terça-feira, 3 de março de 2020

Como São Luis IX tratou aos terroristas do “Velho da Montanha”

São Luís recebe os enviados do chefe da "seita dos Assassinos"
São Luís recebe os enviados do chefe da "seita dos Assassinos".
Nicolas-Guy Brenet (1728 - 1792). Capela da École Militaire. Paris.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs








A seita do “Velho da Montanha” havia sido fundada por Hassan Ibn el-Sabbah um sacerdote persa zoroastriano que se instalou no Cairo. A seita era conhecida como a dos “Assassinos”, e marcou o Oriente Próximo durante perto de um século.

O terror que ela causava ficou condensado na frase de um poderoso senhor local: “Eu não ouso mais obedecer-lhe nem desobedecer-lhe”.

Um outro senhor que recebeu uma mensagem do “Velho da Montanha” intimando-o a se render, preferiu demolir seu castelo, sabendo estar ameaçado de morte a qualquer momento e ser assassinado em caso de desobediência, tal vez por algum de seus familiares drogado com maconha.

No ano de 1090, os membros da seita ismaelita dos “Assassinos” se apoderaram da fortaleza de Alamut (o “refúgio dos abutres”) nas montanhas da Pérsia.

A partir dali, eles estenderam progressivamente sua influência pela Síria e pela Palestina.

Desde aquele rochedo inexpugnável, logo rebatizado, o “refúgio da riqueza”, os grandes mestres da seita governavam por meio de intermediários.

Pelo fim do século XII, um deles de nome Rachid el-Din el-Sinan, era tão poderoso que negociava de igual a igual com Saladino.

Nunca foi anunciada a morte de algum dos grandes mestres. Visavam assim fazer que os adversários acreditassem que eram imortais.

Os cruzados francos apelidaram o poderoso chefe da seita de “Velho da Montanha”.

Os jovens sem rumo que eram recrutados pela seita dos Assassinos tinham que jurar obediência, ficavam fanatizados e drogados com maconha (haschisch). De ali provinha o nome Haschuschin, que deu o termo “assassino”.

A função do “assassino” consistia em executar todo aquele que se recusasse a pagar tributo ao “Velho da Montanha”.

Para garantir a fidelidade dos “assassinos” o grande mestre mandava drogá-los e conduzi-los a uns jardins maravilhosos ao pé dos muros de sua fortaleza.

Lá, no meio de fontes e flores, mulheres pagas se ofereciam a eles.

Quando “acordavam”, os esbirros garantiam a eles que tinham tido um antegosto do Paraíso de Alá!

O velho da montanha droga seus discípulos fanáticos de Alá.
Biblioteca Nacional da França, departamento dos Manuscritos, Français 2810, fol 17
Enganados, eles não temiam morrer ou mesmo serem despedaçados, e obedeciam cegamente.

Os “assassinos” eram tão cruéis que seus inimigos ficavam aterrorizados.

Onde eles estavam ativos, ninguém podia se considerar seguro, nem os camponeses árabes, nem os peregrinos francos, nem os poderosos senhores, nem mesmo os reis.

Uma madrugada, um sultão hostil à seita acordou com um punhal cravado na cabeceira da cama.

Horrorizado pela sinistra advertência, ele aceitou logo pagar o tributo e exonerou os “assassinos” de pedágios e impostos em seus domínios.

Quando São Luis IX desembarcou em Oriente, os Assassinos eram uma potência inevitável.

Aliás, já na III Cruzada, heróis como Raimundo de Trípoli e Conrado de Montferrato tiveram que entrar em certo acordo com a seita e engajaram conversações.

O Velho da Montanha reinava sobre um vasto território, mas mantinha relações de boa vizinhança com os cristãos.

Ele praticava um Islã cismático aos olhos dos outros muçulmanos. Estava constantemente em guerra com seus correligionários e chegou a se opor violentamente aos sucessores de Saladino.

