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segunda-feira, 4 de novembro de 2024

300 heróis para salvar a Europa da invasão do Islã (2)

Don Pelayo de Asturias en Covadonga, Museo del Prado, Madrid
Don Pelayo de Asturias em Covadonga, Museo del Prado, Madrid
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs




continuação do post anterior: 300 heróis para salvar a Europa de invasão do Islã (1)


Os muçulmanos fizeram uma rápida conquista da península com o apoio de arianos e judeus, como registra Manuel P. Villatoro, autor premiado de vários livros históricos, no jornal ABC2.

Só ficaram resistindo Dom Pelayo e um punhado de heróis asturianos, visigodos e hispano-romanos, que se refugiaram nas montanhas do norte.

Como os invasores e seus cúmplices não conseguiram extinguir esse foco de resistência, pediram então um grande exército islâmico do sul para acabar com eles.

Excogitaram um artifício capcioso que lhes poupasse a luta e se serviram para isso de Dom Opas, arcebispo de Toledo — de Sevilha, segundo outros —, quem deveria convencer os resistentes que era um absurdo lutar contra uma potência como o Califado de Damasco.

Dom Opas agiu “ecumenicamente”, da mesma maneira como agem em nossos dias os inimigos da Igreja, que aceitam o clero que aderiu à revolução conciliar e hoje cede às forças políticas de esquerda ou putinistas.

Dom Pelayo foi abençoado pela Santíssima Virgem na própria gruta de Covadonga — escreveu Luis Carlón Sjovall, presidente da Associação Cultural Fernando III, o Santo, de Palencia.

Primeira representação de don Pelayo, no século XII, enarbolando a Cruz da Vitória
Primeira representação de don Pelayo, no século XII,
enarbolando a Cruz da Vitória
Ele levantou a Santa Cruz, renunciou à proposta de baixar os braços diante da força islâmica que avançava e de se omitir na resistência, acreditando nos embustes do Califado de Damasco transmitidos pelo arcebispo traidor.

Conta-se que o príncipe-herói encerrou o diálogo atirando uma pedra na cabeça do pérfido bispo traidor, que teve morte imediata.

A Igreja Católica na Espanha partilhou durante séculos a tradição oral segundo a qual Anjos e Arcanjos se somaram às hostes de Dom Pelayo e atiraram pedras, lanças e flechas das alturas de Covadonga, causando terror e morte entre os seguidores de Maomé.

Isso criou uma tal desordem entre os filhos da iniquidade que os católicos puderam descer para os vales adjacentes, perseguindo os invasores durante dias, até serem exterminados ou expulsos.

A vitória de Nossa Senhora foi total, e ali mesmo, sob a Santa Gruta e com a Santa Cruz da Vitória na mão direita, Dom Pelayo foi proclamado Rei da Espanha e iniciou a sua Reconquista.

A descrição do magno entrechoque de armas figura no relato historicamente mais próximo da Batalha de Covadonga, conhecido como Crônica de Alfonso III3 (852 – 910), rei de Astúrias, região da batalha, que apresenta duas respeitadas versões.

Uma delas conta que Munuza, prefeito das Astúrias e companheiro de Taric, chefe dos invasores muçulmanos, tinha ordens de acabar com a resistência, prendendo Dom Pelayo e conduzindo-o acorrentado a Córdoba.

Percebendo Dom Pelayo que não podia oferecer resistência proporcionada, levou consigo até a montanha Aseuva todos os que podia. Ali refugiou-se numa caverna, que sabia segura e da qual flui o grande rio Deva.

Depois convocou todos os habitantes das Astúrias, que se reuniram e o elegeram príncipe.

Enfurecido, Munuza enviou uma hoste incontável chefiada por um tal Alkama, fazendo-o acompanhar pelo arcebispo Dom Opas. Segundo a Crônica de Alfonso III4, Alkama entrou nas Astúrias com um exército de 187 mil soldados — número não confirmado, mas sem dúvida muito maior que o dos resistentes católicos.

Alkama armou inúmeras tendas ao pé da caverna enquanto o arcebispo subia até a gruta de Nossa Senhora para assim falar com Dom Pelayo, segundo a referida Crônica:

Batalha de Covadonga, Augusto Ferrer Dalmau (detalhe)
Batalha de Covadonga, Augusto Ferrer Dalmau (detalhe)
— “Pelayo, Pelayo, onde estás?”

