segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

As quatro barras catalunhas


Os normandos invadiram a França, no reinado de Carlos Magno. O Imperador enviou a seu sobrinho Vifredo o Zeloso, Conde de Barcelona, uma carta na qual pedia-lhe que o socorresse com os seus guerreiros.

O Conde marchou imediatamente com seu exército, que entrou na batalha, e foram vencidos os normandos, que se retiraram.

Durante a batalha, uma flecha acertou o peito de Vifredo. Foi retirado a uma tenda, onde o visitou o Imperador.

O tio quis recompensar seu sobrinho, dando-lhe riquezas e bens. Mas ele recusou toda recompensa, lamentando apenas que, apesar das muitas vitórias que havia obtido em diversas batalhas nas quais tomara parte, seu escudo de armas ainda era liso: campo dourado, sem insígnias que revelassem as suas muitas gestas.

O Imperador Carlos molhou então os quatro dedos de sua mão direita na ferida de Vifredo, e os passou de cima para baixo no escudo, marcando nele as quatro barras de sangue, que ainda hoje adornam o escudo de Catalunha, Valência e Aragão.


(V. Garcia de Diego, "Antología de Leyendas de la Literatura Universal" - Labor, Madrid, 1953)


segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

As Ordens Militares, a Igreja e as Cruzadas

Templário (esquerda) e Hospitalário (direita)
Templário (esquerda) e Hospitalário (direita)
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs








A Santa Igreja, por inspiração do Espírito Santo, engendra através dos tempos os diversos institutos religiosos.

Age assim, a fim de atender às necessidades das almas em cada momento histórico.

É uma das manifestações da sua santidade e da pujança de sua vitalidade.

Na Idade Média havia união entre a Igreja e o Estado. A comunidade dos povos cristãos, fundada na mesma Fé, constituía a Cristandade.

I. é, a grande família de povos sob a autoridade espiritual do Papa e o primado temporal do imperador do Sacro Império Romano-Alemão.

Contra a integridade da Igreja e da Cristandade investiam continuamente os inimigos internos e externos.

Os inimigos internos eram os hereges, que, por meio de suas doutrinas espiritual e temporalmente revolucionárias, procuravam arrebatar regiões e até nações inteiras à jurisdição da Santa Sé e do Império.

Os inimigos externos eram de um lado os bárbaros do oriente europeu (saxões, eslavos, etc., muitos deles depois convertidos) e também do norte da Europa como os vikingos (também acabaram se convertindo).

Crack des Chevaliers, fortaleza cruzada, hoje na Síria
Crack des Chevaliers, fortaleza cruzada, hoje na Síria
De outro lado vinham os muçulmanos da Espanha, Ásia Menor e norte da África.

Estes atacavam com freqüência as fronteiras do mundo cristão, e infestavam os mares perseguindo os peregrinos que iam visitar os Lugares Santos.

Urgia defender contra essas violências a Fé e a civilização católica. Como empreender tal defesa? Para consegui-lo, a Igreja suscitou as Ordens Militares.

O espírito da Igreja fez nascer na Idade Média as Ordens Militares, que tanto fizeram para a conservação da Terra Santa.

Fez nascer aqueles cavaleiros orantes e monges armados, cujos mosteiros eram castelos. Que recebiam as expedições de peregrinos, as amparavam, curavam os feridos e doentes, e obedeciam com o mesmo fervor ao sino ou à trombeta, quando eram chamados para a batalha.

Eles eram os primeiros no ataque e os últimos na retirada. Homens cujas espadas infligiam tão graves feridas, e cujas orações e cânticos se elevavam entusiastas até o Céu!

O espírito das Cruzadas, a união do heroísmo com a devoção, do amor ao próximo com a varonilidade, da espada e da penitência, se mostra em suas cores mais brilhantes nas Ordens de Cavalaria.

TemplárioAs Cruzadas deram nascimento às Ordens Militares. Estas Ordens levaram a Cavalaria a uma nova perfeição, elevando-a até às alturas da vida monástica.

