segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Coroação de Balduino I

Ao seu regresso, Balduino quis ser coroado rei e reconciliou-se com Daimbert. A cerimônia teve lugar em Belém, no dia do Natal do Salvador. O novo rei recebeu a unção e a coroa real das mãos do patriarca.

Não se opôs ao Rei Balduino o exemplo de Godofredo, que depois de sua eleição, não quis ser coroado. Uma triste experiência tinha feito nascer graves pensamentos; a realeza dos peregrinos, essa realeza do exílio, não era mais, aos olhos dos cristãos, uma glória, nem uma felicidade deste mundo, mas uma obra piedosa e santa, uma obra de resignação e de devotamente, uma missão cheia de perigos, de miséria e de sacrifícios.

Num reino cercado de inimigos, no meio de um povo lançado como por uma tempestade a um país estrangeiro, um rei não devia usar uma coroa de ouro, como os outros reis da terra, mas uma coroa em tudo semelhante à de Jesus Cristo.

O primeiro cuidado de Balduino depois da coroação foi administrar a justiça aos seus súditos e pôr em vigor as leis de Jerusalém. Tinha sua corte e seu conselho, no meio de todos os grandes, no palácio de Salomão.

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Primeiros feitos de Balduino I

Balduino I na batalha de Jaffa, ano 1102. Henri Auguste Calixte César Serrur (1794-1865), Musée de Versailles
Balduino I na batalha de Jaffa, ano 1102.
Henri Auguste César Serrur (1794-1865), Museu de Versailles
Balduino estava impaciente por fazer brilhar seu reinado com algum empreendimento glorioso. Ficou uma semana em Jerusalém, para tomar posse do governo; em seguida reuniu os cavaleiros e essa tropa de elite for procurar inimigos para combater ou terras para conquistar.

Dirigiram-se por primeiro a Ascalon; mas a praça parecia disposta a se defender fortemente e os cristãos não puderam sitiá-la. Balduino rumou então para as montanhas da Judéia.

Os habitantes dessa região tinham muitas vezes maltratado e despojado os peregrinos de Jerusalém e temendo a presença dos guerreiros cristãos, se haviam todos escondido nas cavernas.

Para obriga-los a sair de seus refúgios, empregaram a astúcia. Vários chefes, aos quais prometidos foram muitos tesouros, vieram apresentar-se a Balduino, que os mandou decapitar.

Depois acenderam à entrada dos subterrâneos grandes fogueiras com ervas secas e logo uma multidão deles impelida pela fumaça e pelo fogo, veio implorar misericórdia dos soldados da cruz.

Balduino e seus companheiros prosseguiram seu caminho para o país de Hebron, desceram ao vale onde estavam outrora Sodoma e Gomorra, e que as águas salgadas do lago Asfalite recobrem agora.

Foulcher, que acompanhava essa expedição, descreve longamente o Mar Morto e seus fenômenos.

“A água é de tal modo salgada, diz-nos ele, que nem quadrúpedes, nem pássaros dela podem beber; eu mesmo, acrescenta o capelão de Balduino, a experimentei; descendo de minha cavalgadura à beira do lago, provei a água que achei amarga como heléboro.”

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Balduino I eleito rei de Jerusalém

Balduíno I,  rei de Jerusalém.
Balduíno I,  rei de Jerusalém.
Luis Dufaur


No ano de 1100, foi ao regresso da expedição [contra o emir Danisman], que ele recebeu os enviados de Jerusalém.

Estes, depois de lhe terem comunicado a morte de Godofredo, disseram-lhe que o povo cristão, o clero e os cavaleiros da cruz o tinham escolhido para reinar na cidade santa.

Balduino chorou ante a notícia da morte de seu irmão, mas consolou-se logo, ao pensamento de substitui-lo.

Cedeu o condado de Edessa ao primo Balduino de Bourg e sem perda de tempo, tomou o caminho de Jerusalém. Setecentos homens de armas, de infantaria, formavam seu pequeno exército.

A maior parte dos países que ele ia atravessar era ocupada por muçulmanos. Os emites de Damasco e de Emesa, avisados pelas notícias e talvez também por delatores, vieram esperá-los nas passagens difíceis que margeiam o mar da Fenícia.

Foulcher de Chartres, que acompanhava Balduino, descreve com singela simplicidade a situação perigosa dos cristãos nos desfiladeiros de Beirute, na embocadura do Lico; precisavam atravessar um vale estreito e profundo, dominado ao norte e ao sul por massas de rochedos; toda a praia estava coberta de muçulmanos.

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

A morte do herói que conquistou Jerusalém

Morte de Godofredo de Bouillon. Museu de Versailles, Salle des croisades.
Morte de Godofredo de Bouillon. Museu de Versailles, Salle des croisades.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs









Godofredo foi várias vezes em auxílio de Tancredo, que estava em guerra com os emires da Galileia.

