segunda-feira, 29 de junho de 2015

Europa no século XXI: pepineira de soldados da guerra santa do islã !

Três jihadistas franceses conclamam os muçulmanos da França para irem lutar na Síria,
em vídeo de propaganda do Estado Islâmico.



O jornal parisiense Le Figaro calculou que cerca de 1.600 franceses estão engajados nas fileiras da guerra santa islâmica e que mais de 100 deles já foram mortos.

Os mais recentes casos seriam dois adolescentes de 12 e 14 anos, que partiram para o Oriente há dois anos junto com a mãe, originária da região de Toulouse.

A jihad (guerra santa islâmica) em princípio é uma guerra divinamente enlouquecida e sem retorno. Os 100 islamitas que partiram da Franca e perderam a vida na Síria ou no Iraque foram recenseados pelos serviços antiterroristas gauleses.

A taxa de mortalidade dos jihadistas franceses é especialmente alta, talvez pelo fanatismo exibido, como também é alto o número de voluntários de Alá partidos do território francês que estão combatendo: 450 ainda estão lá e 260 teriam voltado para recrutar novos guerreiros.

Mais dois irmãos maiores de idade, originários de Trappes, departamento de Yvelines, na periferia de Paris, perderam recentemente a vida em combate.

segunda-feira, 22 de junho de 2015

Infidelidades dos cruzados põem em risco o reino de Jerusalém

Reynaud de Chatillon cruzado intrépido mas discolo, por imprudência desperdiçou muitas de suas empresas e pôs em risco o reino cristão
Reynaud de Chatillon cruzado intrépido mas discolo,
por imprudência desperdiçou muitas de suas empresas
e pôs em risco o reino cristão



Mas, enquanto de um lado impeliam seus inimigos para além do deserto, novos perigos ameaçavam-nos do lado da Síria. Nur al-din, à força de lisonjas e de promessas, se tornara senhor de Damasco e essa cidade fazia-o temível a todos os povos das vizinhanças.

Entretanto (ano 1154) as colônias cristãs ficaram por algum tempo num estado de inação que parecia paz.

O único acontecimento notável dessa época, foi a expedição de Renaud de Chatillon, Príncipe de Antioquia, à ilha de Chipre.

Renaud e seus cavaleiros precipitaram-se de improviso sobre uma população pacífica e desarmada.

Aqueles guerreiros bárbaros, não respeitavam as leis, nem da religião, nem da humanidade e saquearam as cidades, os mosteiros e as igrejas, e voltaram a Antioquia carregados de despojos de um povo cristão.

Renaud tinha empreendido essa guerra ímpia, para se vingar do imperador grego, que ele acusava de não ter mantido suas promessas.

Ao mesmo tempo, no ano 1156, o Rei de Jerusalém fez uma excursão que não feria menos as leis da justiça.

Algumas tribos árabes tinham obtido dele e de seus predecessores a faculdade de dar pastagem a seus rebanhos na floresta de Panéias. Há muitos anos eles viviam em perfeita segurança, confiando na fé dos tratados.

De repente Balduino e seus cavaleiros apareceram de espada na mão, atacando aqueles pastores desarmados; massacraram os que resistiram, dispersaram os demais e voltaram a Jerusalém com os rebanhos e os despojos dos árabes.

segunda-feira, 15 de junho de 2015

Cruzados quase perdem a cidade de Ascalon
que praticamente tinham conquistado

Mapa político do Próximo Oriente em 1135 com os estados cruzados
Mapa político do Próximo Oriente em 1135 com os estados cruzados



Os latinos, muitas vezes dirigiram seus exércitos contra Ascalon, o baluarte mais firme do Egito, do lado da Síria.

O rei Balduino III, seguido por seus cavaleiros, se havia dirigido àquele lugar, com a intenção de devastar seu território. A aproximação dos cristãos suscitou o terror entre os habitantes, o que inspirou ao rei de Jerusalém a determinação de sitiar a cidade.

Mandou imediatamente mensageiros a todas as cidades cristãs, comunicando sua empresa, inspirada por Deus e rogando aos guerreiros que se reunissem ao exército.

Barões e cavaleiros acorreram imediatamente; os prelados e os bispos da Judéia e da Fenícia, vieram também tomar parte na santa expedição; o patriarca de Jerusalém ia-lhes à frente, levando a verdadeira cruz de Jesus Cristo.

A cidade de Ascalon erguia-se em círculo à beira-mar e tinha do lado da terra, muralhas e torres inexpugnáveis; todos os habitantes estavam exercitados na arte da guerra, e o Egito, que tinha grande interesse na conservação daquela praça, para lá mandava quatro vezes por ano, víveres, armas e soldados.

