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segunda-feira, 2 de março de 2015

Saladino é forçado a aceitar a paz diante do rei leproso




continuação do post anterior: Contra Saladino, Balduíno IV conquista em Montgisard a mais bela vitória das armas cristãs



Balduíno aproveitou a vitória de Montgisard para pôr a Galileia a salvo das incursões oriundas de Damasco.

Em outubro de 1178, ele ergueu uma poderosa fortaleza no Outeiro de Jacó, sobre as margens do alto Jordão, destinada a controlar a rota histórica que vai de Tiberíades a Qouneitra.

Mais ao norte, nas fontes do Jordão, disputou aos damascenos a região de Baniyas, velha marca fronteiriça perdida havia pouco tempo.

Em abril de 1179, junto com seu condestável Onfroi de Toron, ele executou uma incursão não muito feliz, sendo surpreendido pelas tropas damascenas.

Responsável pela imprudência que pôs tudo a perder, o velho condestável salvou o jovem rei cobrindo-o com seu próprio corpo na retirada, e, crivado embora de feridas, conteve o inimigo e morreu com a honra salva em seu castelo de Hounin.

Entrementes, Saladino voltou do Egito com um novo exército e preparou em Baniyas a invasão da Galileia.

Ousadamente, Balduíno IV resolveu antecipar-se.

Colocou-se à testa de sua cavalaria e acompanhado pelo conde de Trípoli galopou até a entrada de Mardj Ayoun, a “pradaria” situada entre o grande cotovelo que forma o rio Litani e o bosque de Baniyas.

Ali, desde as alturas de Hounin, ele contemplou as massas inimigas operando sua concentração, enquanto os provedores de forragens retornavam de suas lucrativas pilhagens na Fenícia.

Renovando o golpe de surpresa de Montgisard, Balduíno se lançou sobre esses destacamentos isolados e os pôs em fuga.

Infelizmente, na descida demasiado rápida da montanha, os cavaleiros tinham em alguma medida se dispersado. O que deu a Saladino tempo de acorrer com o grosso de suas forças a partir de seu quartel- general.

Reorganizando os fugitivos, Saladino caiu sobre a ofegante cavalaria franca, dispersando-a após um furioso embate.

Balduíno IV e o conde de Trípoli conseguiram escapar, mas o número dos mortos e dos cativos foi considerável (1° de junho de 1179).

Algumas semanas depois, Saladino foi arrasar a fortaleza do Outeiro de Jacó, acabando ali as hostilidades.

No ano seguinte, Balduíno IV e Saladino concluíram uma trégua renovável, que no direito franco-muçulmano da época equivalia à paz.

Tudo somado, durante esses três anos, o rei leproso havia enfrentado face a face o temido sultão, e o acordo de 1180 consagrou o statu quo.

(Autor: René Grousset, de l’Académie française, L’épopée des Croisades, Perrin, Paris, 2002, 321 páginas, pp 171 e ss. Excertos).

continua no próximo post: Um rei leproso e herói, em uma corte decadente e pusilânime



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segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Contra Saladino, Balduíno IV conquista em Montgisard a mais bela vitória das armas cristãs

Balduíno IV na batalha de Montgisard. Charles Philippe Larivière (1798-1876).
Balduíno IV na batalha de Montgisard. Charles Philippe Larivière (1798-1876).


continuação do post anterior: O rei leproso começa pondo em xeque o poder de Saladino



A brilhante vitória do jovem soberano na Beqaa só fazia aumentar o pranto pela doença incurável que o tinha atingido.


A lepra piorava, vedando-lhe qualquer esperança de casamento. No lendemain de seu triunfo ele se encontrou na obrigação de acertar as questões relativas à sucessão.

A escolha de Balduíno IV e de seus conselheiros recaiu no barão piemontês Guilherme Longa-Espada, filho do marquês de Montferrato.