— “Aqui estou.”

E o desleal arcebispo propôs a traição com palavras melosas:

— “Eu julgo, irmão e filho, que não vos é oculto como toda a Espanha foi unida recentemente sob o governo dos godos e brilhou mais do que os outros países por sua doutrina e ciência.

“E que, no entanto, quando todo o exército dos godos foi reunido, não aguentou o ímpeto dos ismaelitas, você será capaz de se defender no topo desta montanha? Acho difícil.

“Escuta o meu conselho: volta do teu acordo, gozarás de muitos bens e gozarás da amizade dos caldeus.”

Dom Pelayo respondeu:

— “Não leu nas Sagradas Escrituras que a Igreja do Senhor se tornará como o grão de mostarda e crescerá novamente pela misericórdia de Deus?”

O bispo treplicou:

— “Verdadeiramente, assim está escrito”.

Então Dom Pelayo disse:

— “Cristo é a nossa esperança; que por este pequeno monte vê a Espanha ser salva.

Covadonga Basílica de Santa María la Real
Covadonga: Basílica de Santa María la Real
“Confio que a promessa do Senhor se cumprirá em nós, porque David disse: ‘Castigarei com a minha vara as suas iniquidades e com açoites os seus pecados, mas eles não carecerão da minha misericórdia’”.

“Assim, confiando na misericórdia de Jesus Cristo, desprezo aquela multidão e não temo o combate com que nos ameaçais. Temos Nosso Senhor Jesus Cristo como advogado junto ao Pai, que pode nos livrar desses pagãos.”

O bispo, então, voltando-se para o exército infiel, disse:

— “Aproximem-se e lutem. Você já ouviu como ele me respondeu; pelo que adivinho a sua intenção, você não terá paz com ele, exceto pela vingança da espada.”

A Crônica de Alfonso III assim descreve o desfecho da batalha:

Alkama então ordenou o combate e os soldados pegaram em armas. Mas imediatamente a magnificência do Senhor foi mostrada: as pedras que saíram das catapultas e atingiram a casa da Santa Virgem Maria, que estava dentro da gruta, voltaram-se contra aqueles que as atiraram e mataram os infiéis.

E como Deus não precisa de lanças, mas dá a palma da vitória a quem quer, os cristãos saíram da caverna para lutar com os ismaelitas; estes fugiram, seu exército foi dividido em dois, e ali mesmo Alkama foi para um desfiladeiro que foi o local em que foi massacrado com os seus. o impasse e capturou o bispo Opas.

Covadonga 01, Augusto Ferrer Dalmau
Covadonga, Augusto Ferrer Dalmau
124 mil infiéis morreram no mesmo lugar, e os 63 mil restantes subiram ao topo do Monte Aseuva e, pelo lugar chamado Amuesa, desceram para La Liébana.

Mas nem mesmo esses escaparam da vingança do Senhor. Quando estavam atravessando o topo da montanha, que está na margem do rio Deva, próximo à terra de Cosgaya, o julgamento do Senhor foi cumprido:

A montanha, saindo de seus alicerces, lançou os 63 mil infiéis no rio e os esmagou. Até hoje, quando o rio ultrapassa os limites de sua calha, dá muitos sinais disso.5

O Prof. Plinio Corrêa de Oliveira resumiu num pensamento célebre a imensa lição deixada para a História pela façanha de Covadonga:

“Quando os homens resolvem cooperar com a graça de Deus, são as maravilhas da História que assim se operam: é a conversão do Império Romano, é a formação da Idade Média, é a reconquista da Espanha a partir de Covadonga, são todos esses acontecimentos que se dão como fruto das grandes ressurreições de alma de que os povos são também suscetíveis.

“Ressurreições invencíveis, porque não há o que derrote um povo virtuoso e que verdadeiramente ame a Deus”.6

É o que auspiciamos para o catolicismo hoje em crise.


BATALHA DE COVADONGA: O início da RECONQUISTA




(Fonte: Catolicismo nº 881, maio de 2024, Ano LXIX).

