segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Monge armênio Hovannés: os Cruzados foram o braço misericordioso do Deus todo-poderoso

Chegada dos cruzados a Antioquia,
Sébastien Mamerot, Les Passages d’Outremer, Fr 5594, BnF

O monge armênio Hovannés [João] que morava em Antioquia durante o sítio cruzado, assistiu à sua subsequente invasão, ao sítio maometano e, por fim à libertação final num combate humanamente inexplicável, deixou uma crônica bastante pormenorizada de como aconteceram esses fatos:

“... Naquele ano [Nota: fala das operações militares do ano 1098] o Senhor visitou o seu povo, segundo está escrito: “Eu não vos abandonarei nem me afastarei de vós”.

“O braço todo poderoso de Deus foi o nosso guia.

“Eles [os Cruzados] trouxeram o estandarte da Cruz de Cristo e depois de ostentá-lo pelo mar, massacraram uma multidão de infiéis e puseram os outros a fugir pela terra.

“Eles tomaram a cidade de Nicéia e a sitiaram por cinco meses.

“Depois vieram ao nosso país na região da Cilícia e da Síria, e atacaram, postando-se em volta da metrópole de Antioquia.

“Durante nove meses eles fizeram a cidade e as regiões vizinhas passarem por momentos difíceis.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

A tomada de Antioquia e morte de Yaghi-Siyan

Armaduras dos húsares de Jan III Sobieski, rei da Polônia
Em 1097, quando a I Cruzada chegou a grande cidade de Antioquia, Yaghi Siyan era seu governador e pertencia a seita fanática muçulmana dos seljúcidas, que havia conquistado Terra Santa.

Ficou mais conhecido pelos cronistas europeus como Acxiano, Graziano ou Cassiano.

Ele se viu em dificuldades quando o exército católico iniciou o cerco da cidade no fim de 1097.

Embora os cruzados estivessem famintos, mantiveram o cerco durante a maior parte do ano até que, por fim, tomaram a cidade na noite de 2 a 3 de junho de 1098.

O historiador árabe Ali ibn al-Athir assim escreveu sobre a queda da cidade em mãos católicas:

“Após manter o cerco por longo tempo, os francos fizeram tratativas com um dos responsáveis por uma das torres cujo nome era Ruzbih [ou Firuz, ou Firouz]. Ele era fabricante de couraças. Pelos serviços, os francos pagaram uma fortuna em dinheiro e terras. O seu local de trabalho era na torre que ficava sobre o rio, no lugar onde ele deixa a cidade em direção ao vale.

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

São Francisco de Assis:
é de acordo com a Justiça combater os muçulmanos

São Francisco de Assis diante do sultão al-Malik al-Kamil.  Fra Angelico ca. 1429, Lindenau Museum, Altenberg.
São Francisco de Assis diante do sultão al-Malik al-Kamil.
Fra Angelico ca. 1429, Lindenau Museum, Altenberg.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
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Diálogo entre São Francisco de Assis e o Sultão al-Malik al-Kamil
em 1219, perto de Damieta, Egito.

“O sultão lhe apresentou outra questão:

− “Vosso Senhor ensina no Evangelho que vós não deveis retribuir mal com mal, e não deveis recusar o manto que quem vos quer tirar a túnica, etc. Então, vós, cristãos não deveríeis invadir as nossas terras, etc.”.

“Respondeu o bem-aventurado Francisco:

domingo, 14 de julho de 2013

6º excerto da Canção de Rolando: O conde Olivier entrega sua alma a Deus

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Excerto 6º : O conde Olivier entrega sua alma a Deus


(continuação)



Enquanto Carlos Magno com o excército cruzado corre para salvar os cavaleiros, Olivier, o amigo íntimo de Rolando, perece.

Rolando faz o elogio fúnebre do herói, seu irmão de armas.



Clique para ouvir :

XI

Olivier sent que la mort moult l'angoisse.

Olivier sente que a morte muito o angustia,

O conde Olivier entrega su alma a Deus, Canção de Roland
O conde Olivier entrega sua alma a Deus, Canção de Roland
Tous ses deux yeux dans la tête lui tournent.
Os dois olhos lhe giram na cabeça,

L'ouïe il pert et la vue est très toute.
E perde o ouvido e a vista inteiramente.

