“Ficamos tomados por uma surpresa profunda ao ver esses soberanos que continuam levando uma vida fácil e tranquila quando se aproxima uma catástrofe semelhante, como a conquista do país pelos infiéis, a expatriação de uns e a vida de humilhação de outros, sob o jugo dos infiéis e com tudo o que isso representa: morticínios, cativeiros e suplícios que perduram dia e noite”.

(Fonte: Tratado composto por volta de 1105 por Al-Jihad Sulami Damasco, ed. jornal Sivan asiáticos, 1966, apud Internet Medieval Sourcebook)




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segunda-feira, 17 de março de 2014

Felicitacões de São Bernardo a Hugo, filho do conde de Champagne,
que se fez cavaleiro templário

São Bernardo de Claraval. Juan Correa de Vivar (1510-1566)
Em 1125, São Bernardo escreveu a Hugo, filho de Thibaut III e conde de Champagne, para felicitá-lo por ter ingressado na Ordem de Cavalaria do Templo e assegurar-lhe sua eterna gratidão.

“Se for por Deus que de conde vos tornastes um simples soldado; e em pobre de rico que fostes, eu vos felicito do mais fundo de meu coração, e dou glória a Deus, porque eu estou convencido de que essa mudança foi obra da destra do Altíssimo.

“Entretanto, sinto-me obrigado a vos confessar que não posso facilmente renunciar, por uma ordem secreta de Deus, a vossa amável presença, e de nunca mais voltar a vos ver, a vós junto a quem eu teria desejado ter passado minha vida inteira, se isso tivesse sido possível.

“Poderia eu, com efeito, esquecer vossa antiga amizade, e os benefícios com que tendes cumulado nossa Casa?

“Eu rogo a Deus, cujo amor vos inspirou tanta munificência por nós, de vos ter em conta de um verdadeiro fiel.

“Da minha parte, conservarei uma gratidão eterna, da qual quereria poder vos dar as provas.

“Ah! Se me tivesse sido dado viver convosco, com quanta sofreguidão eu teria querido atender às necessidades de vosso corpo e de vossa alma.

“Mas posto que isso me é impossível, só me fica vos garantir que, apesar da distância, vós não cessareis de estar presente em meu espírito durante minhas orações.”

(Fonte: Obras completas de São Bernardo, abadia de Saint-Benoit, Cartas aos Templários)




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segunda-feira, 3 de março de 2014

Ibn al-Athîr e as versões caricatas islâmicas sobre a origem das Cruzadas

Peregrinos chegam a Jerusalém, f 86v. Sébastien Mamerot, Les Passages d’Outremer, Fr 5594, BnF

O historiador muçulmano Ibn al-Athîr construiu no século XIII, por volta de duzentos anos após os fatos, uma narração caricata sobre as razões que impulsionaram a primeira Cruzada.

A narração desprovida de substância histórica, entretanto, serve para mostrar o ódio soez e falso que os islâmicos professavam sempre contra os seguidores de Jesus Cristo.

Elementos materialistas e caricatos desta lenda islâmica aparecem com relativa frequência, mas com véus mais dissimulados em muita literatura pseudo-histórica sobre as Cruzadas.

“A primeira manifestação de poderio e de expansão dos francos à custa dos países muçulmanos deu-se no ano 478 [Nota: pelo calendário islâmico, que corresponde ao ano 1085] com a tomada de Toledo e de outras cidades espanholas. Disso já falamos.

“No ano 484 (1091), eles completaram a conquista da Sicília como narramos; atacaram as costas da África, ocuparam-na em alguns pontos, mas nós as recuperamos depois.

“Mais tarde, eles voltariam para ocupar outros.

“No ano 490 (1097), eles invadiram a Síria, e eis a causa:

“O rei deles, Balduíno, tinha reunido um grande exército franco. Ele era parente de Roger, o Franco, que havia conquistado a Sicília, e mandou lhe avisar que tendo reunido esse grande exército pretendia ir à Sicília, atravessar o mar até a África [refere-se à Tunísia], conquistá-la, e assim se tornar seu vizinho.

“Roger convocou seus companheiros e lhe pediu conselho a esse respeito.

– “Pelo Evangelho, disseram eles, eis uma excelente ideia para nós e para ele: amanhã a África toda será cristã”.

“Então Roger levantou o pé, [omitimos uma torpeza obscena] e disse:

– “Pela minha fé, vós tendes boas ideias com essas palavras! Como?

“Se eles vêm de meu lado eu terei de pagar grandes despesas, equipar navios para transportá-los até África, lhes fornecer reforços tirados dos meus exércitos também.

“E se eles conquistam a África, eles receberão os fornecimentos produzidos na Sicília e eu deixarei de receber o benefício da venda anual das colheitas.

“E se eles não conquistam a África, eles voltarão a meus Estados e eu sofrerei grandes danos.

Sitio de Jerusalém, Sébastien Mamerot, Les Passages d’Outremer, Fr 5594, BnF f 88
“Tamîm (o emir maometano da Tunísia) vai dizer que eu violei o tratado, que eu o enganei e assim ficarão prejudicadas as boas relações e o intercâmbio mercantil que existem entre nós desde que eu conquistei a Sicília pela força”.

