terça-feira, 17 de janeiro de 2023

A imensa tapeação do Qatar

Desde o Qatar se ordenaram incontáveis atentados islâmicos
Desde o Qatar se ordenaram incontáveis atentados islâmicos
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs







A última Copa do Mundo em Qatar foi ocasião para uma propaganda colossal de um Islã fiel ao Corão mas que fornece um nível de vida como muitos sonhariam ter em seus países ocidentais ex-cristãos.

Mas tudo isso não passou de uma enganação. O premiado jornalista Khaled Abu Toameh denunciou que por trás dessa fachada digna do cinema hollywoodiano se esconde uma central onde se monta o terrorismo islâmico mundial, embora na ficção o Estado finge ser aliado dos EUA.

A reunião recente da cúpula dos chefes terroristas do Hamas e o Talibã do Afeganistão foi mais um exemplo desse jogo duplo escreve Toameh.

O líder do Hamas Ismail Haniyeh e sua cúpula do terror mudou-se para o Qatar, postas ditas facilidades.

Haniyeh, no ano passado, felicitou desde Qatar os líderes do Talibã pela “derrota da ocupação americana no Afeganistão” e viu nela um prenúncio da eliminação de “todas as forças da injustiça”.

Cada palavra dos líderes do Hamas é aprovada pelos governantes do Qatar, acrescenta Toameh.

Claro que os líderes do Qatar dizem condenar o terrorismo e o extremismo violento, mas cumprem ao pé da letra o Corão que manda mentir sem fronteiras se isso serve para a vitória do Islã.

Fiéis aos preceitos desse jogo duplo as palavras do Catar são para os estrangeiros ouvir, mas não para o público árabe.

Fachada sedutora acoberta o pior terrorismo
Fachada sedutora acoberta o pior terrorismo
O Hamas realizou milhares de ataques terroristas, mas seu protetor promete ajudar a eliminar o terrorismo e o extremismo.


O Qatar contribui financeiramente ao Escritório de Contraterrorismo das Nações Unidas e, ao mesmo tempo, encoraja o Hamas.

Qatar doa milhões de dólares para os palestinos mais pobres da Faixa de Gaza e consolida o governo local do Hamas embora seja criticado por palestinos e em geral por levarem uma vida de sátrapas na ilha das benesses enquanto conclamam o povo de Gaza para a mortífera jihad (guerra santa).

Durante décadas, o Qatar acolheu calorosamente o já falecido Sheikh Yusuf al-Qaradawi, egípcio que chefiou a radical União Internacional dos Estudiosos Muçulmanos.

Segundo o Centro de Informações de Inteligência e Terrorismo Meir Amit:

“Qaradawi foi a peça-chave na formação do conceito de jihad violenta, ele deu o sinal verde inclusive para atentados suicidas contra israelenses, forças dos EUA e até alguns regimes árabes... Qaradawi foi proibido de entrar nos EUA e na Grã-Bretanha por ter apoiado atentados. Ele foi procurado pela Interpol a pedido da polícia egípcia”.

Mas passou bem até o fim sob a cobertura do Qatar, fazendo do emirado um centro de disseminação da jihad e do terrorismo global.

Os cataris são donos da rede de TV Al-Jazeera, cujo canal árabe é uma plataforma da Irmandade Muçulmana e um veículo do indefensável, explica Toameh.

Durante a Guerra do Iraque, “transmitiu imagens nauseantes de soldados ocidentais mortos. Retratou atentados suicidas como 'operações paradisíacas' e atividades terroristas como atos de 'resistência'”.

Qaradawi “transmitia sermões para 60 milhões de telespectadores e fazia votos para que o extermínio nazista dos judeus fosse repetido”.

Mas Al Jazeera reclama “liberdade de imprensa”.

O Xeque Hamad bin Jassim, ex-primeiro-ministro do Catar, confirmou que a Al-Jazeera é controlada pela Irmandade Muçulmana e prega com tom raivoso até com regimes árabes aliados dos EUA.

Por causa disso em 2017 quatro países árabes, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Bahrein e Egito, romperam relações diplomáticas com o Qatar, proibiram a entrada de seus cidadãos e fecharam todas as fronteiras.

Constantes iniciativas tentam sensibilizar para o duplo jogo do Qatar, como essa em Viena
Constantes iniciativas tentam sensibilizar para o duplo jogo do Qatar, como essa em Viena
O Qatar aloja a maior base aérea dos EUA no Oriente Médio como estratagema para desviar a atenção do apoio que dá à Irmandade Muçulmana e a outros grupos extremistas.