O rei de Jerusalém levou suas armas vitoriosas além do Líbano, até os muros de Damasco; ele fez ao mesmo tempo várias outras incursões na Arábia, de onde voltava sempre com um grande número de escravos, cavalos e camelos.

Sua fama estendia-se cada vez mais: comparavam-no a Judas Macabeu pelo valor, a Sansão pela força de seu braço e a Salomão pela sabedoria de seus conselhos.

Os francos que haviam ficado com ele abençoavam seu reinado e sob sua dominação paterna, eles esqueciam até sua antiga pátria; os sírios, os gregos, os muçulmanos mesmo, estavam persuadidos de que com tão bom príncipe o poder cristão, no Oriente, não podia deixar de se firmar.

Mas Deus não permitiu que Godofredo vivesse bastante para terminar o que tinha tão gloriosamente começado.

No mês de junho de 1100, ele voltava de uma expedição além do Jordão; seguia a orla marítima e se dirigia a Jaffa, quando caiu doente.

O emir de Cesareia veio ao seu encontro e apresentou-lhe frutos da estação; Godofredo só pôde aceitar uma maçã de cedro. Chegando a Jaffa não tinha mais força para ficar a cavalo.

“Quatro de seus parentes o assistiam, diz uma crônica contemporânea: uns tratavam-lhe os pés, outros aqueciam-no, outros faziam-no encostar a cabeça ao seu peito, outros choravam e lamentavam-se temendo perder esse príncipe ilustre, num exílio longínquo.”

Um grande número de peregrinos de Veneza, com seu doge e seu bispo, havia acabado de chegar ao porto de Jaffa: ofereceram sua frota para ajudar os cristãos da Palestina a conquistar algumas cidades marítimas.

Godofredo de Bouillon, estátua em Bouillon, Bélgica. Na mão a inscrição: Dieu le veut! (Deus o quer!)
Godofredo de Bouillon, estátua em Bouillon, Bélgica.
Na mão a inscrição: Dieu le veut! (Deus o quer!)
Nas primeiras reuniões, falaram de sitiar Caifás, construída ao pé do Carmelo.

Godofredo ocupou-se ele mesmo com os preparativos do cerco e prometeu estar lá; mas sua doença aumentava cada vez mais e ele foi obrigado a se fazer levar em liteira a Jerusalém.

Todo o povo chorava à sua passagem e corria às igrejas para pedir a Deus a sua cura. Godofredo ficou enfermo durante cinco semanas.

Embora consumido pelo sofrimento, ele admitia junto de si, a todos os que lhe queriam falar dos interesses da terra santa; soube no seu leito de dor da queda de Caifás; foi sua última vitória, sua última alegria nesta vida.

Como a doença era cada vez mais grave e não deixava esperanças, o generoso atleta de Cristo confessou seus pecados, recebeu a comunhão e revestido do escudo espiritual, (são expressões das crônicas do tempo) foi arrebatado à luz deste mundo.

Godofredo exalou seu último suspiro a 17 de julho do ano 1100, um ano depois da tomada de Jerusalém.

Alguns historiadores deram-lhe o título de rei, outros o chamaram de duque cristianíssimo.

No reino que tinha fundado, ele era frequentemente proposto como modelo aos príncipes e aos guerreiros, seu nome lembra ainda hoje as virtudes de tempos heroicos e deve viver entre os homens tanto quanto a lembrança das cruzadas.

Foi sepultado ao pé do Calvário. Seu túmulo e o de seu irmão Balduino foram durante vários séculos um dos ornamentos do santo templo.

Mas, na geração presente esse precioso monumento das guerras sagradas desapareceu pela inveja dos gregos e dos armênios.

Quando em 1830 eu pedi para ver esses dois túmulos, só me mostraram um muro espesso, de tijolos de que estavam recobertos e que os ocultavam à vista dos viajantes e dos peregrinos.

(Autor: Joseph-François Michaud, “História das Cruzadas”, vol. II, Editora das Américas, São Paulo, 1956. Tradução brasileira do Pe. Vicente Pedroso, páginas 90 ss).


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segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Bento XIV: “muçulmanos, os piores entre os celerados”

S.S. Bento XIV.
Pierre Hubert Subleyras (1699-1749) Palácio de Versailles
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
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Carta do Papa Bento XIV de louvor  à Ordem Militar Hospitalar de São João de Jerusalém, conhecida também como Ordem de Malta, por sua heroica defesa da Cristandade ameaçada pelas forças muçulmanas


“A Ordem Hierosolimitana tem um lugar de escol entre as Ordens militares que, com satisfação Nossa, sustentam a Religião Católica e a defendem corajosamente contra seus inimigos.

Para glória de Cristo, esta Ordem move o mais duro combate contra os muçulmanos, os piores entre os celerados.

Brasão da Ordem de Malta
Com todas as suas forças, ela protege sem descanso as fronteiras da Cristandade contra as incursões deles.