No início de outubro de 1176 esse loiro jovem, um dos mais formosos e valentes cavaleiros de sua época, desembarcou em Sidon, onde desposou a princesa Sibila, irmã de Balduíno, em meio a magníficas festas.

Mas a sorte se encarniçava contra a França de ultramar. Após poucos meses, o paludismo levou Guilherme à cidade de Ascalon, voltando o problema da sucessão a ficar em aberto (junho de 1177).

Nesse ambiente desembarcou na Palestina, acompanhado de uma impressionante escolta, um cruzado ilustre: o conde de Flandres Filipe de Alsácia. Balduíno IV, que era seu primo em primeiro grau, acolheu-o como um salvador.

Justamente naquele momento, o imperador bizantino Manoel Comneno cumpria com as promessas feitas ao falecido rei Amaury e anunciava o envio de uma Armada para cooperar com os francos numa nova incursão no Egito.

Porém, Filipe recusou-se a participar dessa expedição que lhe parecia incerta. Não deixava de ser verdadeiro que o império de Saladino só podia ser derrubado no Egito, mas com a condição de que franceses e bizantinos dessa vez cooperassem nas operações com idêntico ardor.

Malgrado as súplicas patéticas do Rei Leproso, Filipe da Alsácia ficou obstinado na sua recusa. Sentindo-se rejeitados, os almirantes bizantinos fizeram vela.

Montgisard: o local da batalha
Montgisard: o local da batalha
Por sua parte, em lugar de atacar Saladino no ponto vulnerável que era o delta do Nilo, Filipe partiu para lhe fazer guerra na Síria do norte, não sem levar emprestado as melhores tropas do reino de Balduíno IV.

Saladino percebeu que, assim agindo, a Palestina ficava desguarnecida de defensores. Deixou então logo o Egito com sua cavalaria, e conduziu um ataque fulminante contra Ascalon, a principal via de circulação do poder franco no sudoeste.

Nessa situação angustiante, o jovem rei foi heroico.

Ele só tinha ao alcance das mãos cerca de 400 homens. Reunindo todos os soldados que podia, saiu para interceptar o invasor com a relíquia da Verdadeira Cruz.

Sua marcha foi tão rápida que ele se adiantou a Saladino em Ascalon. Mas apenas entrou na fortaleza, foi atacado pelo exército egípcio, composto por 26 mil homens.

A situação dos francos parecia tão desesperadora que Saladino negligenciou esse pequeno e miserável exército, cuja rendição lhe parecia questão de horas.

Ele deixou então Ascalon sitiada por alguns magotes de tropas e partiu direto contra a Judeia e Jerusalém, desprovidas de defensores.

Balduíno IV na batalha de Montgisard, detalhe.
Charles Philippe Larivière (1798-1876).
Enquanto passava pela planície que se estende de Ascalon até Ramla, ele ia queimando as cidadezinhas e pilhando as quintas, deixando que seus esquadrões se enriquecessem com o saque de toda uma região.

Em sua marcha triunfal e sem obstáculos, ele chegou perto de Telle Djezer, que os francos chamam de Montgisard.

Ali ele foi comandar a travessia do leito de um rio seco (“oued”) quando, para sua estupefação, viu surgir por cima de si, do lado menos esperado, esse exército franco que ele julgava reduzido à impotência atrás das muralhas de Ascalon (25 de novembro de 1177).

É que ele não tinha levado em conta Balduíno IV.

Assim que o rei, desde o alto das torres de Ascalon, constatou a partida de Saladino, saiu a campo com seu pequeno exército.

E, em lugar de seguir o inimigo pela grande rota de Jerusalém, ele o fez por um atalho ao norte, ao longo da costa, virando em linha reta para o sudeste e cortando a estrada dos muçulmanos.

Um vigoroso desejo de vingança crescia na pequena tropa enquanto atravessava os campos incendiados pelos predadores inimigos. Perto de Ramla, perceberam as colunas muçulmanas entrando no leito do rio.