Estátua de São Luís na Sainte-Chapelle de Paris, e Coroa de Espinhos
Quando soube da derrota dos cruzados em Mansourah, em fevereiro de 1250, o Velho da Montanha enviou mensageiros a São Luis IX, para que ele também lhe pagasse tributo.

“Os príncipes que vos precederam – mandou dizer o misterioso chefe da seita – como o rei da Hungria ou o imperador da Alemanha pagaram tributo ao sheik Al-Jabal para tê-lo como amigo, tu que foste vencido deves fazer a mesma coisa”.

E para mostrar o poder de seu mestre, os embaixadores exibiram a faca símbolo de sua força, e o lençol em que enterravam suas vítimas.

O rei da França não só recusou o pagamento, mas exigiu “receber antes de quinze dias cartas e presentes de amizade”.

A firmeza do Santo impressionou o grande mestre dos Assassinos.

Duas semanas depois, ele fez chegar ao rei da França seu anel e sua própria camisa “porque a camisa está mais perto do corpo que qualquer outra peça do vestiário, assim o Velho mestre quer estar mais perto do rei franco do que qualquer outro”.

E para dar mais força à seus sinais de amizade, lhe enviou também suntuosos presentes: um jogo de xadrez feito de âmbar perfumado e um elefante e uma girafa de cristal.

Em troca, São Luis lhe ofereceu joias e legou um embaixador permanente: o frade dominicano Yves Le Breton.

Esse religioso eminente selou uma verdadeira aliança entre seu rei e o grande mestre dos Assassinos.

A história dessa seita penetra o presente.

Só os mongóis de Hulagu conseguiram vencer o Velho da Montanha e se apoderar da fortaleza de Alamut, em 1256.

Desde então, a seita se dispersou pela Síria, Líbano, Irã e Índia.

Porém, a seita ismaelita subsiste, e os descendentes dos grandes mestres ainda são venerados em nossos dias na pessoa do Agha Khan.




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terça-feira, 18 de fevereiro de 2020

Suécia: igreja protestante oficial financia o terrorismo islâmico

Para extremistas islâmicos, a Suécia não tem outra opção senão adotar a sharia e se converter ao Corão. E publicacões pagas pela Igreja da Suécia promovem a propaganda do Islã!
Para extremistas, a Suécia não tem opção senão adotar a sharia e se converter ao Corão.
E publicacões pagas pela Igreja da Suécia promovem a propaganda radical!
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Acostuma-se apresentar o protestantismo e suas entidades de beneficência internacional como um modelo de relativismo filantrópico amolecedor. Até financia ONGs ambientalistas na Amazônia.

Um exemplo é a Swedish Jerusalem Society fundada em 1900 para financiar obras de caridade em Jerusalém e Belém.

Porém, publica uma revista de tom extremamente hostil em favor da jihad islâmica, denunciou Nima Gholam Ali Pour, nas páginas do Gatestone Institute.

A Swedish Jerusalem Society recebe dinheiro que o governo por sua vez recolhe dos impostos dos cidadãos suecos, e o encaminha para a Good Shepherd's Swedish School que diz ser uma escola promotora da paz.

Mas Tobias Petersson, diretor do think tank Perspective on Israel revela que os livros escolares da Good Shepherd's Swedish School têm conteúdo jihadista e encorajam a guerra santa corânica.

Os livros escolares enaltecem a terrorista palestina Dalal al-Mughrabi, que fazia parte de um grupo de 11 terroristas que assassinaram 38 civis, entre eles 13 crianças, em 11 de março de 1978.

Ataque terrorista em Estocolmo
Ataque terrorista em Estocolmo
Na Suécia qualquer um pode alocar recursos a escolas que doutrinam crianças com jihadismo, antissemitismo e belicismo em geral, mesmo se for antiético.