“Roger mandou vir o embaixador de Balduíno e lhe disse:

– “Se vós tendes a intenção de fazer guerra santa contra os muçulmanos, seria melhor ir conquistar Jerusalém. Vós a libertareis de suas mãos, e vós voltareis cobertos de glória. No que se refere à África, nossa palavra e a deles está engajada em tratados”.

“Foi assim que eles iniciaram seus preparativos e se puseram em marcha em direção à Terra Santa.

“Conta-se também que os senhores muçulmanos do Egito, quando viram crescer o poder dos Seljúcidas e assistiram à conquista da Síria por eles, até Gaza, de tal maneira que entre eles e o Egito não ficava mais país que servisse de parapeito, e que Atsîz havia invadido o Egito, ficaram cheios de medo e decidiram pedir aos francos que invadissem a Síria, com o objetivo de se apoderar dela, e se interpor entre os muçulmanos do Egito e seus inimigos seljúcidas.

“Foi assim que os francos se puseram a caminho. (Prossegue a narração da I Cruzada)”.

(Autor: “Les origines de la première croisade vue par l'historien musulman Ibn al-Athîr”, século XIII, Kâmil, Tornberg, X, an 497, apud Internet Medieval Sourcebook)




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segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Monge armênio Hovannés: os Cruzados foram o braço misericordioso do Deus todo-poderoso

Chegada dos cruzados a Antioquia,
Sébastien Mamerot, Les Passages d’Outremer, Fr 5594, BnF

O monge armênio Hovannés [João] que morava em Antioquia durante o sítio cruzado, assistiu à sua subsequente invasão, ao sítio maometano e, por fim à libertação final num combate humanamente inexplicável, deixou uma crônica bastante pormenorizada de como aconteceram esses fatos:

“... Naquele ano [Nota: fala das operações militares do ano 1098] o Senhor visitou o seu povo, segundo está escrito: “Eu não vos abandonarei nem me afastarei de vós”.

“O braço todo poderoso de Deus foi o nosso guia.

“Eles [os Cruzados] trouxeram o estandarte da Cruz de Cristo e depois de ostentá-lo pelo mar, massacraram uma multidão de infiéis e puseram os outros a fugir pela terra.

“Eles tomaram a cidade de Nicéia e a sitiaram por cinco meses.

“Depois vieram ao nosso país na região da Cilícia e da Síria, e atacaram, postando-se em volta da metrópole de Antioquia.

“Durante nove meses eles fizeram a cidade e as regiões vizinhas passarem por momentos difíceis.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

A tomada de Antioquia e morte de Yaghi-Siyan

Armaduras dos húsares de Jan III Sobieski, rei da Polônia
Em 1097, quando a I Cruzada chegou a grande cidade de Antioquia, Yaghi Siyan era seu governador e pertencia a seita fanática muçulmana dos seljúcidas, que havia conquistado Terra Santa.

Ficou mais conhecido pelos cronistas europeus como Acxiano, Graziano ou Cassiano.

Ele se viu em dificuldades quando o exército católico iniciou o cerco da cidade no fim de 1097.

Embora os cruzados estivessem famintos, mantiveram o cerco durante a maior parte do ano até que, por fim, tomaram a cidade na noite de 2 a 3 de junho de 1098.

O historiador árabe Ali ibn al-Athir assim escreveu sobre a queda da cidade em mãos católicas:

“Após manter o cerco por longo tempo, os francos fizeram tratativas com um dos responsáveis por uma das torres cujo nome era Ruzbih [ou Firuz, ou Firouz]. Ele era fabricante de couraças. Pelos serviços, os francos pagaram uma fortuna em dinheiro e terras. O seu local de trabalho era na torre que ficava sobre o rio, no lugar onde ele deixa a cidade em direção ao vale.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

O martírio de Reinaldo e dos cavaleiros cristãos em Antioquia (1098)

O Pe. Peter Tudebode, testemunha ocular do fato, deixou escrito que durante o cerco de Antioquia na I Cruzada, precisamente o dia 3 de abril de 1098, os muçulmanos conduziram ao topo das muralhas da cidade o nobre cavaleiro Reinaldo Porchet [também lembrado como Reynaud Porquet], que eles tinham acabado de prender numa emboscada.

Daquela ‘tribuna’, ele deveria perguntar aos peregrinos cristãos quanto eles pagariam pela sua libertação a fim de impedir que os turcos lhe cortassem a cabeça.

Segundo descreve o livro de Yvonne Friedman “Choques entre inimigos: Captura e no Reino Latino de Jerusalém” (“Encounter Between Enemies: Captivity and Ransom in the Latin Kingdom of Jerusalem”) mercadejar prisioneiros para obter resgate era uma prática frequente, quando se tratava de pessoas de boa condição.

Era, aliás, segundo o autor “um método diplomático para um encontro pacífico com o inimigo num interlúdio das batalhas”.

