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segunda-feira, 22 de setembro de 2025

Como os franceses levaram os venezianos a participarem da cruzada

Francês medieval: modelo de generosidade e desprendimento cavalheiresco
Francês medieval: modelo de generosidade e desprendimento cavalheiresco
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






A França do tempo das Cruzadas passava por ser a nação franca por excelência. Mas a nação franca no melhor sentido da palavra, quer dizer, generosa, desprendida, larga, cavalheiresca.

Veneza nunca foi tida como nação franca. Era uma nação mercadora.

Na Idade Média se considerava os mercadores com a sobrancelha carregada e cheio de desconfiança.

Veneza justificou muito largamente esta desconfiança!

Era uma cidade brilhante, bonita, meio impudica e pecadora e que tantas vezes traíra e iria trair o Ocidente com os seus contratos com o Oriente.

Pois tratava-se de conseguir os navios de Veneza para transportar cruzados à Terra Santa.

Foi, por ocasião da IV Cruzada, uma delegação de franceses – mas uns franceses provavelmente ainda meio alemães, e tendo o mérito e a glória de ambas as coisas somadas – chefiada por Geoffroi de Villehardouin (1150/54 –1212/18) marechal de Champagne. Ele próprio contou como foi o desempenho da missão na crônica “Conquête de Constantinople”.

Extraordinária sensibilidade para o sublime. Catedral San Marco, Veneza.
Extraordinária sensibilidade para o sublime. Catedral San Marco, Veneza.
Eles entram em Veneza em 1201 e falam com o governo. Primeiro, a tentativa com o Doge e com o Conselho de Dez.

O governo convoca sucessivas Assembléias dos órgãos de governo muito alambicados de Veneza. Chama a Assembléia de Dez, que deliberava.

Referendo da Assembléia de Vinte a qual, tendo aprovado, era preciso ouvir um Conselho de Quinhentos que, quando aprovado, era preciso ouvir a Assembléia de Dez mil.

Quando a Assembléia dos Dez mil tinha concordado, reunia-se todo o povo e perguntava-se se o povo queria.

Os franceses dirigem-se ao Doge de Veneza. Então, os venezianos movidos, ou por razões financeiras ou por razões de zelo talvez, começam a se comover. Os conselhos são sucessivamente convocados. Vencidos todos os obstáculos, convoca-se o povo...

Os franceses vão para a igreja de São Marcos, “une das mais belas e magníficas igrejas que se possa conhecer”. Ato preliminar para todas as deliberações importantes durante a Idade Média: celebra-se uma missa.

E depois, dentro da Igreja de São Marcos, cheia de venezianos, o Marechal dirige a palavra ao povo. E o discurso dele é o seguinte:


“Oh venezianos, os mais altos e poderosos barões da França nos enviaram aqui, para vos rogar, em nome de Deus – notem a humildade – para que tenhais piedade de Jerusalém e tomeis vingança da vergonha de Jesus Cristo. Nós vós rogamos a vossos pés”.
Sublimidade até nos aspectos prosaicos da vida. Veneza
Sublimidade até nos aspectos prosaicos da vida. Veneza
Todos se ajoelham, põem as mãos e dizem: “ficaremos assim até que nos deis o vosso consentimento”. E ficaram assim até o povo responder.

O povo, vendo tão altos barões, e o marechal de Champagne, ajoelhados diante deles, começou a chorar, a dar gritos, a manifestar o seu aplauso.

O Marechal de Champagne contou que na igreja, na praça e nas ruas vizinhas era um estrondo de comoção e de alegria.

As pessoas se abraçavam e prometiam tomar a cruz. A tal ponto que ele teve a impressão de que a terra se partia.

O Dodge, então, foi ao púlpito e falou ao povo declarando a resolução tomada: estava resolvido partir.

Foi a emotividade e a capacidade do povo se arrastar diante da sublimidade do ato. O povo todo se desencadeia e toma a cruz.

Vemos aqui uma espécie de impressionabilidade popular, que é da maior importância para compreendermos bem a alma medieval.