Acontece que 65% do dinheiro dado para a Swedish Jerusalem Society provem de doações de membros da Igreja da Suécia em todo o país que podem não ter nenhum interesse em apoiar esse tipo de doutrinação e que podem até abominar qualquer tipo de violência.

A Igreja da Suécia fez parte do estado sueco desde seus primórdios até o ano 2000.

Mas, ainda hoje, essa seita protestante cobra tarifas funerárias de todos os residentes do país independentemente da religião, monopolizando os serviços fúnebres.

Atualmente 57,7% da população da Suécia pertence à Igreja da Suécia ou seja: de uma população de quase dez milhões, a grosso modo 5,9 milhões são membros dela.

A prática mostra que a ajuda sueca não só vai para organizações que disseminam ódio mas também que grandes instituições da Suécia abriram canais ilícitos para enviar milhões de coroas suecas a escolas que espalham o ódio, escreve Nima Gholam Ali Pour.

O que seria se alguma outra instituição religiosa estivesse levantando dinheiro para financiar uma escola que ensina crianças a odiarem a Suécia e a louvarem terroristas que assassinam cidadãos suecos?

Seria totalmente inaceitável. Mas na Suécia, é exatamente isso que está acontecendo hoje em favor da jihad.

O fato do dinheiro recolhido pela Igreja da Suécia ser enviado para a escola acobertadora do jihadismo não é negado pela Igreja da Suécia.

Atentado em Estocolmo. Incrível é que jihad recebba financiamentos da Igreja da Suécia.
Atentado em Estocolmo.
Incrível é que jihad recebba financiamentos da Igreja da Suécia.
Assim uma das maiores instituições oficiais da Suécia, em especial sua igreja, fornece fundos para o conflito anti-ocidental, semeando rastros de morte e destruição, diz Nima.

Uma igreja que financia o ódio jamais poderá ser a voz da paz no mundo e um exemplo de conduta moral, conclui.

Tem razão, mas também excessiva ingenuidade inoculada pelo pacifismo próprio do socialismo escandinavo e o protestantismo relativista.

O jihadismo está tentando dar o tiro de graça no corpo agonizante da Cristandade.

A primeira rajada assassinada lhe foi disparada pela Revolução Protestante, depois vieram as outras, notadamente a Revolução Socialista.

Não adianta chorar o crime final e achar que os culpados iniciais protestantes sejam tão bons, como falsamente imaginam os que hoje choram as consequências.




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terça-feira, 4 de fevereiro de 2020

As armas portuguesas contra os maometanos

Dom Afonso Henriques

Luis Dufaur
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Desde os berços desta monarquia abonaram os efeitos essa verdade.

Só o Conde D. Henrique, nobilíssimo tronco da real árvore dos monarcas portugueses, venceu contra mouros 17 batalhas campais.

Na célebre do campo de Ourique, venceu e destroçou el-rei D. Afonso Henriques, com 10.000 infantes e 1.000 cavalos, a 400.000 maometanos, isto pelo cômputo de quem mais abate este número, que outros o sobem a 600.000, e outros dizem que havia para cada cristão cem infiéis.

Na tomada de Lisboa (que foi no ano de Cristo 1148, a 25 de outubro), morreram 200.000 mouros.

O mesmo rei desbaratou um exército de 40.000 cavalos e 60.000 infantes, com que el-rei mouro de Badajoz vinha socorrer Sesimbra.

E em diversas ocasiões ele a 30 reis venceu (para que não fosse singular nesta glória o famoso Josué, capitão do povo de Deus).

Nem podemos atribuir estas vitórias à pouca gente dos exércitos contrários, porque, compensando uns com outros, lhe tocam a cada um 50.000 homens.

Para que mais particularmente conste que parece que Deus criou a nação portuguesa para estrago, desprezo e ralé da sarracena, quero referir aqui alguns casos que dentro das mesmas ferocidades de Marte descobrem um não sei quê de cômica graciosidade.