Descent à pied, à la terre se couche,
A pé, deita-se no solo.

D’une heure en autre, il réclame sa coulpe,
Uma e outra vez, ele confessa seus pecados,

Contre le ciel il a ses deux mains jointes,
E com as duas mãos juntas em direção ao Céu

domingo, 7 de abril de 2013

Sermão do Beato Urbano II
convocando a Primeira Cruzada

Catedral de Clermont-Ferrand
Clermont-Ferrand
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Em Clermont-Ferrand, no coração da França, o 27 de novembro de 1095, diante de um Concílio de 13 arcebispos e 225 bispos, o Bem-aventurado Papa Urbano II pregou a primeira cruzada.

O espetáculo era comovedor.

Um Concílio, sob a presidência de um Papa sentado na Sede de São Pedro: a luz colocada num candelabro para iluminar todos os povos.

Aquele que é o foco de irradiação da virtude, na cátedra que ensina a verdade e o bem, se dirige às falanges de Nosso Senhor e de Nossa Senhora para a luta contra o mal.

Este homem, como um novo anjo, na cátedra de São Pedro se toma de zelo pela desventura dos lugares Santos.

Ele não pode tolerar que os lugares Santos estejam de posse de infiéis.

Ele não pode suportar que seja tão difícil chegar até os lugares Santos, para ali prestar culto a Nosso Senhor Jesus Cristo.

Ele, em nome de Nosso Senhor, agindo como seu vigário na Terra, convoca a primeira Cruzada.

Eis suas palavras que ficaram registradas para a História:

Estátua de Urbano II, Châtillon sur Marne
Monumento ao Beato Urbano II
“Ó Francos, de quantas maneiras Nosso Senhor vos abençoou?

“Vede quão férteis são vossas terras. Quão verdadeira é vossa fé. Quão indisputável é vossa coragem.

"A vós, abençoados homens de Deus, dirijo estas palavras. E que não sejam levadas levianamente, pois são expressas pela Santa Igreja, que, pelo sagrado pacto com Nosso Senhor, é sua santíssima voz na terra.

“Vós que sois justos e bons, vós que brilhais na santa fé escutai. Sabei da justa e grave causa que nos reúne hoje aqui, sob o mesmo teto, na piedade de Nosso Senhor.

“Relataremos fatos horríveis que ouvimos sobre uma raça de homens completamente afastados de Deus e desprovidos de fé.

“Turcos, Persas, Árabes, amaldiçoados, estranhos a nosso Deus, que devastam por fogo ou espada as muralhas de Constantinopla, o Braço de São Jorge.

“Até hoje, por misericórdia do Supremo, Constantinopla foi nossa pedra, nosso bastião da fé em território infiel. Agora essa sagrada cidade encontra-se desfigurada, ameaçada.

“Quantas igrejas esses inimigos de Deus conspurcaram e destruíram? Ouvimos de altares e relíquias sendo profanados por sujeira produzida por corpos Turcos.

“Ouvimos sobre verdadeiros crentes sendo circuncidados e o sangue desse ato sendo vertido em pias batismais.

“O que podemos vos dizer? Turcos transformam solo sagrado em estábulo e chiqueiro, expelem o conteúdo de seus fétidos e putrefatos corpos em vestimentas dos emissários do Evangelho de Nosso Senhor.


“Os descrentes forçam Cristãos a ajoelhar sobre essas roupas imundas, curvar as cabeças e esperar o golpe da espada.

“Essas vestes, que através da imundície e sangue são testemunhas das aberrações fruto da falta da verdadeira fé, são exibidas junto com corpos dos mártires.

“O que mais devemos lhes dizer, ó fieis? Turcos abusam de mulheres cristãs. Turcos abusam de crianças cristãs.

“Pensai nos peregrinos da fé que cruzam o mar, obrigados a pagar passagem em todos os portões e igrejas de todas as cidades.

