segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Cristãos resistem assalto maometano em Ramla



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Dez anos depois (no ano 1064), 7 mil cristãos franceses e alemães partiram juntos para Jerusalém.

Guilherme, bispo de Utrecht; Sigefroi, bispo de Mayence; Gunther, bispo de Bamberg; Otton, bispo de Ratisbona e muitos outros senhores das duas nações fizeram parte desta tropa. J. Voigt citou um episódio curioso desta grande peregrinação [Histoire du pape Grégoire VII e de son siècle, c.III e VIII]:

“Esses peregrinos, diz ele, tiveram a imprudência de revelar suas riquezas no caminho.

“Por toda parte, nos campos e nas cidades que eles atravessavam, corriam-se para admirar seus esplendores.

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Muçulmanos iniciaram violências e morticínios contra os peregrinos

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De todas as partes, então, entre os cristãos, aqueles que buscavam obter grandes favores, ou expiar grandes quedas, se colocam em peregrinação aos lugares santos juntamente com os fiéis piedosos que para lá se dirigiam possuídos somente pelo amor ao Redentor.

Entre os peregrinos ilustres destes primeiros tempos, citamos São Silvino, bispo regional cujo nome conta na lista dos bispos de Toulouse e na lista dos bispos de Thérouenne. Ele assistiu ao batismo de Carlos Martel;

Santo Arculfo, prelado nas Gálias, que escreveu em seu retorno uma descrição dos lugares santos [Mabillon a conservou nas Acta Benedictorum];

Santo Willibald, bispo de Aichstaldt, na Francônia, e um dos apóstolos da Alemanha. Uma santa religiosa de sua família narrou sua viagem.

Muitos partiram para expiar crimes. Em 868, um senhor da Bretanha francesa, chamado Frotmond, assassino de seu tio e mais jovem de seus irmãos, recebeu absolvição após ter feito três vezes a peregrinação de Jerusalém.

Os rigores contra os cristãos reapareceram sob os fracos sucessores de Carlos Magno.

No século X, eles se tornaram mais violentos; o que não detinha, ainda, o zelo dos peregrinos para a santa viagem.

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

A cidade santa profanada inspira a Cruzada

Califa Ali Ben Hamet, Theodore Chasseriau (1819 – 1856)
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Omar, sucessor do Profeta, imediatamente edificou uma mesquita no lugar aonde estava levantado o templo de Salomão. Não atormentando, contudo, os cristãos.

Somente após sua morte, em 644, que as ignomínias e as espoliações vieram experimentá-los; os peregrinos foram obrigados a pagar um tributo para ter o direito de se prosternar no Calvário.

O tributo que se exigia dos peregrinos na entrada da cidade santa, inicialmente leve, logo tornou-se pesado, e aqueles fiéis que guardavam os lugares santos caíram rapidamente sob uma tirania odiosa.

Carlos Magno se encontrava bastante ocupado, assim como foram Carlos Martel e Pepino, com suas guerras contras os frísios e os saxões, guerras que eram verdadeiras cruzadas, mesmo que esse nome não tivesse ainda sido cunhado.

Carlos Magno envia então ao califa Haroun-al-Raschid, o chefe supremo do islamismo em Bagdá, um embaixador encarregado de reclamar a liberdade dos cristãos.

Haroun, antipático aos heróis do Ocidente, como dizem os historiadores, pois ele admirava somente a si mesmo, contudo, temendo os exércitos do grande chefe dos francos, cujo renome já havia chegado até ele (visto em uma carta de Silvestre II) [Gerberti Epist. 107].

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Os cruzados e a cidade santa de Jerusalém

Psalterio medieval: Jerusalém é representada no centro do mundo
Psalterio medieval: Jerusalém é representada no centro do mundo
Ó Jerusalém! o amor de minha alma, a alma de meus pensamentos e de meus desejos, os desejos de meu coração, o coração de minhas afeições e as afeições de minha vida, ai de mim! sois vós que eu procuro.
P. Boucher, peregrino nos lugares santos.

Jerusalém, a mais célebre e sem dúvida a mais misteriosa das cidades que brilharam sobre a terra, era, para os hebreus, o que Roma é para nós: o centro augusto de sua nacionalidade religiosa e o ponto rumo ao qual se voltavam seus corações para orar.

Todo filho de Israel deveria viajar para a cidade santa, e todos aqueles que podiam, iam lá celebrar todos os anos a festa da Páscoa. Eis aí, portanto, a mais ilustre e mais antiga peregrinação.