____________


Notas:

1. https://encr.pw/P5gis
2. https://encr.pw/T4pgG
3. https://encr.pw/w6psf
4. https://l1nk.dev/XIJMR
5. Crónica de Alfonso III, Trad. de la segunda redacción. Edición original (latín). Zacarías Villada, S.J. Madrid, 1918. Centro de Estudios Históricos, caps. 8 a 10, páginas 108-114.
6. Plinio Corrêa de Oliveira, Revolução e Contra-Revolução, Parte II, Cap. IX, Artpress, SP, 1998, pág. 124.





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segunda-feira, 21 de outubro de 2024

300 heróis para salvar a Europa de invasão do Islã (1)

Covadonga 01, Augusto Ferrer Dalmau
Batalha de Covadonga, Augusto Ferrer Dalmau
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






A Batalha de Covadonga foi um embate decisivo para conter a invasão das hordas maometanas que avançavam sobre um continente que lhes abria as portas.

Há aproximadamente 1300 anos, uma vitória contra todas as probabilidades permitiu que a península ibérica — e com ela toda a América Latina, as Filipinas e outros países — fosse católica.

Nada mais natural do que a comemoração desse milagre por parte do Estado espanhol e da Igreja Católica. Porém, essa data transcendental foi ignorada pelas altas esferas civis e religiosas hispânicas e europeias, sendo rememorada apenas em eventos de segunda ou terceira importância, para ficar constando que algo foi feito. 1

A Espanha é atualmente governada pelo socialismo revolucionário, comprometido com a falsidade histórica contrária às glórias da Cristandade e engajado na Revolução Cultural. Esse governo e seus afins europeus veem com maus olhos aquele triunfo em Covadonga da fidelidade heroica, oposta ao diálogo entreguista e ao falso ecumenismo.

Sobremaneira pungente foi o menosprezo da memória do milagre da Santíssima Virgem pela hierarquia eclesiástica. A Nossa Senhora de Covadonga, chamada La Santina, que preside a gruta da batalha, sempre foi atribuído o milagre da resistência de 300 heróis chefiados pelo rei de Astúrias, Dom Pelayo.

Naquele período do século VIII, todo o Catolicismo esteve em jogo, pois a expansão do Califado islâmico, após se consolidar na Ibéria, avançaria sobre uma Europa imersa no caos desde a extinção do império romano em 476.

Hoje, contudo, a hierarquia eclesiástica na Espanha e alhures acolhe o invasor islâmico e deblatera contra o punhado de fiéis ao catolicismo tradicional, contra aqueles míticos 300 heróis salvadores da civilização.

Sintoma revelador desse ódio anticatólico foi o fato de o mais renomado pintor espanhol em vida, Augusto Ferrer-Dalmau, denominado “o pintor de batalhas”, ter concluído para a data uma magnífica pintura retratando o embate com admirável arte e pormenor, mas o mundo oficial desprezou e criticou sua obra, pois nela o artista apresentava brilhantemente a liquidação do inimigo anticristão que hoje volta a invadir a Europa e para o qual as esquerdas e o progressismo escancaram as portas.

Don Pelayo
Don Pelayo
Embora não se saiba ao certo o ano exato do milagroso triunfo, há uma relativa certeza de que ele aconteceu em 28 de maio, pois segundo fontes árabes, nesse dia do ano 722 morreu Munuza, governador islâmico das Astúrias, que teria participado da batalha.

Há nisto concordância com algumas fontes cristãs. A partir dessa data a presença islâmica desapareceu no norte da Espanha. O islã custaria a se reorganizar e invadir a França, tendo sido necessários vários séculos para o islamismo ser banido da península ibérica.

O evento tem surpreendentes analogias com a situação dos autênticos católicos em nossa época: minorias genuinamente católicas resistem a um adversário revolucionário imensamente superior em militantes, recursos materiais e auxílios de bispos engajados na demolição da Igreja e da civilização cristã.

O antigo reino visigodo estava exausto após uma guerra civil religiosa pela coroa, na qual o príncipe ariano Witiza foi derrotado pelo príncipe católico Dom Rodrigo. Em 718, nas encostas do Monte Corona, atual província de León, o líder católico Dom Pelayo foi eleito por aclamação príncipe da Espanha cristã.

