quarta-feira, 9 de junho de 2021

A fidelidade do leão de Godofredo de Tours

Luis Dufaur
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Entre os nobres cavaleiros de Provença que partiram para as Cruzadas contra os infiéis, havia um senhor chamado Godofredo de Tours, de grande valor, guerreiro tão heroico como jamais se conheceu.

Nos combates era o primeiro a se lançar sem se preocupar em cobrir seu corpo contra os dardos e as pedras.

Galopava até os esquadrões árabes invocando a proteção do Senhor. Tal era sua fama que em todos os exércitos era conhecido e admirado o seu heroísmo!

Um dia cavalgava ele numa clareira, com outros cavaleiros, seguido de numerosos pajens.

De repente ouviram uns terríveis rugidos de leão. Todos, exceto Godofredo, tomados de pânico, fugiram com medo de cair nas garras da fera.

Mas Godofredo, vendo que seu cavalo não lhe obedecia, pegou sua espada, desceu do cavalo e dirigiu-se à floresta onde estava o leão.

terça-feira, 25 de maio de 2021

Don Galcerán De Pinós, o cruzado liberado por Santo Estevão

Santo Estevão, Salamanca
Santo Estevão, Salamanca
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No século XII, Afonso, Imperador de Castela, sustinha renhidas batalhas contra o rei mouro de Granada.

O Conde de Barcelona acudiu em sua ajuda, fretando naves catalãs e genovesas.

Era almirante das primeiras, Galcerán Guerras de Pinós. Em seu afã das vitórias, se adiantou demasiado no território mouro e caiu prisioneiro.

Seus pais, os senhores de Bagá, estavam desesperados. O Conde de Barcelona se pôs em tratos com o Rei de Granada, para ver que resgate pedia pelo almirante Galcerán.

O Rei de Granada, enfurecido por ter perdido Almería, pediu um resgate exorbitante: cem mil dobles, cem cavalos brancos, cem vacas bragadas, cem panos de ouro de Tanis, e o que era pior de tudo, mais cem donzelas.

Os senhores de Bagá se aterrorizaram ante a última condição e decidiram que, apesar de muita dor que lhes causava ter o filho cativo dos mouros, não podiam consentir, para que ele fosse devolvido, que tantos pais sofressem a dor de ver perdidas para sempre suas filhas.

Não obstante, foram muitos os argumentos dos poderosos senhores que opinaram que o povo devia sacrificar-se, e que o almirante representava uma grande ajuda para a Cristandade.

terça-feira, 11 de maio de 2021

Os 800 Mártires de Otranto resistindo aos turcos invasores

Nossa Senhora na capela dos mártires, igreja de Santa Caterina a Formiello, Otranto
Nossa Senhora na capela dos mártires,
igreja de Santa Caterina a Formiello, Otranto
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Em 1480, a Itália celebrava a festa da Assunção com liturgias espetaculares, procissões e, claro, banquetes.

Com a exceção de Otranto, uma pequena cidade da Puglia, na costa do Adriático, onde 800 homens ofereceram suas vidas a Cristo.

Eles foram os Mártires de Otranto.

Poucas semanas antes, a frota turca atracara em Otranto. Sua chegada era temida há muitos anos.

Desde a queda de Constantinopla, em 1454, era apenas uma questão de tempo até que os turcos otomanos invadissem a Europa.

Otranto está mais próxima do lado leste do Adriático controlado pelos otomanos.

São Francisco de Paula reconheceu o perigo iminente para a cidade e seus cidadãos cristãos e pediu reforços para proteger Otranto.

terça-feira, 27 de abril de 2021

A espada do Apóstolo Santiago é anti-histórica e anti-ecumênica?

Santiago Matamoros, Extremadura, Espanha
Santiago Matamoros, Extremadura, Espanha
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O pároco de Nieva de Cameros, província de La Rioja, Espanha, fez sua a idéia, há muito recusada, de tirar a espada da imagem clássica do Apóstolo São Tiago.