Com certeza, em qualquer outra ocasião, a cavalaria franca teria hesitado diante de sua incrível inferioridade numérica, mas o fogo dos primeiros cruzados animava o Rei Leproso.

“Deus, que faz aparecer sua força nos débeis, escreveu Miguel o Sírio, inspirou o rei doente. Ele desceu de sua montaria, prosternou-se em terra diante da Cruz e rezou com lágrimas nos olhos. Diante deste espetáculo, o coração de todos os soldados ficou emocionado, jurando eles sobre a Cruz não retroceder e ter em conta de traidor quem quer desse meia-volta. Eles voltaram a montar os cavalos e carregaram”.

Na primeira fileira ia a Verdadeira Cruz, levada pelo bispo D. Aubert de Belém. Ela iria mais uma vez dominar a batalha: mais tarde os combatentes cristãos disseram ter tido a impressão de que no meio do engajamento ela parecia imensa a ponto de tocar no céu.

Os cronistas nos descrevem Balduíno IV e seus 400 cavaleiros imergindo e desaparecendo num instante entre a multidão das forças muçulmanas que tentavam se reorganizar no leito do rio seco.

Os muçulmanos acharam de início que afogariam os cristãos pelo peso do número, mas logo começaram a perder o controle diante da fúria francesa.

Batalha de Montgisard, conceito moderno
Batalha de Montgisard, conceito moderno
“O local da passagem, diz o “Livro dos dois jardins”, ficou entulhado com as bagagens do exército. Subitamente surgiram os esquadrões dos francos, ágeis como lobos, latindo como cachorros, que carregaram em massa, ardendo como chamas. Os muçulmanos perderam pé”.

Saladino, o sultão do Egito e de Damasco, com seus milhares de turcos, curdos, árabes e sudaneses, fugiu diante dos 400 cavaleiros do jovem leproso.

E foi uma fuga em debandada, jogando bagagens, cascos, armas, galopando através do deserto de Amalek, em linha reta rumo aos córregos de Egito e do delta do Nilo.

Balduíno IV passou dois dias para recolher um botim prodigioso em todas as estradas, e depois retornou a Jerusalém num cortejo triunfal.

De fato, vitória cristã mais bela jamais foi obtida no Levante. E na ausência do conde de Flandres e do conde de Trípoli, todo o mérito recaiu no heroísmo do rei que com seus 17 anos se igualava à maturidade de um Godofredo de Bouillon ou de um Tancredo, triunfando ainda que por um instante sobre a doença que corroía seu corpo.

(Autor: René Grousset, de l’Académie française, L’épopée des Croisades, Perrin, Paris, 2002, 321 páginas, pp 171 e ss. Excertos).

continua no próximo post: Saladino é forçado a aceitar a paz diante do rei leproso



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quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Obama é criticado por historiadores por comparar as Cruzadas com o Estado Islâmico




WASHINGTON DC, 10 Fev. 15 (ACI) – “Não acredito que o presidente saiba muito sobre as cruzadas”, expressou o historiador da Universidade de San Louis (Estados Unidos) Thomas Madden, ao referir-se às declarações de Barack Obama no tradicional Café da Manhã Nacional de Oração, onde comparou as cruzadas com as atrocidades cometidas pelo Estado Islâmico (ISIS) contra cristãos crianças e adultos que são decapitados, crucificados ou vendidos como escravos no Iraque e na Síria.


Nessa quinta-feira, Obama abordou os ataques cometidos pelos fundamentalistas islâmicos ao dizer que “desde uma escola no Paquistão às ruas de Paris, vimos a violência e o terror cometidos por aqueles que dizem professar uma fé, mas, de fato, estão traindo-a”.

E se referiu ao ISIS como “um culto brutal e vicioso à morte que, em nome da religião, realiza atos inconcebíveis de barbárie, aterrorizando as minorias religiosas como os yazidis, submetendo as mulheres a estupros como arma de guerra, e acolhendo-se ao manto protetor da autoridade religiosa por tais ações”.