“O incitamento contra os EUA na Al-Jazeera não se limitou ao discurso do ódio, mas a apelos ao terrorismo em território americano”, diz relatório do Middle East Media Research Institute (MEMRI).

Na Al-Jazeera “o político islamista do Kuwait, Dr. Abdullah Al-Nafisi... promoveu a ideia de conduzir atos terroristas dentro dos EUA, seja por meio do uso do anthrax ou por meio de ataques a usinas nucleares”.

Al-Jazeera projetou o líder da Al-Qaeda, Osama Bin Laden, a líder árabe e muçulmano e forneceu uma plataforma a clérigos islamistas como Ahmad Al-Baghdadi que pregava: “Conquistaremos o mundo (...) para que 'não haja outro Deus a não ser Alá e que Maomé o Profeta de Alá' seja triunfante sobre as cúpulas de Moscou, Washington e Paris... vamos aniquilar a América”.

Na Copa do Mundo, o Qatar fez cara bonita para o Ocidente, e continuou tapeando os americanos e outros, fazendo-os acreditar que contribuem para a segurança e a estabilidade do Oriente Médio.

Na verdade, o Qatar não é amigo dos EUA, nem de Ocidente, nem de seus aliados árabes. Ele endossa a guerra santa islâmica global enquanto muitos árabes se perguntam quando os ocidentais vão acordar e não acreditar na inundação de presentes e contribuições financeiras para universidades e think-tanks dos EUA.

Enquanto a situação continuar assim o único jogo que o emirado está jogando, fortalecido pela Copa do Mundo, é o da tapeação dos ocidentais, concluiu o premiado jornalista árabe.



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sábado, 24 de dezembro de 2022

Feliz Natal e abençoado Ano Novo !


Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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terça-feira, 20 de dezembro de 2022

Lendas natalinas antigas da França e da Inglaterra

Luis Dufaur
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Toque de sino exorcístico

“O momento em que o Maligno finalmente fica reduzido à impotência é o do tilintar do primeiro toque da meia-noite de Natal”.(1)

A raiva do demônio

“Um antigo conto de Natal nos apresenta uma descrição forte e ingênua da raiva do demônio pela vinda do Messias:

“'Eu me enraiveço'.

O demônio, certamente, dentro de seu coração se enraivece, porque Deus vem presentemente salvar os filhos de Adão e de Eva, de Eva, de Eva!

Ele reinava absolutamente sem nos dar trégua, mas esse santo acontecimento livra os filhos de Adão e de Eva, de Eva, de Eva!

Cantemos o Natal altamente, saiamos de nosso pesadelo, bendigamos a salvação de todos os filhos de Adão e de Eva, de Eva, de Eva”.(2)

Sortilégios perdem o poder

“No Limousin, França, percorrendo os campos, encontra-se a crença de que os malefícios, os sortilégios e todas as obras do espírito do mal perdem seu poder na noite de Natal; e que é permitido chegar até os tesouros mais escondidos, pois a vigilância dos monstros –– ou dos seres preternaturais que os guardam –– torna-se nula, ou seu poder suspenso”.(3)

Shakespeare recorda uma lenda

“Dizem que, sempre na época em que é celebrado o Natal de nosso Salvador, o pássaro da aurora canta durante toda a noite; e então, nenhum espírito mau ousa vagar pelo espaço; as noites não trazem malefícios, os planetas não exercem má influência, nenhum encantamento consegue atrair, nenhuma bruxa tem o poder de fazer mal: tão abençoado é esse tempo, e tão sagrado!”.(4)

Notas:
1. http://www.joyeux-noel.com
2. Bíblia dos Natais, p. 33.
3. M. G., de la Société archéologique du Limousin.
4. Shakespeare, Hamlet, ato I, cena I.



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terça-feira, 6 de dezembro de 2022

São João de Capistrano: pregador de Cruzada, János Hunyadi e o cerco de Belgrado - 2

São João de Capistrano na batalha de Belgrado. Igreja dos Bernardinos, Cracóvia.
São João de Capistrano na batalha de Belgrado.
Igreja dos Bernardinos, Cracóvia.
Luis Dufaur
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Continuação do post anterior: János Hunyadi e o cerco de Belgrado - 1



As notícias dos colossais preparativos logo chegaram ao sucessor de São Pedro. Calixto III enviou, então, um monge franciscano, São João de Capistrano,(4) a pregar uma nova cruzada contra os infiéis.