Esta imagem generalizada pela Espanha lembra os numerosos milagres que fez o Apóstolo intervindo miraculosamente em batalhas contra os invasores muçulmanos. Por isso é conhecida sob o pitoresco e expressivo título de “Santiago matamoros”.

O santuário do Apóstolo fica na Galícia, na Espanha ao norte de Portugal. E o Apóstolo escolhido por Jesus Cristo é padroeiro do país por esses mesmos feitos sobrenaturais militares.

O pároco, Pe José Luis Fernandez acha, como tantos outros “progressistas” empenhados em desnaturar o culto aos santos, que não é histórico supor que o Apóstolo tenha abatido algum inimigo da fé. E sobre tudo algum muçulmano! Por certo hoje não é "politicamente correto".

Porém, inúmeras crônicas cristãs e maometanas, além do juízo da Igreja ao longo dos séculos, apontam em sentido contrário.

terça-feira, 13 de abril de 2021

Os Papas percebem a necessidade da Cruzada, mas os príncipes não ouvem bem

Bem-aventurado Papa Urbano II convocou a Cruzada contra o Islã
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Em 1075, o grande papa Gregório VII já pressionava avidamente os príncipes cristãos à guerra santa, prevista por Carlos Magno, implorada por Silvestre II.

Ele impôs, neste mesmo ano, a peregrinação de Jerusalém ao abominável Cencius, que tinha odiosamente atentado contra sua liberdade e sua vida.

50 mil cristãos se levantaram, contudo, faltavam-lhes chefes, pois os príncipes cristãos se mantinham surdos.

Em 1085, Roberto, o Frísio, tendo se associado ao governo dos Estados de Flandres, seu filho primogênito, Roberto II, partiu para a santa viagem, mais ou menos ao mesmo tempo em que Berenguer II, conde de Barcelona; Fréderic, conde de Verdun, e Conrado, conde de Luxemburgo, a quem a santa peregrinação estava prescrita em expiação, assim como havia sido para Roberto da Normandia, a Fulque d'Anjou, a Frotmond e a outros personagens culpados por assassinatos ou rebelião.

terça-feira, 30 de março de 2021

Cristãos resistem assalto maometano em Ramla


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continuação do post anterior: Muçulmanos iniciaram violências e morticínios contra os peregrinos



Dez anos depois (no ano 1064), 7 mil cristãos franceses e alemães partiram juntos para Jerusalém.

Guilherme, bispo de Utrecht; Sigefroi, bispo de Mayence; Gunther, bispo de Bamberg; Otton, bispo de Ratisbona e muitos outros senhores das duas nações fizeram parte desta tropa. J. Voigt citou um episódio curioso desta grande peregrinação [Histoire du pape Grégoire VII e de son siècle, c.III e VIII]:

“Esses peregrinos, diz ele, tiveram a imprudência de revelar suas riquezas no caminho.

“Por toda parte, nos campos e nas cidades que eles atravessavam, corriam-se para admirar seus esplendores.

“Chegando às terras dos sarracenos, eles estavam a um dia de Ramla, quando, na véspera da Páscoa, às três horas da tarde, eles se viram cercados por bandas árabes que, com o barulho de sua chegada, se armaram para pilhá-los.

terça-feira, 16 de março de 2021

Muçulmanos iniciaram violências e morticínios contra os peregrinos

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De todas as partes, então, entre os cristãos, aqueles que buscavam obter grandes favores, ou expiar grandes quedas, se colocam em peregrinação aos lugares santos juntamente com os fiéis piedosos que para lá se dirigiam possuídos somente pelo amor ao Redentor.

Entre os peregrinos ilustres destes primeiros tempos, citamos São Silvino, bispo regional cujo nome conta na lista dos bispos de Toulouse e na lista dos bispos de Thérouenne. Ele assistiu ao batismo de Carlos Martel;

Santo Arculfo, prelado nas Gálias, que escreveu em seu retorno uma descrição dos lugares santos [Mabillon a conservou nas Acta Benedictorum];

Santo Willibald, bispo de Aichstaldt, na Francônia, e um dos apóstolos da Alemanha. Uma santa religiosa de sua família narrou sua viagem.