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Os Papas percebem a necessidade da Cruzada, mas os príncipes não ouvem bem

Bem-aventurado Papa Urbano II convocou a Cruzada contra o Islã
continuação do post anterior

Em 1075, o grande papa Gregório VII já pressionava avidamente os príncipes cristãos à guerra santa, prevista por Carlos Magno, implorada por Silvestre II.

Ele impôs, neste mesmo ano, a peregrinação de Jerusalém ao abominável Cencius, que tinha odiosamente atentado contra sua liberdade e sua vida.

50 mil cristãos se levantaram, contudo, faltavam-lhes chefes, pois os príncipes cristãos se mantinham surdos.

Em 1085, Roberto, o Frísio, tendo se associado ao governo dos Estados de Flandres, seu filho primogênito, Roberto II, partiu para a santa viagem, mais ou menos ao mesmo tempo em que Berenguer II, conde de Barcelona; Fréderic, conde de Verdun, e Conrado, conde de Luxemburgo, a quem a santa peregrinação estava prescrita em expiação, assim como havia sido para Roberto da Normandia, a Fulque d'Anjou, a Frotmond e a outros personagens culpados por assassinatos ou rebelião.

Depois de longas vicissitudes, Roberto, o Frísio, e seus companheiros puderam, pela força do dinheiro, adorar seu Deus sobre o Calvário.

Eles voltaram somente em 1091, e Roberto passou a se ocupar somente de sua salvação.

Contudo, ele enviará tão logo seu filho para a Cruzada. Ele tinha visto, na Palestina, reinos à conquistar.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Cristãos resistem assalto maometano em Ramla



continuação do post anterior


Dez anos depois (no ano 1064), 7 mil cristãos franceses e alemães partiram juntos para Jerusalém.

Guilherme, bispo de Utrecht; Sigefroi, bispo de Mayence; Gunther, bispo de Bamberg; Otton, bispo de Ratisbona e muitos outros senhores das duas nações fizeram parte desta tropa. J. Voigt citou um episódio curioso desta grande peregrinação [Histoire du pape Grégoire VII e de son siècle, c.III e VIII]:

“Esses peregrinos, diz ele, tiveram a imprudência de revelar suas riquezas no caminho.

“Por toda parte, nos campos e nas cidades que eles atravessavam, corriam-se para admirar seus esplendores.

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Muçulmanos iniciaram violências e morticínios contra os peregrinos

continuação do post anterior

De todas as partes, então, entre os cristãos, aqueles que buscavam obter grandes favores, ou expiar grandes quedas, se colocam em peregrinação aos lugares santos juntamente com os fiéis piedosos que para lá se dirigiam possuídos somente pelo amor ao Redentor.

Entre os peregrinos ilustres destes primeiros tempos, citamos São Silvino, bispo regional cujo nome conta na lista dos bispos de Toulouse e na lista dos bispos de Thérouenne. Ele assistiu ao batismo de Carlos Martel;

Santo Arculfo, prelado nas Gálias, que escreveu em seu retorno uma descrição dos lugares santos [Mabillon a conservou nas Acta Benedictorum];

Santo Willibald, bispo de Aichstaldt, na Francônia, e um dos apóstolos da Alemanha. Uma santa religiosa de sua família narrou sua viagem.

Muitos partiram para expiar crimes. Em 868, um senhor da Bretanha francesa, chamado Frotmond, assassino de seu tio e mais jovem de seus irmãos, recebeu absolvição após ter feito três vezes a peregrinação de Jerusalém.

Os rigores contra os cristãos reapareceram sob os fracos sucessores de Carlos Magno.

No século X, eles se tornaram mais violentos; o que não detinha, ainda, o zelo dos peregrinos para a santa viagem.

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

A cidade santa profanada inspira a Cruzada

Califa Ali Ben Hamet, Theodore Chasseriau (1819 – 1856)
continuação do post anterior

Omar, sucessor do Profeta, imediatamente edificou uma mesquita no lugar aonde estava levantado o templo de Salomão. Não atormentando, contudo, os cristãos.

Somente após sua morte, em 644, que as ignomínias e as espoliações vieram experimentá-los; os peregrinos foram obrigados a pagar um tributo para ter o direito de se prosternar no Calvário.

O tributo que se exigia dos peregrinos na entrada da cidade santa, inicialmente leve, logo tornou-se pesado, e aqueles fiéis que guardavam os lugares santos caíram rapidamente sob uma tirania odiosa.

Carlos Magno se encontrava bastante ocupado, assim como foram Carlos Martel e Pepino, com suas guerras contras os frísios e os saxões, guerras que eram verdadeiras cruzadas, mesmo que esse nome não tivesse ainda sido cunhado.

Carlos Magno envia então ao califa Haroun-al-Raschid, o chefe supremo do islamismo em Bagdá, um embaixador encarregado de reclamar a liberdade dos cristãos.

Haroun, antipático aos heróis do Ocidente, como dizem os historiadores, pois ele admirava somente a si mesmo, contudo, temendo os exércitos do grande chefe dos francos, cujo renome já havia chegado até ele (visto em uma carta de Silvestre II) [Gerberti Epist. 107].