Quão frequentemente esses irmãos no sangue de Cristo passam por humilhações e falsas acusações?

“Aqueles que viajam na pobreza, como são recebidos nesses lugares de nenhuma fé? São vasculhados em busca de moedas escondidas.

“As calosidades em seus joelhos, causadas pelo ato de fé ao Nosso Senhor, são abertas por lâminas. Aos fiéis são dadas bebidas vomitórias para que sejam vasculhadas suas emissões estomacais.

“Após isso são ainda obrigados a sorver excremento liquefeito de bodes e cabras de forma a esvaziar suas entranhas. Se nada for encontrado que satisfaça essas filhos do inferno, ó fieis, escutai.

“Turcos abrem com lâmina da espada as barrigas dos verdadeiros seguidores, de Jesus Cristo em busca de peças de ouro ingeridas e assim escondidas.

“Espalham e retalham entranhas mostrando assim o que a natureza manteria secreto. Tudo a procura de riquezas ou por prazer insano.

“Turcos perfuram os umbigos dos fiéis, amarram suas tripas a estacas e afastam os cristãos, prendendo-os com cordas a outro poste, de forma a que vejam suas próprias entranhas endurecendo ao sol, apodrecendo e sendo consumidas por corvos e vermes.

“Os Turcos perfuram irmãos na fé com setas, fazem dos mais velhos alvos móveis para seus malditos arcos. Queimam os braços e pernas dos mártires até carbonizá-los e soltam cães famintos para os devorar ainda vivos.

“Ó Francos, o que dizer? O que mais deve ser dito?

“A quem, pois, deve ser dirigida a tarefa de vingança tão santa quanto a espada de São Miguel?

“A quem Nosso Senhor poderia confiar tal tarefa senão aos seus mais abençoados e fiéis filhos?

“Ó Francos, vós não sedes habilidosos cavaleiros? Poderosos guerreiros ao serviço da palavra de Deus? Próximos a São Miguel na habilidade de expurgar o mal pela espada?

Clermont-Ferrand, Praça onde o santo Urbano II pregou a Primeira Cruzada“Deem um passo a frente!

“Não mais levantarão as espadas entre si, ceifando vidas e pecando contra o Evangelho. Aproximem-se guerreiros abençoados.

“Os que dentre vocês roubaram tornem-se agora soldados, pois a causa é suprema. Aqueles que cultivam mágoas juntem-se aos seus causadores, pois a irmandade é essencial ao objetivo.

“Aproximem-se os que desejam vida eterna, aproximem-se os que desejam absolvição no sagrado.

“Sabei que Nosso Senhor espera seus filhos em lugar abençoado. Na palavra do Santíssimo seguirão e combaterão, não deixem que obstáculos os parem, creiam na palavra de Deus e nada os deterá.

“Deixai todas as controvérsias para trás! Uni-vos e acreditai!

“Não permitais que posses ou família vos detenham.

“Lembrai-vos das palavras de Nosso Salvador, “Aquele que abandonar sua morada, família, riqueza, títulos, pai ou mãe pelo meu nome, receberá mil vezes mais e herdará a vida eterna”.

“Se os Macabeus dos tempos de outrora conquistaram glória pela sua luta de fé, da mesma forma a chance é ofertada a vós.

“Resgatai a Cruz, o Sangue e a Tumba de Nosso Senhor. Resgatai o Gólgota e santificai o local.

“No passado vós não lutastes vos pondo em risco de perdição?

“Não levantastes aço contra iguais? Orgulho, avareza e ganância não foram vossas diretivas? Por isso vós merecestes a danação, o fogo e a morte perpétua.

“Nosso Senhor em sua infinita sabedoria e bondade oferece aos seus bravos, porém desvirtuados filhos, a chance de redenção. A recompensa do sagrado martírio.

“Ó Francos, ouvi! Deixai a chama sagrada arder nos vossos corações! Sede instrumentos da justiça em nome do Supremo!

“Francos! A Palestina é lugar de leite e mel fluindo, território precioso aos olhos de Deus. Um lugar a ser conquistado e mantido apenas pela fé.

“Nós apelamos às vossas espadas!