Os heréticos derrotados pediram o auxílio de Musa ben Nusayr, governador muçulmano da Tunísia. Este viu a oportunidade de invadir o território cristão e surrupiar suas riquezas. Enviou para isso um exército de 11 mil bérberes sob o comando de Tariq, um de seus melhores generais.


(Fonte: Catolicismo nº 881, maio de 2024, Ano LXIX).



continua no próximo post: 300 heróis para salvar a Europa de invasão do Islã (2)

 


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segunda-feira, 7 de outubro de 2024

Covadonga: onde Nossa Senhora parou a invasão muçulmana

Gruta de Covadonga: local do milagre
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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política internacional,
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No ano 722, em Covadonga começou a reconquista da Espanha invadida pelos árabes muçulmanos.

Foi ali que, segundo as crônicas, Pelayo (primeiro rei das Astúrias), derrotou aos seguidores de Maomé, com o auxílio miraculoso de Nossa Senhora.

Aquela vitória impossível sem intervenção sobrenatural deu início a 800 anos de Cruzada nos quais se constituiu a Espanha católica.

Cangas de Onís foi a capital do novo Reino de Astúrias até o ano 774.

Don Pelayo
Nela se estabeleceu o rei Don Pelayo, e desde ela empreendeu com seus homens diversas campanhas no norte da Espanha.

Cangas de Onís ficou com seu heróico rei como único foco de resistência ao expansionismo muçulmano até então invicto.

Do antigo e decadente reino visigodo cristão tudo tinha desaparecido.

Só ficou Don Pelayo, um punhado de valentes e, o mais valioso de tudo, o impulso vencedor da Cruz e de Nossa Senhora de Covadonga.

Veja vídeo
Covadonga:
milagre parou
invasão muçulmana
Na batalha de Covadonga, Don Pelayo portava uma Cruz com a inscrição em latim: “HOC SIGNO TVETVR PIVS. HOC SIGNO VINCITVR INMICVS”

Quer dizer: “Com este signo o piedoso é protegido. Com este signo o inimigo é vencido”.

Hoje é o símbolo de Astúrias.

Junto à gruta da vitória milagrosa e sobre um pequeno morro surge hoje o Santuário de Covadonga.

Ele foi construído com a pedra avermelhada da região que se destaca entre o verde das pradarias e das florestas.

Nossa Senhora de Covadonga, a "Santina"
Na manhã cedinho, quando a névoa envolve o vale, é fácil ver o Santuário emergindo na solidão como se estivesse pairando no ar.

Etimologicamente Covadonga significa Cova da Senhora e está unida indissoluvelmente ao nascimento da nacionalidade hispânica.

Nossa Senhora de Covadonga, a “Santinha”

Bendita seja a Rainha da nossa montanha, cujo trono é o berço da Espanha.

Causa da nossa alegria, vida e esperança nossa, abençoa nossa Pátria e mostra que teus filhos, teus são.

Don Pelayo, o vencedor dos muçulmanos em Covadonga, hoje é considerado “o símbolo de uma sociedade, que após ter caído, luta para reconquistar a liberdade, é o modelo para nós reconquistarmos uma sociedade invadida por outros bárbaros”.






BATALHA DE COVADONGA: O início da RECONQUISTA

terça-feira, 30 de abril de 2024

Batalha das Navas de Tolosa:
decisiva para expulsar o Islã invasor

Navas de Tolosa: a batalha prototípica entre a Cruz e a Meia-lua
Navas de Tolosa: batalha prototípica entre a Cruz e a Meia-lua
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
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Em 1212, a onda invasora dos muçulmanos almoades, seita fanática de tipo fundamentalista, ameaçava tomar conta da Península Ibérica.

O Papa Inocêncio III convocou, então, uma Cruzada para deter o perigo, que ameaçava toda a Europa.

Para liderar as forças católicas foi escolhido o rei Afonso VIII de Castela, avô de São Fernando III.

Veja vídeo
Natal num castelo da França
Integravam a santa coligação Sancho VII, rei de Navarra; Pedro II, rei de Aragão; um exército enviado por Afonso II, rei de Portugal; cavaleiros do reino de Leão e das ordens militares de Santiago, Calatrava, Templários e Hospitalários, entre outras, além de um grande número de cavaleiros franceses.