“Para nela ser admitido como soldado, é preciso fazer prova de nobreza; mas também, a fim de poder combater mais facilmente e ser mais livre e mais apto para os trabalhos que se preveem, é necessário renunciar às facilidades da vida doméstica e fazer voto de castidade.

“Eis por que Nós, elevado pela graça de Deus à Sé suprema de São Pedro, desejando dar um testemunho da benevolência pontifícia a esta Ordem ilustre, que tanto mereceu já da Igreja e da Santa Sé, decidimos conceder-lhe importantes privilégios e socorrê-la em suas necessidades atuais”.



segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Godofredo de Bouillon, fundador do Reino Latino de Jerusalém

Godofredo de Bouillon. Fundo: Puerta de Damasco em Jerusalém.
Godofredo de Bouillon. Fundo: Porta de Damasco em Jerusalém.

Quando Godofredo voltou a Jerusalém, soube que Balduino, conde de Edessa e Boemundo, príncipe de Antioquia, estavam em viagem para visitar os santos lugares.

Lembremo-nos de que esses dois chefes da primeira cruzada não tinham seguido seus irmãos de armas para a conquista da cidade santa.

Eles vinham a Jerusalém acompanhados de um grande número de cavaleiros e de soldados da cruz, que haviam ficado como eles para a defesa do país conquistado e se mostravam impacientes por terminar a peregrinação.

A esses ilustres guerreiros uniu-se uma multidão de cristãos, vindos da Itália e de várias regiões do Ocidente. Essa piedosa caravana que contava vinte e cinco mil peregrinos, muito teve que sofrer nas costas da Fenícia.

Mas quando viram Jerusalém, diz Foulcher de Chartres, que acompanhava Balduino, conde de Edessa, todas as misérias que tinham sofrido foram esquecidas.

A história contemporânea diz que Godofredo “muito contente por receber seu irmão Balduino, homenageou magnificamente os príncipes durante lodo o inverno”.

Daimbert, arcebispo de Pisa, tinha chegado com Balduino, conde de Edessa e Boemundo, príncipe de Antioquia; à força de presentes e de promessas, fez-se nomear patriarca de Jerusalém, no lugar de Arnould de Rohes.

Esse prelado, educado à escola de Gregório VII, sustentava com ardor as pretensões da Santa Sé.

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Fama e virtudes de Godofredo de Bouillon

Godofredo de Bouillon recebe os emires em sua tenda. Gustave Doré (1832 — 1883)
Godofredo de Bouillon recebe os emires em sua tenda.
Gustave Doré (1832 — 1883)

Durante o mesmo cerco [de Arsur], vários emires vieram das montanhas de Naplusa e da Samaria, cumprimentar Godofredo e oferecer-lhe presentes, como figos e uvas, secos ao sol.

O rei de Jerusalém estava sentado por terra, sobre um saco de palha, sem aparato, nem guardas.

Os emires demonstraram sua surpresa e perguntaram como um tão grande príncipe, cujas armas tinham abalado o Oriente estava humildemente por terra, não tendo nem mesmo um travesseiro de seda, nem um tapete de damasco.

“A terra de onde temos nossa origem e que deve ser nossa última morada, depois da morte, respondeu Godofredo, nos não poderá servir de trono durante a vida?”

Esta resposta que parecia ter sido ditada pelo mesmo gênio dos orientais, não pôde deixar de impressionar vivamente os emires.

Cheios de admiração por tudo o que tinham visto e ouvido, deixaram Godofredo desejando sua amizade; em Samaria muito se admiraram de que ele mostrasse tanta simplicidade e sabedoria, entre os homens do Ocidente.

Ao mesmo tempo, narrava-se muitas maravilhas, sobre a força de Godofredo: haviam-no visto, com um só golpe de espada, cortar a cabeça de um dos maiores camelos.

Um emir poderoso, entre os árabes, quis julgar o fato, ele mesmo e veio pedir ao príncipe cristão, que renovasse na sua presença, o prodígio.

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Estado da Terra Santa após a conquista de Jerusalém

Godofredo de Bouillon é escolhido para rei de Jerusalém. Federico de Madrazo y Kuntz (1815 – 1894), 1838.
Godofredo de Bouillon é escolhido para rei de Jerusalém.
Federico de Madrazo y Kuntz (1815 – 1894), 1838.
No estado em que se achava a Judéia, se seu território tivesse sido submetido inteiro às leis de Godofredo, o novo rei teria podido rivalizar em poder com a maior parte dos príncipes muçulmanos da Ásia.

Mas o reino nascente de Jerusalém era formado somente pela capital e por uma vintena de cidades ou aldeias da vizinhança.

Várias daquelas cidades estavam separadas umas das outras pelas praças que os infiéis ainda ocupavam. Uma fortaleza em poder dos cristãos estava perto de uma fortaleza onde se balouçavam os estandartes de Maomé.