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Jihad vs Cruzadas: quem agrediu primeiro, mais e pior?

Bill Warner, diretor do Centro para o Estudo do Islã Político
Bill Warner, diretor do Centro para o Estudo do Islã Político.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs




Bill Warner, diretor do Centro para o Estudo do Islã Político, teve uma ideia muito valiosa. Ele observou que:
“sempre que você está lidando com um apologista do Islã, ou até mesmo com um muçulmano, e você fala da jihad (ou guerra santa islâmica), ele quase imediatamente dispara: ‘Mas, e essas terríveis cruzadas?’”.

Bill explicou que eles justificam moralmente a guerra santa se ela for contra o Ocidente cristão. Porém, eles se dizem contra as cruzadas, essa guerra santa promovida e aprovada por Papas, Santos e Doutores da Igreja.

Enquanto os muçulmanos não se envergonham de sua aberrante contradição, no mundo cristão parece haver vergonha de falar das santas e heroicas empresas feitas sob o signo da Cruz.

Bill enfrentou o problema pelo lado dos fatos. Ele criou um banco de dados de 548 batalhas provocadas pelo Islã contra a civilização cristã. E não foram todas: faltam combates provocados pelo islamismo invasor na África, na Índia, no Afeganistão e outros locais.

Com esses dados ele montou um mapa dinâmico e o postou em http://politicalislam.com/jihad-vs-crusades/. Apresentamos uma tradução dos excertos mais relevantes, o quer dizer de quase tudo:

segunda-feira, 11 de maio de 2015

Fanatismo, desordem, crimes, vícios e imoralidade
atolavam o mundo islâmico

Guerras intestinas e revoltas sanguinárias fazem parte do quotidiano islâmico
Guerras intestinas e revoltas sanguinárias fazem parte do quotidiano islâmico




A cada época memorável, vemos aparecerem homens cujas qualidades os elevam acima do vulgar e que diferem entre si pelo gênio, pelas paixões ou virtudes.

Esses homens extraordinários, como as figuras que animam as produções dos grandes pintores, imprimem seu caráter em tudo o que os rodeia e o brilho que difundem em redor de si, o interesse que fazem nascer por suas ações e sentimentos, nos ajudarão muitas vezes a colorir e a variar as narrações e as cenas desta história.

Os que estudaram os costumes e os anais do Oriente, puderam notar que a religião de Maomé, embora seja toda guerreira, não dava aos seus discípulos aquela bravura persistente, aquela perseverança nos revezes, aquele devotamento sem limites de que os cruzados deram tantos exemplos.

O fanatismo dos muçulmanos tinha necessidade de resultados felizes para conservar a força.

Formados à ideia de um fanatismo cego, eles estavam habituados a considerar o sucesso ou o revés como uma determinação do céu; vitoriosos, mostravam-se cheios de confiança e de ardor; vencidos, deixavam-se abater e cediam sem enrubescer a um inimigo que consideravam como instrumento do destino.

O desejo de conquistar fama raramente excitava-lhes a coragem; e, mesmo no auge de seu furor belicoso, o temor dos castigos os detinha no campo de batalha muito mais que a paixão da glória.

segunda-feira, 20 de abril de 2015

Recomeçam as Cruzadas?



Nos últimos dois anos, cristãos idealistas do Ocidente têm-se alistado voluntariamente nas milícias cristãs que combatem contra o Estado Islâmico no Iraque e na Síria.

Eles mencionam a frustração que lhes causam os governos ocidentais, que nada fazem de eficaz para combater os islamitas ultra-radicais ou prevenir o sofrimento de inocentes cruelmente massacrados.

A crítica bem pode estar se estendendo aos líderes eclesiásticos que, embora falando em nome de Cristo, pregam um ecumenismo e um diálogo imprudente, a ponto de dizer que não se deve combater os bandos islâmicos.

Multiplica-se o número de novos livros produzidos por importantes professores universitários nos EUA, desfazendo as falsas acusações contra as Cruzadas. Eles restabelecem sisuda e devidamente, no lugar de honra que lhes é próprio, essas grandes iniciativas da Igreja e da Cristandade.

A agência Reuters entrevistou um veterano do exército norte-americano que regressou recentemente ao Iraque, para se juntar à milícia cristã que luta contra o Estado Islâmico.