Formaram como que exércitos permanentes de cruzados, os guardiões da Cristandade.

Elas se tornaram a alma de todas as grandes empresas militares e resumiram em si tudo o que a Cavalaria produziu de heroísmo.

Aos três votos monásticos — obediência, pobreza e castidade — as Ordens Militares acrescentaram um quarto: o de consagrar-se inteiramente à guerra contra os infiéis.

Assim os cavaleiros abraçavam uma regra monástica, não para se retirarem para a solidão, mas para melhor cumprirem os ideais da Cavalaria.

Eram monges-guerreiros e formavam um exército permanente, pronto a entrar em combate onde quer que os inimigos ameaçassem a Religião cristã.


Bibliografia

Albert Ollivier, "Les Templiers", Editions du Seuil, Bourges, França, 1958.

C. López Castro, "La Batalha de Clavijo", in "Ejército", Madri, 1969.

Catolicismo - nºs 11 e 219.

"Dictionnaire de la Conversation et de la Lecture".

Eric Muraise, "Histoire Sincère des Ordres de l’Hôpital", editor Fernand Lanore, 1978, 254 págs.

Erwan Berget, "Corpos de Elite do Passado"

Eversley Belfield, "Defy and Endure", Crowell-Collier Press, New York , 1967, 96 págs.

Funck Brentano; "Féodalité et Chevalerie", Les Editions de Paris, 1946, 236 págs.

Georges Bordonove, "Les Templiers", Paris, Fayard, 1963 (nova edição: 1977)

Pierre Hélyot, "Histoire des ordres monastiques", t. VI, na Biblioteca Nacional de França - BNF, em linha.

"Histoire des Ordres de Chevalerie et des distinctives honorifiques en France"

"Historia de la Iglesia Catolica", BAC, Madri, vol. 2, 2009, 912 págs.

"Historia", Nº 139.

J. M. Garate C., "La Huella Militar em el Camino de Santiago", Publicaciones Españolas, Madri, 1971.

J.B. Weiss, "História Universal"

J.F. Michaud, "História das Cruzadas", link em PDF; em francês: Éditions de Saint-Clair, 1966, 312 págs.

John Charpentier, "L’Ordre des Templiers", edições Tallandier, 2015, 368 págs.

Jules Roy, in "Historia", nº 139

Léon Gautier, "La Chevalerie", Maison Quantin, Pais, s/d (fim século XIX); Sanard et Derangeon, 1895, 850 págs.

Luis F. de Rentana, "San Fernando III y su epoca", Editorial El Perpetuo Socorro, Madri, 1941, 483 págs.

M. Vidal Rodrigues, "La Tumba del Apóstol Santiago", Santiago, 1924.

Miguel R. Zapater, "Cister Militante Contra a Fúria Sarracena", 1662

Nicolas Gosselin, "Histoire des Ordres Monastiques, Réligieuses et Militaires" - 1715

Obras Completas de São Bernardo, BAC, Madri, vol. 2, pp. 853-862

Philippe du Puy de Clinchamps, "História Breve da Cavalaria", Editorial Verbo, Lisboa, 1965, 140 págs.

Profs. do King’s College de Londres, "A Cavalaria Medieval", The Hispanic American Historical Review Vol. 30, No. 1, Feb., Duke University Press, 1950.

Bernard Hours, "Histoire des Ordres Religieux", col. "Que sais-je?",PUF, Paris, 2012.

Rohrbacher, "Histoire Universelle de L’Église Catholique", Librairie Ecclésiastique de Briday, Lyon, 1872.



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segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Nossa Senhora detém o sol para derrotar os mouros

Pôr do sol em Tentudía. Cruz evocativa
Ao iniciar a campanha de Sevilha, em 1247, o Rei S. Fernando III enviou mensagem ao Grão-mestre da Ordem de Santiago, D. Pelayo Correa, para que acertasse alguns assuntos próximo a Badajoz, e depois fosse a Sevilha. Assim ele o fez, conquistando com seus monges-cavaleiros várias cidades pelo caminho.