Nos campos habitavam os turcos bem como árabes e egípcios, que se reuniam para fazer guerra aos súditos de Godofredo.

Estes eram ameaçados, até mesmo nas cidades, quase sempre mal defendidas e estavam sempre expostos a todas as violências da guerra.

As terras continuavam incultas, todas as comunicações estavam interrompidas.

No meio de tantos perigos, muitos latinos abandonavam as propriedades que a vitória lhes havia dado, e para que o país conquistado não ficasse sem habitantes, principalmente no momento do perigo, foram obrigados a fortalecer o amor da nova pátria com o interesse da propriedade.

Todos os que tinham morado um ano e um dia numa mesma casa e numa terra cultivada, deviam ser reconhecidos como seus legítimos possuidores; todos os direitos de posse ficavam aniquilados por uma ausência da mesma duração.

O primeiro cuidado de Godofredo foi reprimir as hostilidades dos muçulmanos e de aumentar a extensão do reino, cuja defesa lhe havia sido confiada.

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Florescimento da cultura, das artes e do Direito; correção dos costumes
Benefícios das Cruzadas – 3

Suavização das relações sociais. Der Burggraf von Regensburg, Codex Manesse
Suavização das relações sociais.
Der Burggraf von Regensburg, Codex Manesse



Continuação do post anterior


Antes da primeira cruzada, a ciência da legislação, que é a primeira e a mais importante de todas, tinha feito pequeno progresso.

Algumas cidades da Itália e as províncias próximas dos Pireneus, onde os godos tinham feito florescer as leis romanas, viam, sozinhos, renascer alguns vislumbres de suas civilizações.

Entre os decretos e as determinações que Gastão de Béarn tinha reunido, antes de partir para a cruzada, encontramos disposições que merecem ser conservadas pela história, porque nos apresentam os frágeis começos de uma legislação, que o tempo e felizes circunstâncias deviam aperfeiçoar.
“A paz, diz esse legislador, do século XI, será mantida em todos os tempos pelos clérigos, monges viajantes, senhoras e por seus sucessores.

“– Se alguém se refugiar junto de uma senhora, terá segurança, à sua pessoa, pagando a multa.

“– Que a paz esteja com o rústico; que seus bois e seus instrumentos de lavoura não possam ser arrebatados”.

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Salvação da civilização e aproximação do Ocidente e do Oriente
Benefícios das Cruzadas – 2

Sítio de Jerusalém. Biblioteca Nacional da França, Français 10, fol 412v.
Sítio de Jerusalém. Biblioteca Nacional da França, Français 10, fol 412v.

Continuação do post anterior


Nós dissemos várias vezes e tivemos ocasião de notar como frequentemente os homens que passam à posteridade por terem dominado seu século, são os que por primeiro, se deixaram dominar, eles mesmos, e dele se mostraram seus mais apaixonados intérpretes.

Um dos resultados dessa cruzada foi levar o espanto e o terror para o seio das nações muçulmanas e colocá-las, por muito tempo na impossibilidade de tentar algum empreendimento contra o Ocidente.

Graças às vitórias dos cruzados, o império grego recuou seus limites e Constantinopla, que era o caminho do Ocidente para os muçulmanos, ficou a salvo de seu ataque.

Nessa expedição longínqua, a Europa perdeu a fina flor de sua população; mas não foi como a Ásia, o teatro de uma guerra sangrenta e desastrosa, de uma guerra na qual nada era respeitado, onde as cidades e as províncias eram ora devastadas pelos vencedores ora pelos vencidos.

Enquanto os guerreiros vindos da Europa derramavam seu sangue nos países do Oriente, o Ocidente vivia em profunda paz.

Entre os povos cristãos, considerava-se então um crime, usar armas por outro motivo, que não por Jesus Cristo.

Essa opinião contribuiu muito para acabar com o banditismo e para fazer respeitar a trégua de Deus, que foi, na Idade Média, o germe ou o sinal de melhores instituições.

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Salutares benefícios das Cruzadas para a paz e para a ordem
Benefícios das Cruzadas – 1

Cruzados na tomada de Jerusalem.
Cruzados na tomada de Jerusalem.
Reproduziremos a continuação alguns excertos da renomeada “História das Cruzadas” de Joseph-François Michaud (1767—1839). Ele foi membro da Academia Francesa de
Túmulo de J.F. Michaud
Cemitério de Passy, Paris
Letras e da Academia da Saboia, jornalista e político de intensa vida, e autor de obras célebres, como a história das Cruzadas que citamos:

Detenhamo-nos uns instantes ante o espetáculo que se acaba de realizar e que tivemos sob nossas vistas, no qual vemos duas religiões disputar o mundo com as armas na mão; voltemos atrás nossos olhos e vejamos o que aquela grande revolução das guerras santas produziu para as gerações contemporâneas e o que ela devia deixar depois de si, para os povos do Ocidente.