É neste local que nos dias de Abraão, o rei de Salém, no país dos Jebuseus, Melquisedeque, anunciava o mais adorável de nossos mistérios, oferecendo a Deus, por sacrifício, o pão e o vinho. É ali que o Senhor escolheria mais tarde seu santuário.

Ali todos os profetas anunciaram os acontecimentos futuros escritos nos santos Evangelhos.

Contudo, o povo de Deus, frequentemente infiel, ou mesmo ingrato, também mereceu constantemente os grandes reveses que testemunharam tão claramente o governo temporal da Providência. Mais de uma vez a cidade de Jerusalém, saqueada, expiou suas traições.

Ela estava no alto e radiante quando o Redentor, que queria salvá-la, chorou sobre ela.

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Gerard d’Avesnes: herói até o holocausto vergou os muçulmanos

Ruínas da fortaleza de Arsur
Ruínas da fortaleza de Arsur



Arsur, cidade marítima situada entre Cesareia e Jaffa, recusava pagar o tributo imposto, depois da vitória de Ascalon: Godofredo e seus cavaleiros foram sitiar a praça.

Já os aríetes e as torres rolantes estavam colocados diante dos muros; vários assaltos tinham sido dados, quando os habitantes da cidade empregaram um meio de defesa que não era esperado.

Gerard d'Avesnes, que lhes havia sido dado como refém por Godofredo, foi atado à ponta de um mastro muito alto, que colocaram diante das muralhas, para onde se deviam dirigir todos os ataques dos cristãos.

À vista de uma morte inevitável e sem glória, esse infeliz cavaleiro soltava gritos dolorosos, rogando ao seu amigo Godofredo que lhe salvasse a vida por uma retirada voluntária.

Esse espetáculo cruel partiu a alma do rei de Jerusalém, mas não abalou sua firmeza, nem sua coragem.

Veio ele para perto de Gerard d'Avesnes, para que o ouvisse, e exortou-o a merecer por sua resignação a coroa do martírio.

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

O Grão Mestre e a heroica retirada
dos cavaleiros de Rodes até Malta

Sitio de Rodas em 1522
Sitio de Rodas em 1522
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs




O sítio de Rodes, em 1522, foi a derradeira tentativa do império turco para expulsar os Cavaleiros Hospitalários que tinham construído sua fortaleza na ilha e, assim, garantir o controle islâmico do Mediterrâneo Oriental.

O primeiro assalto aconteceu em 1480, resultando num doloroso fracasso. VEJA MAIS CLICANDO AQUI.

Os Cavaleiros de São João – também conhecidos como Cavaleiros Hospitalários, e posteriormente de Malta – capturaram Rodes no início do século XIV, após a perda da cidade de Acre, último bastião cruzado na Palestina, em 1291.

A partir de Rodes eles continuaram hostilizando os inimigos de Cristo.

Os turcos, que haviam conquistado Constantinopla em 1453, não suportavam a presença de cavaleiros cristãos em suas próprias barbas.

Além do mais, a fortaleza de Rodes era o maior e mais imediato obstáculo à expansão do islamismo na sua tentativa de invadir a Europa.

Em 1521, Philippe Villiers de L'Isle-Adam (1464 - 1534), nobre francês de alta linhagem, que ingressou na Ordem com 19 anos, foi eleito Grão-Mestre.

Grão Mestre dos Cavaleiros de Rodas Philippe Villiers de L'Isle-Adam
Grão Mestre dos Cavaleiros de Rodas
Philippe Villiers de L'Isle-Adam, em Rodes
Ele logo previu que uma nova invasão muçulmana de Rodes era inevitável. Por isso, continuou a fortalecer a ilha.

Retomou a construção de fortificações, iniciada após a invasão otomana de 1480, e apelou aos cavaleiros da Ordem do resto da Europa para virem em defesa da casa-mãe da mesma.

Porém, os tempos do heroísmo primitivo das Cruzadas infelizmente haviam passado.

O desejo intemperante de prazeres tinha penetrado até as altas esferas eclesiásticas em Roma.

O espírito humanista e renascentista minava os espíritos, os líderes religiosos católicos, civis e eclesiásticos, se voltavam para uma vida de prazeres e exibicionismo.

Nesse ambiente de dissolução de costumes, Lutero já havia acendido a tocha da revolta protestante.