“Lutai contra a amaldiçoada raça que avilta a terra sagrada, Jerusalém, fértil acima de todas outras.

“Glorificai as peregrinações para o centro do mundo, consagrai-vos à Paixão de Jesus Cristo!

“Tornai-vos dignos da Redenção pela Sua morte! Glorificai seu túmulo!

“O caminho será longo, a fé no Onipotente torná-lo-á possível e frutífero.

“Não temais Francos! Não temais a tortura, pois nela reside a glória do martírio!

“Não temais a morte, pois nela reside a vida eterna!

“Não temais dor, pois a recebereis com resignação!

“Os anjos apresentarão vossas almas a Deus.

“O Santíssimo será glorificado pelos atos de seus filhos!

“Vede à vossa frente aquele que é a voz de Nosso Senhor! Segui Sua exemplo e palavras eternas!

“Marchai certos da expiação de vossos pecados, na certeza da glória imortal.

“Deixai as legiões de Cristo Rei se atracar com o inimigo!

"Os anjos cantarão vossas vitórias!

“Que os servidores do Evangelho entrem em Jerusalém portando o estandarte de Nosso Senhor e Salvador!

“Que o símbolo da fé seja mostrado em vermelho sobre o imaculado branco, pureza e sofrimento expressados!

“E que sua palavra seja ouvida como retumbante trovão, trazendo medo e luz para os infiéis!

“Que agora o exército do Deus único brade em glória sobre os Seus inimigos!”

A multidão dos cavaleiros convocados de toda a Europa respondeu “Deus vult”, “Deus o quer”!

Esse brado ecoou pela Europa toda. O Islã estava perdido. Jerusalém voltaria em breve a mãos cristãs.

A bem dizer esse brado ressoa até hoje. Pois, ele é um eco sagrado de aquele outro brado que São Miguel Arcanjo lançou no Céu contra a revolta de Satanás: "Quis ut Deus?", "Quem como Deus?!"


A versão que reproduzimos neste post é uma das muitas que foram feitas por testemunhas no momento da pregação pontifícia e retransmitidas, tal vez com traduções ou adaptações, de autor em autor. Conservamos o texto pela sua qualidade linguística.

Entretanto, a versão considerada a melhor se encontra em italiano, no site Documenta Catholica, documento “Popolo Dei Franchi” (Discorso sulla crociata) [27-11-1095]; neste endereço http://www.documentacatholicaomnia.eu/01p/1095-11-27,_SS_Urbanus_II,_Popolo_Dei_Franchi,_IT.doc. Ambas versões não diferem em nada de essencial.


Nós a temos publicada em português no link Bem-aventurado Papa Urbano II: a versão mais completa do Sermão da Cruzada




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segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

1ª Cruzada: o conde de Chartres envia notícias de Antioquia

Sitio de Antioquia
Sitio de Antioquia
A 21 de outubro de 1097 os primeiros contingentes de Cruzados chegaram ante as muralhas de Antioquia.

O cronista Alberto de Aix descreve-os de seguinte maneira:

“Os Cruzados vão em direção às muralhas de Antioquia no meio de esplendor dos escudos dourados, verdes, vermelhos e de outras corres; desfraldam suas bandeiras de ouro e de púrpura; montam os cavalos de guerra e vão revestidos de escudos e capacetes resplandecentes.”

Parece um fragmento de uma canção de gesta e, todavia, é só o relato de um cronista que em geral é muito preciso, o qual simplesmente transmite a sensação que certamente produziu aquele exército de cores resplandecentes, segundo o gosto da época.

A cidade para a qual se dirigem é também digna de uma canção de gesta.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

A batalha de Tentúgal “Tem-te-igual” face à moraima

Igreja Matriz de Tentúgal
Entre a cidade de Coimbra e a Vila de Montemor-o-Velho fica a aldeia de Tentúgal que hoje é uma pequena povoação mas que nos tempos de primeira dinastia era uma posição fortificada bastante importante, defendendo a passagem do Mondego.