Muitas vezes repetimos, falando desta primeira guerra santa, onde o Oriente viu um exército de seiscentos mil cruzados, que Alexandre, tinha conquistado a Ásia com trinta mil homens.

Sem repetirmos o que já foi dito, limitar-nos-emos a fazer observar que os gregos de Alexandre, em sua invasão do Oriente, só tinham que combater contra os persas, nação efeminada e que a Grécia desprezava, enquanto que os cruzados tiveram que combater contra uma multidão de povos desconhecidos e que, chegando à Ásia tiveram que se haver com várias nações de conquistadores.

segunda-feira, 26 de maio de 2014

O sítio de Famagusta e o capitão Bragadino

Mapa da cidade de Famagusta em 1568
Mapa da cidade de Famagusta em 1568

Em meados de 1570, Famagusta, na ilha de Chipre, foi sitiada pelos turcos (mapa ao lado). Em setembro desse ano, tropas venezianas entraram na cidade para auxiliar na defesa.

Sabiam que poderiam resistir algum tempo, mas confiavam nos reforços dos cristãos, que nunca chegaram.

A queda de Famagusta é uma página épica, destacando-se entre todos a figura do capitão chefe Marco Antônio Bragadino.

Este sítio foi relatado pelo único oficial milagrosamente sobrevivente ao massacre: Nestor Martinego.

Na cidade todos lutaram, e em todos os campos: elevando fortificações, atirando com armas de fogo ou outras improvisadas, cavando trincheiras.

segunda-feira, 31 de março de 2014

Al-Jihad Sulami conclama uma contracruzada à 1ª Cruzada vitoriosa

Sitio de Jerusalém, Français 770, fol 349 (1187). BnF
Sitio de Jerusalém, Français 770, fol 349 (1187). BnF

A vitória da 1ª Cruzada representou um abalo moral formidável para o mundo muçulmano.

Os maometanos da seita seljúcida até então invencíveis haviam sido derrotados pelos cristãos.

O autor islâmico que ficou para a História como Al Jihad Sulami, presumivelmente de Damasco, compôs um Tratado por volta de 1105, visando inflamar o zelo dos príncipes e emires do mundo islâmico para uma contracruzada contra os católicos que já dominavam Terra Santa.

O Tratado nos revela o ponto de vista, bastante imaginoso, islâmico sobre as origens da I Cruzada.

Contudo, nos apresenta de modo muito claro o estado de desmoralização das cortes maometanas, já submersas na luxúria e pusilanimidade, diante das sucessivas derrotas sofridas pelas mãos dos cavaleiros da Cruz.

O Tratado também deita uma luz esclarecedora sobre o espírito militar agressivo dos mais genuínos representantes do Islã da época.

O apelo de Al-Jihad Sulami afasta definitivamente a ideia de uma religião muçulmana pacífica padecendo a agressividade “colonialista” dos francos.

Os argumentos de natureza econômica são afastados. O Corão e a religião de Maomé ordenam a guerra. As ideias de coexistência pacífica, diálogo ou ecumenismo simplesmente não existem e não podem existir na alma do bom muçulmano.

Mas, sim a guerra por Alá para extinguir os cristãos, então vitoriosos.

Diz Al-Jihad Sulami :

segunda-feira, 3 de março de 2014

Ibn al-Athîr e as versões caricatas islâmicas sobre a origem das Cruzadas

Peregrinos chegam a Jerusalém, f 86v. Sébastien Mamerot, Les Passages d’Outremer, Fr 5594, BnF

O historiador muçulmano Ibn al-Athîr construiu no século XIII, por volta de duzentos anos após os fatos, uma narração caricata sobre as razões que impulsionaram a primeira Cruzada.

A narração desprovida de substância histórica, entretanto, serve para mostrar o ódio soez e falso que os islâmicos professavam sempre contra os seguidores de Jesus Cristo.

Elementos materialistas e caricatos desta lenda islâmica aparecem com relativa frequência, mas com véus mais dissimulados em muita literatura pseudo-histórica sobre as Cruzadas.

“A primeira manifestação de poderio e de expansão dos francos à custa dos países muçulmanos deu-se no ano 478 [Nota: pelo calendário islâmico, que corresponde ao ano 1085] com a tomada de Toledo e de outras cidades espanholas. Disso já falamos.

“No ano 484 (1091), eles completaram a conquista da Sicília como narramos; atacaram as costas da África, ocuparam-na em alguns pontos, mas nós as recuperamos depois.

