segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

A morte de São Luis no comando da 9ª Cruzada.
Seu testamento.

A morte de São Luís, aquarela
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs








Em 1270, na cidade de Cartago, enquanto preparava o assalto de Túnis, no Norte da África, São Luis IX, chefe da 9ª Cruzada foi atingido pela peste. Sentindo a morte se aproximar, mandou chamar seu filho e lhe disse:

“’Beau fils’, caro filho, a primeira coisa que eu te ensino e te ordeno guardar, é que de todo coração ames a Deus. Porque sem isto, nenhum homem pode ser salvo.

“E cuida bem de nada fazer que Lhe desagrade. Porque deverias antes desejar sofrer todos os tipos de tormentos, do que pecar mortalmente.

“Se Deus te envia a adversidade, recebe-a benignamente, e dá-Lhe graças: pensa que tu O desserviste frequentemente, e que o todo redundará em teu favor.

“Se te dá prosperidade, agradece-Lhe muito humildemente, e atenta para que não fiques pior pelo orgulho ou por outra razão. Porque não se deve tentar a Deus por seus dons.

“Toma muito cuidado de ter em tua companhia homens prudentes e leais, que não sejam cheios de cobiças, sejam homens da Igreja, de religião, seculares ou outros.

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Males causados pela interrupção das Cruzadas

São Luis IX rei da França, estátua equestre, EUA.
São Luis IX rei da França, estátua equestre, EUA.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs








Nunca, talvez, a palavra epopeia foi melhor empregada do que falando das cruzadas.

Nunca a atração do Oriente se manifesta com mais ardor e, apesar dos aparentes fracassos, conduz a mais espantosas realizações.

Basta evocar as fundações dos “francos” na Terra Santa: feitorias dos comerciantes, estabelecimentos organizados que formam verdadeiras cidadezinhas, com sua capela, banhos públicos, entrepostos, habitações dos mercadores, sala do tribunal e de reuniões; praças-fortes, cuja massa desafia ainda o solo, como o krak dos cavaleiros, o castelo de Saône e as fortificações do Tyr; e ainda feitos de armas extraordinários, como os de Raymond de Poitiers ou de Renaud de Châtillon, que fazem pensar que as Cruzadas, posta à parte a sua finalidade piedosa, foram um feliz derivativo para o ardor efervescente dos barões.

A Europa perderá muito no século XIV, quando a sua atenção se afasta do Oriente.