quarta-feira, 3 de abril de 2019

Em Petrovaradin, a aliança católica dá golpe vital à ofensiva turca

Batalha de Petrovaradin (Jan van Huchtenburg 1647–1733). - Coleção Particular
Batalha de Petrovaradin (Jan van Huchtenburg 1647–1733). - Coleção Particular
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs







No dia 28 de julho de 1716, próximo à fortaleza de Petrovaradin, turcos e austríacos já se encontravam dispostos para a batalha.

O exército do príncipe Eugênio contava com 64 mil homens, enquanto o do grão-vizir Damad Ali dispunha de 200 mil.

Num primeiro embate, enfrentaram-se as cavalarias. Com mais do que o triplo de homens, os turcos obrigaram os austríacos à retirada.

Considerando a facilidade dessa primeira vitória, o grão-vizir enviou 150 mil turcos para darem início ao cerco da fortaleza.

Eugênio rejeitou o conselho de afastar-se de Petrovaradin e esperar que se enfraquecesse o ímpeto do inimigo com o desgaste do cerco.

Estátua do Príncipe Eugênio de Sabóia em Viena
Estátua do Príncipe Eugênio de Sabóia em Viena
Em 5 de agosto, com audácia, deu ordem de assalto ao acampamento turco.

A ala esquerda de seu batalhão começou a luta com êxito, mas a defesa das alas da direita e do centro impediram a marcha rápida.

Ainda assim, as espessas fileiras turcas caíam facilmente ante a pesada cavalaria austríaca.

Em certo momento da luta, Eugênio percebeu um ponto descuidado nas fileiras turcas, e imediatamente enviou seus cavaleiros naquela direção.

Nessa mesma hora a ala direita dos cristãos conseguiu entrar em combate, e completou a vitória num assalto encarniçado.

O grão-vizir correu em direção ao local da batalha, para tentar impedir a fuga dos seus soldados, mas caiu mortalmente ferido por uma bala.

Ao meio-dia a vitória dos cristãos estava selada, e um butim sem conta caiu em seu poder.

Os turcos perderam seis mil homens nessa batalha, contra três mil mortos e dois mil feridos dos imperiais.

Foi uma vitória brilhante, enaltecida rapidamente em toda a Europa.

Longe de buscar descanso depois de tal êxito, Eugênio pôs seu exército em movimento para conquistar a fortaleza de Timisoara, um ponto estratégico para as forças muçulmanas na região, defendida por 18 mil homens escolhidos.

Ocorreram duros embates, com grandes perdas para ambos os lados, mas quando Eugênio se preparava para um grande assalto, o comandante turco se rendeu.

Essa fortaleza havia estado 164 anos em poder dos muçulmanos, e sua queda resultou imediatamente na entrega de outras cidades menores.

Príncipe Eugenio de Sabóia na batalha de Zenta
Príncipe Eugenio de Sabóia na batalha de Zenta
Os austríacos manifestaram grande apreço pelo seu general, e ainda hoje o povo canta uma música composta na ocasião para homenageá-lo: Prinz Eugen der edle Ritter (Príncipe Eugênio, o nobre Cavaleiro).

Como prêmio por ter defendido a Cristandade, o Papa Clemente XI enviou-lhe um chapéu guarnecido de pérolas e uma preciosa espada que ele mesmo benzera.

Notas:
Principal fonte consultada: Historia Universal, Juan Baptista Weiss, Editora Tipografia La Educación, Tradução da 5ª edição alemã, Barcelona, 1930, Vol. XII, p. 376 a 382.
1. Ver Um Papa santo convoca à vitória na ilha de Corfu.
2. Santo Esperidião foi bispo de Chipre no séc. IV. No Martirológio Romano, sua festa é comemorada no dia 12 de dezembro. Sobre o milagre em Corfu, ver: http://www.hellenicaworld.com/Greece/Religion/en/SaintSpyridon.html


(Autor: Ivan Rafael de Oliveira, Catolicismo n° 807, março 2018



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