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Monge armênio Hovannés: os Cruzados foram o braço misericordioso do Deus todo-poderoso

Chegada dos cruzados a Antioquia,
Sébastien Mamerot, Les Passages d’Outremer, Fr 5594, BnF

O monge armênio Hovannés [João] que morava em Antioquia durante o sítio cruzado, assistiu à sua subsequente invasão, ao sítio maometano e, por fim à libertação final num combate humanamente inexplicável, deixou uma crônica bastante pormenorizada de como aconteceram esses fatos:

“... Naquele ano [Nota: fala das operações militares do ano 1098] o Senhor visitou o seu povo, segundo está escrito: “Eu não vos abandonarei nem me afastarei de vós”.

“O braço todo poderoso de Deus foi o nosso guia.

“Eles [os Cruzados] trouxeram o estandarte da Cruz de Cristo e depois de ostentá-lo pelo mar, massacraram uma multidão de infiéis e puseram os outros a fugir pela terra.

“Eles tomaram a cidade de Nicéia e a sitiaram por cinco meses.

“Depois vieram ao nosso país na região da Cilícia e da Síria, e atacaram, postando-se em volta da metrópole de Antioquia.

“Durante nove meses eles fizeram a cidade e as regiões vizinhas passarem por momentos difíceis.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

A tomada de Antioquia e morte de Yaghi-Siyan

Armaduras dos húsares de Jan III Sobieski, rei da Polônia
Em 1097, quando a I Cruzada chegou a grande cidade de Antioquia, Yaghi Siyan era seu governador e pertencia a seita fanática muçulmana dos seljúcidas, que havia conquistado Terra Santa.

Ficou mais conhecido pelos cronistas europeus como Acxiano, Graziano ou Cassiano.

Ele se viu em dificuldades quando o exército católico iniciou o cerco da cidade no fim de 1097.

Embora os cruzados estivessem famintos, mantiveram o cerco durante a maior parte do ano até que, por fim, tomaram a cidade na noite de 2 a 3 de junho de 1098.

O historiador árabe Ali ibn al-Athir assim escreveu sobre a queda da cidade em mãos católicas:

“Após manter o cerco por longo tempo, os francos fizeram tratativas com um dos responsáveis por uma das torres cujo nome era Ruzbih [ou Firuz, ou Firouz]. Ele era fabricante de couraças. Pelos serviços, os francos pagaram uma fortuna em dinheiro e terras. O seu local de trabalho era na torre que ficava sobre o rio, no lugar onde ele deixa a cidade em direção ao vale.

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

São Francisco de Assis:
é de acordo com a Justiça combater os muçulmanos

São Francisco de Assis diante do sultão al-Malik al-Kamil.  Fra Angelico ca. 1429, Lindenau Museum, Altenberg.
São Francisco de Assis diante do sultão al-Malik al-Kamil.
Fra Angelico ca. 1429, Lindenau Museum, Altenberg.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Diálogo entre São Francisco de Assis e o Sultão al-Malik al-Kamil
em 1219, perto de Damieta, Egito.

“O sultão lhe apresentou outra questão:

− “Vosso Senhor ensina no Evangelho que vós não deveis retribuir mal com mal, e não deveis recusar o manto que quem vos quer tirar a túnica, etc. Então, vós, cristãos não deveríeis invadir as nossas terras, etc.”.

“Respondeu o bem-aventurado Francisco:

domingo, 14 de julho de 2013

6º excerto da Canção de Rolando: O conde Olivier entrega sua alma a Deus

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Excerto 6º : O conde Olivier entrega sua alma a Deus


(continuação)



Enquanto Carlos Magno com o excército cruzado corre para salvar os cavaleiros, Olivier, o amigo íntimo de Rolando, perece.

Rolando faz o elogio fúnebre do herói, seu irmão de armas.



Clique para ouvir :

XI

Olivier sent que la mort moult l'angoisse.

Olivier sente que a morte muito o angustia,

O conde Olivier entrega su alma a Deus, Canção de Roland
O conde Olivier entrega sua alma a Deus, Canção de Roland
Tous ses deux yeux dans la tête lui tournent.
Os dois olhos lhe giram na cabeça,

L'ouïe il pert et la vue est très toute.
E perde o ouvido e a vista inteiramente.

Descent à pied, à la terre se couche,
A pé, deita-se no solo.

D’une heure en autre, il réclame sa coulpe,
Uma e outra vez, ele confessa seus pecados,

Contre le ciel il a ses deux mains jointes,
E com as duas mãos juntas em direção ao Céu

domingo, 7 de abril de 2013

Sermão do Beato Urbano II
convocando a Primeira Cruzada

Catedral de Clermont-Ferrand
Clermont-Ferrand
Luis Dufaur
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Em Clermont-Ferrand, no coração da França, o 27 de novembro de 1095, diante de um Concílio de 13 arcebispos e 225 bispos, o Bem-aventurado Papa Urbano II pregou a primeira cruzada.

O espetáculo era comovedor.

Um Concílio, sob a presidência de um Papa sentado na Sede de São Pedro: a luz colocada num candelabro para iluminar todos os povos.