Os mouros tinham sido escurraçados até ao Algarve, mas os dois sucessores do conquistador de Silves não foram lutadores como os dois primeiros reis portugueses e eram freqüentes as incursões sarracenas que, vindas da Andaluzia, atravessavam o Guadiana e vinham assolar as terras reconquistadas.

Os portugueses eram senhores dos castelos e quando os mouros faziam os seus fossados, as populações rurais, ainda mozárabes, isto é mistas de católicos e árabes convertidos, refugiavam-se atrás das ameias.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Foulques de Neuilly: de padre relaxado a pregador da Cruzada e taumaturgo

Foulques de Neuilly-sur-Marne: de padre relaxado a pregador da Cruzada e taumaturgo
Foulques de Neuilly-sur-Marne:
de padre relaxado a pregador da Cruzada e taumaturgo

Um exemplo significativo da flexibilidade de espírito dos medievais vem da história de Foulques, vigário de Neuilly-sur-Marne, na França.

Ele, de início, foi um vigário relaxado que vivia como um leigo na ignorância da religião. E na Idade Média havia duas categorias bem definidas de vigários: o relaxado e o não relaxado.

Esse vigário relaxado à certa altura se converteu e se transformou num bom vigário.

Sua ação começou a se difundir em torno de Neuilly-sur-Marne. Depois começou a ser conhecido fora, mas mal visto.

A conversão dele datava de apenas dois anos, quando ele soube que havia uma assembleia geral de abades para tratar das Cruzadas.

Ele vai, se apresenta nessa assembleia e fala aos abades. Os abades se recusam a apoiá-lo.

Então, ele resolve dirigir-se ao povo que se comprimia do lado de fora. Falou com tanta força, com tanta unção, de um modo tão religioso que toda a multidão que o ouvia – velhos, homens, mulheres, nobres, plebeus – resolveu tomar a cruz.

Depois, ele começou a pregar a Cruzada por toda a região.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Refutando mitos nº 6, 7 e 8: a Cruzada das crianças, pedido de perdão de João Paulo II e “justiça” do ódio muçulmano

A "Cruzada" das criancas foi desaprovada pelo Papa
e as criancas tiveram que voltar a casa

continuação do post anterior

Mito nº 6: as Cruzadas foram algo tão vil e degenerado que houve até uma Cruzada das Crianças

A chamada “Cruzada das Crianças” de 1212 nem foi uma Cruzada nem consistiu num exército de crianças.

Foi uma onda de entusiasmo religioso especialmente prolongada na Alemanha que levou alguns jovens – na maior parte adolescentes – a se autoproclamarem Cruzados e começarem a marchar rumo ao Mediterrâneo.

Ao longo do caminho foram recebendo grande apoio popular, e a companhia de não poucos bandoleiros, ladrões e mendigos.

O movimento se desmembrou quando chegou à Itália e terminou quando o mar se recusou a abrir-se para dar-lhes passagem…

O Papa Inocêncio III não convocou essa tal “Cruzada”, pelo contrário: pediu insistentemente para que os não combatentes ficassem em casa e apoiassem o esforço de guerra apenas com jejuns, orações e esmolas.

Nesse episódio, depois de louvar o zelo e a disposição desses jovens que tinham marchado até tão longe, mandou-os de volta para casa.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Refutando mitos nº 4 e 5 as Cruzadas foram colonialismo medieval e combateram os judeus

O Oriente muçulmano: agressivo, poderoso e opulento
O Oriente muçulmano: agressivo, poderoso e opulento

continuação do post anterior

Mito nº 5: as Cruzadas foram colonialismo europeu com ornato religioso

É importante lembrar que, na Idade Média, o Ocidente não era uma cultura poderosa e dominante, que se lançava sobre uma região primitiva ou atrasada.

Era o Oriente muçulmano que era poderoso, próspero e opulento.

A Europa era o terceiro mundo. O Reino Latino de Jerusalém, fundado após a Primeira Cruzada, não era um latifúndio católico incrustado em terras muçulmanas, como depois viriam a ser as terras de plantio em algumas colônias ibéricas ou inglesas na América.

A presença católica nesse Reino sempre foi mínima: menos de um décimo da população.