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Os mitos anticatólicos sobre as Cruzadas
não resistem à crítica histórica – 2

Os húsares poloneses de Jan Sobieski cobertos de glória na salvação de Viena usavam uma espécie de asas que imitavam os anjos
Os húsares poloneses de Jan Sobieski cobertos de glória na salvação de Viena
usavam uma espécie de asas que imitavam os anjos


Continuação do post anterior: Os mitos anticatólicos sobre as Cruzadas não resistem à crítica histórica – 1




Segundo mito: “os cristãos ocidentais foram às cruzadas porque sua avareza os motivou a saquear os muçulmanos para ficarem ricos”

“Novamente –explica– não é verdade”.

Alguns historiadores como Fred Cazel explicam que “poucos cruzados tinham suficiente dinheiro para pagar suas obrigações em casa e manter-se decentemente nas cruzadas”.

Desde o começo mesmo, recorda o Dr. Paul F. Crawford, “as considerações financeiras foram importantes no planejamento da cruzada. Os primeiros cruzados venderam muitas de suas posses para financiar suas expedições que geraram uma estendida inflação”.

“Embora os seguintes cruzados levaram esta consideração em conta e começaram a economizar muito antes de embarcar nesta empresa, o gasto seguia estando muito perto do proibitivo”, acrescenta.

Depois de recordar que o que alguns estimavam que as Cruzadas iam custar era “uma meta impossível de ser alcançada”, o historiador assinala que “muito poucos se enriqueceram com as cruzadas, e seus números foram diminuídos sobremaneira pelos que empobreceram. Muitos na idade Média eram muito conscientes disso e não consideraram as cruzadas como uma maneira de melhorar sua situação financeira”.

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Os mitos anticatólicos sobre as Cruzadas
não resistem à crítica histórica – 1

São Bernardo de Claraval, grande propagador da devoção a Nossa Senhora,  foi incansável pregador das Cruzadas. Vicente Berdus Osorio (1671-1673)
São Bernardo de Claraval, grande propagador da devoção a Nossa Senhora,
foi incansável pregador das Cruzadas. Vicente Berdus Osorio (1671-1673)




O historiador Dr. Paul F. Crawford do Departamento de História e Ciências Políticas da Universidade de Pensilvânia (Estados Unidos), é outro dos especialistas que desmentiram os falsos mitos anticatólicos sobre as Cruzadas.

Seu trabalho apareceu originalmente na edição de primavera da 2011 da Intercollegiate Review, sob o título “Four Myths about the Crusades”, e foi divulgado, entre outros por ACIDigital.

Ele denunciou que com frequência “as cruzada são mostradas como um episódio deploravelmente violento no qual libertinos ocidentais, que não tinham sido provocados, assassinavam e roubavam muçulmanos sofisticados e amantes da paz, deixando padrões de opressão escandalosa que se repetiriam na história subsequente”.

“Em muitos lugares da civilização ocidental atual, esta perspectiva é muito comum e demasiado óbvia para ser rebatida”, prossegue.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Obama é criticado por historiadores por comparar as Cruzadas com o Estado Islâmico




WASHINGTON DC, 10 Fev. 15 (ACI) – “Não acredito que o presidente saiba muito sobre as cruzadas”, expressou o historiador da Universidade de San Louis (Estados Unidos) Thomas Madden, ao referir-se às declarações de Barack Obama no tradicional Café da Manhã Nacional de Oração, onde comparou as cruzadas com as atrocidades cometidas pelo Estado Islâmico (ISIS) contra cristãos crianças e adultos que são decapitados, crucificados ou vendidos como escravos no Iraque e na Síria.


segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

A conquista de Arsur e Cesaréia

Cruz do Reino Latino de Jerusalém.
Cruz do Reino Latino de Jerusalém.


Esta aparição do fogo sagrado era um bom augúrio para a expedição que se preparava. Depois das festas de Páscoa, os genoveses regressaram aos navios.

Por seu lado, Balduino reuniu os guerreiros. Foram em seguida sitiar Arsur; os habitantes propuseram abandonar a cidade e se retirar com suas riquezas. A capitulação foi aceita.

Os cristãos foram em seguida sitiar Cesaréia, cidade florescente e habitada por ricos comerciantes. Caffaro, historiador genovês, presente a essa expedição, nos dá a conhecer as singulares tentativas que precederam o ataque dos cruzados.

Os embaixadores da cidade dirigiram-se ao patriarca e aos chefes do exército:

“Vós que sois doutores da lei cristã, disseram, porque ordenais aos vossos soldados que nos assaltem e nos matem? Nós não vos queremos assaltar, respondeu o patriarca, mas essa cidade não vos pertence; não vos queremos também matar, mas a vingança divina nos escolheu para punir os que se armaram contra a lei do Senhor”.