Septuagenário como o Papa, homem de baixa estatura, fraco, exausto, mas movido por um ardor juvenil, o santo contagiava com seu entusiasmo os corações de seus ouvintes, embora — coisa notável — falasse apenas latim e italiano.

Conseguiu reunir por volta de 40 mil camponeses húngaros e alguns voluntários de outras nações, partindo com Hunyadi, que conduzia sua tropa de 10 mil cavaleiros.

Com a guarnição de Belgrado e outros reforços, o exército cristão chegou a congregar 75 mil homens, a maioria fracamente armada, mas animados de santo zelo pela defesa da Cristandade.

Maomé II estabelece o cerco de Belgrado

Os turcos chegaram a Belgrado semanas antes do esperado. Eram entre 100 e 200 mil homens, trazendo consigo 300 canhões, 22 dos quais de grande envergadura. Uma frota de 200 embarcações balouçava nas águas do Danúbio.

Testemunhas da época narram seu espanto por toda a parafernália presente no acampamento turco, tanto de material bélico quanto para outros fins. Matilhas inteiras de cães foram trazidas para consumir os corpos dos cristãos, que se previam muito numerosos.

Os infiéis pareciam dispostos não apenas a ocupar Belgrado, mas toda a Hungria e outros reinos vizinhos.(5)

Quando o exército católico chegou à cidade, no início de julho de 1456, encontrou-a já sitiada pelos otomanos, e ameaçada pela frota estacionada no Danúbio.

A primeira tarefa de Hunyadi foi quebrar o bloqueio naval, o que ele conseguiu em 14 de julho, afundando três grandes galés otomanas e capturando duas dezenas de navios. Franqueou ele assim a entrada de tropas e de suprimentos na cidade.

São João de Capistrano na batalha de Belgrado (detalhe). Igreja dos Bernardinos, Cracóvia.
São João de Capistrano na batalha de Belgrado (detalhe).
Igreja dos Bernardinos, Cracóvia.
Enquanto isso se dava, a artilharia pesada dos turcos perfurava as muralhas de Belgrado em diversos pontos, enchendo os fossos de escombros.

No dia 21 de julho, Maomé II ordenou um assalto total, que começou no ocaso e continuou por toda a noite.

Os janízaros(6) lideraram o ataque, e a ferocidade de seu avanço conduziu-os para dentro das muralhas. Hunyadi, entretanto, dirigiu a defesa com grande habilidade.

Ordenou aos defensores que jogassem lenha, cobertores saturados de enxofre, pedaços de gordura animal e outros materiais inflamáveis dentro do fosso, e ateassem fogo.

Logo uma parede de chamas separou os janízaros que lutavam dentro das muralhas de seus companheiros que ainda estavam no exterior.

Os que ocupavam o fosso morreram queimados, ou ficaram seriamente feridos; e os janízaros foram massacrados pelas tropas de Hunyadi. Com a calmaria da manhã seguinte, mais reforços cristãos puderam chegar à cidade.

Fato inesperado provoca início da batalha

No dia seguinte, enquanto os turcos enterravam seus mortos, algo de inesperado aconteceu.

Contrariando as ordens de Hunyadi para não deixarem o interior da fortaleza, alguns grupos de cruzados escaparam pelos rombos das muralhas, tomaram posição diante da linha turca e começaram a provocar os soldados inimigos, gritando e atirando flechas sobre eles.

Cavaleiros turcos tentaram, sem sucesso, dispersar os cristãos. Então, mais cruzados se uniram aos que já estavam fora das muralhas.

São João de Capistrano na batalha de Belgrado (detalhe). Igreja dos Bernardinos, Cracóvia.
São João de Capistrano na batalha de Belgrado (detalhe).
Igreja dos Bernardinos, Cracóvia.
O que se iniciara como um incidente isolado tornou-se uma batalha em grande escala.

São João de Capistrano, que de início tentara trazer seus homens de volta ao interior das muralhas, logo se viu cercado por dois mil cruzados.

Então, começou a liderá-los em direção às linhas otomanas, gritando: “O Senhor que fez o início cuidará do desfecho!”.

Os turcos logo se viram diante de uma furiosa avalanche humana. Apanhados de surpresa nessa estranha mudança dos acontecimentos e paralisados por um medo inexplicável, fugiram.

A guarda pessoal do sultão, formada por cinco mil janízaros, tentou conter o pânico e recapturar o acampamento; mas o exército de Hunyadi já tinha se unido à inesperada batalha, e os esforços turcos tornaram-se vãos.