Entre os convocados estrangeiros figuravam também três bispos das cidades francesas de Narbonne, Bordeaux e Nantes.

O rei Sancho da Navarra quebrou o cerne dos fanáticos islâmicos
O rei Sancho da Navarra quebrou o cerne dos fanáticos islâmicos
Afonso de Castela obteve a declaração papal de cruzada que facilitou a ajuda das Ordens Militares e impediu, sob pena de excomunhão, que os muçulmanos obtivessem ajuda de cristãos interesseiros que porventura tentassem se apropriar de bens dos que haviam partido ao combate.

Nessa batalha os dois lados empenharam todo o seu poderio militar e o melhor de suas forças.

O rei Afonso foi o grande articulador da aliança vencedora e teve o arguto senso de oportunidade para escolher o momento da batalha, que preparou com quase dez anos de antecedência.

Sabia que a mesma selaria o destino da península.

O exército mouro, segundo as crônicas da época, chegava a ter 300.000 ou 400.000 homens comandados pelo califa Muhammad Al-Nasir (Miramamolín para os cristãos).

Por sua vez, os católicos eram 70.000 e constituíam um dos maiores exércitos já reunido na península sob o signo da Cruz.

Nunca lutaram dois exércitos tão grandes na longa guerra da Reconquista
Nunca lutaram dois exércitos tão grandes na longa guerra da Reconquista
Registrado nas crônicas da época simplesmente como “A Batalha”, o enfrentamento aconteceu perto de Navas de Tolosa, na Espanha.

A derrota esmagadora infligida naquela data pelos aliados castelhanos, navarros, aragoneses e portugueses aos sarracenos contribuiu decisivamente para a queda do domínio muçulmano na Península Ibérica.

A batalha foi antecedida por escaramuças e um jogo de estratégias que começaram em 13 de julho de 1212. Ambos os lados buscavam a melhor posição e o melhor terreno para a luta.

Por fim, os árabes ficaram mais bem posicionados, sobre uma colina, enquanto os cristãos teriam que avançar “morro acima”.

O embate final aconteceu em 16 de julho.

As forças de Castela, que formavam o maior contingente, agiram no centro, apoiadas nos flancos pelos reis cristãos de Navarra (Sancho) e de Aragão (Pedro).

O heroísmo de Diego López II de Haro e seu filho
empolgou os católicos
O rei de Portugal e os cavaleiros franceses – com exceção de um pequeno número – não chegaram a participar.

O rei Afonso simulou uma força de infantaria central fraca para atrair o inimigo, que caiu na armadilha.

Em seguida deslanchou uma carga de cavalaria pesada, que foi decisiva para a vitória cristã.

Porém, o combate teve um momento angustiante, quando as tropas almoades conseguiram rodear e isolar o centro do exército castelhano.

Muitos então fugiram, mas não o capitão vascaíno Diego López II de Haro e seu filho, que aguentaram heroicamente na posição junto ao capitão castelhano Núñez de Lara e às Ordens Militares.

A resistência desse punhado de heróis encheu de brios a reis e cavaleiros cristãos, que se jogaram no auxílio deles com o resto de suas tropas.

Os reis avançaram numa carga irrefreável contra os flancos do exército mouro.

Por sua vez, com duzentos cavaleiros, o rei Sancho VII de Navarra atacou diretamente o acampamento do califa Al-Nasir.

O rei Sancho de Navarra quebrando a elite maometana  tirou dos infiéis a vontade de resistir
O rei Sancho de Navarra quebrando a elite maometana
tirou dos infiéis a vontade de resistir
E perfurou as últimas defesas islâmicas formadas pelos im-esebelen, tropa de elite árabe que se enterrava no chão ou se afixava com correntes ao local para mostrar que não fugiria.

O acampamento estava rodeado de correntes defensivas, que os navarros foram os primeiros em quebrar.

Crê-se que foi por esse feito que as correntes entraram simbolicamente no brasão do reino de Navarra.

A guarda pessoal do califa sucumbiu sem arredar, mas assim que percebeu a batalha perdida, o próprio An-Nasir procurou a salvação na fuga, passando pusilanimidade a seus seguidores.

Sabedor por experiências anteriores de que os derrotados se reorganizariam para novos embates, o rei Afonso ordenou que aos muçulmanos, que batiam em retirada desorganizada, fosse dado um trato inclemente.