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quarta-feira, 15 de março de 2023

A barbárie e o caos entram na França com a imigração

Lola, jovem estuprada e morta sadicamente por uma imigrante muçulmana
Lola, jovem estuprada e morta sadicamente por uma imigrante muçulmana
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
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Lola, uma francesinha de 12 anos, filha dos zeladores do prédio foi estuprada e assassinada em Paris por uma imigrante ilegal da Argélia que confessou o crime e disse não sentir nenhum remorso.

Na França, os imigrantes ilegais cometem cerca da metade dos crimes e assassinatos hediondos como os de Lola, que ocorrem quase todos os dias, escreveu Guy Millière professor da Universidade de Paris, e autor de 27 livros sobre a França e a Europa.

O psiquiatra Maurice Berger relata que crimes de violência gratuita com lesão corporal ou morte acontecem, em média, a cada dois minutos na França, entre os quais mais de duzentos estupros por dia.

Os detalhes do crime relatados pela assassina foram confirmados pela autópsia. Ela amordaçou Lola com uma fita adesiva, lhe tirou a roupa, a amarrou a uma cadeira, a estuprou com objetos, cortou parcialmente sua garganta, colocou o sangue em uma garrafa e o bebeu, fumou um cigarro, depois terminou de cortar a garganta de Lola e a decapitou.

A mulher ainda esfaqueou o cadáver várias vezes, o colocou em uma caixa de plástico e o levou para a rua.

A assassina de nacionalidade argelina entrou na França com visto de estudante, e permaneceu no país na ilegalidade. Ela já tinha sido presa pela polícia em agosto, mas logo foi liberada.

O presidente Emmanuel Macron não disse uma palavra para o público horrorizado que se manifestou nas ruas.

Protesto pelo sádico assassinato de Lola não foi ouvido
Protesto pelo sádico assassinato de Lola não foi ouvido pelo governo
Nenhuma decisão sobre a imigração ilegal e suas ligações com a escalada da criminalidade foi anunciada, nenhuma providência política será tomada, a mídia silencia ou maquia o islamismo ou a procedência dos criminosos.

Segundo o advogado Gilles-William Goldnadel, o governo preferiu o silêncio para acobertar sua política de imigração.

A cada ano centenas de milhares de imigrantes entram na Europa ilegalmente. Na França se beneficiam de bolsas financeiras e de assistência médica gratuita, a que nem mesmo os cidadãos franceses menos favorecidos têm acesso.

Em 2020, foram emitidos 107.500 despachos para imigrantes ilegais deixarem a França e menos de 7%foram cumpridos.

Na França, os imigrantes ilegais cometem cerca da metade dos crimes, de acordo com ensaio de Didier Lallement, ex-chefe de polícia de Paris.

Aproximadamente 48% de todos os crimes cometidos em Paris em 2021, observa ele, foram praticados por imigrantes ilegais.

A maioria dos assassinatos hediondos como os de Lola são perpetrados quase todos os dias por imigrantes ilegais.

Os franceses vivem num clima de violência generalizada e inúmeros comentaristas dizem que a população espera o colapso do país.

Mais um protesto que o goverfno 'antidiscriminatório' discriminou
Mais um protesto que o governo 'antidiscriminatório' discriminou
O sociólogo Jérome Fourquet escreve sobre um “esgotamento emocional coletivo” dos franceses e sobre o “desmoronamento” da sociedade francesa.

As amarras religiosas e históricas do povo estão desaparecendo: as igrejas estão vazias, momentos importantes da história do país não são mais ensinados nas escolas enquanto a população muçulmana mantém a sua cultura, seus costumes e tradições, e parece estar cada vez mais tomada pelo desprezo e ódio pela França.

Falar do tema virou tabu. Qualquer um que abrir a boca sobre o assunto é imediatamente demonizado.

Centenas de milhares de franceses emigram da França anualmente. Em 2018, ano mais recente dos dados disponíveis, 270 mil franceses deixaram o país. Nos últimos 20 anos, o número deles que vivem no exterior aumentou 52%.