Depois desta resposta, que não podia trazer a paz, os infiéis só pensaram em se defender. Resistiram com alguma coragem aos primeiros assaltos, mas, como não estavam acostumados aos perigos e às fadigas da guerra, seu ardor logo começou a declinar e depois de duas semanas de cerco, suas torres e suas muralhas foram ficando desertas, sem combatentes e defensores.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Islâmicos prometem invadir Roma
e escravizar os católicos

Luis Dufaur


A revista do terrorista Estado Islâmico escolheu como capa uma montagem fotográfica na qual aparece uma bandeira negra maometana ondeando sobre o obelisco da Praça de São Pedro. A capa foi reproduzida no site italiano “Tempi”.

O objetivo declarado é comemorar “a cruzada fracassada”, uma referência à coalizão dos países ocidentais liderada pelos EUA na Síria e no Iraque.

A publicação com ares de bravata é reveladora da mentalidade dos “guerreiros santos” ou jihadistas reunidos no Oriente Médio. De momento eles resistem com grandes perdas, entrincheirados na cidade de Kobane, no norte da Síria. Eles são reforçados por centenas de voluntários vindos da Europa e dos EUA.

Por que eles provocam assim o Vaticano, promotor do ecumenismo com o Corão e hoje aparentemente mais restritivo em face dos EUA do que dos furiosos crimes de massa fundamentalistas anticristãos do Estado Islâmico?

É que os fanáticos seguidores ao pé da letra do Alcorão não se esquecem do tempo em que os Papas pregavam em nome de Jesus Cristo Cruzadas cheias de fé contra aqueles que o Papa Bento XIV qualificou de “os piores entre os celerados”.

Eles não esquecem os memoráveis episódios em que heróis como São Luís IX, Godofredo de Bouillon, Ricardo Coração de Leão ou Balduíno IV patentearam a divindade da Cruz por cima dos embustes diabólicos de Maomé.

E hoje querem se vingar, vingança cruel e sem medida. Por isso, massacram sadicamente cristãos e dissidentes no Oriente Médio, enquanto sonham em fazer o mesmo na própria capital da Igreja Católica.

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Coroação de Balduino I

Ao seu regresso, Balduino quis ser coroado rei e reconciliou-se com Daimbert. A cerimônia teve lugar em Belém, no dia do Natal do Salvador. O novo rei recebeu a unção e a coroa real das mãos do patriarca.

Não se opôs ao Rei Balduino o exemplo de Godofredo, que depois de sua eleição, não quis ser coroado. Uma triste experiência tinha feito nascer graves pensamentos; a realeza dos peregrinos, essa realeza do exílio, não era mais, aos olhos dos cristãos, uma glória, nem uma felicidade deste mundo, mas uma obra piedosa e santa, uma obra de resignação e de devotamente, uma missão cheia de perigos, de miséria e de sacrifícios.

Num reino cercado de inimigos, no meio de um povo lançado como por uma tempestade a um país estrangeiro, um rei não devia usar uma coroa de ouro, como os outros reis da terra, mas uma coroa em tudo semelhante à de Jesus Cristo.

O primeiro cuidado de Balduino depois da coroação foi administrar a justiça aos seus súditos e pôr em vigor as leis de Jerusalém. Tinha sua corte e seu conselho, no meio de todos os grandes, no palácio de Salomão.

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Primeiros feitos de Balduino I

Balduino I na batalha de Jaffa, ano 1102. Henri Auguste Calixte César Serrur (1794-1865), Musée de Versailles
Balduino I na batalha de Jaffa, ano 1102.
Henri Auguste César Serrur (1794-1865), Museu de Versailles
Balduino estava impaciente por fazer brilhar seu reinado com algum empreendimento glorioso. Ficou uma semana em Jerusalém, para tomar posse do governo; em seguida reuniu os cavaleiros e essa tropa de elite for procurar inimigos para combater ou terras para conquistar.

Dirigiram-se por primeiro a Ascalon; mas a praça parecia disposta a se defender fortemente e os cristãos não puderam sitiá-la. Balduino rumou então para as montanhas da Judéia.

Os habitantes dessa região tinham muitas vezes maltratado e despojado os peregrinos de Jerusalém e temendo a presença dos guerreiros cristãos, se haviam todos escondido nas cavernas.

Para obriga-los a sair de seus refúgios, empregaram a astúcia. Vários chefes, aos quais prometidos foram muitos tesouros, vieram apresentar-se a Balduino, que os mandou decapitar.

Depois acenderam à entrada dos subterrâneos grandes fogueiras com ervas secas e logo uma multidão deles impelida pela fumaça e pelo fogo, veio implorar misericórdia dos soldados da cruz.