Milagre de Ourique
Milagre de Ourique
Na batalha que D. Francisco de Menses, capitão de Baçaim, venceu contra um poderoso campo do Nizamora, um certo Trancoso, depois de haver bem pelejado, pôde alcançar com um braço a um mouro pela petrina (que era um cinto que usavam, de muitas voltas).

Como era agigantado de membros e fiava de suas forças, levantou-o no ar como escudo, e se lançou entre os mouros, matando muitos a seu salvo.

Os golpes que lhe atiravam, recebia com destreza no miserável corpo do agarrado, o qual era juntamente seu inimigo de vontade e seu protetor contra vontade, porque o braço a que servia de escudo lhe dava tantas cutiladas quantas fazia que aparasse.

Com o que assim este mouro, como os mais que se chegaram, eram todos em ajuda de Trancoso: este, porque o defendia dos mais; e os mais porque, dando neste, lhe escusavam este trabalho.

Raro modo de fazer do couro alheio couraça própria!

Lá dizia uma valorosa matrona lacena, embraçando o escudo a seu filho que partia para a guerra:

"Vede que ou haveis de tornar vivo com este, ou morto sobre ele".

No nosso caso, pouco se lhe dava ao Trancoso de deixar na refrega o escudo; antes, quanto mais lho rachassem, tanto mais folgado e contente se recolheria.

Conquista de Ceuta
Conquista de Ceuta
Em Ceuta, indo D. Afonso da Cunha, em certo recontro, atrás de um mouro, ao atirar-lhe uma cutilada, lhe resvalou a espada e saltou fora da mão; mas, em vez de assustar-se com o caso, tomou maior cólera e gritou ao mouro:

"Ó cão, levanta e traze aqui logo".

E o mouro, temendo que, se não obedecesse, tinha a morte mais certa, voltou humilde, levantou do chão a espada e lha entregou.

E o Cunha então, compadecido, o deixou ir livre.

De sorte que este português usava daquele mouro como de inimigo para o recontro belicoso, como de escravo para o mando senhoril, e como de liberto para a manumissão fácil.

Ou fazia conta que aquele infiel era juntamente caça e cão: caça para correr perseguindo-a, e cão para lhe trazer o que caísse.

Ao cão chamou S. Gregório Nisseno espada viva do homem — Hominis gladium vivum. Como aqui o cristão era o homem e o mouro o cão, no cão achou o homem à mão uma espada viva que lhe trouxesse a sua inanimada.


(Fonte: Padre Manuel Bernardes, "Nova Floresta" - Lello & Irmão, Porto, 1949)


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terça-feira, 21 de janeiro de 2020

Sínodo chorou índios “exterminados” e ignorou os cristãos deveras massacrados

Chão da igreja copa de São Jorge encharcado de sangue cristão, Tant, Egito. Para eles não há Sínodo, escreve Meotti
Chão da igreja copa de São Jorge encharcado de sangue cristão, Tant, Egito.
Para eles não há Sínodo, escreve Meotti
Luis Dufaur
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O Sínodo Pan-Amazônico de Roma tratou entre outras coisas, da “ameaça à vida”, da “inculturação e interculturalidade”, da destruição “extrativista” e dos “povos autóctones” ameaçados na sua cultura e até supervivência.

Mas, simultaneamente, grandes grupos de “povos autóctones” estavam tendo sua vida “ameaçada” de modo furioso e se defrontavam com a “destruição existencial física” sem que o Sínodo mostrasse interesse, denunciou Giulio Meotti, editor cultural do diário italiano “Il Foglio”.

Quem eram esses grupos e minorias vitimados?

São, nada mais e nada menos, como é bem conhecido, os cristãos perseguidos!

E o Vaticano não lhes dedica Sínodo algum.

“Mandaram-no negar Cristo, ao recusar deceparam sua mão direita, ao recusar novamente, deceparam o cotovelo.

“Firme na recusa, foi baleado na testa e no peito”: assim foi martirizado o pai do cristão nigeriano Enoch Yeohanna, em 2014.