750 zonas proibidas crescendo na periferia de todas as grandes cidades francesas, governadas por gangues islâmicas e imãs radicais.

No livro “Os territórios conquistados do islamismo”, publicado em 2020, o sociólogo Bernard Rougier ressaltou:

redes islamistas conseguiram estabelecer enclaves no coração de bairros populares... centros ideológicos e institucionais localizados no Oriente Médio árabe e no Magreb Islâmico têm condições de disseminar desde lá e com sucesso seus conceitos do Islã”.

O governo francês não reage. A polícia recebe ordens de deixar que os criminosos busquem refúgio em algum reduto fechado das periferias urbanas.

Em 2002, o historiador George Bensoussan publicou em 2017 “A França sometida”, que mostra que não é mais possível, falar de secularismo e tolerância nas escolas de ensino fundamental e médio. Em 16 de outubro de 2020, o professor Samuel Paty falou de secularismo e pagou com a própria vida.

Em termos econômicos, a França está em declínio. O PIB francês passou do 5º lugar no ranking mundial em 1980 para o atual 10º lugar e o PIB per capita passou do 5º para o 23º no mesmo período. Mas o presidente Macron está ufano de que “temos um dos modelos sociais mais generosos do mundo”.

Os impostos, no entanto, aumentaram, mas não para custear as despesas públicas.

Houve a revolta dos “coletes amarelos “, provocada pelo aumento do custo do combustível.

Mas os “coletes amarelos” não eram muçulmanos e os serviços de segurança de Macron reprimiram com violência: dezenas de manifestantes perderam um olho, uma mão, um pé ou parte de sua função cerebral devido à fratura do crânio.

Em Reims, a barbárie e o caos têm as portas abertas
Em Reims, a barbárie e o caos têm as portas abertas
O governo trancou todos os franceses em nome da pandemia e o contingente dos menos favorecidos saltou acentuadamente e já se encontra na casa dos 12 milhões (18,46% da população).

No terceiro trimestre de 2022, 9 mil empresas francesas fecharam as portas e 160 mil empresas francesas quebraram entre janeiro e junho de 2022.

Na obra “O suicídio francês”, de 2014, Éric Zemmour quando ainda era jornalista, escreveu que a França estava morrendo.

A ensaísta Céline Pina escreve que o assassinato da pequena Lola, e a tentativa do governo de impor silêncio sobre o ocorrido marcam mais um passo na queda da França rumo ao colapso, à barbárie e ao caos:

“o horror da penúria que esta criança teve de sofrer, o fato das atrocidades terem ocorrido em plena luz do dia, em Paris, o fato da autora ser uma estrangeira em situação irregular, significam que por trás da natureza hedionda desse assassinato, encontramos outros casos e uma situação bem mais abrangente...

“O assassinato de Lola revela o desaparecimento de todas as conquistas civilizacionais.

“Pior do que a multiplicação da barbárie é a sensação de que nossos governantes são incapazes de decisões necessárias para garantir a proteção da população.

“A barbárie se espalha quando as autoridades não garantem a lei e a ordem.”




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terça-feira, 31 de janeiro de 2023

França: cada 15 dias um prédio católico menos e uma mesquita mais

Atentado islâmico contra a catedral de Nantes.jpg
Atentado islâmico contra a catedral de Nantes
Luis Dufaur
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A França perde uma igreja cristã e ganha uma mesquita a cada 15 dias, segundo estimativas de Edouard de Lamaze, presidente do Observatório do Patrimônio Religioso de Paris, registrou Aleteia.

Além disso, uma média superior a dois monumentos cristãos por dia sofre algum tipo de vandalismo no país: um terço dos casos é de profanação e dois terços envolvem roubo.

Lamaze recorda o histórico incêndio de 2019 na Catedral de Notre-Dame, em Paris, e aponta deficiências graves no sistema de preservação de monumentos religiosos no país, além de denunciar que está piorando a hostilidade contra a religião católica.