Balduino e seus companheiros prosseguiram seu caminho para o país de Hebron, desceram ao vale onde estavam outrora Sodoma e Gomorra, e que as águas salgadas do lago Asfalite recobrem agora.

Foulcher, que acompanhava essa expedição, descreve longamente o Mar Morto e seus fenômenos.

“A água é de tal modo salgada, diz-nos ele, que nem quadrúpedes, nem pássaros dela podem beber; eu mesmo, acrescenta o capelão de Balduino, a experimentei; descendo de minha cavalgadura à beira do lago, provei a água que achei amarga como heléboro.”

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Balduino I eleito rei de Jerusalém

Balduíno I,  rei de Jerusalém.
Balduíno I,  rei de Jerusalém.
Luis Dufaur


No ano de 1100, foi ao regresso da expedição [contra o emir Danisman], que ele recebeu os enviados de Jerusalém.

Estes, depois de lhe terem comunicado a morte de Godofredo, disseram-lhe que o povo cristão, o clero e os cavaleiros da cruz o tinham escolhido para reinar na cidade santa.

Balduino chorou ante a notícia da morte de seu irmão, mas consolou-se logo, ao pensamento de substitui-lo.

Cedeu o condado de Edessa ao primo Balduino de Bourg e sem perda de tempo, tomou o caminho de Jerusalém. Setecentos homens de armas, de infantaria, formavam seu pequeno exército.

A maior parte dos países que ele ia atravessar era ocupada por muçulmanos. Os emites de Damasco e de Emesa, avisados pelas notícias e talvez também por delatores, vieram esperá-los nas passagens difíceis que margeiam o mar da Fenícia.

Foulcher de Chartres, que acompanhava Balduino, descreve com singela simplicidade a situação perigosa dos cristãos nos desfiladeiros de Beirute, na embocadura do Lico; precisavam atravessar um vale estreito e profundo, dominado ao norte e ao sul por massas de rochedos; toda a praia estava coberta de muçulmanos.

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

A morte do herói que conquistou Jerusalém

Morte de Godofredo de Bouillon. Museu de Versailles, Salle des croisades.
Morte de Godofredo de Bouillon. Museu de Versailles, Salle des croisades.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs









Godofredo foi várias vezes em auxílio de Tancredo, que estava em guerra com os emires da Galileia.

O rei de Jerusalém levou suas armas vitoriosas além do Líbano, até os muros de Damasco; ele fez ao mesmo tempo várias outras incursões na Arábia, de onde voltava sempre com um grande número de escravos, cavalos e camelos.

Sua fama estendia-se cada vez mais: comparavam-no a Judas Macabeu pelo valor, a Sansão pela força de seu braço e a Salomão pela sabedoria de seus conselhos.

Os francos que haviam ficado com ele abençoavam seu reinado e sob sua dominação paterna, eles esqueciam até sua antiga pátria; os sírios, os gregos, os muçulmanos mesmo, estavam persuadidos de que com tão bom príncipe o poder cristão, no Oriente, não podia deixar de se firmar.

Mas Deus não permitiu que Godofredo vivesse bastante para terminar o que tinha tão gloriosamente começado.

No mês de junho de 1100, ele voltava de uma expedição além do Jordão; seguia a orla marítima e se dirigia a Jaffa, quando caiu doente.

O emir de Cesareia veio ao seu encontro e apresentou-lhe frutos da estação; Godofredo só pôde aceitar uma maçã de cedro. Chegando a Jaffa não tinha mais força para ficar a cavalo.

“Quatro de seus parentes o assistiam, diz uma crônica contemporânea: uns tratavam-lhe os pés, outros aqueciam-no, outros faziam-no encostar a cabeça ao seu peito, outros choravam e lamentavam-se temendo perder esse príncipe ilustre, num exílio longínquo.”

Um grande número de peregrinos de Veneza, com seu doge e seu bispo, havia acabado de chegar ao porto de Jaffa: ofereceram sua frota para ajudar os cristãos da Palestina a conquistar algumas cidades marítimas.

Godofredo de Bouillon, estátua em Bouillon, Bélgica. Na mão a inscrição: Dieu le veut! (Deus o quer!)
Godofredo de Bouillon, estátua em Bouillon, Bélgica.
Na mão a inscrição: Dieu le veut! (Deus o quer!)
Nas primeiras reuniões, falaram de sitiar Caifás, construída ao pé do Carmelo.

Godofredo ocupou-se ele mesmo com os preparativos do cerco e prometeu estar lá; mas sua doença aumentava cada vez mais e ele foi obrigado a se fazer levar em liteira a Jerusalém.