Muitos partiram para expiar crimes. Em 868, um senhor da Bretanha francesa, chamado Frotmond, assassino de seu tio e mais jovem de seus irmãos, recebeu absolvição após ter feito três vezes a peregrinação de Jerusalém.

terça-feira, 2 de março de 2021

A cidade santa profanada inspira a Cruzada

Califa Ali Ben Hamet, Theodore Chasseriau (1819 – 1856)
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Omar, sucessor do Profeta, imediatamente edificou uma mesquita no lugar aonde estava levantado o templo de Salomão. Não atormentando, contudo, os cristãos.

Somente após sua morte, em 644, que as ignomínias e as espoliações vieram experimentá-los; os peregrinos foram obrigados a pagar um tributo para ter o direito de se prosternar no Calvário.

O tributo que se exigia dos peregrinos na entrada da cidade santa, inicialmente leve, logo tornou-se pesado, e aqueles fiéis que guardavam os lugares santos caíram rapidamente sob uma tirania odiosa.

Carlos Magno se encontrava bastante ocupado, assim como foram Carlos Martel e Pepino, com suas guerras contras os frísios e os saxões, guerras que eram verdadeiras cruzadas, mesmo que esse nome não tivesse ainda sido cunhado.

Carlos Magno envia então ao califa Haroun-al-Raschid, o chefe supremo do islamismo em Bagdá, um embaixador encarregado de reclamar a liberdade dos cristãos.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2021

Os cruzados e a cidade santa de Jerusalém

Psalterio medieval: Jerusalém é representada no centro do mundo
Psalterio medieval: Jerusalém é representada no centro do mundo
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Ó Jerusalém! o amor de minha alma, a alma de meus pensamentos e de meus desejos, os desejos de meu coração, o coração de minhas afeições e as afeições de minha vida, ai de mim! sois vós que eu procuro.
P. Boucher, peregrino nos lugares santos.


Jerusalém, a mais célebre e sem dúvida a mais misteriosa das cidades que brilharam sobre a terra, era, para os hebreus, o que Roma é para nós: o centro augusto de sua nacionalidade religiosa e o ponto rumo ao qual se voltavam seus corações para orar.

Todo filho de Israel deveria viajar para a cidade santa, e todos aqueles que podiam, iam lá celebrar todos os anos a festa da Páscoa. Eis aí, portanto, a mais ilustre e mais antiga peregrinação.

É neste local que nos dias de Abraão, o rei de Salém, no país dos Jebuseus, Melquisedeque, anunciava o mais adorável de nossos mistérios, oferecendo a Deus, por sacrifício, o pão e o vinho. É ali que o Senhor escolheria mais tarde seu santuário.

Ali todos os profetas anunciaram os acontecimentos futuros escritos nos santos Evangelhos.

terça-feira, 24 de novembro de 2020

Bem-aventurado Papa Urbano II:
a versão mais completa do Sermão da Cruzada

Virgem das Cruzadas, Thuret(Puy-de-Dome)
Nossa Senhora das Cruzadas
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Do famoso sermão do Bem-aventurado Papa Urbano II convocando à I Cruzada em Clermont-Ferrand (França, 27 de novembro de 1095) existem diversos registros feitos por diversas testemunhas. Já tivemos ocasião de postar um desses registros. Eis um outro, o mais completo, traduzido do italiano e disponível no site Documenta Catholica:



Povo dos Francos, povo de além Alpes, povo – como reluz em muitas de vossas ações ‒ eleito e amado por Deus, distinguido entre todas as nações pela posição de vosso país, pela observância da fé católica e pela honra que presta à Santa Igreja, a vós se dirige nosso discurso e nossa exortação.

Queremos que vós saibais do lúgubre motivo que nos conduziu até vossas terras; da necessidade ‒ para vós e para todos os fiéis ‒ de conhecerem o motivo que nos impeliu até aqui.