Ao passar por Figueira da Serra, foi atacado por uma numerosa hoste de muçulmanos, muito superior à que tinha consigo.

Vendo que a batalha se prolongava, e que começava a anoitecer, D. Pelayo rezou à Virgem, suplicando-lhe que mantivesse a luz do dia: "Señora, ten tu día".

Mosteiro de TentudíaO sol parou no céu durante o tempo suficiente para que os cavaleiros de Santiago pudessem vencer a batalha.

Desde então a serra se chamou Serra de Tentudía. Como memória e agradecimento, o Grão-mestre estabeleceu ali um mosteiro-fortaleza, que ainda hoje existe, e em cuja capela, junto ao altar-mor, está sua sepultura.

(Fonte: José Maria de Mena, "Entre la Cruz y la Espada - San Fernando" - RC Editores, Sevilha, 1990, pp. 64-65)

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Traços da mentalidade e da espiritualidade dos cavaleiros


Baudouin de Condé crê que o Cavaleiro deve continuar ativo em sua armadura durante todo o tempo que suas forças o permitam.

Até o seio da morte, até o último suspiro, o pensamento e a recordação dos feitos e das batalhas persegue a grande maioria desses homens de armas.

Um deles morre murmurando: - “No céu vou refazer a guerra de espada e de lança”.

Outro moribundo, sem desanimar, pede aos que o estão velando que o ajudem a levantar-se e armar-se para acertar uma quintana.

Certo Cavaleiro dizia que era preciso haver mouros no paraíso que lhe dessem ocasião de novos combates.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

A partida, a volta e a glória do Cruzado

Partida para a guerra, anônimo francês
O senhor feudal é dono de um castelo ― que nossa imaginação põe perto do Reno, do Danúbio, do Sena ou de um lago da Suíça. O castelo tem sua torre altiva, muralhas, e aos pés duas e três aldeias com suas capelinhas e seus sininhos tocando. Mais adiante a plantação, depois a criação.

Este senhor feudal, pai de numerosa família, chefe de um povinho, rei em miniatura, sai a pé todo armado. Atrás dele a senhora que chora, mas que anda também com passo firme, as crianças, alguns familiares, o capelão. Eles passam a ponte: é a partida do guerreiro.

A partir daquele momento, ele deixa de ser senhor para ser vassalo. Ele obedece ordens, não manda mais. A partir daquele momento ele não é um homem que faz a ordem, ele é um homem que derruba as desordens, é um guerreiro.

Este guerreiro vai arriscar a sua vida pelo Santo Sepulcro de Nosso Senhor Jesus Cristo. É algo de único no mundo.

Ele se despede da mulher, dos filhos, dos parentes, beija a mão do sacerdote que ainda lhe dá uma bênção. Depois monta a cavalo, não olha mais para trás. O vento bate em direção oposta a ele. No alto do elmo o penacho se levanta, ele dá uma esporada e o cavalo some na poeira e na bruma.

Aquela gente se verá ainda algum dia? Ele não morrerá na Cruzada? E aquela senhora não fica abandonada? Não pode acontecer que os vizinhos cobiçosos avancem no castelo? Que meios ela tem de se defender?

Ela, pequena rainha, como é que ela faz para tocar para frente aquele feudo, mini-reino buliçoso onde todo o mundo quer coisas e pede melhorias?

Ela volta devagarzinho com os filhos para a capela. Ali reza aos pés do Santíssimo, de um crucifixo ou de uma imagem de Nossa Senhora. Reza, volta para casa e começa a vida de uma espécie de viuvez provisória.

O cruzado pensa nisso, mas ele está pensando também no sarraceno terrível que pode cegá-lo, arrancar-lhe o maxilar, perfurar-lhe o coração. Mas também pensa com entusiasmo no dia em que ele chegar a Jerusalém.