Todo o povo chorava à sua passagem e corria às igrejas para pedir a Deus a sua cura. Godofredo ficou enfermo durante cinco semanas.

Embora consumido pelo sofrimento, ele admitia junto de si, a todos os que lhe queriam falar dos interesses da terra santa; soube no seu leito de dor da queda de Caifás; foi sua última vitória, sua última alegria nesta vida.

Como a doença era cada vez mais grave e não deixava esperanças, o generoso atleta de Cristo confessou seus pecados, recebeu a comunhão e revestido do escudo espiritual, (são expressões das crônicas do tempo) foi arrebatado à luz deste mundo.

Godofredo exalou seu último suspiro a 17 de julho do ano 1100, um ano depois da tomada de Jerusalém.

Alguns historiadores deram-lhe o título de rei, outros o chamaram de duque cristianíssimo.

No reino que tinha fundado, ele era frequentemente proposto como modelo aos príncipes e aos guerreiros, seu nome lembra ainda hoje as virtudes de tempos heroicos e deve viver entre os homens tanto quanto a lembrança das cruzadas.

Foi sepultado ao pé do Calvário. Seu túmulo e o de seu irmão Balduino foram durante vários séculos um dos ornamentos do santo templo.

Mas, na geração presente esse precioso monumento das guerras sagradas desapareceu pela inveja dos gregos e dos armênios.

Quando em 1830 eu pedi para ver esses dois túmulos, só me mostraram um muro espesso, de tijolos de que estavam recobertos e que os ocultavam à vista dos viajantes e dos peregrinos.

(Autor: Joseph-François Michaud, “História das Cruzadas”, vol. II, Editora das Américas, São Paulo, 1956. Tradução brasileira do Pe. Vicente Pedroso, páginas 90 ss).


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segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Bento XIV: “muçulmanos, os piores entre os celerados”

S.S. Bento XIV.
Pierre Hubert Subleyras (1699-1749) Palácio de Versailles
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs




Carta do Papa Bento XIV de louvor  à Ordem Militar Hospitalar de São João de Jerusalém, conhecida também como Ordem de Malta, por sua heroica defesa da Cristandade ameaçada pelas forças muçulmanas


“A Ordem Hierosolimitana tem um lugar de escol entre as Ordens militares que, com satisfação Nossa, sustentam a Religião Católica e a defendem corajosamente contra seus inimigos.

Para glória de Cristo, esta Ordem move o mais duro combate contra os muçulmanos, os piores entre os celerados.

Brasão da Ordem de Malta
Com todas as suas forças, ela protege sem descanso as fronteiras da Cristandade contra as incursões deles.

“Para nela ser admitido como soldado, é preciso fazer prova de nobreza; mas também, a fim de poder combater mais facilmente e ser mais livre e mais apto para os trabalhos que se preveem, é necessário renunciar às facilidades da vida doméstica e fazer voto de castidade.

“Eis por que Nós, elevado pela graça de Deus à Sé suprema de São Pedro, desejando dar um testemunho da benevolência pontifícia a esta Ordem ilustre, que tanto mereceu já da Igreja e da Santa Sé, decidimos conceder-lhe importantes privilégios e socorrê-la em suas necessidades atuais”.



segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Godofredo de Bouillon, fundador do Reino Latino de Jerusalém

Godofredo de Bouillon. Fundo: Puerta de Damasco em Jerusalém.
Godofredo de Bouillon. Fundo: Porta de Damasco em Jerusalém.

Quando Godofredo voltou a Jerusalém, soube que Balduino, conde de Edessa e Boemundo, príncipe de Antioquia, estavam em viagem para visitar os santos lugares.

Lembremo-nos de que esses dois chefes da primeira cruzada não tinham seguido seus irmãos de armas para a conquista da cidade santa.

Eles vinham a Jerusalém acompanhados de um grande número de cavaleiros e de soldados da cruz, que haviam ficado como eles para a defesa do país conquistado e se mostravam impacientes por terminar a peregrinação.

A esses ilustres guerreiros uniu-se uma multidão de cristãos, vindos da Itália e de várias regiões do Ocidente. Essa piedosa caravana que contava vinte e cinco mil peregrinos, muito teve que sofrer nas costas da Fenícia.

Mas quando viram Jerusalém, diz Foulcher de Chartres, que acompanhava Balduino, conde de Edessa, todas as misérias que tinham sofrido foram esquecidas.

A história contemporânea diz que Godofredo “muito contente por receber seu irmão Balduino, homenageou magnificamente os príncipes durante lodo o inverno”.