Entretanto, comparou os fundamentalistas islâmicos com o cristianismo ao dizer “e para que não subamos a um pedestal e pensemos que isso só acontece em outras partes, recordemos que durante as cruzadas e a Inquisição, as pessoas cometeram atos terríveis em nome de Cristo”.

Batalha das Navas de Tolosa, Espanha, 1212.
Os espanhóis expulsaram numa Cruzada
os maometanos que tinham invadido o país.
Estas palavras foram criticadas por Madden em declarações feitas no dia 6 de fevereiro à ABC News ao assinalar que o presidente norte-americano “está lançando como um exemplo a distorção da cristandade”, tentando compará-la “com o que ele vê como uma distorção do Islã nas ações do ISIS”.

“O objetivo inicial das cruzadas –recordou-, foi devolver as terras aos cristãos”, que tinham sido tomadas deles durante “as conquistas muçulmanas”.

Por sua parte, Thomas Asbridge, historiador da Universidade de Londres (Reino Unido), recordou à ABC News que durante as expedições para recuperar a Terra Santa também houve episódios de abusos cometidos pelos cruzados, mas sugerir uma relação causal entre o ISIS e o fenômeno medieval das cruzadas, é apoiar-se “na manipulação e tergiversação da evidência histórica”.

As cruzadas começaram em 1095 com o chamado do Papa Urbano II para recuperar Jerusalém da dominação muçulmana e proteger os peregrinos cristãos que eram assaltados e assassinados.

Entretanto, nos últimos anos estas ações foram desacreditadas por Hollywood que baseia os seus filmes em lendas negras que já foram desmentidas em 2011 pelo historiador Paul F. Crawford do Departamento de História e Ciências Políticas da Universidade da Pennsylvania (Estados Unidos).



GLÓRIA CASTELOS CATEDRAIS ORAÇÕES HEROIS CONTOS CIDADE SIMBOLOS
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segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

O rei leproso começa pondo em xeque o poder de Saladino

Coroação de Balduíno IV
Coroação de Balduíno IV

continuação do post anterior: Balduíno IV, o rei leproso que espantava os muçulmanos


Nos dias que se seguiram à morte de Amaury I e após a sagração de seu sucessor na Coroa do Santo Sepulcro, começou a luta pelo poder em volta do jovem doente.

Porém, como o reino corria grave perigo, o realismo prevaleceu e o instinto de conservação dominou o “Parlamento”, reunião realizada em Jerusalém no fim de 1174.

Dito “Parlamento” aclamou Raimundo III, conde de Trípoli, como regente, com o apoio da unanimidade dos bispos e dos nobres, decisão que “todo o povo recebeu com grande alegria”.

Tão logo assumiu sua função, o regente deu um golpe de mestre contra o Islã. No transcurso do inverno 1174—1175, Saladino veio sitiar Alepo. Se ele conseguisse tomar a praça, a unidade muçulmana ficaria selada do Sudão ao Eufrates.

Mas o conde de Trípoli correu e, com uma rápida intervenção sobre Homs, obrigou Saladino a deixar sua presa (fevereiro de 1175).

Enquanto o regente trabalhava desse jeito no norte, o menino-rei não ficava inativo na Palestina.

No mesmo ano de 1175, no momento da safra, ele se pôs à testa dos seus (tinha então 14 anos e a doença ainda não havia arrasado sua energia física). Conduziu então uma brilhante cavalgada para além do maciço do Hermon até Dareya, apenas a cinco quilômetros de Damasco.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Balduíno IV, o rei leproso que espantava os muçulmanos

Coroação de Amaury I, rei de Jerusalém
Biblioteca Nacional da França, Mss fr 68, folio 297v

A morte do rei de Jerusalém Amaury I [pai de Balduíno IV] foi um desastre. Jamais uma desaparição teve tão graves consequências para o destino de um Estado.