Foi assim que, com exceção de algumas tropas venezianas estacionadas na ilha de Creta, um punhado de heroicos cavaleiros ficou sozinho face ao imenso poder material dos sectários de Mafoma.

Como resultado das obras, a cidade de Rodes ficou protegida por dois, e em alguns lugares por três anéis de muralhas de pedra, além de vários grandes bastiões.

A defesa dessas muralhas e baluartes foi atribuída às seções de diferentes Línguas em que os cavaleiros se haviam organizado desde 1301.

A entrada do porto foi bloqueada com uma pesada corrente de ferro, por trás do qual ficava ancorada a pequena frota da Ordem.

A força de invasão turca chegou com 400 navios e apresentou-se diante de Rodes em 26 de junho de 1522. Comandava-a Mustafá Pashá.

Portas das muralhas de Rodes
Portas das muralhas de Rodes
O sultão Solimão, chamado o Magnífico, chefe supremo dos otomanos, veio à frente de um exército de 100 mil homens que se reuniu em 28 de julho à frota de Mustafá Pachá para assumir o assalto em pessoa.

O Grão-Mestre Villiers de L'Isle-Adam contava com apenas 600 cavaleiros e 4.500 soldados auxiliares.

Os turcos bloquearam o porto, bombardearam a cidade com a artilharia que haviam desembarcado e lançaram quase que diariamente ataques de infantaria.

Também procuraram minar a fortificação por meio de túneis e minas.

O fogo de artilharia turca se fazia sentir numa cadência lenta, mas não deixou por isso de trazer grave prejuízo para as muralhas cristãs.

Porém, após cinco semanas de ataque, em 4 de setembro, duas grandes minas de pólvora explodiram sob o bastião defendido pelos cavaleiros da Inglaterra, cujas muralhas caíram numa extensão de 12 metros, preenchendo o fosso.

O escudo do Grão Mestre ainda perdura nos muros de Rodas
O escudo do Grão Mestre .perdura nos muros de Rodas
A estrada estava aberta para a invasão infrene da multidão de regimentos anticristãos.

Porém, Frei Nicolas Hussey, à testa dos cavaleiros ingleses apoiados pelo Grão-Mestre Villiers de L'Isle-Adam, desferiu uma contra-ofensiva que mandou de volta os fanáticos maometanos.

Por mais duas vezes os turcos tentaram apoderar-se da brecha naquele dia. Porém, em cada oportunidade, os cavaleiros ingleses, auxiliados pelos irmãos alemães, os expulsaram.

No dia 24 de setembro, Mustafá Pashá ordenou um ataque maciço contra os bastiões defendidos pelos cavaleiros da Espanha, Inglaterra, Provence (França) e Itália.

O combate foi furioso. O bastião da Espanha mudou duas vezes de mãos. O esforço maometano foi em vão. O próprio Solimão ficou fora de combate.

Ele se sentiu então de tal maneira despeitado pelo fracasso, que condenou à morte Mustafá Pashá, seu cunhado. Mas acabou poupando-lhe a vida, após outros altos chefes lhe implorarem misericórdia.

O sucessor de Mustafá foi Ahmed Pashá, que tinha muita experiência como engenheiro. Sob suas instruções, os turcos concentraram esforços para dinamitar as muralhas, enquanto a artilharia não cessava seu fogo.

No fim de novembro os cavaleiros repeliram mais uma ofensiva geral.

Palácio do Grão Mestre de Rodes, interior
Palácio do Grão Mestre de Rodes, interior austero e nobre
Mas os dois lados estavam exaustos. Os cavaleiros haviam esgotado suas reservas e não tinham esperança de receber auxílios da Europa.

Do outro lado, a desmoralização tomou conta dos acampamentos das tropas turcas.

A diminuição de seu número pelas perdas sofridas além de doenças as deixara à beira da defecção.

Solimão ofereceu, então, a paz aos cristãos: suas vidas seriam poupadas caso eles se rendessem. Do contrário seriam todos mortos ou escravizados.

Como o povo da ilha não queria mais combater, o Grão-Mestre Villiers de L'Isle-Adam aceitou negociações.

De 11 a 13 de dezembro foi feita uma trégua para permitir as conversas.

Mas quando os moradores exigiram mais garantias para suas vidas, Solimão, que era falso, ficou irado e ordenou novos bombardeios e ataques.