Daimbert, arcebispo de Pisa, tinha chegado com Balduino, conde de Edessa e Boemundo, príncipe de Antioquia; à força de presentes e de promessas, fez-se nomear patriarca de Jerusalém, no lugar de Arnould de Rohes.

Esse prelado, educado à escola de Gregório VII, sustentava com ardor as pretensões da Santa Sé.

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Fama e virtudes de Godofredo de Bouillon

Godofredo de Bouillon recebe os emires em sua tenda. Gustave Doré (1832 — 1883)
Godofredo de Bouillon recebe os emires em sua tenda.
Gustave Doré (1832 — 1883)

Durante o mesmo cerco [de Arsur], vários emires vieram das montanhas de Naplusa e da Samaria, cumprimentar Godofredo e oferecer-lhe presentes, como figos e uvas, secos ao sol.

O rei de Jerusalém estava sentado por terra, sobre um saco de palha, sem aparato, nem guardas.

Os emires demonstraram sua surpresa e perguntaram como um tão grande príncipe, cujas armas tinham abalado o Oriente estava humildemente por terra, não tendo nem mesmo um travesseiro de seda, nem um tapete de damasco.

“A terra de onde temos nossa origem e que deve ser nossa última morada, depois da morte, respondeu Godofredo, nos não poderá servir de trono durante a vida?”

Esta resposta que parecia ter sido ditada pelo mesmo gênio dos orientais, não pôde deixar de impressionar vivamente os emires.

Cheios de admiração por tudo o que tinham visto e ouvido, deixaram Godofredo desejando sua amizade; em Samaria muito se admiraram de que ele mostrasse tanta simplicidade e sabedoria, entre os homens do Ocidente.

Ao mesmo tempo, narrava-se muitas maravilhas, sobre a força de Godofredo: haviam-no visto, com um só golpe de espada, cortar a cabeça de um dos maiores camelos.

Um emir poderoso, entre os árabes, quis julgar o fato, ele mesmo e veio pedir ao príncipe cristão, que renovasse na sua presença, o prodígio.

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Estado da Terra Santa após a conquista de Jerusalém

Godofredo de Bouillon é escolhido para rei de Jerusalém. Federico de Madrazo y Kuntz (1815 – 1894), 1838.
Godofredo de Bouillon é escolhido para rei de Jerusalém.
Federico de Madrazo y Kuntz (1815 – 1894), 1838.
No estado em que se achava a Judéia, se seu território tivesse sido submetido inteiro às leis de Godofredo, o novo rei teria podido rivalizar em poder com a maior parte dos príncipes muçulmanos da Ásia.

Mas o reino nascente de Jerusalém era formado somente pela capital e por uma vintena de cidades ou aldeias da vizinhança.

Várias daquelas cidades estavam separadas umas das outras pelas praças que os infiéis ainda ocupavam. Uma fortaleza em poder dos cristãos estava perto de uma fortaleza onde se balouçavam os estandartes de Maomé.

Nos campos habitavam os turcos bem como árabes e egípcios, que se reuniam para fazer guerra aos súditos de Godofredo.

Estes eram ameaçados, até mesmo nas cidades, quase sempre mal defendidas e estavam sempre expostos a todas as violências da guerra.

As terras continuavam incultas, todas as comunicações estavam interrompidas.

No meio de tantos perigos, muitos latinos abandonavam as propriedades que a vitória lhes havia dado, e para que o país conquistado não ficasse sem habitantes, principalmente no momento do perigo, foram obrigados a fortalecer o amor da nova pátria com o interesse da propriedade.

Todos os que tinham morado um ano e um dia numa mesma casa e numa terra cultivada, deviam ser reconhecidos como seus legítimos possuidores; todos os direitos de posse ficavam aniquilados por uma ausência da mesma duração.

O primeiro cuidado de Godofredo foi reprimir as hostilidades dos muçulmanos e de aumentar a extensão do reino, cuja defesa lhe havia sido confiada.

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Florescimento da cultura, das artes e do Direito; correção dos costumes
Benefícios das Cruzadas – 3

Suavização das relações sociais. Der Burggraf von Regensburg, Codex Manesse
Suavização das relações sociais.
Der Burggraf von Regensburg, Codex Manesse



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Antes da primeira cruzada, a ciência da legislação, que é a primeira e a mais importante de todas, tinha feito pequeno progresso.

Algumas cidades da Itália e as províncias próximas dos Pireneus, onde os godos tinham feito florescer as leis romanas, viam, sozinhos, renascer alguns vislumbres de suas civilizações.