O próprio sultão foi gravemente ferido, ficando inconsciente. Protegidos pela escuridão, os turcos retiraram-se às pressas, carregando seus feridos.

As baixas turcas em Belgrado foram inéditas. Eles perderam 50 mil homens na batalha, e outros 25 mil abatidos pelos sérvios durante a fuga. As perdas entre os defensores de Belgrado totalizaram menos de 10 mil.

Vitória cristã comemorada em toda Cristandade

A derrota do sultão foi saudada como gloriosa vitória pela Cristandade. O Te Deum foi entoado nas igrejas, os sinos tocaram e grandes fogueiras foram acesas em comemoração.

O Papa Calixto III, quando soube do sucesso do comandante húngaro, descreveu Hunyadi como “o mais impressionante homem que o mundo tem visto em 300 anos”.

Depois de mais um triunfo, chegou o dia da partida para a eternidade daquele homem providencial. Contagiado pelo tifo que grassava no acampamento, János Hunyadi entregou sua alma a Deus em 4 de agosto de 1456.

O túmulo do heroico Janos Hunyadi continua rodeado pelo reconhecimento do povo húngaro
O túmulo do heroico Janos Hunyadi continua rodeado pelo reconhecimento do povo húngaro
No leito de morte, como São João de Capistrano lhe apresentasse a morte como recompensa desta vida, Hunyadi respondeu:

“Vivi e lutei para achar meu lugar de descanso, como campeão emérito na tenda de meu Senhor”. O sultão derrotado, sabendo da morte do herói católico, depois de alguns momentos de silêncio exclamou: “Éramos inimigos, mas sua morte é para mim dolorosa; pois nunca o mundo viu um homem como ele!”. Naqueles tempos o valor e a honra eram reconhecidos mesmos nos inimigos, quando neles existentes.

“Defendei, caros amigos, a Cristandade e a Hungria de todos os inimigos. Não vos deixeis levar por intrigas internas. Se gastardes vossas energias em altercações, selareis vosso próprio destino e cavareis a cova de nossa própria nação”.(7) Foi esse o último conselho de Hunyadi a seus compatriotas.

Notas:
1. Vide Catolicismo, abril/2004.
2. WEISS, Juan Bautista. Historia Universal – Vol. VIII. Barcelona: Tipografia La Educación, 1929, p. 31.
3. SETTON, Kenneth Meyer. The Papacy and the Levant, Vol. II. Philadelphia: The American Philosophical Society, 1978. p. 164.
4. Vide Catolicismo, outubro de 2007.
5. SETTON, Kenneth Meyer. The Papacy and the Levant, Vol. II. Philadelphia: The American Philosophical Society, 1978. p. 176.
6. Elite guerreira formada por cristãos pervertidos, muitas vezes raptados ainda jovens do seio de suas famílias.
7. KOVACH, Tom R. Ottoman-Hungarian Wars: Siege of Belgrade in 1456. Military History Magazine, 1996. Disponível em http://www.historynet.com/ottoman-hungarian-wars-siege-of-belgrade-in-1456.htm.


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terça-feira, 22 de novembro de 2022

János Hunyadi e o cerco de Belgrado - 1

János Hunyadi, comandante dos cruzados libertou Belgrado do assédio turco
János Hunyadi, comandante dos cruzados
libertou Belgrado do assédio turco
Esse extraordinário herói húngaro e São João de Capistrano, derrotando o sultão Maomé II em Belgrado, sustaram avassaladora investida muçulmana na Europa


No ano de 1453, a cidade de Constantinopla, capital do Império Romano do Oriente, caiu sob o domínio dos turcos otomanos. Os vencedores submeteram os sobreviventes muitos deles monges e religiosas — a um cruel e bárbaro tratamento.

 A famosa igreja de Santa Sofia tornou-se cenário de uma sangrenta orgia, depois da qual o local sagrado passou a servir de estábulo para os cavalos dos turcos. Ficava claro para a Cristandade que os seguidores de Maomé não descansariam enquanto não estendessem seu domínio sobre a Europa.

Mas a Divina Providência, que permitira tal derrota para castigo da Cristandade decadente, suscitaria, no momento e no lugar certos, os homens certos para obstar os planos dos infiéis.

Vitórias iniciais contra os turcos

János (João, em português) nasceu provavelmente no ano 1387. Seu pai, Serba Vojk, leal servidor do rei húngaro Sigismundo, recebera como prêmio o castelo de Hunyadvár, na Transilvânia, tendo desde então mudado seu nome, Serba Vojk, para Hunyadi.