Quem se importou em Roma, nos governos ou nas instituições internacionais?

Esse é um dos muitos exemplos que apresenta Meotti.

Em entrevista concedida ao jornal italiano La Stampa, o Papa Francisco salientou que um dos maiores desafios da região amazônica é a “ameaça à vida das populações e dos territórios que deriva dos interesses econômicos e políticos dos setores que dominam a sociedade.”

Esses argumentos se aplicam e com maior razão e com torrencial derramamento de sangue à “perseguição aos cristãos nos quatro cantos da terra, um dos grandes males do nosso tempo”, como define o padre Benedict Kiely, fundador da Nasarean.org, que se dedica a amenizar a perseguição aos cristãos.

“A grande mídia é incrivelmente silenciosa quando o assunto é o ataque contra cristãos.

“Na mesma semana do abominável ataque à mesquita em Christchurch, na Nova Zelândia, um crime hediondo e inescrupuloso ocorreu: mais de 200 cristãos foram mortos na Nigéria.

“Difícil foi encontrar algo a respeito do massacre desses cristãos no noticiário.

“Nada de passeatas em homenagem aos cristãos martirizados, nada de dobrar sinos a pedido de governos, nada de camisetas com 'Je suis Charlie', nem um mísero aceno de indignação popular”, acrescentou o sacerdote angustiado ante a injustiça.

Papa Francisco recebe a Raoni em propagandística e apoteótica gira na Europa previa ao Sínodo. Na mesma hora o sangue cristão corria na África e na Ásia impunemente.
Papa Francisco recebe a Raoni em propagandística e apoteótica gira na Europa previa ao Sínodo.
Na mesma hora o sangue cristão corria na África e na Ásia impunemente.
Houve mais casos. Terroristas do Boko Haram “capturaram as mulheres e as arrastaram até a periferia da cidade de Gagalari no distrito de Yagoua onde deceparam uma orelha de cada uma das vítimas” num ataque à noite na República dos Camarões, relatou a organização Barnabas Fund.

No mesmo país, dias depois, Angus Fung, tradutor da Bíblia, foi massacrado e a sua esposa teve um braço decepado.

E, prosseguindo na sinistra lista do assanhamento ignorado, o padre David Tanko foi assassinado na vizinha Nigéria, sendo seu corpo e carro incendiados.

Pouco depois, o Pe. Paul Offu, nigeriano, também foi chacinado.

Em 2018, dois padres e 13 fiéis foram massacrados num único ataque ainda na Nigéria.

Quatro cristãos de Burkina Faso foram martirizados há pouco por usarem cruzes:

“Os islamistas chegaram, forçaram todos a deitarem no chão de bruços”, relatou o bispo Laurent Birfuoré Dabiré, diocesano de Dori.

“Havia quatro usando crucifixos. Assim sendo, todos foram mortos pelo fato de serem cristãos.

“Após os assassinatos, os islamistas avisaram todos os camponeses do vilarejo que se não se convertessem ao Islã eles também seriam mortos.”

Centenas de cristãos , incluindo 433 crianças, “correm o risco de serem atacados ou terão que fugir da desenfreada violência de extremistas islamistas no Mali.”

Nesse país, no mês de junho, cem homens, mulheres e crianças foram massacrados em Sobame Da, um vilarejo de maioria cristã.

David Curry, presidente da Open Doors, ONG americana que monitora a perseguição anticristã, voltou a sublinhar que os seguidores de Cristo “são o grupo mais perseguido do mundo”.

A opressão e mutilação a que eles são submetidos é devastadora.

Na Nigéria, o Boko Haram ainda mantém sequestrada a menina Leah Sharibu porque se recusou a renunciar à fé cristã.

É o que vem acontecendo recorrentemente no Egito, onde cristãs enfrentam uma “epidemia de sequestros, estupros, espancamentos e torturas”.