Católicos eram os governantes, os juízes, alguns mercadores italianos e os membros das ordens militares: o resto, a imensa maioria da população, era de muçulmanos.

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Refutando mito nº 3: os Cruzados encheram as ruas de Jerusalém de sangue até os tornozelos

Sitio de Jerusalém
Sitio de Jerusalém
continuação do post anterior

Esse é o modo preferido de pôr em evidência o caráter malévolo das Cruzadas.

Num discurso em Georgetown, o ex-presidente Bill Clinton disse que esse foi um dos motivos pelos quais agora os Estados Unidos são alvo de terroristas (embora no citado discurso o Sr. Clinton tenha subido o nível do sangue até a altura dos joelhos, para dar mais ênfase).

É certamente verdade que muita gente morreu em Jerusalém após a tomada da cidade pelos Cruzados.

Mas o fato deve ser analisado no seu contexto histórico.

O costume vigente em todas as civilizações pré-modernas, tanto na Europa quanto na Ásia, era que se uma cidade resistisse à captura e fosse tomada pela força, sua posse caberia às forças vitoriosas.

Isso incluía não somente os edifícios e os bens, mas também as pessoas.

Por isso, cada cidade ou fortaleza devia pensar muito bem se podia ou não resistir a um cerco: se não pudesse, o mais prudente era negociar os termos da rendição.

No caso de Jerusalém, seus defensores resistiram até o último instante.

Calcularam que as imponentes muralhas da cidade conteriam os Cruzados até chegarem os reforços do Egito.

Eles erraram: a cidade caiu e consequentemente foi saqueada.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Refutando mito nº 2: os Cruzados queriam pilhar. As intenções boas eram máscara

Os cruzados não queriam reinos no além-mar
Os cruzados não queriam reinos no além-mar

continuação do post anterior

Uma opinião comum entre os historiadores é a de que o aumento da população na Europa originou uma crise, devida ao excesso de “segundos filhos” de nobres, treinados nas artes bélicas de cavalaria, mas sem terras ou feudos onde se estabelecer.

Por esse motivo, as Cruzadas seriam uma válvula de escape, mandando esses homens belicosos para longe da Europa, onde pudessem obter terras para si à custa dos outros.

Os pesquisadores atuais, graças à ajuda de bancos de dados computadorizados, desmontaram esse mito.

Hoje sabemos que os “primeiros filhos” da Europa foram os que responderam ao apelo do Papa em 1095, e também nas Cruzadas seguintes.

Empreender uma Cruzada era uma operação extremamente cara.

Os Senhores tiveram que hipotecar suas terras para angariar os fundos necessários.

Além do mais, não estavam interessados em reinos no além-mar. Como os soldados de hoje, o Cruzado medieval orgulhava se de estar cumprindo o seu dever, mas queria voltar para casa.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Refutando mito nº 1: as Cruzadas foram contra pacíficos muçulmanos que nada fizeram contra o Ocidente

Altar em Gante, cavaleiros de Cristo, Jan van Eyck.
Altar em Gante, cavaleiros de Cristo, Jan van Eyck
continuação do post anterior

Não há nada de mais falso.

Desde os tempos de Maomé, os muçulmanos lançaram-se à conquista do mundo cristão.

E fizeram um ótimo trabalho: após poucos séculos de incessantes conquistas, os exércitos muçulmanos tomaram todo o norte da África, o Oriente Médio, a Ásia Menor e a maior parte da Península Ibérica.

Em outras palavras: ao findar o século XI, as forças islâmicas já haviam capturado dois terços do mundo cristão.

A Palestina, terra de Jesus Cristo; o Egito, berço do monaquismo cristão; a Ásia Menor, onde São Paulo estabeleceu as primeiras comunidades cristãs.

Não conquistaram a periferia da Cristandade, mas o seu núcleo. E os impérios muçulmanos não pararam por aí: continuaram pressionando pelo leste em direção a Constantinopla, até que finalmente a tomaram e invadiram a própria Europa.

Se uma agressão não-provocada existiu, foi a muçulmana. Chegou-se a um ponto em que só restava à Cristandade defender-se ou simplesmente sucumbir à conquista muçulmana.