O bastião da Espanha caiu em 17 de dezembro. Com a maioria das muralhas destruídas, a queda da cidade era uma questão de tempo.

Em 20 de dezembro, o Grão-Mestre pediu mais uma trégua.

Desta vez, Solimão fez uma proposta surpreendentemente generosa, talvez devido à sua péssima posição.

Jazigo de Philippe Villiers de L'Isle-Adam, Museu Louis Senlecq
Jazigo de Philippe Villiers de L'Isle-Adam, Museu Louis Senlecq
No dia 22, os representantes da cidade aceitaram a proposta do sultão turco.

Pelo acordo, os cavaleiros teriam doze dias para deixar a ilha, podendo levar suas armas e qualquer símbolo religioso que desejassem.

Os civis que o desejassem teriam três anos para emigrar.

Nenhuma igreja seria profanada ou transformada em mesquita.

E os que ficassem na ilha ficariam livres de imposto durante cinco anos.

Foi assim que, em 1º de janeiro de 1523, os cavaleiros sobreviventes e os últimos soldados marcharam para fora da cidade, com suas bandeiras tremulando ao vento, batendo tambores formados em ordem de batalha, como se fossem vencedores.

Eles embarcaram em 50 navios venezianos com destino a Creta – então possessão veneziana – acompanhados de alguns milhares de leigos.

O último sítio de Rodes acabou com uma vitória otomana, porém a um custo altíssimo: metade da força invasora morrera ou ficara aleijada.

Solimão o Magnífico mandou ler nas mesquitas do império turco  soberbo panegírico do Grão Mestre: “aprendei como se cumpre o dever  até o ponto de ser admirado e honrado pelos próprios inimigos”
Solimão o Magnífico mandou ler nas mesquitas do império turco
soberbo panegírico do Grão Mestre: “aprendei como se cumpre o dever
até o ponto de ser admirado e honrado pelos próprios inimigos”
Donos de Rodes, os islâmicos consolidaram seu controle sobre o Mediterrâneo Oriental, o qual era indispensável para garantir as comunicações marítimas entre Constantinopla, Cairo e os portos do Levante.

Os cavaleiros hospitalários se mudaram de imediato para a Sicília, obtendo depois as ilhas de Malta e de Gozo, além da cidade porto de Trípoli, pertencente até então ao imperador Carlos V.

A partir de Malta os cavaleiros ainda realizaram gloriosos feitos pelas armas católicas.

O Grão-Mestre Villiers de l'Isle-Adam morreu em Malta, no dia 21 de agosto de 1534.

Sabendo de sua morte, o sultão Solimão o Magnífico fez proclamar nas mesquitas do império turco um panegírico onde se lê:

“Crentes, aprendei de um infiel como se cumpre o dever até o ponto de ser admirado e honrado pelos próprios inimigos”.

O corpo do herói foi enterrado no castelo de Sant’Angelo em Malta e transferido em 1577 para a cripta da catedral de São João recém-construída em La Valette, onde repousa até hoje.





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segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Capítulo geral da Ordem de São João em Rodes: o mando numa ordem religiosa e militar

Capítulo da Ordem de São João de Jerusalém, Rodes 1524. (1839, museu de Versailles)
900 anos da Ordem de Malta (1113-2013)

Neste ano se comemora o IX centenário da aprovação da Ordem de Malta ou Cavaleiros Hospitalários (oficialmente Ordem Soberana e Militar Hospitalária de São João de Jerusalém, de Rodes e de Malta), pelo Papa Pascoal II, a 15 de fevereiro de 1113.

No quadro: Capítulo geral dos Cavaleiros daquela Ordem, convocado em Rodes pelo Grão Mestre Fabrizzio del Caretto, a fim de obter subsídios para resistir ao ataque do sultão otomano Solimão I, em 1514 (Castelo de Versailles, Sala das Cruzadas, pintura de Claude Jacquand, 1839).

A cena representa o Capítulo geral da Ordem dos Hospitalários de São João, em Rhodes, convocada pelo Grão Mestre Fabrizio del Carretto, em 1514.

A Ordem de São João é a própria Ordem de Malta que é uma Ordem religiosa.

A pintura feita no século XIX situa a cena num ambiente medieval, o que se compreende por todas as razões. É que a Ordem de Malta é uma instituição medieval que conservou seus estilos muito depois de terminada a Idade Média.