Aquele que é o foco de irradiação da virtude, na cátedra que ensina a verdade e o bem, se dirige às falanges de Nosso Senhor e de Nossa Senhora para a luta contra o mal.

Este homem, como um novo anjo, na cátedra de São Pedro se toma de zelo pela desventura dos lugares Santos.

Ele não pode tolerar que os lugares Santos estejam de posse de infiéis.

Ele não pode suportar que seja tão difícil chegar até os lugares Santos, para ali prestar culto a Nosso Senhor Jesus Cristo.

Ele, em nome de Nosso Senhor, agindo como seu vigário na Terra, convoca a primeira Cruzada.

Eis suas palavras que ficaram registradas para a História:

Estátua de Urbano II, Châtillon sur Marne
Monumento ao Beato Urbano II
“Ó Francos, de quantas maneiras Nosso Senhor vos abençoou?

“Vede quão férteis são vossas terras. Quão verdadeira é vossa fé. Quão indisputável é vossa coragem.

"A vós, abençoados homens de Deus, dirijo estas palavras. E que não sejam levadas levianamente, pois são expressas pela Santa Igreja, que, pelo sagrado pacto com Nosso Senhor, é sua santíssima voz na terra.

“Vós que sois justos e bons, vós que brilhais na santa fé escutai. Sabei da justa e grave causa que nos reúne hoje aqui, sob o mesmo teto, na piedade de Nosso Senhor.

“Relataremos fatos horríveis que ouvimos sobre uma raça de homens completamente afastados de Deus e desprovidos de fé.

“Turcos, Persas, Árabes, amaldiçoados, estranhos a nosso Deus, que devastam por fogo ou espada as muralhas de Constantinopla, o Braço de São Jorge.

“Até hoje, por misericórdia do Supremo, Constantinopla foi nossa pedra, nosso bastião da fé em território infiel. Agora essa sagrada cidade encontra-se desfigurada, ameaçada.

“Quantas igrejas esses inimigos de Deus conspurcaram e destruíram? Ouvimos de altares e relíquias sendo profanados por sujeira produzida por corpos Turcos.

“Ouvimos sobre verdadeiros crentes sendo circuncidados e o sangue desse ato sendo vertido em pias batismais.

“O que podemos vos dizer? Turcos transformam solo sagrado em estábulo e chiqueiro, expelem o conteúdo de seus fétidos e putrefatos corpos em vestimentas dos emissários do Evangelho de Nosso Senhor.


“Os descrentes forçam Cristãos a ajoelhar sobre essas roupas imundas, curvar as cabeças e esperar o golpe da espada.

“Essas vestes, que através da imundície e sangue são testemunhas das aberrações fruto da falta da verdadeira fé, são exibidas junto com corpos dos mártires.

“O que mais devemos lhes dizer, ó fieis? Turcos abusam de mulheres cristãs. Turcos abusam de crianças cristãs.

“Pensai nos peregrinos da fé que cruzam o mar, obrigados a pagar passagem em todos os portões e igrejas de todas as cidades.

Quão frequentemente esses irmãos no sangue de Cristo passam por humilhações e falsas acusações?

“Aqueles que viajam na pobreza, como são recebidos nesses lugares de nenhuma fé? São vasculhados em busca de moedas escondidas.

“As calosidades em seus joelhos, causadas pelo ato de fé ao Nosso Senhor, são abertas por lâminas. Aos fiéis são dadas bebidas vomitórias para que sejam vasculhadas suas emissões estomacais.

“Após isso são ainda obrigados a sorver excremento liquefeito de bodes e cabras de forma a esvaziar suas entranhas. Se nada for encontrado que satisfaça essas filhos do inferno, ó fieis, escutai.

“Turcos abrem com lâmina da espada as barrigas dos verdadeiros seguidores, de Jesus Cristo em busca de peças de ouro ingeridas e assim escondidas.

“Espalham e retalham entranhas mostrando assim o que a natureza manteria secreto. Tudo a procura de riquezas ou por prazer insano.

“Turcos perfuram os umbigos dos fiéis, amarram suas tripas a estacas e afastam os cristãos, prendendo-os com cordas a outro poste, de forma a que vejam suas próprias entranhas endurecendo ao sol, apodrecendo e sendo consumidas por corvos e vermes.

“Os Turcos perfuram irmãos na fé com setas, fazem dos mais velhos alvos móveis para seus malditos arcos. Queimam os braços e pernas dos mártires até carbonizá-los e soltam cães famintos para os devorar ainda vivos.

“Ó Francos, o que dizer? O que mais deve ser dito?

“A quem, pois, deve ser dirigida a tarefa de vingança tão santa quanto a espada de São Miguel?

“A quem Nosso Senhor poderia confiar tal tarefa senão aos seus mais abençoados e fiéis filhos?

“Ó Francos, vós não sedes habilidosos cavaleiros? Poderosos guerreiros ao serviço da palavra de Deus? Próximos a São Miguel na habilidade de expurgar o mal pela espada?