A Primeira Cruzada foi convocada pelo Papa Urbano II em 1095 para atender aos apelos urgentes do Imperador bizantino de Constantinopla, Aleixo I Comneno (1081-1118).

Urbano convocou os cavaleiros cristãos para irem em socorro dos seus irmãos do Leste.

Foi uma obra de misericórdia: livrar os cristãos do Oriente de seus conquistadores muçulmanos.

Em outras palavras, as Cruzadas foram desde o início uma guerra defensiva.

Toda a história das Cruzadas do Ocidente foi a história de uma resposta à agressão muçulmana.


Thomas F. Madden, Professor de História
e Diretor do Centro de Estudos Medievais
e Renascentistas na Universidade
de Saint Louis, EUA


(Autor: Thomas F. Madden. Fonte: Ignatiusinsight.com)



continua no próximo post





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segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Toda a verdade sobre as Cruzadas. Refutando falsos mitos

O Beato Papa Urbano II prega a I Cruzada
O Beato Papa Urbano II prega a I Cruzada

Muitas pessoas, no Oriente e no Ocidente, consideram as Cruzadas uma mancha negra na História da Civilização Ocidental em geral, e da Igreja Católica em particular.

Citadas por ambas as partes no conflito entre os Estados Unidos e os terroristas árabes, as Cruzadas voltaram aos noticiários, aos filmes e às séries de televisão.

Propalam-se velhos mitos e reacendem-se discussões. Um bom exame da História das Cruzadas é, portanto, indispensável.

O Presidente George W. Bush foi infeliz quando chamou a guerra contra o terrorismo de “Cruzada”, tendo recebido inúmeras críticas por empregar uma palavra que seria tão ferina e ofensiva para com os muçulmanos de todo o mundo.

No entanto, os próprios árabes também fazem uso desse termo. Osama bin Laden e o Mulá Omar com frequência chamaram os norte-americanos de “cruzados”, e qualificaram os atuais conflitos como uma “Cruzada contra o Islã”.

De fato, as Cruzadas estão bem presentes na memória do mundo muçulmano.

segunda-feira, 30 de julho de 2012

"Com que alegria, no tempo das cruzadas, teria partido para combater os hereges"


Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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As Cruzadas foram empreendimentos históricos. Porém, elas nasceram de um ideal que transcende o tempo. Esse ideal palpita ainda hoje nas almas de inúmeros católicos, em pleno III Milênio.

Esse ideal ardeu intensamente na alma dos santos, embora se fale pouco disso. Eis um dos tantos exemplos: Santa Teresinha do Menino Jesus.

Santa Teresinha do Menino Jesus, que desejava passar o Céu fazendo o bem na Terra, não tinha uma alma débil, desprovida de personalidade e força de caráter, que fugia do sofrimento e da luta.

Se assim o fosse, não teria sido elevada às honras dos altares, nem teria sido apresentada ao mundo católico como "uma nova Joana d'Arc" pelo Papa Pio XI (a 18 de maio de 1925).

É muito oportuno e mesmo necessário, pois, considerarmos este aspecto de sua alma, frequentemente esquecido ou falseado em imagens e santinhos, onde ela aparece com a fisionomia impregnada por um adocicamento sentimental e romântico, totalmente inexistente em sua forte e marcante personalidade.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Balduíno IV: o rei-herói em meio a decadência do reino de Jerusalém

Renaud de Chatillon, turbulento e belicoso vassalo
Renaud de Chatillon, turbulento e belicoso vassalo
Luis Dufaur
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continuação do post anterior: Balduíno IV: o santo rei leproso que espantou a Saladino



Nesse momento reapareceu, libertado dos cárceres muçulmanos, o antigo príncipe de Antioquia, Renaud de Châtillon.

Logo recomeçou suas aventuras, assaltando uma importante caravana de peregrinos com destino a Meca.

Esse ato rompia a trégua assinada por Balduíno IV e Saladino e ofendia as convicções religiosas dos muçulmanos, a cujos olhos o atentado afigurava-se monstruoso.