Faz parte da média de um edifício religioso perdido a cada duas semanas, a transformação deles para usos não religiosos do espaço, demolição, desabamentos e incêndios, especificando que 66% desses incêndios são criminosos e que, em sua maior parte, os edifícios em questão são católicos.

Por outro lado, Lamaze observa que o país vive uma fase de expansão das mesquitas:

“Os monumentos católicos ainda são mais numerosos, mas uma mesquita é erguida a cada 15 dias na França, enquanto um prédio cristão é destruído no mesmo ritmo. Isso cria um ponto de inflexão”.

A França registrou oficialmente 877 ataques a locais de culto católicos em 2018, o ano mais recente cujos dados estão consolidados.

Lamaze citou esses números para compará-los com os de 2008, quando as igrejas vandalizadas em todo o país tinham sido 129. A partir disto, ele observa:

“Os números aumentaram cinco vezes em apenas dez anos. No início dos anos 1970, o escritor e jornalista Michel de Saint Pierre publicou um livro intitulado ‘Igrejas em ruína, Igreja ameaçada de extinção’, que já disparava um alarme. Mas, desde então, a situação piorou dez vezes, ou até cem vezes”, diz Lamaze.



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terça-feira, 16 de agosto de 2022

Na Europa o Islã bane demográficamente a Cruz

“Sete passos até o Inferno” livro denuncia inercia das elites ante o banimento da cultura cristã pela islâmica. Foto em Paris
“Sete passos até o Inferno”: livro denuncia inércia das elites
ante o banimento da cultura cristã pela islâmica. Foto em Paris
Luis Dufaur
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“Sete passos até o Inferno” é o sugestivo título do novo livro em que Alain Chouet, ex nº 2 da DGSE, o poderoso serviço de contra-inteligência francês, acusa as elites europeias de displicência culpada diante da substituição da civilização outrora cristã pela islâmica, recenseou Giulio Meotti, editor cultural do diário Il Foglio, para o Gatestone Institute.

Chouet lembra que, quando proferia uma palestra anual em Molenbeek, subúrbio de Bruxelas, apresentou-se Philippe Moureaux, prefeito socialista da cidade e chefão do Partido Socialista da Bélgica, com dois imponentes guarda-costas trajando robes muçulmanos, de barbas e boinas brancas.

E diante de toda a plateia, o prefeito interrompeu a sessão acusando o palestrante de provir de um país – a França – que torturou muçulmanos na Argélia, se referindo a fatos de metade do século XX.

A atitude provocativa do procedimento, diz Chouet, é típica desde o final dos anos 1980, quando a esquerda europeia foi atrás do islamismo militante.

quarta-feira, 16 de outubro de 2019

França: o retorno dos heróis

Santa Joana d'Arc, santuário de Bois Chenu, Lorena, Herois medievais
Santa Joana d'Arco, santuário do Bois Chenu, França
Luis Dufaur
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Uma das mais sublimes manifestações do espírito humano parecia afogada pelo prazer materialista da vida. O heroísmo parecia enterrado para sempre, e no país dos heróis cristãos que é a França! deplorou Louis de Raguenel em “Valeurs Actuelles”.

Em 2005, a maioria das teses dos alunos da Escola Nacional de Administração francesa (ENA), célebre pela sua exigência, “constatavam ou lamentavam a decadência de uma sociedade cada vez mais individualista que torna difícil aparecer grandes homens”.

Alguns escritos achavam resignadamente que evolução da sociedade tornava fatal essa queda.

E constatavam que ficaram para trás os tempos em que os heróis podiam aparecer no presente falando e agindo preto sobre branco.

segunda-feira, 6 de agosto de 2018

Papa São Pio V convoca reis católicos à guerra contra os turcos

Visão de São Pio V da vitória cruzada de Lepanto (basílica de Fourvières, Lyon)
Luis Dufaur
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Carta de São Pio V aos reis cristãos pedindo ajuda militar para a Ordem de Malta sitiada pelos turcos em sua ilha (8-12-1567):


"Eis o que foi bem estabelecido e é bem certo: nosso poderoso inimigo, o Sultão dos Turcos, prepara com os mais minuciosos cuidados uma frota considerável, sem precedente, uma armada e exército importantíssimos.