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

A épica resistência dos cavaleiros de Rodes

Defesa de Rodes em 1480. No centro a torre de São Nicolau

Em 1480, os Cavaleiros Hospitalários – atual Ordem de Malta – repeliram feroz assalto do Império Otomano.

Desde que sob a imensa pressão maometana tinham sido obrigados a abandonar a Terra santa, eles detinham a posse da ilha de Rhodes.

Dez anos antes, em 1470, a guarnição da ilha de Tilos (localizada entre Rodes e a ilha de Kos) fora evacuada para Rodes, porque a posição era muito vulnerável a um ataque do Império Otomano já em preparação.

Em 1475, pela mesma razão, evacuou-se também a guarnição da ilha de Chalki.

Por fim, em 23 de maio de 1480, uma frota otomana de 170 navios apareceu diante de Rodes, no golfo de Trianda.

Ela trazia um exército de 100 mil homens comandados por Gedik Ahmed Pashá ou Mesih Pashá. A guarnição dos Cavaleiros Hospitalários era chefiada pelo Grande Mestre Pierre d’Aubusson, mas o número dos defensores era francamente pequeno.

Comandados por Antonio, irmão de Aubusson, 500 cavaleiros e dois mil soldados franceses haviam reforçado a ilha, sem sequer equilibrar a espantosa diferença de forças.

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Na batalha de Poitiers a Cruz franca esmaga o Crescente invasor

Carlos Martel em combate contra Abdul Rahman, Poitiers. J-F-Théodore Gechter, museu do Louvre.  Fundo: queda dos anjos rebeldes, Pieter Bruegel
Carlos Martel em combate contra Abdul Rahman, Poitiers. J-F-Théodore Gechter, museu do Louvre.
Fundo: queda dos anjos rebeldes, Pieter Bruegel
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Marchando para combater vossos inimigos, que seus carros e seus cavaleiros e sua multidão não vos apavore, porque Deus está convosco. Deuteronômio XX

Lemos por toda parte quais foram, desde esses primeiros tempos do islamismo, os sucessos assustadores dos sectários de Maomé.

No fim do século VII, eles tinham se estabelecido sobre a metade do mundo conhecido e cobiçavam as terras delimitadas pelo Mediterrâneo.

A traição de um conde Juliano, indignado com Rodrigo(2), o último rei dos Godos na Espanha, lhes abriram esse belo país; e Rodrigo, vencido no ano de 714, lhos entrega.

Eles se tornaram em poucos anos os mestres de toda a península Ibérica, com exceção das Astúrias, aonde Pelágio se mantem com alguns espanhóis, que o proclamam rei em 718.

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

São Francisco de Assis:
é de acordo com a Justiça combater os muçulmanos

São Francisco de Assis diante do sultão al-Malik al-Kamil.  Fra Angelico ca. 1429, Lindenau Museum, Altenberg.
São Francisco de Assis diante do sultão al-Malik al-Kamil.
Fra Angelico ca. 1429, Lindenau Museum, Altenberg.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Diálogo entre São Francisco de Assis e o Sultão al-Malik al-Kamil
em 1219, perto de Damieta, Egito.

“O sultão lhe apresentou outra questão:

− “Vosso Senhor ensina no Evangelho que vós não deveis retribuir mal com mal, e não deveis recusar o manto que quem vos quer tirar a túnica, etc. Então, vós, cristãos não deveríeis invadir as nossas terras, etc.”.

“Respondeu o bem-aventurado Francisco:

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Excerto 9º final: Os anjos levam a alma de Roland ao Paraíso

Os anjos levam a alma de Roland. Iluminura, BNF.
Os anjos levam a alma de Roland. Iluminura, BNF.
Luis Dufaur
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Excerto 9º final: 

Os anjos levam a alma de Roland ao Paraíso



(continuação)


Roland prepara a liturgia de sua morte.

Orações finais do herói.

Os anjos descem a procurar sua alma.




Clique para ouvir :




XVIII

Lors sent Roland qu’il a perdu la vue,
Então Roland sente que perdeu a vista,

Se met sur pieds, tant qu’il peut s’évertue,
E põe-se de pé como sua força lhe permite.


En son visage, sa couleur est perdue,
Do seu rosto, a cor se esvaiu.

Tout devant lui il y a une pierre brûne,
Diante dele está uma pedra escura.

Dix coups il frappe, par deuil et par rancune,
Com a espada descarrega-lhe dez golpes, por luto e cólera.