Como político audacioso, Amaury optou por vias novas, com iniciativas através das quais a Cruzada seria triunfante ou ferida de morte.

Após conseguir durante um momento estabelecer o protetorado franco sobre o Egito, viu seu intento virar contra ele e o Egito cair precisamente no poder do mais temível dos chefes muçulmanos: o grande Saladino.

Mas a última palavra ainda não havia sido pronunciada e tudo podia ser consertado. Porém, o destino levou-o brutalmente no momento decisivo.

Sua morte deixara o campo livre para Saladino. Este se apresentou em 25 de novembro de 1174 diante de Damasco, entrou sem encontrar resistência e anexou a grande cidade.

Homs e Hama tiveram a mesma sorte. Com exceção de Alepo, Saladino ficou dono da Síria muçulmana e do Egito.

Virada catastrófica de situações! Na véspera, o reino franco de Jerusalém se beneficiava da divisão político-confessional entre o Cairo e a Síria, manipulando à vontade a anarquia muçulmana e apresentando-se como árbitro do Oriente.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Como São Luis IX tratou aos terroristas do “Velho da Montanha”

São Luís recebe os enviados do chefe da "seita dos Assassinos"
São Luís recebe os enviados do chefe da "seita dos Assassinos".
Nicolas-Guy Brenet (1728 - 1792). Capela da École Militaire. Paris.

A seita do “Velho da Montanha” havia sido fundada por Hassan Ibn el-Sabbah um sacerdote persa zoroastriano que se instalou no Cairo. A seita era conhecida como a dos “Assassinos”, e marcou o Oriente Próximo durante perto de um século.

O terror que ela causava ficou condensado na frase de um poderoso senhor local: “Eu não ouso mais obedecer-lhe nem desobedecer-lhe”.

Um outro senhor que recebeu uma mensagem do “Velho da Montanha” intimando-o a se render, preferiu demolir seu castelo, sabendo estar ameaçado de morte a qualquer momento e ser assassinado em caso de desobediência, tal vez por algum de seus familiares drogado com maconha.

No ano de 1090, os membros da seita ismaelita dos “Assassinos” se apoderaram da fortaleza de Alamut (o “refúgio dos abutres”) nas montanhas da Pérsia.

A partir dali, eles estenderam progressivamente sua influência pela Síria e pela Palestina.

Desde aquele rochedo inexpugnável, logo rebatizado, o “refúgio da riqueza”, os grandes mestres da seita governavam por meio de intermediários.

Pelo fim do século XII, um deles de nome Rachid el-Din el-Sinan, era tão poderoso que negociava de igual a igual com Saladino.

Nunca foi anunciada a morte de algum dos grandes mestres. Visavam assim fazer que os adversários acreditassem que eram imortais.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Terror dos islâmicos, Balduino I consolida o reino

Balduino I entrando em Edessa.
Balduino I entrando em Edessa.
Luis Dufaur


O terror que os cristãos inspiravam era tão grande que os infiéis não ousavam mais enfrentar seus ataques, nem suportar lhes a presença.

Em vão o califa do Egito, ordenava aos seus emires, encerrados em Ascalon, que combatessem os francos e que trouxessem à sua presença, carregado de ferros, aquele povo mendigo e vagabundo: os guerreiros egípcios hesitavam em deixar seus abrigos e suas defesas.

Por fim, levados pelas ameaças do califa, encorajados pela multidão, tentaram uma incursão a Ramla. Balduino, avisado de sua marcha, reuniu depressa duzentos e oitenta cavaleiros e novecentos soldados de infantaria.

Logo que chegou diante do exército egípcio, dez vezes mais numeroso que o dos cristãos, disse aos soldados que eles iam combater pela glória de Cristo; se alguém tinha vontade de fugir, devia lembrar-se de que o Oriente não oferecia asilo para os vencidos e que a França estava muito longe.