Pergaminho do Poema do El CidPassam-se cinco anos, sete, oito. Ele manda alguma carta para a mulher quando encontra algum ferido que já não pode participar da cruzada e que está voltando e mora nos arredores da terra dele.

Aquela gente sabia ler pouco e escrever mal. Ele manda algumas palavras que significam: “Estou vivo, estou lutando, estou com o coração cheio. Cristo, por quem eu estou talvez morrendo, vele por vocês”.

Cinco, sete, oito anos depois, um belo dia o cruzado volta. Envelheceu, ficou com a pele toda crestada dos sóis do Oriente, perdeu uns dedos na Cruzada e acha que perdeu pouco quando há gente que perdeu mais. Encontra-se com a família: alegria geral!

Mas, a bem dizer, começam a conhecer-se de novo, porque cada um fez da outra parte um mito durante a ausência. Na volta encontram uma coisa diferente do mito e transformada pelo tempo.

Então é uma nova adaptação, uma nova vida. Mas no cavaleiro há uma coisa que ficou: ele verteu seu sangue por Aquele que é o Redentor dele. Ele quebrou o poder maometano. Os dedos que ele perdeu pesaram na balança de Deus contra os maometanos.

Ele volta com a consciência limpa e com o desejo de refazer tudo de novo se as condições permitirem.

Túmulo de Roberto de Normandia, catedral de GloucesterUm homem assim envelhece e morre, e pode-se escrever em cima do caixão dele: "O cavaleiro tal, cruzado em tanto". Está escrito cruzado, poder-se-ia escrever glória ou Céu.

Não está ligado à palavra "cruzado" uma glória, um esplendor, uma sacralidade que na ordem temporal das coisas não tem superior? É evidente.

Vamos dizer, por exemplo, Lord Nelson, o grande almirante inglês foi tão admirado que quando ele morreu todas as marinhas do mundo puseram luto. É uma grande coisa. O Príncipe Eugênio, marechal dos exércitos da Imperatriz Maria Teresa da Áustria, era tão venerado pelos guerreiros. que quando alguém pronunciava o nome dele, todos em todos os países do mundo faziam continência. É glória.

O que é isso em comparação com o cruzado que libertou o Santo Sepulcro de Cristo das mãos dos maometanos?

Lord Nelson, Príncipe Eugênio, o que for, tudo passou... O Cruzado ficou.

Plinio Correa de Oliveira, 25/9/94. Texto sem revisão do autor.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Os meninos durante o cerco de Jerusalém


Os que lá estiveram contam que, enquanto a cidade esteve sitiada, depois dos freqüentes embates, sitiantes e sitiados misturavam-se uns com outros.

Acontecia muitas vezes que, tendo-se retirado os homens, era freqüente ver alguns batalhões de meninos avançando, uns desde a cidade e outros saindo do nosso meio e do acampamento de seus pais, e atacavam-se e combatiam imitando-os, tornando-se igualmente dignos de serem contemplados.

Porque, como dissemos no inicio desta história, quando se estendeu por todos os países do Ocidente a noticia da expedição a Jerusalém, os pais empreenderam a viagem levando consigo seus filhos, ainda meninos.

E foi assim que, mesmo quando os pais de alguns deles morreram, os filhos prosseguiram o caminho, habituaram-se aos trabalhos e, no tocante a misérias e privações de toda espécie, souberam agüentá-las e não se mostraram inferiores aos homens feitos.

Aqueles meninos formaram um batalhão e elegeram seus príncipes entre eles: um tomou o nome de Hugo, o Grande, outro o de Bohemundo, outro o de Conde do Flandres, outro o de Conde de Normandia, representando de tal modo a todos esses ilustres personagens e mais outros.

Sempre que algum desses jovens príncipes via algum dos seus carente de viveres ou de outras coisas, ia a procura dos Príncipes mencionados para lhes pedir provisões, e eles lhas davam em abundância, para sustentá-los dignamente em sua debilidade.