Grince l’acier, ni rompt ni s’ésgruignent.
Range o aço, e não se parte nem se embota.

Lors dit le comte : « Sainte Marie, aiude !
Então diz o conde: "Santa Maria, ajudai-me!

« Et, Durandal, quel mauvais sort vous eûtes,
Eh! Durindana, que má sorte tiveste!

« Quand je me perd, de vous n’en est plus cure,
Com minha morte não poderei mais cuidar de ti.

« Tantes batailles en champs, en ai vaincues
Tantas batalhas em campo aberto venci.

Et tantes terres larges escumbatues,
Em tão grandes terras conquistadas eu combati,

Qui Charles tient, qui la barbe a chenue !
Que pertencem a Carlos, cuja barba já ficou branca.

Ne vous aie nul qui puisse prendre fuge,
Que não vos possua ninguém que possa fugir!

Trop bon vassal vous a longtemps tenue !
Um bom vassalo já te portou por muito tempo.

Plus n’en sera en France l’absolue !
Mas ele não estará na França, a absoluta!



XIX
Roland toca o olifante e tenta destruir sua espada.  Vitral de Carlos Magno, catedral de Chartres
Roland toca o olifante e tenta destruir sua espada.
Vitral de Carlos Magno, catedral de Chartres

Lors sent Roland que la mor le trespend,
Então Roland sente que a morte o assalta,

Et de la tête dans le cœur lui descend,
E que a vida lhe abandona da cabeça até o coração,

Dessous un pin il est allé courant,
Vai às pressas debaixo de um pinheiro,

Sur l’herbe verte est couché sur ses dents,
Sobre a erva verde, deita-se, face em terra.

Dessous lui, met l’épée et l’olifant,
Debaixo de si põe a espada e o olifante;

Tourne sa tête vers la païenne gent,
Volta a sua cabeça para a gente pagã,

Ainsi il a fait, car il veut voirement
Faz assim porque quer que Carlos diga,

Que Charles dise ainsi que tous ces gens,
Bem como todos os seus,

Le gentil comte est mort en conquérant.
Que o gentil conde morreu conquistando!



XX

Le preux Roland dessous un pin se gît.
O valente Roland deita-se debaixo de um pinheiro;

De plusieurs choses a remembrer lui prit
Põe-se a lembrar de muitas coisas:

De tantes terres qui valliement conquist.
De tantas terras que conquistou galhardamente,

De douce France, des hommes de son ligne,
Da doce França, dos homens de sua linhagem.

Roland. Halberstadt, Alemanha
Roland. Halberstadt, Alemanha
De Charlemagne, le roi qui li nourri.
De Carlos Magno, o Rei que o nutriu.

Ne peut cesser ses pleurs et ses soupirs.
Não pode cessar de chorar e suspirar.

Mais ne se veut non plus mettre en oubli.
Mas não querendo esquecer-se,

Clame sa coulpe et crie à Dieu merci.
Clama sua culpa e pede a Deus misericórdia:

« Beau Père vrai qui oncques ne mentis,
"Oh! Verdadeiro Pai que nunca mentis,

Qui Lazaron de mort resurrexis,
Que ressuscitastes Lázaro dentre os mortos,

Et Daniel des lions guaresis,
E a Daniel preservastes dos leões,

Guaris de moi l’âme de tout péril,
Guardai minha alma de todo o perigo,

Pour les péchés qui dans ma vie je fis".
Pelos pecados que cometi em minha vida".

Son dextre gant au Seigneur Dieu l'offrit,
Sua luva direita ele ofereceu a Deus;

Saint Gabriel, de sa main lui a pris.
E São Gabriel de sua mão a recolheu.

Dessus son bras tenait le chef enclin.
Sobre o seu braço a cabeça inclinada,

Jointes ses mains est allé à sa fin.
Com as mãos postas, chegou ao seu fim.



XXI

Dieu lui transmit son ange Chérubin,
Deus enviou o seu Anjo Querubim,

Et avec lui Saint-Michel-du-Péril,
E com ele São Miguel do Monte Saint-Michel.

Ensemble à eux Saint-Gabriel y vint.
Junto com eles veio São Gabriel.

L'âme du comte portent en Paradis.
E levam a alma do conde ao Paraíso.