A crônica chega a afirmar que foram mortos na escapada tantos muçulmanos quantos o foram durante a batalha.

A precipitada fuga de An-Nasir deixou um incalculável botim de guerra.

A peça mais preciosa é a bandeira, ou pendão de Las Navas, hoje conservado no Mosteiro de Santa Maria la Real de Las Huelgas, na cidade de Burgos.

Pendão islámico ganho na Batalha.
Mosteiro de Las Huelgas, Burgos
Muitos outros troféus da batalha se encontram hoje na igreja de São Miguel Arcanjo de Vilches.

Eles incluem a Cruz do Arcebispo D. Rodrigo, uma bandeira e uma lança dos fanáticos que custodiavam a Miramamolín, e a casula com que o senhor arcebispo oficiou missa no dia do colossal enfrentamento guerreiro para implorar a vitória das armas cristãs.

Os árabes da Península Ibérica nunca mais se recuperaram dessa derrota.

A partir daquele momento, o rei Afonso os manteve em situação de desvantagem permanente.

A batalha deu início à superioridade militar, econômica e política dos reinos católicos e demarcou definitivamente o início da decadência da civilização árabe na Península Ibérica.

A obra do rei Afonso foi completada brilhantemente pelo seu neto São Fernando III de Castela, que conquistou as grandes capitais árabes da Andaluzia.

Além disso, submeteu à vassalagem o emir de Granada, cidade onde ficou o último quisto muçulmano na Europa, até ser definitivamente expulso pelos Reis Católicos em 1492.



Vídeos: A batalha das Navas de Tolosa marcou o fim da hegemonía muçulmana na Península Ibérica (espanhol)







Fontes bibliográficas
1) “La batalla de las Navas de Tolosa : historia y mito”. María Dolores Rosado Llamas y Manuel Gabriel López Payer, Jaén: Caja Rural, 2001.
2) “Batallas decisivas de la Historia de España”. Juan Carlos Losada, Punto de Lectura, 2004.
3) Huici Miranda, Ambrosio: “Las grandes batallas de la reconquista durante las invasiones africanas”, 2000, Editorial Universidad de Granada.
4) Batista González, Juan: “España estratégica. Guerra y diplomacia en la historia de España” (cap. 4: De Covadonga a Las Navas de Tolosa), Madri, 2007.
5) Willian Weir, “50 Battles That Changed the World”, pp. 186 a 189.
6) “El Pais”, “La Batalla de las Navas de Tolosa: El día D de la Reconquista”, Madri, 16-7-2012.
7) Modesto La Fuente, “Historia General de España”, Tomo V, 1851, pp. 208 a 249.
8) Martín Alvira-Cabrer, “Las Navas de Tolosa, 1212. Idea, liturgia y memoria de la batalla”, Sílex, Madrid, 2012.
9) Philippe Conrad, “16 juillet 1212: Las Navas de Tolosa, un moment décisif”, La Nouvelle Revue d'Histoire, nº 61, julho-agosto 2012, p. 20-23.
10) Jean Watelet, “Les Batailles les plus sanglantes de l'histoire”, ed. Famot, 1977.
11) García Fitz, Francisco, “Las Navas de Tolosa”, Ariel, Barcelona 2005.
12) García Fitz, Francisco, “Was Las Navas a decisive battle?”, in: Journal of Medieval Iberian Studies (JMIS), vol. 4, no. 1, 5–9.
13) Nafziger, George F. e Mark W. Walton, “Islam at War: a history”, Greenwood Publishing Company, 2003.
14) O’Callaghan, Joseph F., “Reconquest and crusade in medieval Spain”, University of Pennsylvania Press, Philadelphia PA 2004.
15) Setton, Kenneth Meyer, “A History of the Crusades”, University of Wisconsin Press, 1975.
16) Vara Thorbeck, Carlos, “El lunes de las Navas”, Universidad de Jaén, 1999. “Las Navas de Tolosa: 1212, la batalla que decidió la Reconquista”, Edhasa, Barcelona 2012.
17) “Batalla de Las Navas de Tolosa”, Wikipedia, http://es.wikipedia.org/wiki/Batalla_de_Las_Navas_de_Tolosa.
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