Santo AdriãoA jovem e singular milícia costumava aproximar-se para hostilizar os meninos da cidade, cada um deles armado com longas canas no lugar de lanças, cada um com seu escudo de vime entrelaçado, cada um, de acordo com suas forças, levando pequenos arcos e flechas.

Os meninos, bem como os da cidade, enquanto seus pais contemplavam-nos de ambas as partes, avançavam e encontravam-se no meio da planície; os habitantes da cidade saiam até às muralhas para ver, e os nossos deixavam suas tendas para assistir o combate.

Via-se, então, provocarem-se com brados e se darem golpes às vezes sangrentos, mas sem que nenhum deles corresse perigo de morte. Muitas vezes esses prelúdios animavam a coragem dos homens maduros e provocavam novos combates.

Ao verem o ardor impotente que animava aqueles membros delicados e esses fracos braços que agitavam alegremente armas de toda espécie, depois de se terem infligida de uma parte e outra feridas dadas e recebidas, amiúde os espectadores de mais idade adiantavam-se para tirar os meninos do centro de campo e engajarem entre si um novo combate.

(Fonte: “Crônicas de Gilberto de Noguent”, apud Régine Pernoud, “Las Cruzadas”, Los Libros del Mirasol, Compañía General Fabril Editora, S.A., Buenos Aires, 1964, pp. 80 s.)

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Milagre de Nossa Senhora em Covadonga (Astúrias) impediu a conquista de Espanha pelos mouros

Nossa Senhora de Covadonga

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs








Sob a proteção de Nossa Senhora de Covadonga se iniciou a Reconquista da Espanha, com o milagre que Ela realizou socorrendo o Rei Don Pelayo e os pouquíssimos cavaleiros que estavam com ele nas montanhas das Astúrias, no monte Auseba.

Deu-lhes uma grandiosa vitória sobre os maometanos, justamente quando pareciam perdidos, premiando assim seu denodo, seu heroísmo e sua fé.

Em 718 estava D. Pelayo rodeado por duzentos mil homens do exército de Alkamah, lugar-tenente do Wali Helor.

O Bispo Dom Opas, que já havia pactuado, se adiantou para tentar convencê-lo da inutilidade de resistir e da conveniência de seguir seu exemplo.

Gruta de batalha de Covadonga
Invocando o auxílio de Deus e da Virgem, que tinha como seguros, D. Pelayo rechaçou indignado a proposta traidora, dispondo-se a batalhar até o fim contra os inimigos da Fé.

Vendo Alkamah o fracasso da missão de submeter o Rei D. Pelayo, iniciou o ataque contra esse último baluarte da Cristandade, mas encontrou a heroica oposição dos católicos.

Pouco depois Deus mostrou sua intervenção com um portentoso milagre, pela intercessão de Nossa Senhora de Covadonga: um grande tremor de terra moveu o campo de batalha, e a metade da montanha caiu sobre o exército muçulmano, fazendo enorme destruição.

Don Pelayo, Cangas de OnísO Rei Don Pelayo, com os seus, perseguiu o que restava do exército dos infiéis, completando o extermínio, no qual morreu também Alkamah e desapareceu D. Opas.

Em meio ao entusiasmo da vitória, Don Pelayo foi proclamado Rei das Astúrias, recebendo a coroa das mãos do Bispo de Oviedo, dando início à monarquia espanhola.

Depois de uma vida guerreira e de organização de seus povos, foi enterrado na cova santa da Virgem de Covadonga.

No local, uma placa proclama: "Sob o nome da Mãe de Deus, dentre as rochas e no alto dos montes, surgiu a Espanha".




(Fonte: Conde de Fabraguer, "Imágenes de la Virgen Aparecidas en España" - Juan José Martínez Editor, Madrid, 1861, pp. 203-233)



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domingo, 29 de junho de 2008

Feudalismo, majestade, mando e obediência

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
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Na Idade Média a maior parte das nações europeias adotava o sistema feudal.