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segunda-feira, 5 de agosto de 2013

8º excerto: Rolando sente a morte chegar

Roland tenta quebrar a espada e toca o olifante. Musée du vitrail, Curzay-sur-Vonne
Luis Dufaur
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Excerto 8º: Rolando sente a morte chegar




(continuação)

Os muçulmanos fogem após crivar de setas o herói.

Sozinho no campo procura os restos de seus companheiros de armas.

Logo compreende que ele também vai morrer.

E procura um local simbólico.

Clique para ouvir :



XVI

Roland s’en tourne, en le champs, va chercher,
Roland se volta, pelo campo de batalha vai procurar,

Son compagnon a trouvé, Olivier,
E encontra seu companheiro Olivier.

Contre son sein étroit l’a embrassé,
Abraça-o forte contra seu peito,

Sur un écu ensuite il l’a couché,
e depois deita-o sobre um escudo.

A donc, agrave le deuil et la pitié,
E então redobra o luto e a dor.

segunda-feira, 22 de julho de 2013

7º Canção de Rolando: Só fica Roland no campo de batalha

Estátua na fonte de Roland, Bremen, Alemanha
Estátua na fonte de Roland, Bremen, Alemanha
Luis Dufaur
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Excerto 7º : Só fica Rolando no campo de batalha


(continuação)




Enquanto Carlos Magno com o exército cruzado corre para salvar os cavaleiros, Olivier, o amigo íntimo de Rolando, perece.

Rolando faz o elogio fúnebre do herói.






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O prócer Roland luta nobremente,

Mais le corps a moult chaud et très brulant.
Mas seu corpo arde de febre.

En la tête a, douleur et grand mal,
Na cabeça ele tem uma grande dor e passa mal:

Rompu la tempe pour ce qu'il corna.
Sua têmpora está fendida, por ter soado o olifante.

Mais savoir veux si Charles y viendra.
Mas ele quer ter certeza de que Carlos retornará:

Prend l'olifant. Le sonne, faiblement.
Toma o olifante, e toca... fracamente.

Le preux Roland gentement se combat.
Et l'empereur s'arrête et l'écoutant
O Imperador se detém para escutá-lo:

« Seigneurs, dit-il, pour nous malement va.
“Senhores — diz ele — as coisas vão mal para nós.

En ce jourd'hui, Roland mon neveu falte.
Hoje, Roland, meu sobrinho, falece;

J'entends au cor que guère ne vivra.
Pelo som do olifante eu percebo que não viverá muito mais.

domingo, 14 de julho de 2013

6º excerto da Canção de Rolando: O conde Olivier entrega sua alma a Deus

Luis Dufaur
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Excerto 6º : O conde Olivier entrega sua alma a Deus


(continuação)



Enquanto Carlos Magno com o excército cruzado corre para salvar os cavaleiros, Olivier, o amigo íntimo de Rolando, perece.

Rolando faz o elogio fúnebre do herói, seu irmão de armas.



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XI

Olivier sent que la mort moult l'angoisse.

Olivier sente que a morte muito o angustia,

O conde Olivier entrega su alma a Deus, Canção de Roland
O conde Olivier entrega sua alma a Deus, Canção de Roland
Tous ses deux yeux dans la tête lui tournent.
Os dois olhos lhe giram na cabeça,

L'ouïe il pert et la vue est très toute.
E perde o ouvido e a vista inteiramente.

Descent à pied, à la terre se couche,
A pé, deita-se no solo.

D’une heure en autre, il réclame sa coulpe,
Uma e outra vez, ele confessa seus pecados,

Contre le ciel il a ses deux mains jointes,
E com as duas mãos juntas em direção ao Céu

segunda-feira, 24 de junho de 2013

5º excerto da Canção de Rolando: Carlos Magno e o exército católico galopam para salvar Rolando

Carlos Magno em cetro de Carles VI, s XIV, As Cruzadas
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs








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Excerto nº 5 : Carlos Magno e o exército católico galopam para salvar Rolando



(continuação)

Por vales e montanhas o exército cristão com Carlos Magno à testa acorre para salvar os heróis.

Eles rezam para encontrar Rolando com vida e junto com ele extinguir o inimigo da Cristandade.

Mas estão muito longe!

A tragédia vai atingido o climax.





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XI
Hauts sont les puys et ténebreux et grands,
Altos são os montes, tenebrosos e grandes,

Les vals profonds et les gaves courrants.
Os vales profundos e os rios caudalosos.

Sonnent les cors et derrière et devant,
Tocam os clarins da frente e os de trás,