Desde Jerusalém e desde Constantinopla chegou até nós, mais de uma vez, uma dolorosa notícia: os turcos, povo muito diverso do nosso, povo de fato afastado de Deus, estirpe de coração inconstante e cujo espírito não foi fiel ao Senhor, invadiu as terras daqueles cristãos, as devastou com o ferro, a rapina e o fogo.

terça-feira, 10 de novembro de 2020

Os meninos durante o cerco de Jerusalém

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Os que lá estiveram contam que, enquanto a cidade esteve sitiada, depois dos freqüentes embates, sitiantes e sitiados misturavam-se uns com outros.

Acontecia muitas vezes que, tendo-se retirado os homens, era freqüente ver alguns batalhões de meninos avançando, uns desde a cidade e outros saindo do nosso meio e do acampamento de seus pais, e atacavam-se e combatiam imitando-os, tornando-se igualmente dignos de serem contemplados.

Porque, como dissemos no inicio desta história, quando se estendeu por todos os países do Ocidente a noticia da expedição a Jerusalém, os pais empreenderam a viagem levando consigo seus filhos, ainda meninos.

E foi assim que, mesmo quando os pais de alguns deles morreram, os filhos prosseguiram o caminho, habituaram-se aos trabalhos e, no tocante a misérias e privações de toda espécie, souberam agüentá-las e não se mostraram inferiores aos homens feitos.

terça-feira, 27 de outubro de 2020

Nossa Senhora detém o sol para derrotar os mouros

Pôr do sol em Tentudía. Cruz evocativa

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Ao iniciar a campanha de Sevilha, em 1247, o Rei São Fernando III enviou mensagem ao Grão-mestre da Ordem de Santiago, D. Pelayo Correa, para que acertasse alguns assuntos próximo a Badajoz, e depois fosse a Sevilha.

Assim ele o fez, conquistando com seus monges-cavaleiros várias cidades pelo caminho.

Ao passar por Figueira da Serra, foi atacado por uma numerosa hoste de muçulmanos, muito superior à que tinha consigo.

Vendo que a batalha se prolongava, e que começava a anoitecer, D. Pelayo rezou à Virgem, suplicando-lhe que mantivesse a luz do dia: "Señora, ten tu día" (Senhora, segurai vosso dia).

O sol parou no céu durante o tempo suficiente para que os cavaleiros de Santiago pudessem vencer a batalha.

Mosteiro de TentudíaDesde então a serra se chamou Serra de Tentudía.

Como memória e agradecimento, o Grão-mestre estabeleceu ali um mosteiro-fortaleza, que ainda hoje existe, e em cuja capela, junto ao altar-mor, está sua sepultura.



(Fonte: José Maria de Mena, "Entre la Cruz y la Espada - San Fernando" - RC Editores, Sevilha, 1990, pp. 64-65)




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terça-feira, 29 de setembro de 2020

Traços da mentalidade e da espiritualidade dos cavaleiros

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Baudouin de Condé crê que o Cavaleiro deve continuar ativo em sua armadura durante todo o tempo que suas forças o permitam.

Até o seio da morte, até o último suspiro, o pensamento e a recordação dos feitos e das batalhas persegue a grande maioria desses homens de armas.

Um deles morre murmurando: - “No céu vou refazer a guerra de espada e de lança”.

Outro moribundo, sem desanimar, pede aos que o estão velando que o ajudem a levantar-se e armar-se para acertar uma quintana.

terça-feira, 15 de setembro de 2020

Na batalha de Poitiers a Cruz franca esmaga o Crescente invasor

Carlos Martel em combate contra Abdul Rahman, Poitiers. J-F-Théodore Gechter, museu do Louvre.  Fundo: queda dos anjos rebeldes, Pieter Bruegel
Carlos Martel em combate contra Abdul Rahman, Poitiers. J-F-Théodore Gechter, museu do Louvre.
Fundo: queda dos anjos rebeldes, Pieter Bruegel
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Marchando para combater vossos inimigos, que seus carros e seus cavaleiros e sua multidão não vos apavore, porque Deus está convosco. Deuteronômio XX

Lemos por toda parte quais foram, desde esses primeiros tempos do islamismo, os sucessos assustadores dos sectários de Maomé.

