quarta-feira, 31 de julho de 2019

Daroca: um milagre eucarístico
na guerra contra os islâmicos

A missa antes da batalha, azulejo do milagre de Daroca
A missa antes da batalha, azulejo do milagre de Daroca
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs








No dia 23 de fevereiro de 1239, as tropas católicas de Daroca, Teruel e Calatayud, reino de Aragão, empreenderam o assalto do castelo de Chío, perto de Luchente, do qual os muçulmanos tinham se apossado, segundo evocou Aleteia.

Tratava-se de mais um episódio da guerra de Reconquista que durou oito séculos para recuperar a península ibérica invadida a sangre e fogo pelos fanáticos islâmicos.

Momentos antes da batalha, o capelão de Daroca celebrava uma Missa, em que consagrou seis hóstias para a Comunhão de cada um dos capitães das tropas.

Os Corporais de Daroca com o Sangue das hóstias
Os Corporais de Daroca com o Sangue das hóstias
Mas um ataque surpresa dos maometanos obrigou o sacerdote a interromper a Missa.

O capelão saiu correndo com as hóstias embrulhadas nos corporais [pequena peça de pano usada na liturgia antiga] e as escondeu em um monte.

Afastados os assaltantes árabes, os comandantes pediram ao sacerdote que lhes desse a Comunhão.

Quando o padre foi buscar as hóstias no esconderijo, encontrou as seis manchadas de sangue e grudadas nos corporais.

Os comandantes entenderam aquilo como um sinal de Jesus de que eles seriam vencedores.

Então fizeram com que o sacerdote encabeçasse a batalha, levantando os corporais com as hóstias ensanguentadas como estandarte.

Os muçulmanos foram derrotados.

Uma versão parecida contavam mouros de mais de sessenta anos que ouviram de pais e avós terem recebido ordem de cercar ao nobre Berenguer de Entenza que cavalgava pelo reino de Valência com homens de Calatayud, Daroca y Teruel.

Berenguer se sentiu rodeado e encomendou uma missa a um clérigo de Daroca. Esse, após a consagração depositou o Corpo de Cristo nos Sagrados Corporais, panos litúrgicos do altar.

Instantaneamente a hóstia consagrada com forma de pão ficou visível como carne embebida em verdadeiro sangue.

Altar onde estão expostos os Corporais em Daroca.
Altar onde estão expostos os Corporais em Daroca.
Diante de tão grande sinal da transubstanciação que confirmava a fé, o exército católico marchou por cima dos mouros.

Eles avançavam atrás do sacerdote que, paramentado de vermelho, montava ma mula branca e levantava bem alto os sagrados corporais.

Foi assim que com a graça de Nosso Senhor Jesus Cristo, “obtiveram grande vitória contra os mouros”, segundo reza antiga crônica.

Após os últimos choques e consolidada a sorte da batalha, os chefes católicos disputaram para saber qual cidade teria a honra de guardar os corporais.

Três universidades – a de Teruel, a de Daroca e a de Calatayud –desejavam possuir a Sagrada Relíquia e jogaram o caso à sorte.

E as três vezes deu Daroca.

Porém, para afastar a desconfiança de alguma manobra para adulterar o resultado, Daroca consentiu que os Corporais ficariam no local em que parasse uma mula branca sobre a qual seria levada a relíquia.

Sobre dita mula branca iria o sacerdote com os Corporais, precedido pela multidão dos fiéis.

A mula viajou durante 12 dias e passou sem se imutar por Teruel.

Corporais levados na procissão de Corpus Christi em Daroca.
Corporais levados na procissão de Corpus Christi em Daroca.
Na passagem pela estrada de Luchente a Daroca, aconteceram vários milagres.

Em Játiva, ouviu-se um coro de vozes celestiais.

Perto de Alcira, uma mulher possessa foi libertada dos demônios. Em Jérica, dois ladrões, que estavam perto de matar um comerciante, se arrependeram e devolveram os bens roubados.

Mas, chegando perto da cidade de Daroca “fincó aquí los genillos por voluntad de Ihesu Cristo”, “fincou ali os joelhos por vontade de Jesus Cristo” e morreu diante da igreja de São Marcos (hoje Igreja da Trindade).

Os fiéis viram nisso um sinal divino de que os Corporais deviam ficar nessa igreja.

Posteriormente foram trasladados para a igreja de Santa Maria reconstruída com maiores dimensões para que os Sagrados Corporais pudessem ser vistos por todo o mundo.

É a atual igreja de Santa Maria Colegiada desde onde, na festa de Corpus Christi, a cidade leva em procissão os Santos Corporais para fora das muralhas e os exibe aos numerosos peregrinos.

Daroca se converteu em grande centro de peregrinação a partir do século XIV com a visita de reis e personalidades importantes.

Por causa da afluência de devotos, a festa de Corpus Christi chegou a se estender durante quase um mês. Cfr. Espacio Xiloca,


Celebração do Corpus Christi diante dos Corporais de Daroca 2018






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quarta-feira, 17 de julho de 2019

Dos Templários até os Apóstolos dos Últimos Tempos

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs








A Ordem dos Pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo de Salomão (em latim: Pauperes commilitones Christi Templique Salomonici), ou Cavaleiros Templários, Ordem do Templo, ou Templários, foi uma ordem militar de Cavalaria que existiu na Idade Média entre 1118 e 1312.

Foi fundada em 1118 durante a Primeira Cruzada para proteger os peregrinos a Jerusalém. Os fundadores foram Hugo de Payens e mais 8 cavaleiros, que tiveram o apoio de André de Montbard, tio de São Bernardo de Claraval e do rei Balduíno II de Jerusalém.

Os seus membros faziam votos de pobreza, castidade, devoção e obediência, usavam mantos brancos com a cruz vermelha, e o seu símbolo passou a ser um cavalo montado por dois cavaleiros.

Eles se estabeleceram no monte do Templo em Jerusalém, e de ali provém o nome. No local existira o Templo de Salomão.

O prédio foi usurpado pelos muçulmanos que o renomearam Mesquita de Al-Aqsa e se encontra em pé.

quarta-feira, 3 de julho de 2019

Não temeram combatendo sob a sombra da Imaculada

O achado miraculoso que inverteu a batalha de Empel. Detalhe de Augusto Ferrer-Dalmau (1964 - ) FD Magazine
O achado miraculoso que inverteu a batalha de Empel.
Detalhe de Augusto Ferrer-Dalmau (1964 - ) FD Magazine
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
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continuação do post anterior: Empel: onde a Imaculada mostrou que o Deus católico é o único verdadeiro




Prometendo a Virgem vencer ou morrer

Oficiais e soldados esgotados correram para construir um altar de pedras e lama que ornamentaram com a Cruz de Santo André, símbolo do exército espanhol e para glorificar a imagem encontrada, entoaram a Salve Rainha.

Concluída a oração daqueles homens consolados mas à beira da morte, o chefe Bobadilla os exortou com palavras inspiradas:

“Soldados!

“A fome e o frio nos levam à derrota, mas a descoberta milagrosa vem para nos salvar.

“Quereis que na noite abordemos as galeras inimigas, prometendo ganhá-las ou tudo perder pela Virgem sem que sobre uma vida?”.

E eles juraram que queriam.