Intimado pelo rei a devolver os prisioneiros e o produto da pilhagem, ele recusou-se com arrogância, tornando assim evidente a incapacidade do doente de se fazer obedecer.

Imediatamente Saladino acorreu do Egito e invadiu a Galiléia, incendiando e devastando as colheitas, capturando rebanhos e semeando pânico por toda parte.

Renaud de Châtillon suplicou ao rei que salvasse seus feudos. Balduíno concedeu, vencendo Saladino em julho de 1182.

Em agosto, o infatigável maometano tentou tomar Beyrouth por uma ação combinada por terra e mar.

Uma vez mais Balduíno afastou o perigo. Impediu Saladino de se apoderar de Alepo e conduziu uma expedição até os subúrbios de Damasco.

Assim, por toda parte, graças à sua energia sobre-humana, e ainda que daí em diante ele se fizesse carregar em liteira para as batalhas, o heróico leproso levava vantagem sobre o genial muçulmano.

Episódios da vida de Balduino IV.
Episódios da vida de Balduíno IV.
BNF, Richelieu Manuscrits Français 2628
Ele começava entretanto a perder a vista, a não poder mais se servir de seus membros. Os que lhe eram mais chegados o pressionavam a abandonar os afazeres do reinado, ou ao menos passar parte de suas responsabilidades a Guy de Lusignan.

Pode-se bem imaginar o drama interior desse rei de 22 anos, corroído por úlceras, semi-paralisado e quase cego, cercado pelas sombras da desconfiança e dos maus pressentimentos, atormentado de um lado pelas insinuações e sugestões pérfidas dos seus, e de outro pela alta ideia que ele fazia de sua missão de rei.

Se a lepra o enfraquecia, se ele não podia ter esperanças de se curar, sempre, entretanto, encontrava novas forças e resistia da melhor forma às ciladas da camarilha.

Como a doença entrasse numa fase evolutiva, ele devia lutar contra ela, e sobretudo contra a tentação de abandonar tudo para morrer em paz.

Foi num desses períodos que ele consentiu, se bem que a contragosto, em investir Guy de Lusignan na regência do reino.

No primeiro encontro com Saladino, Lusignan deixou o exército franco ser massacrado. Recusou com altivez prestar contas a Balduíno IV, que o destituiu de seu cargo. Para evitar que, pela complacência de Sybila, Lusignan se tornasse rei de Jerusalém após sua morte, designou seu sucessor o pequeno Balduíno V, filho de Guilherme “Longue Epée”.

Como a situação da Terra Santa estivesse desesperadora, ele enviou uma embaixada ao Ocidente, composta pelo Patriarca de Jerusalém, pelo Mestre do Hospital e pelo Mestre do Templo, o velho Arnaud de Torrage.

Morte de Balduino IV, o rei, herói e mártir de Jerusalém
Morte de Balduino IV, o rei, herói e mártir de Jerusalém
Renaud de Châtillon, que indiretamente tinha ajudado o rei a se desembaraçar de Lusignan, achou-se autorizado a retomar suas pilhagens, agora na mais alta escala.

 Armou uma frota, que foi transportada ao Mar Vermelho em dorso de camelo. Devastando portos, interceptando comboios, essa frota ameaçou por algum tempo o caminho para Meca.

Saladino, excitado até o cúmulo do furor, destruiu os navios de Renaud e depois sitiou-o em sua própria fortaleza, o Krac de Moab. Balduíno IV reapareceu, agonizando em sua liteira, para lhe fazer frente. Saladino retirou-se.

O último ato de Balduíno IV foi o de reunir em São João d’Acre o parlamento de seus barões. Guy de Lusignan, incapaz e rebelde, foi então oficialmente afastado do trono, e — o que não era senão justiça e sabedoria — a regência foi confiada a Raimundo de Trípoli.

Mais tarde, a 13 de março de 1185, o mártir rendeu sua alma a Deus, em presença se seus vassalos, dignitários e bons companheiros de guerra. Até os infiéis lhe tributaram homenagens.

(Fonte: Georges Bordonove, “Les Templiers”, in “Catolicismo” nº 303)




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