No fim do século VII, eles tinham se estabelecido sobre a metade do mundo conhecido e cobiçavam as terras delimitadas pelo Mediterrâneo.

A traição de um conde Juliano, indignado com Rodrigo(2), o último rei dos Godos na Espanha, lhes abriram esse belo país; e Rodrigo, vencido no ano de 714, lhos entrega.

Eles se tornaram em poucos anos os mestres de toda a península Ibérica, com exceção das Astúrias, aonde Pelágio se mantém com alguns espanhóis, que o proclamam rei em 718.
Tão logo, ele começou em suas montanhas, para ele e seus sucessores, a primeira luta da Cruz contra o Crescente; e que deveria durar sete séculos e meio.

Mestres de todo o país, fora a cidade de Oviedo e as montanhas das Astúrias, seja pela ambição, pelo ardor do proselitismo, seja pela natureza nômade, os Sarracenos queriam ir mais longe e tomar as Gálias[3].

terça-feira, 1 de setembro de 2020

Feudalismo, majestade, mando e obediência

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Na Idade Média a maior parte das nações europeias adotava o sistema feudal.

Esse sistema consistia numa série de monarquias grandes, nas quais se encaixavam monarquias pequenas.

Pode ser comparado de algum modo com o sistema interno de governo da Igreja.

O papa é o rei da Igreja, os bispos são príncipes da Igreja sujeitos ao papa, mas com uma autoridade própria sobre os fiéis.

Depois, a seu modo, os vigários, os párocos em relação ao bispo. Forma assim pequenas monarquias encaixadas umas nas outras.

Há aqui uma cavalgada de cruzados, imaginados por um grande gravurista do século XIX (Alphonse-Marie-Adolphe de Neuville, 1835 – 1885), e que foram para a Terra Santa. Ao centro, a figura central é o rei.

Se não for o rei, ele será por exemplo o grão-mestre da ordem dos templários, ou desta ou daquela outra ordem de cavalaria, que está guiando os cruzados na ofensiva contra os maometanos.

terça-feira, 18 de agosto de 2020

A partida, a volta e a glória do Cruzado

Partida para a guerra, anônimo francês
Partida para a guerra, anônimo francês
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O senhor feudal é dono de um castelo ― que nossa imaginação põe perto do Reno, do Danúbio, do Sena ou de um lago da Suíça.

O castelo tem sua torre altiva, muralhas, e aos pés duas e três aldeias com suas capelinhas e seus sininhos tocando. Mais adiante a plantação, depois a criação.

Este senhor feudal, pai de numerosa família, chefe de um povinho, rei em miniatura, sai a pé todo armado.

Atrás dele a senhora que chora, mas que anda também com passo firme, as crianças, alguns familiares, o capelão.

Eles passam a ponte: é a partida do guerreiro.

A partir daquele momento, ele deixa de ser senhor para ser vassalo. Ele obedece ordens, não manda mais. A partir daquele momento ele não é um homem que faz a ordem, ele é um homem que derruba as desordens, é um guerreiro.

Este guerreiro vai arriscar a sua vida pelo Santo Sepulcro de Nosso Senhor Jesus Cristo. É algo de único no mundo.

Ele se despede da mulher, dos filhos, dos parentes, beija a mão do sacerdote que ainda lhe dá uma bênção. Depois monta a cavalo, não olha mais para trás.

terça-feira, 4 de agosto de 2020

Milagre de Nossa Senhora em Covadonga (Astúrias) impediu a conquista de Espanha pelos mouros

Nossa Senhora de Covadonga
Nossa Senhora de Covadonga
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Sob a proteção de Nossa Senhora de Covadonga se iniciou a Reconquista da Espanha, com o milagre que Ela realizou socorrendo o Rei Don Pelayo e os pouquíssimos cavaleiros que estavam com ele nas montanhas das Astúrias, no monte Auseba.