Mais um atentado suicida contra igreja cristã em Peshawar, Paquistão. A preocupação vaticana é por supostas chacinas na Amazônia.
Mais um atentado suicida contra igreja cristã em Peshawar, Paquistão.
A preocupação vaticana é por supostas chacinas na Amazônia.
No continente asiático repete-se o extermínio.

No Paquistão “todos os anos pelo menos mil meninas são sequestradas, estupradas e forçadas a se converterem ao Islã, são até forçadas a se casarem com seus torturadores” ressaltou Tabassum Yousaf, advogada católica ligada à ONG italiana San Egídio.

Asia Bibi, a mais famosa dessas cristãs perseguidas, ficou injustamente presa durante uma década numa prisão paquistanesa por “blasfêmia”, a maior parte do tempo no corredor da morte, antes de ser solta.
Em maio ela foi levada para o Canadá, onde reencontrou a família. De acordo com Bibi:

“Quando minhas irmãs me visitavam na prisão eu nunca chorava na frente delas, só quando elas já haviam saído do complexo penitenciário é que eu chorava sozinha, cheia de dor e angústia. Eu costumava pensar nelas o tempo todo, como era a vida delas”.

Os satélites da NASA captaram incêndios na Amazônia. O Vaticano e líderes mundiais caíram em cima do Brasil e dos países amazônicos sul-americanos por não protegerem a floresta amazônica.

Mas um sádico paradoxo percorre o mundo: queimar, mutilar e assassinar cristãos não é monitorado por satélites, seu sofrimento não é visto nas TVs nem nos jornais.

Inhabitação diabólica nas religiões 'originárias' amazônicas é deliberadamente ignorada.
Idêntico ao silêncio sobre o demônio incubado no Islã
Porém, se não há satélites para isso, temos uma torrente de denúncias que procedem das vítimas, das testemunhas presenciais, fatos fotografados, filmados, trazidos para Ocidente e para o Vaticano por missionários e sobretudo bispos diocesanos.

Mas, na realidade, no Vaticano e nos governos ocidentais é como se a perseguição aos cristãos não existisse.

Excetuadas algumas queixas ou “exigências” verbais que não mudam o andamento das tragédias e só servem para serem arquivadas entre muitas outras declarações sem efeito.

O Vaticano, o Papa Francisco e demais clérigos reunidos em Sínodo expressaram queixas verbalmente análogas para um imaginário e inexistente extermínio de silvícolas na Amazônia.

Mas, sublinha Meotti, corria o sangre das concretas chacinas de cristãos como se os ferozes islâmicos tivessem a certeza de que nada lhes acontecerá.

E até que poderão ser convidados a um alegrote festim ecumênico!, acrescentamos nós

O Pontífice e a mídia teriam uma opção: iluminar o mundo para o drama desses cristãos perseguidos, diz Meotti.

Do contrário chegará o dia em que deverão enfrentar a acusação de cegueira deliberada.




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terça-feira, 7 de janeiro de 2020

A Primeira Comunhão de Vivien no campo de batalha e morte


Luis Dufaur
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Todo o poema “La Chanson de Guillaume” gira em torno de uma batalha desenvolvida por Guilherme do Nariz Curvo contra os sarracenos de Deramé, na planície de Larchamp.

Vivien atira-se à luta acompanhado de seu primo Girart. A batalha é calorosa e os franceses são dizimados. Ao cair da tarde, Vivien envia Girart a pedir ajuda a Guilherme.

O conde Vivien perdeu 10 homens, dos 20 que lhe restavam. Os outros perguntaram:

— Que faremos na batalha, amigos?

Disse Vivien:

— Em nome de Deus, senhores, escutai-me. Enviei Girart levando uma mensagem. Hoje mesmo vereis Guilherme ou Luís, o piedoso. Com um ou outro venceremos os árabes.

— Avante, pois, valoroso marquês — responderam eles.