Desde a infância, János Hunyadi, a quem trataremos apenas pelo sobrenome, mostrou-se sempre muito piedoso. Seus companheiros de Corte o viam frequentemente levantar-se durante a noite e passar horas de joelhos na capela real, em oração.

Ele cresceu como um soldado. Inicialmente lutando como mercenário na Itália, dedicou-se depois a enfrentar o Império Otomano, o maior inimigo de seu país e da Santa Igreja, na época.

Até 1441, suas campanhas militares foram apenas um prelúdio de sua longa guerra contra os otomanos, o que lhe valeu a fama de “Flagelo dos Turcos”. Em uma dessas campanhas, tentou unir forças com o grande herói albanês Skanderbeg,(1) só não o fazendo por intrigas de um príncipe sérvio.(2)

Em 1437, o rei Sigismundo nomeou-o defensor do sul da Hungria, desde a Transilvânia do Leste até o mar Adriático. O rei seguinte, Ladislau V, tornou-o capitão de Nandorfehervár (atual Belgrado, capital da Sérvia) e voivode (príncipe) da Transilvânia.

Avanço maometano nos Bálcãs

Batalla de Belgrado (Nandorfehervar)
Batalla de Belgrado (Nandorfehervar)
Nos anos que precederam essa nomeação de Hunyadi efetuou-se um gradual avanço turco sobre os Bálcãs, em direção à Hungria. Vilas inteiras eram destruídas, milhares de pessoas mortas, e muitas outras, incluindo mulheres e crianças, capturadas como escravas.

Nomeado comandante, Hunyadi decidiu que já era tempo de pôr um fim às invasões turcas.

Guerreiro incansável, aparecia de improviso nas regiões ocupadas, surpreendia o inimigo com táticas inusitadas, infundia temor mesmo nos grandes exércitos, acompanhado por tropas seletas mas reduzidas.

Vitoriosa tática dos “vagões blindados”

Certa feita, deparou-se com a quase totalidade dos contingentes turcos da Europa, sob o comando do terrível Sehabeddin, súdito do mesmo Maomé II que depois conquistaria Constantinopla. A ordem deste era conquistar a Moldávia, a Valáquia e a Transilvânia.

Hunyadi posicionou suas tropas em formação retangular, tendo os flancos e a retaguarda bem protegidos por vagõesblindados. Inovação utilizada por um líder da Boêmia anos antes, os vagões eram preenchidos por soldados, e ligados por correntes para evitar a penetração pelo inimigo.

No auge da refrega, os vagões foram subitamente empurrados sobre o adversário, causando, com seu movimento, grande pânico entre as tropas turcas. Os soldados desembarcaram e cumpriram sua missão. Mais uma grande vitória obtida pelo herói húngaro.

A notícia das conquistas de Hunyadi espalhou-se por toda a Europa, trazendo esperança para os reinos que ainda sofriam sob a dominação otomana. No ano seguinte, o general húngaro venceu mais seis batalhas, livrando a Sérvia da presença turca.

Janos Hunyadi, monumento em Pecs, Hungria
Janos Hunyadi, monumento em Pecs, Hungria
Apesar dos aplausos das outras potências europeias, nenhuma delas ofereceu ajuda significativa. Apenas a Santa Sé levou a sério essa tão importante causa. Calixto III, ancião espanhol recém-eleito para o sólio pontifício, soube perceber a gravidade do momento.

Considerou como obrigação enfrentar os turcos, fazendo o propósito de expulsá-los de Constantinopla, e até, se possível fosse, da própria Terra Santa.

“O mundo tinha mudado desde os velhos tempos de Urbano II, mas no peito do Papa ancião batia o coração de um verdadeiro cruzado. Em carta ao novo rei húngaro Ladislau, o Papa declarou sua resolução, mesmo ao preço de seu próprio sangue se necessário, de que ‘estes inimigos insidiosos do nome Cristão sejam inteiramente expulsos não só da cidade de Constantinopla, recentemente ocupada, mas também de todos os confins da Europa’”.(3)

Após tomar Constantinopla, o jovem Maomé II decidiu, em 1455, que era tempo de esmagar definitivamente a Hungria. E o ponto nevrálgico era a fortaleza de Nandorfehervár. “Em dois meses, estarei jantando tranquilamente na capital húngara”, teria dito o sultão.

continua no próximo post: São João de Capistrano: pregador de Cruzada, János Hunyadi e o cerco de Belgrado - 2


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