"Ele completa todos os preparativos que se fazem necessários, com o único fim de se precipitar o mais cedo possível contra Malta, para abater a Ordem Militar de São João, por ele particularmente odiada, e submeter essa ilha.

"Diz-se que dela deseja se apoderar, não só pelas grandes vantagens que oferece sob o ponto de vista estratégico, mas também, e mais ainda, em razão da humilhação por ele sofrida no sítio precedente.

segunda-feira, 14 de maio de 2018

Centenas de muçulmanos recebem o batismo católico na França

Luis Dufaur
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Mais de 4.258 adultos – 40% a mais que no ano passado – receberam o batismo na Igreja Católica na França na vigília da Páscoa.

Entre esses havia 280 pessoas que renunciaram ao islamismo, um número que está crescendo nos últimos anos, segundo a Conferência Episcopal da França (CEF) citada pelo “Times of Israel”.

Na vigília da Páscoa se celebra a Missa da Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo em que tradicionalmente é dado o batismo aos catecúmenos.

Perto de 60% dos adultos tinha entre 18 e 35 anos. 53% e provinha de famílias de tradição cristã. 22% até a conversão se diziam “sem religião”, ou ateus. O número dessas conversões aumentou 35% nos últimos dez anos.

Os dados foram comunicados à agência France Press pelo Pe. Vincent Feroldi, diretor do Serviço Nacional para as Relações com os Muçulmanos da CEF, quem destacou que “até 2016, o número desses casos estava sempre embaixo de 200”.

O responsável destacou que os migrantes muçulmanos chegam de países onde não há liberdade religiosa e que na França dão o passo e se convertem por um “encontro pessoal com Jesus Cristo”.

segunda-feira, 26 de março de 2018

Cartas de São Pio V incitando os Reis católicos
a combater contra os muçulmanos

S.Pio V com Maria Auxiliadora na mão
Luis Dufaur
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Aos Reis Católicos contra os turcos (8-12-1567):

Eis o que foi bem estabelecido e é bem certo: nosso poderoso inimigo, o Sultão dos Turcos, prepara com os mais minuciosos cuidados uma frota considerável, sem precedente, uma armada e exército importantíssimos.

Ele completa todos os preparativos que se fazem necessários, com o único fim de se precipitar o mais cedo possível contra Malta, para abater a Ordem Militar de São João, por ele particularmente odiada, e submeter essa ilha.

Diz-se que dela deseja se apoderar, não só pelas grandes vantagens que oferece sob o ponto de vista estratégico, mas também, e mais ainda, em razão da humilhação por ele sofrida no sítio precedente.

Como a tais forças a Ordem não pode de forma alguma resistir, nosso caro filho Jean de la Valette, seu Grão-Mestre, é obrigado a implorar o socorro dos príncipes cristãos contra o inimigo comum, o inimigo do Cristianismo.

Não duvidamos que Vossa Majestade e seu povo venham em nosso socorro, tanto mais espontaneamente aliás, pois é de seu maior interesse que uma ilha assim próxima da Sicília e da Itália não caia em mãos inimigas.

* * *

segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

A morte de São Luis no comando da 9ª Cruzada.
Seu testamento.

A morte de São Luís, aquarela
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Em 1270, na cidade de Cartago, enquanto preparava o assalto de Túnis, no Norte da África, São Luis IX, chefe da 9ª Cruzada foi atingido pela peste. Sentindo a morte se aproximar, mandou chamar seu filho e lhe disse:

“’Beau fils’, caro filho, a primeira coisa que eu te ensino e te ordeno guardar, é que de todo coração ames a Deus. Porque sem isto, nenhum homem pode ser salvo.

“E cuida bem de nada fazer que Lhe desagrade. Porque deverias antes desejar sofrer todos os tipos de tormentos, do que pecar mortalmente.