Esse sistema consistia numa série de monarquias grandes, nas quais se encaixavam monarquias pequenas.

Pode ser comparado de algum modo com o sistema interno de governo da Igreja.

O papa é o rei da Igreja, os bispos são príncipes da Igreja sujeitos ao papa, mas com uma autoridade própria sobre os fiéis.

Depois, a seu modo, os vigários, os párocos em relação ao bispo. Forma assim pequenas monarquias encaixadas umas nas outras.

Há aqui uma cavalgada de cruzados, imaginados por um grande gravurista do século XIX (Alphonse-Marie-Adolphe de Neuville, 1835 – 1885), e que foram para a Terra Santa. Ao centro, a figura central é o rei.

Se não for o rei, ele será por exemplo o grão-mestre da ordem dos templários, ou desta ou daquela outra ordem de cavalaria, que está guiando os cruzados na ofensiva contra os maometanos.

Esses príncipes, cada um tem uma coroa. Só não tem coroa a figura central. Mas a figura central tem uma fronte tal que ela serve de coroa.

Ele está ou não está ciente de que ele ocupa uma alta situação e tem uma alta responsabilidade? Está.

O modo pelo qual ele tem a cabeça de pé, o modo dominador pelo qual ele olha os espaços como quem está habituado a dar ordens, fazer executar aquilo...

O seu corpo teso, indica o guerreiro habitualmente vitorioso, o general que habitualmente leva o adversário na ponta da lança, tudo isso indica nele um homem que tem de um ou de outro modo, a um ou outro título, um verdadeira majestade.

Seguro, ele vai para frente. Num olhar analítico, vê-se que ele tem plano e que está retocando seus planos, segundo os dados que ele vai observando.

De maneira que na hora do choque com o adversário ele já sabe perfeitamente para onde vai o ataque.

Notem agora uma subtileza do desenho: ele olha para o campo de batalha; os vassalos dele, muito altos vassalos, príncipes, olham para ele.

Os príncipes atrás dele estão numa atitude de quem está para receber ordens. Olhem a altaneria deles.

Quando eles mandam, não passa pela cabeça de ninguém desobedecer.

Mas quando o seu legítimo senhor manda, a desobediência não passa pela cabeça deles. Só manda bem quem sabe obedecer.

Olham para ele porque dele emana a autoridade, dele emana o pensamento, nele está o plano e nele está a ordem que indica o plano.

Nele está o ímpeto que ele comunica na hora do ataque. Portanto, atenções para ele, homenagens para ele, mas altas homenagens. Não é homenagem de qualquer um, é homenagem de príncipes.

Tudo isso não é nada em comparação com outra coisa: uma grande cruz está desenhada sobre o peito de todos eles.

Está aberta como se o peito deles fosse transformado num estandarte.

Cruzes fortes, eu diria quase cruzes pesadas, cruzes magníficas, que indicam o vigor da resolução: "nós vamos combater, estamos resolvidos, a nossa resolução é inabalável, vamos nós!"

Eles estão mais do que tudo cientes da sua dignidade de guerreiros de Cristo, cuja mais alta qualidade é terem sido batizados e pertencerem à Igreja Católica Apostólica Romana. "Maometanos, chegou a hora de vos arrancar Jerusalém".

Eles não estão fazendo pose para a multidão, eles não estão disputando votos, nem dependem de votos.

Esses homens não dariam candidatos a vereador, por exemplo. A coisa é outra.

São dois mundos, dois pólos. Este é o ideal que a Cristandade quer pôr no píncaro.

O homossexual, o líder comunista, o agitador da Revolução Francesa, é o oposto que está cada vez mais subindo e que, pelo poder de Nossa Senhora, Ela derrubará no chão.

Pelo poder de Nossa Senhora, os filhos dEla derrubarão no chão!

Alguém dirá: "Derrubarão no chão, Dr. Plinio?" Sim, é verdade, para serem pisados pela Virgem!


Plinio Corrêa de Oliveira. Texto sem revisão do autor.




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