Clermont-Ferrand, Praça onde o santo Urbano II pregou a Primeira Cruzada“Deem um passo a frente!

“Não mais levantarão as espadas entre si, ceifando vidas e pecando contra o Evangelho. Aproximem-se guerreiros abençoados.

“Os que dentre vocês roubaram tornem-se agora soldados, pois a causa é suprema. Aqueles que cultivam mágoas juntem-se aos seus causadores, pois a irmandade é essencial ao objetivo.

“Aproximem-se os que desejam vida eterna, aproximem-se os que desejam absolvição no sagrado.

“Sabei que Nosso Senhor espera seus filhos em lugar abençoado. Na palavra do Santíssimo seguirão e combaterão, não deixem que obstáculos os parem, creiam na palavra de Deus e nada os deterá.

“Deixai todas as controvérsias para trás! Uni-vos e acreditai!

“Não permitais que posses ou família vos detenham.

“Lembrai-vos das palavras de Nosso Salvador, “Aquele que abandonar sua morada, família, riqueza, títulos, pai ou mãe pelo meu nome, receberá mil vezes mais e herdará a vida eterna”.

“Se os Macabeus dos tempos de outrora conquistaram glória pela sua luta de fé, da mesma forma a chance é ofertada a vós.

“Resgatai a Cruz, o Sangue e a Tumba de Nosso Senhor. Resgatai o Gólgota e santificai o local.

“No passado vós não lutastes vos pondo em risco de perdição?

“Não levantastes aço contra iguais? Orgulho, avareza e ganância não foram vossas diretivas? Por isso vós merecestes a danação, o fogo e a morte perpétua.

“Nosso Senhor em sua infinita sabedoria e bondade oferece aos seus bravos, porém desvirtuados filhos, a chance de redenção. A recompensa do sagrado martírio.

“Ó Francos, ouvi! Deixai a chama sagrada arder nos vossos corações! Sede instrumentos da justiça em nome do Supremo!

“Francos! A Palestina é lugar de leite e mel fluindo, território precioso aos olhos de Deus. Um lugar a ser conquistado e mantido apenas pela fé.

“Nós apelamos às vossas espadas!

“Lutai contra a amaldiçoada raça que avilta a terra sagrada, Jerusalém, fértil acima de todas outras.

“Glorificai as peregrinações para o centro do mundo, consagrai-vos à Paixão de Jesus Cristo!

“Tornai-vos dignos da Redenção pela Sua morte! Glorificai seu túmulo!

“O caminho será longo, a fé no Onipotente torná-lo-á possível e frutífero.

“Não temais Francos! Não temais a tortura, pois nela reside a glória do martírio!

“Não temais a morte, pois nela reside a vida eterna!

“Não temais dor, pois a recebereis com resignação!

“Os anjos apresentarão vossas almas a Deus.

“O Santíssimo será glorificado pelos atos de seus filhos!

“Vede à vossa frente aquele que é a voz de Nosso Senhor! Segui Sua exemplo e palavras eternas!

“Marchai certos da expiação de vossos pecados, na certeza da glória imortal.

“Deixai as legiões de Cristo Rei se atracar com o inimigo!

"Os anjos cantarão vossas vitórias!

“Que os servidores do Evangelho entrem em Jerusalém portando o estandarte de Nosso Senhor e Salvador!

“Que o símbolo da fé seja mostrado em vermelho sobre o imaculado branco, pureza e sofrimento expressados!

“E que sua palavra seja ouvida como retumbante trovão, trazendo medo e luz para os infiéis!

“Que agora o exército do Deus único brade em glória sobre os Seus inimigos!”

A multidão dos cavaleiros convocados de toda a Europa respondeu “Deus vult”, “Deus o quer”!

Esse brado ecoou pela Europa toda. O Islã estava perdido. Jerusalém voltaria em breve a mãos cristãs.

A bem dizer esse brado ressoa até hoje. Pois, ele é um eco sagrado de aquele outro brado que São Miguel Arcanjo lançou no Céu contra a revolta de Satanás: "Quis ut Deus?", "Quem como Deus?!"


A versão que reproduzimos neste post é uma das muitas que foram feitas por testemunhas no momento da pregação pontifícia e retransmitidas, tal vez com traduções ou adaptações, de autor em autor. Conservamos o texto pela sua qualidade linguística.

Entretanto, a versão considerada a melhor se encontra em italiano, no site Documenta Catholica, documento “Popolo Dei Franchi” (Discorso sulla crociata) [27-11-1095]; neste endereço http://www.documentacatholicaomnia.eu/01p/1095-11-27,_SS_Urbanus_II,_Popolo_Dei_Franchi,_IT.doc. Ambas versões não diferem em nada de essencial.


Nós a temos publicada em português no link Bem-aventurado Papa Urbano II: a versão mais completa do Sermão da Cruzada




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