“Se Deus te envia a adversidade, recebe-a benignamente, e dá-Lhe graças: pensa que tu O desserviste frequentemente, e que o todo redundará em teu favor.

“Se te dá prosperidade, agradece-Lhe muito humildemente, e atenta para que não fiques pior pelo orgulho ou por outra razão. Porque não se deve tentar a Deus por seus dons.

“Toma muito cuidado de ter em tua companhia homens prudentes e leais, que não sejam cheios de cobiças, sejam homens da Igreja, de religião, seculares ou outros.

Estátua de São Luis em Beaune
Estátua de São Luis em Beaune
“Foge da companhia dos maus, e esforça-te em escutar as palavras de Deus, e retém-nas em teu coração.

“Faze também equidade e justiça a cada um, tanto aos pobres quanto aos ricos. E com os servidores, que te temem e te amam como mestre; sê leal, liberal e rijo de palavras.

“E se surgir alguma controvérsia ou demanda, seja por ti ou contra ti, indaga até atingir a verdade.

“Se fores advertido de ter com certeza alguma coisa de outrem, tenha sido obtida por ti ou por teus predecessores, devolve-a incontinente.

Estátua de São Luis no exterior da Sainte Chapelle
Estátua de São Luis
no exterior da Sainte Chapelle
“Olha com toda diligência como as gentes e os súditos vivem em paz e equidade sob teu reino, em especial as boas aldeias e cidades, e alhures.

“Mantém as franquias e liberdades, que teus ancestrais mantiveram e guardaram, e conserva-as com favor e amor.

“Evita mover guerra contra católicos, sem grande conselho, e somente se não a pudores obviar. Se houver guerra e querelas entre teus súditos, apazigua-as o mais breve que puderes.

“Cuida frequentemente de teus bailios, prebostes e outros oficiais, e indaga sobre seus governos, a fim de que se houver alguma coisa neles a repreender, que tu o faças.

“E te suplico, meu filho, que ao meu fim, tenhas lembrança de mim e de minha pobre alma; e me socorras com missas, orações, preces, esmolas e boas obras, por todo teu reino.

“E me outorgues partilha e porção em todas as boas obras que fizeres.

“Dou-te toda a bênção que um pai possa dar a seu filho, rogando à Trindade do Paraíso – ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo – que te guardem, e protejam de todos os males; para que possamos, depois dessa vida mortal, estar juntos diante de Deus, e dar-Lhe graças e louvores sem fim”.

Todo homem prestes a morrer, desenganado das coisas do mundo, pode dirigir sábias instruções a seus filhos.

Mas quando, tais instruções são apoiadas pelo exemplo de toda uma vida de inocência; quando elas saem da boca de um grande príncipe, de um guerreiro intrépido, e do coração mais simples que jamais houve; quando são as últimas expressões de uma alma divina que entra nas moradas eternas, então feliz o povo que pode se glorificar dizendo:

“O homem que escreveu essas instruções era o rei de meus pais!”

Estátua de São Luis na cripta da Sainte Chapelle, Paris
Estátua de São Luis na cripta da Sainte Chapelle, Paris
A doença fazendo progressos, Luis pediu a extrema-unção. Ele respondeu às preces dos agonizantes com uma voz tão firme quanto se estivesse dando ordens no campo de batalha.

Pôs-se de joelhos ao pé de seu leito para receber o santo viático, e sustentaram o braço desse novo São Jerônimo, na última comunhão. Desde este momento ele pôs fim aos pensamentos terrenos, e deu-se por quitado em relação a seus povos.

Qual monarca jamais cumpriu melhor seus deveres! Sua caridade estendeu-se então a todos os homens: rogou pelos infiéis, que foram ao mesmo tempo a glória e a infelicidade de sua vida; invocou os santos padroeiros da França, desta França tão cara a sua alma real.

Na segunda-feira pela manhã, 25 de agosto, sentindo que sua hora se aproximava, ele se fez estender sobre um leito de cinzas, onde permaneceu com os braços cruzados sobre o peito, e os olhos elevados para o céu.