E ei-los que marcham contra o inimigo.

Os pagãos colocaram Vivien em grande perigo. De seus 10 homens, não deixam um só vivo. É segunda-feira à noite, e ele fica só na peleja. Tendo permanecido só, com seu escudo, ele os atormenta com cutiladas repetidas. Com sua espada, ele abate uma centena.

— Não chegaremos ao final — diziam os pagãos — enquanto deixarmos seu cavalo vivo debaixo dele.

Eles o perseguem através dos montes e vales, como o caçador acua um animal selvagem.

Um grupo o surpreende no meio de um pequeno vale.

Atiram sobre ele flechas e dardos agudos, que se enterram no corpo de seu cavalo.

Um bárbaro, montado em rápido cavalo, avança pelo meio do vale. Três vezes ele brandiu a lança que tem na mão direita, e numa quarta vez a lançou.

O projétil se enterra no lado esquerdo da cota de malhas, fazendo saltar 30 escamas.

Vivien recebe no corpo uma grave ferida, e sua insígnia branca lhe escapa das mãos. Jamais ele a reerguerá.

Ele coloca a mão atrás de si, sente a haste e extrai o dardo de seu corpo. Ele atinge o pagão nas costas e lhe enterra o ferro nos rins. De um só golpe ele o faz cair morto.

— Adeus, patife! Bérbere perverso! — brada o jovem Vivien — Não retornarás mais a teu país, e jamais te vangloriarás de ter matado um nobre de Luís.

Depois ele tira sua espada e retorna a combater. Quando ele golpeia as cotas de malha e os elmos, seus golpes os abatem até o chão.

— Santa Maria, Virgem Mãe e Donzela, enviai-me Luís ou Guilherme.

Deus, Rei da glória, a quem devo a vida, vós que nascestes da Virgem Maria e cujo corpo foi criado em união com as Três Pessoas;

vós que pelos pecadores sofrestes sobre a Cruz;

que fizestes o céu e as estrelas, a terra e o mar, o sol e a lua, Eva e Adão para povoar o mundo, tão verdadeiramente como sois o verdadeiro Deus, impedi-me de ser tentado a recuar um só passo. Antes, que eu perca a vida.

Fazei que eu observe meu voto até a morte, e que, graças à vossa bondade, não o atraiçoe.

Santa Maria, Mãe de Deus, tão verdadeiramente que carregais Deus como vosso filho, protegei-me, por vossa santa piedade, para que os vilões sarracenos não me matem.

Logo que pronunciou essas palavras, se arrependeu:

— Tive um pensamento tolo, querendo evitar a morte. Nosso Senhor não agiu assim, Ele que sofreu, por nossa Redenção, a morte dos crucificados.

Não devo, Senhor, pedir um adiamento da morte, posto que Vós mesmo não quisestes isso. Enviai-me Guilherme de Nariz Curvo ou Luís, que governa a França. Graças a ele nós obteremos a vitória.

O calor era forte, como em maio, durante o outono. Os dias eram longos, e ele jejuava havia três dias. Sofria os tormentos da fome e da sede. O sangue claro escorria de sua boca e da chaga que tinha ao lado esquerdo.

Não havia água nas proximidades; a menos de quinze léguas, não conseguiria encontrar nem riacho nem fonte; não havia senão água salgada, das ondas marinhas.

No entanto, no meio da planície corre um vale com água lamacenta, brotada de uma rocha à beira-mar, que os sarracenos turvaram com seus cavalos. Está suja de sangue e de miolos.

O bravo Vivien corre para lá e, inclinando-se, toma a contragosto aquela água salobra.

Os inimigos fazem chover sobre ele os golpes de lança, mas a cota é sólida e lhe protege o busto. Somente suas pernas e seus braços recebem mais de vinte ferimentos.

Ele então se reergue, como um javali feroz, e tira a espada que lhe pende ao lado. Defende-se com coragem, mas os outros o atormentam como os cães a um javali.

