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Porta de entrada da fortaleza hospitalária de Rhodes |
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Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de política internacional, sócio do IPCO, webmaster de diversos blogs |
Continuação do post anterior: Malta: uma ordem religiosa e militar hierárquica e sacral
Em 1312 foi extinta a Ordem dos Templários, e grande parte dos seus bens reverteu em benefício da Ordem dos Hospitalários.
O mesmo se deu quando Inocêncio VIII decretou, em 1489, a supressão da Ordem do Santo Sepulcro.
Assim, os Grão-Mestres dos Cavaleiros de São João passaram a ter também a dignidade de Mestres da Ordem do Santo Sepulcro, intitulando-se
“Dei gratia Sacrae Domus Hospitalis Sancti Johannis Hierosolymitani et Militaris Ordinis Sancti Sepulchri Dominici Magister humilis, pauperunque Jesu Christi custos” — Por graça de Deus, humilde Mestre da Santa Casa do Hospital de São João de Jerusalém e da ordem Militar do Santo Sepulcro do Senhor e defensor dos pobres de Jesus Cristo.
Em 1309, o Grão-Mestre Foulques de Villaret conduziu os seus cavaleiros diante da ilha de Rhodes e apoderou-se dela. Desde então foram chamados Cavaleiros de Rhodes.
Inspiraram em breve grande terror aos turcos e aos povos árabes, que, estabelecidos sobre a costa da África, só deviam sua prosperidade à pirataria.
Os novos possuidores da ilha, enriquecidos pouco mais ou menos na mesma época de uma parte dos despojos dos Templários, não tardaram em ser cercados, mas sem sucesso, pelos sarracenos.
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Grão Mestre Philippe Villiers de L'Isle-Adam, quadro no castelo de Rodas |
Após a queda de Constantinopla, em 1453, os infiéis avançaram rumo ao Ocidente, e o único baluarte da Cristandade ficou sendo Rhodes.
Os turcos não podiam suportar esta situação. Em 1522, atacaram a ilha com um acúmulo tremendo de forças: 700 naus de guerra e 200.000 homens.
A defesa de Rhodes foi feita com 300 cavaleiros, 300 escudeiros, 5.000 soldados regulares e alguns milhares de homens.
Constituiu uma das maiores batalhas navais dos tempos modernos.
A resistência durou cinco meses, findos os quais os cavaleiros, numericamente inferiores e cobertos de glória, capitularam honrosamente.
Em 1530, Carlos V doou aos Hospitalários a ilha de Malta, onde os aguardavam feitos mais gloriosos que no passado.
Com a eleição de La Vallete como Grão-Mestre em 1557, a situação da ilha foi estudada atentamente por ele, e um sistemático esquema de defesa foi preparado, com reformas e construções.
Das páginas mais gloriosas da história da Ordem foi a defesa da ilha contra as forças de Solimão, o Magnífico.
Orgulhoso de inúmeras vitórias em terra, e preocupado com os reveses que a armada dos Cavaleiros de Malta frequentemente lhe impunham, resolveu liquidar de uma vez por todas com o seu poderio.
O assalto dos maometanos começou em maio de 1565.
Foram lançados contra a ilha mais de 200 navios e 50.000 homens, sendo as forças da Ordem constituídas por 600 cavaleiros e ajudantes de armas e 8.000 soldados.
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Jean Parisot de La Valette, Grão Mestre da Ordem de Malta no Grande Cerco turco. Antoine de Favray (1706 – 1798) |
Em homenagem ao heroico e valoroso Grão-Mestre, João de La Valette, foi construída a cidade que leva o seu nome e até hoje é a capital da ilha.
Não cessaram os Cavaleiros de castigar os turcos, até que no século XVIII, com o declínio da potência muçulmana, se empenharam principalmente na repressão dos piratas que infestavam o Mediterrâneo.
No século XVIII a Ordem entrou num período de decadência. E como a expansão revolucionária esfacelava a Ordem por toda parte onde os franceses avançavam, na Itália e na Alemanha, esta foi arruinada.
Apesar disto, as forças militares permaneciam aparentemente respeitáveis: no mar, dois navios, uma fragata e quatro galeras; em terra, em Malta, 362 cavaleiros, dos quais 282 aptos para a guerra, 1.200 mercenários, 1.200 marinheiros e 13.000 militares autóctones.
Na Europa todas as potências estimavam que Malta poderia se manter sem dificuldade durante três meses, o que permitiria operações de libertação.
Em abril de 1798 o Diretório decide tomar Malta, e pouco depois todas as potências são informadas. A informação é de tal maneira espalhada, que ninguém acredita, ninguém toma precauções…
Entre 7 e 26 de maio, quatro comboios franceses se aparelham. Totalizam 364 navios, dos quais 34 armados para a guerra, que portam 38.000 homens, 171 canhões, 600 cavalos e 630 arreamentos.
Os comboios franceses fizeram sua junção perto de La Valette, de 7 a 9 de junho, colocando em terra 15.000 homens apoiados por cinco peças.
No dia 10 há algumas escaramuças, no dia 11 se negocia, e no 12 a praça capitula.
A Ordem havia perdido 12 cavaleiros, pelo simples fato da população insurreta, e 150 prisioneiros; os franceses perderam nove homens.
A defesa fora paralisada pela insurreição das milícias locais, traição interior e recusa de combate da parte dos cavaleiros espanhóis e alguns franceses.
As ordens desconexas de Hompesch desencorajaram os melhores. Chorando, ele não fez senão suspirar: “É muito tarde!”
O ato de capitulação entrega aos franceses todos os meios militares e o tesouro, que completa uma batida geral contra todos os ornamentos preciosos das igrejas.
Hompesch não poderá carregar senão três réplicas da Ordem, despojadas de antemão de seu ouro e pedrarias. Os membros da Ordem têm o direito de partir para onde queiram.
Se Malta tivesse resistido quatorze dias, de 10 a 23 de junho, Nelson teria surpreendido o comboio francês perto de La Valette, e a história do mundo teria mudado.
A partir desta funesta data as Ordens de Cavalaria e de Cruzada dão lugar às Ordens honoríficas e nobilitárias.
Já não se vêem atos de bravura em que a despretensão é levada ao mais alto grau. Os nomes dos grandes cavaleiros já não povoam as páginas da História.
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