Não se viu senão uma vez, e não se reverá jamais semelhante espetáculo: a frota do Rei da Sicília mostrava-se ao horizonte; o campo e as colinas cobertas pelo exército dos mouros.

Em meio às ruínas de Cartago, o campo dos católicos oferecia a imagem da mais desoladora dor: nenhum ruído fazia-se ouvir; os soldados moribundos saiam dos hospitais arrastando-se em meio às ruínas para se aproximar de seu Rei expirante.

Estátua de São Luis em Aigues-Mortes
Estátua de São Luis em Aigues-Mortes
Luís estava cercado de sua família em lágrimas, dos príncipes consternados, das princesas desfalecentes.

Os enviados do Imperador de Constantinopla encontravam-se presentes a essa cena: eles puderam contar à Grécia a maravilha de um passamento que Sócrates teria admirado.

Do leito de cinzas onde São Luís exalava o último suspiro, se visualizava o rio Útico, cada um podia fazer a comparação da morte do filosofo estoico e do filósofo católico.

Mais feliz que Catão, São Luis não foi obrigado a ler um tratado da imortalidade da alma, para se convencer da existência de uma vida futura: dela encontrava a prova em sua religião, suas virtudes e suas infelicidades.

Enfim, às três horas da tarde, o Rei, exalando seu último suspiro, pronunciou distintamente estas palavras: “Senhor, entrarei em vossa casa, e vos adorarei em vosso santo Templo”.

E sua alma voou para o Santo Templo, onde ele era digno de habitar.

Ouve-se então reboar a trombeta dos Cruzados da Sicilia: sua frota chega cheia de alegria e carregada de inúteis reforços.

Não se responde a seu sinal. Carlos d’Anjou se surpreende e começa a temer alguma desgraça. Aborda a margem, vê as sentinelas com as lanças revertidas, exprimindo sua dor menos pelo luto militar do que pelo abatimento de seus rostos.

Estátua de São Luis na cripta da Sainte Chapelle, Paris
Estátua de São Luis na cripta
da Sainte Chapelle, Paris
Precipita-se à tenda do Rei seu irmão, encontra-o estendido morto sobre a cinza. Lança-se sobre as relíquias sagradas, rega-as com suas lágrimas, beija com respeito os pés do santo, e dá mostras de ternura e de lamentação que não se teria esperado de uma alma tão altiva.

O rosto de Luis tinha ainda as cores da vida e seus lábios estavam vermelhos.

Carlos obtém as entranhas de seu irmão, que fez depositar em Montréal, próximo de Salerno.

O coração e os ossos do príncipe foram destinados à Abadia de Saínt-Denis.

Mas os soldados não quiseram deixar partir antes deles esses restos queridos, dizendo que as cinzas de seu soberano eram a salvação do exército.

Aprouve a Deus ligar ao túmulo do grande homem uma virtude que se manifestava por milagres.

A França que não podia consolar-se de ter perdido na terra um tal monarca, declarou-o seu protetor no Céu.

Luís colocado no rango dos santos torna-se assim para a pátria uma espécie de Rei eterno. Logo elevaram-se em sua honra igrejas e capelas mais magníficas do que os palácios simples nos quais havia passado sua vida.

Os velhos cavaleiros que o acompanharam em sua primeira Cruzada, foram os primeiros a reconhecer o novo poder de seu chefe:

“E eu fiz construir, diz o sire de Joinville, um altar em honra de Deus e ‘monseigneur saint Loys'“.

A morte de Luís, tão tocante, tão vitoriosa, tão tranquila, por onde se encerra a história de Cartago, parece um sacrifício de paz oferecido em expiação dos furores, das paixões e dos crimes dos quais esta cidade infortunada foi tão longamente o teatro.

Autor: François-René de Chateaubriand, « Itinéraire de Paris à Jerusalem », Garnier-Flammarion, Paris, 1968, pp. 434 a 441.




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