A água salobra que ele bebeu, e que não pode reter, lhe sai pela boca e pelo nariz. Ele sofre tanto, que sua vista se turva e ele perde a direção.

Para acabar com sua bravura, os pagãos o cercam mais de perto.

Os inimigos o cobrem de golpes de lança e flechas de aço, por todas as partes. Elas se cravam em seu escudo, tão numerosas que o conde não o pode manter à altura de sua cabeça, e o deixa escorregar para os pés.

Lançando setas agudas, dardos e ferros, os inimigos despedaçam a cota do conde.

O aço cortante fende o ferro leve de seu peito coberto de malha. Suas entranhas saem para fora.

Como ele sente que seu fim está próximo, roga a Deus misericórdia.

Vivien caminha através da planície, arrastando suas entranhas entre seus pés e segurando-as com a mão esquerda.

Seu elmo afunda até a altura do nariz. Em sua mão direita ele segura uma lâmina de aço, vermelha da copa à ponta e até à bainha ensanguentada.

Já atormentado pela agonia da morte, ele caminha sustentado por sua espada.

Pede com fervor a Jesus Todo-Poderoso de lhe enviar Guilherme, o bom francês, ou o Rei Luís, valente guerreiro.

— Verdadeiro Deus de glória, unido em Trindade,

Tu que nasceste da Virgem Maria e foste criado em união com as Três Pessoas,

Tu que foste crucificado pelos pecadores, defende-me, ó Pai!

Por tua santa bondade, para que eu não seja tentado a recuar um passo sequer na batalha, envia-me, Senhor, Guilherme do Nariz Curvo, porque ele sabe dirigir uma batalha.

Deus, nosso Pai, Rei glorioso e forte, que jamais me venha a idéia de recuar um passo por medo da morte.

Um bérbere, vindo pelo pequeno vale e dando galope a seu cavalo rápido, fere na cabeça o nobre barão, com uma lança de aço que leva na mão direita, e seus miolos se espalham pela grama.

Vivien cai de joelhos. É uma grande perda a morte de um tal homem!

Os pagãos, surgindo de todas as partes, fazem em pedaços o seu cadáver. Eles o levam e o colocam sob uma árvore, ao longo do caminho, para que os cristãos não o achem mais.

No campo de Aliscans, o exército cristão, comandado por Guilherme d’Orange — Guilherme do Nariz Curvo — tinha sido derrotado pelos sarracenos.

Podiam-se contar apenas quatorze sobreviventes. Próximo a uma fonte, em um prado, jazia um jovem, quase menino, que apesar disto era um guerreiro que nunca havia recuado.

Tratava-se de Vivien, sobrinho de Guilherme, a quem ele amava como a um filho.

Percorrendo o campo de batalha, Guilherme reconhece Vivien e o crê morto, mas este faz um leve movimento. Docemente o nobre duque se inclina e lhe murmura ao ouvido:

— Tu não gostarias de comungar Nosso Senhor Eucarístico? — e lhe mostrou uma Hóstia consagrada.

— Porém é preciso que faças tua confissão.

— Eu quero muito — responde uma voz fraca — mas apressai-vos; eu vou morrer. Tenho fome deste Pão.

Eis minha confissão:

Não me recordo de uma só falta, a não ser que eu tinha feito o voto de jamais recuar um passo diante dos pagãos, e tenho muito medo de haver hoje faltado com a promessa feita ao bom Deus.

Guilherme do Nariz Curvo tira a Hóstia de uma teca que trazia ao peito, e a aproxima dos lábios entreabertos de Vivien, cujos olhos se iluminam.

A morte lhe desceu ao coração, quando acabou de fazer sua primeira comunhão.


(Fonte : “La Chanson de Guillaume”; “Extraits des Chansons de Geste” - Larousse, 1960, pp. 53; Funck-Brentano, “Féodalité et Chevalerie”)


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