Deu-lhes uma grandiosa vitória sobre os maometanos, justamente quando pareciam perdidos, premiando assim seu denodo, seu heroísmo e sua fé.

Em 718 estava D. Pelayo rodeado por duzentos mil homens do exército de Alkamah, lugar-tenente do Wali Helor.

O Bispo Dom Opas, que já havia pactuado, se adiantou para tentar convencê-lo da inutilidade de resistir e da conveniência de seguir seu exemplo.

terça-feira, 21 de julho de 2020

O mistério do 'cavaleiro verde'

Batalha de Tiro, 1187. 'Les Passages d'Outremer'. Foto Wikipedia
O 'Cavaleiro Verde' na batalha de Tiro, 1187. 'Les Passages d'Outremer'. Foto Wikipedia
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Mais de 900 anos atrás, lutou na Terra Santa um cavaleiro espanhol de nome Sancho Martín.

Pelos seus atos corajosos e suas roupas de cor marcante, os turcos o apelidaram de O Cavaleiro Verde.

A não confundir com o personagem fictício “Green Knight” do poema do Rei Arturo.

Agora, o livro “El Caballero Verde” com sua curta história, ganhou o Prêmio Narrativo da Cidade de Logroño, segundo noticiou o jornal espanhol “El Mundo”.

E aí começa o mistério. As fontes históricas de época alguma não sabem dizer quem foi Sancho Martín.

Tal vez foi aragonês, navarro ou castelhano, pelo nome Sancho. As fontes árabes lhe atribuem origem em Castela, mas não se pode ter certeza.

Apareceu em Terra Santa, no início da Terceira Cruzada, após a perda de Jerusalém (1187) e quando só ficavam poucos enclaves cristãos na costa da Síria.

Tudo parecia perdido para os seguidores de Cristo, quando desceu de um navio um cavaleiro de bravura e liderança inigualada. Ele vestia todo de verde e ostentava uma cornadura de cervo em seu capacete.

terça-feira, 7 de julho de 2020

A devoção a São Jorge no Ocidente: trazida pelas Cruzadas

São Jorge, Paris
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A devoção a São Jorge nasceu no Oriente, no século XI, e foi trazida pelos cruzados.

São Jorge é o paladino da luta contra o inimigo primordial, a serpente maldita, Satanás.

Ele é o herói na luta contra o próprio chefe dos inimigos de Cristo e de seu povo.

A devoção teve imenso papel na cruzada de Reconquista da Espanha e Portugal, países invadidos pelos muçulmanos.

O milagre da Batalha de Alcoraz no Reino de Aragão marcou época.

Aragão ficou ligado à figura do santo cavaleiro que apareceu naquela batalha combatendo lado a lado contra o moraima muito superior em número e que ainda confessou ter visto o cavalheiro sobrenatural de brancas insígnias.

Desde então, o reino aragonês adotou como emblema a própria Cruz de São Jorge (cruz vermelha sobre fundo branco) e quatro cabeças de mouros.

quarta-feira, 24 de junho de 2020

O sultão Saladino descreve o perfil moral dos cruzados

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Eis como Saladino — o mais famoso guerreiro que o mundo muçulmano produziu — via os católicos. É interessante notar que a carta foi escrita quando o Reino Latino de Jerusalém estava em decadência. Nela, o maometano dirigia-se aos potentados árabes, pedindo reforços.


"Esperamos da bondade de Allah que o perigo em que nos encontramos reacenda o zelo dos muçulmanos, e que se esforcem para extinguir o ardor de nossos inimigos, para abater o edifício que os francos construíram.

"Enquanto nossos inimigos acorrem por terra, nosso país está ameaçado pelas maiores desgraças.

"O que nos deixa estupefatos é ver o esforço dos infiéis e a indiferença dos verdadeiros crentes.

"Há um só muçulmano que responda ao convite e venha, quando é chamado a lutar?