Entre os decretos e as determinações que Gastão de Béarn tinha reunido, antes de partir para a cruzada, encontramos disposições que merecem ser conservadas pela história, porque nos apresentam os frágeis começos de uma legislação, que o tempo e felizes circunstâncias deviam aperfeiçoar.
“A paz, diz esse legislador, do século XI, será mantida em todos os tempos pelos clérigos, monges viajantes, senhoras e por seus sucessores.

“– Se alguém se refugiar junto de uma senhora, terá segurança, à sua pessoa, pagando a multa.

“– Que a paz esteja com o rústico; que seus bois e seus instrumentos de lavoura não possam ser arrebatados”.

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Salvação da civilização e aproximação do Ocidente e do Oriente
Benefícios das Cruzadas – 2

Sítio de Jerusalém. Biblioteca Nacional da França, Français 10, fol 412v.
Sítio de Jerusalém. Biblioteca Nacional da França, Français 10, fol 412v.

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Nós dissemos várias vezes e tivemos ocasião de notar como frequentemente os homens que passam à posteridade por terem dominado seu século, são os que por primeiro, se deixaram dominar, eles mesmos, e dele se mostraram seus mais apaixonados intérpretes.

Um dos resultados dessa cruzada foi levar o espanto e o terror para o seio das nações muçulmanas e colocá-las, por muito tempo na impossibilidade de tentar algum empreendimento contra o Ocidente.

Graças às vitórias dos cruzados, o império grego recuou seus limites e Constantinopla, que era o caminho do Ocidente para os muçulmanos, ficou a salvo de seu ataque.

Nessa expedição longínqua, a Europa perdeu a fina flor de sua população; mas não foi como a Ásia, o teatro de uma guerra sangrenta e desastrosa, de uma guerra na qual nada era respeitado, onde as cidades e as províncias eram ora devastadas pelos vencedores ora pelos vencidos.

Enquanto os guerreiros vindos da Europa derramavam seu sangue nos países do Oriente, o Ocidente vivia em profunda paz.

Entre os povos cristãos, considerava-se então um crime, usar armas por outro motivo, que não por Jesus Cristo.

Essa opinião contribuiu muito para acabar com o banditismo e para fazer respeitar a trégua de Deus, que foi, na Idade Média, o germe ou o sinal de melhores instituições.

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Salutares benefícios das Cruzadas para a paz e para a ordem
Benefícios das Cruzadas – 1

Cruzados na tomada de Jerusalem.
Cruzados na tomada de Jerusalem.
Reproduziremos a continuação alguns excertos da renomeada “História das Cruzadas” de Joseph-François Michaud (1767—1839). Ele foi membro da Academia Francesa de
Túmulo de J.F. Michaud
Cemitério de Passy, Paris
Letras e da Academia da Saboia, jornalista e político de intensa vida, e autor de obras célebres, como a história das Cruzadas que citamos:

Detenhamo-nos uns instantes ante o espetáculo que se acaba de realizar e que tivemos sob nossas vistas, no qual vemos duas religiões disputar o mundo com as armas na mão; voltemos atrás nossos olhos e vejamos o que aquela grande revolução das guerras santas produziu para as gerações contemporâneas e o que ela devia deixar depois de si, para os povos do Ocidente.

Muitas vezes repetimos, falando desta primeira guerra santa, onde o Oriente viu um exército de seiscentos mil cruzados, que Alexandre, tinha conquistado a Ásia com trinta mil homens.

Sem repetirmos o que já foi dito, limitar-nos-emos a fazer observar que os gregos de Alexandre, em sua invasão do Oriente, só tinham que combater contra os persas, nação efeminada e que a Grécia desprezava, enquanto que os cruzados tiveram que combater contra uma multidão de povos desconhecidos e que, chegando à Ásia tiveram que se haver com várias nações de conquistadores.

segunda-feira, 26 de maio de 2014

O sítio de Famagusta e o capitão Bragadino

Mapa da cidade de Famagusta em 1568
Mapa da cidade de Famagusta em 1568

Em meados de 1570, Famagusta, na ilha de Chipre, foi sitiada pelos turcos (mapa ao lado). Em setembro desse ano, tropas venezianas entraram na cidade para auxiliar na defesa.

Sabiam que poderiam resistir algum tempo, mas confiavam nos reforços dos cristãos, que nunca chegaram.

A queda de Famagusta é uma página épica, destacando-se entre todos a figura do capitão chefe Marco Antônio Bragadino.

Este sítio foi relatado pelo único oficial milagrosamente sobrevivente ao massacre: Nestor Martinego.

Na cidade todos lutaram, e em todos os campos: elevando fortificações, atirando com armas de fogo ou outras improvisadas, cavando trincheiras.