O Patriarca de Jerusalém, há muito tempo em litígio com o rei, não tinha seguido o exército; o venerável abade Gerle, que trazia em seu lugar a verdadeira cruz, mostrou-a aos soldados, lembrando-lhes que deviam vencer' ou morrer.

O exército cristão contemplava num silencio morno a imensa multidão de sarracenos, etíopes, turcos, árabes, vindos do Egito. Estes, confiando em seu número, avançavam ao ruído de cornos e de tambores. Travam combate com tal fúria que as duas primeiras linhas dos cristãos são logo desfeitas.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

A conquista de Arsur e Cesaréia

Cruz do Reino Latino de Jerusalém.
Cruz do Reino Latino de Jerusalém.


Esta aparição do fogo sagrado era um bom augúrio para a expedição que se preparava. Depois das festas de Páscoa, os genoveses regressaram aos navios.

Por seu lado, Balduino reuniu os guerreiros. Foram em seguida sitiar Arsur; os habitantes propuseram abandonar a cidade e se retirar com suas riquezas. A capitulação foi aceita.

Os cristãos foram em seguida sitiar Cesaréia, cidade florescente e habitada por ricos comerciantes. Caffaro, historiador genovês, presente a essa expedição, nos dá a conhecer as singulares tentativas que precederam o ataque dos cruzados.

Os embaixadores da cidade dirigiram-se ao patriarca e aos chefes do exército:

“Vós que sois doutores da lei cristã, disseram, porque ordenais aos vossos soldados que nos assaltem e nos matem? Nós não vos queremos assaltar, respondeu o patriarca, mas essa cidade não vos pertence; não vos queremos também matar, mas a vingança divina nos escolheu para punir os que se armaram contra a lei do Senhor”.

Depois desta resposta, que não podia trazer a paz, os infiéis só pensaram em se defender. Resistiram com alguma coragem aos primeiros assaltos, mas, como não estavam acostumados aos perigos e às fadigas da guerra, seu ardor logo começou a declinar e depois de duas semanas de cerco, suas torres e suas muralhas foram ficando desertas, sem combatentes e defensores.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Islâmicos prometem invadir Roma
e escravizar os católicos

Luis Dufaur


A revista do terrorista Estado Islâmico escolheu como capa uma montagem fotográfica na qual aparece uma bandeira negra maometana ondeando sobre o obelisco da Praça de São Pedro. A capa foi reproduzida no site italiano “Tempi”.

O objetivo declarado é comemorar “a cruzada fracassada”, uma referência à coalizão dos países ocidentais liderada pelos EUA na Síria e no Iraque.

A publicação com ares de bravata é reveladora da mentalidade dos “guerreiros santos” ou jihadistas reunidos no Oriente Médio. De momento eles resistem com grandes perdas, entrincheirados na cidade de Kobane, no norte da Síria. Eles são reforçados por centenas de voluntários vindos da Europa e dos EUA.

Por que eles provocam assim o Vaticano, promotor do ecumenismo com o Corão e hoje aparentemente mais restritivo em face dos EUA do que dos furiosos crimes de massa fundamentalistas anticristãos do Estado Islâmico?

É que os fanáticos seguidores ao pé da letra do Alcorão não se esquecem do tempo em que os Papas pregavam em nome de Jesus Cristo Cruzadas cheias de fé contra aqueles que o Papa Bento XIV qualificou de “os piores entre os celerados”.

Eles não esquecem os memoráveis episódios em que heróis como São Luís IX, Godofredo de Bouillon, Ricardo Coração de Leão ou Balduíno IV patentearam a divindade da Cruz por cima dos embustes diabólicos de Maomé.

E hoje querem se vingar, vingança cruel e sem medida. Por isso, massacram sadicamente cristãos e dissidentes no Oriente Médio, enquanto sonham em fazer o mesmo na própria capital da Igreja Católica.