terça-feira, 11 de outubro de 2022

Pio II: Papa que pregou as Cruzadas até morrer

Pio II. Bernardino di Betto, 'Pinturicchio' (1454–1513)
Pio II. Bernardino di Betto, 'Pinturicchio' (1454–1513)
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs




"Ah, se estivessem agora aqui Godofredo, Balduino, Eustáquio, Hugo, Boemundo e Tancredo, e aqueles outros esforçados varões que um dia reconquistaram Jerusalém, penetrando com suas armas por entre os exércitos inimigos!

"Verdadeiramente, não nos teriam deixado pronunciar tantas palavras, mas se teriam levantado, exclamando com voz fervorosa, como outrora em presença de Urbano II, nosso predecessor: ‘Deus o quer! Deus o quer!’.

"Mas vós aguardastes em silêncio o fim do discurso, e nossas exortações não parecem ter-vos movido. ...

"Se o acreditais convenientemente, não recusaremos consagrar nosso corpo enfermo e nosso ânimo fatigado a Cristo Nosso Senhor para esta venturosa expedição.

"Por entre os acampamentos, por entre as fileiras de soldados, em meio dos mesmos inimigos, queremos fazer-nos levar alegremente em uma liteira, se assim nos aconselhais, e não nos limitaremos a andar com o espírito apoucado à caça de bonitas frases".

Estas palavras, proferidas por Pio II em 1459, ao pregar a cruzada em Mântua, resumem todo o pontificado desse Papa que, segundo Pastor e outros autores, centrou-se inteiramente na idéia da guerra aos turcos infiéis.

Pio II subiu ao trono pontifício em 1458, e se defrontou com uma situação internacional extremamente grave, dada a ameaça maometana.

O novo Papa era, entretanto, um homem cujo porte estava na proporção dos acontecimentos. Eneas Silvio Piccolomini nascera de uma família nobre empobrecida.

Seu pontificado, todo "drapé" no heroísmo, na solidão e na tragédia, e portanto em valores diametralmente opostos aos dominantes na Itália do século XV, parece transcender os resíduos de humanismo que lhe possam ter restado de sua vida passada.

Tendo em vista as notícias que chegavam do Oriente a respeito do incessante avanço dos turcos, a atitude do Papa durante as solenidades de sua posse fora "reservada e quase melancólica".

Os relatos dos embaixadores que Pio II recebeu nos dias seguintes deixam ver que estava ele preocupado desde então por um pensamento único: a guerra contra os turcos. Logo no mês seguinte, publicou uma bula convidando todos os príncipes para celebrarem um congresso em Mantua, a fim de deliberarem sobre uma cruzada europeia.

O Pontífice em pessoa dirigiu-se àquela cidade. Antes, entretanto, fundou duas novas ordens religiosas de cavalaria: a Ordem da Santíssima Virgem Maria de Belém e a Societas Jesu Christi.

Formou outrossim o plano de trasladar a Ordem Teutônica da Prússia para as fronteiras turcas.

Em Mantua, entretanto, o esperavam grandes decepções. De todos os reis e príncipes cristãos a quem Pio II havia convidado insistente e repetidamente, nenhum havia comparecido. Semelhante falta de consideração para com a pessoa do Papa fazia temer o pior desenlace.

Dentre os próprios cardeais, alguns logo se afastaram de Mantua com diversos pretextos. E estes não eram os piores, pois vários outros procuraram criar entraves ao congresso, qualificando de "pueril" o projeto da cruzada.

Alguma mudança favorável se iniciou, nada menos que 4 meses depois, quando acudiu em pessoa ao congresso o Duque de Milão, Francisco Sforza. Após muitas vicissitudes, publicou Pio II a bula "Ecclesiam Christi", pela qual se declarava uma guerra de três anos contra os turcos e se concedia uma indulgência plenária a todos os que dentro de oito meses tomassem parte na cruzada; e alguns dias depois deixava o Pontífice a cidade, com a saúde quebrantada, não sem antes publicar outra bula em defesa da constituição monárquica da Igreja.

A cruzada, que não nascera de um élan de entusiasmo, mas sim da energia de ferro de Pio II, logo depois do congresso começou a evanescer-se.

Já o Imperador, ao qual incumbia em primeiro lugar a obrigação de defender a Cristandade, não se apresentara porque estava fomentando na Hungria uma revolução, a qual contrariava precisamente os interesses da guerra aos infiéis.

O rei da França estava em dissensão em relação à Santa Sé, por causa da questão de Nápoles, e ameaçou várias vezes convocar um concílio contra Pio II.

Os apoios mais fortes do Pontífice para a cruzada eram o Rei legítimo da Hungria, o Duque de Borgonha e os príncipes italianos. Estes últimos, entretanto, perdiam-se em permanentes manobras políticas.

Em Florença e Milão era muito forte o partido dos que se opunham à cruzada, pois achavam que a luta contra os mouros era uma excelente ocasião para enfraquecer sua rival Veneza, mais diretamente exposta ao perigo: nada melhor do que deixá-la sozinha frente a eles. O embaixador de Milão chegou a dizer:

"Aqui se considera como uma desgraça que os turcos hajam conquistado a Bósnia; mas não se contempla de forma alguma como um infortúnio que os venezianos tenham que roer esse osso". E na própria Veneza havia correntes que se opunham à cruzada.

Apenas destoava deste ambiente morno Skanderbeg, "cujo nome sozinho enchia os turcos de terror". Concomitantemente aos esforços de Pio II, ele iniciara nova série de hostilidades contra os muçulmanos.

Pio II resolveu colocar-se ele mesmo à frente da cruzada, para arrebatar o mundo com este rasgo de ousadia, e assim levar atrás de si a expedição contra os inimigos da Fé.

Foi-lhe então possível obter duas importantes alianças: um tratado ofensivo firmado entre o Doge de Veneza e o Rei da Hungria, Matias Corvino; e uma aliança tríplice entre a Santa Sé, o duque de Borgonha e o Doge, pela qual se comprometiam a guerrear os turcos e não ajustar a paz senão de comum acordo.

Queimando as etapas, em 21 de outubro de 1463 foi lida a bula da cruzada, escrita "com juvenil entusiasmo".

Os meses que se seguiram, entretanto, foram cheios de decepções. Somente as pessoas de médio a baixo estado se puseram a caminho, principalmente da Alemanha, onde a comoção popular foi tão poderosa que, como refere a crônica de Hamburgo, "o povo abandonava suas carretas e arados e se dirigia a Roma, para lutar contra os turcos".

Veneza se fez esquiva, e o Duque de Borgonha, pressionado por Luís XI, inimigo declarado da expedição, aproveitou a ocasião para retirar-se, quebrando o solene voto que fizera. As cidades italianas não cumpriam suas promessas. Irrompeu uma peste, que por toda parte fazia grandes estragos.

No próprio Colégio cardinalício, apenas três prelados apoiavam o empreendimento. Pouco depois o Papa sofreu novo ataque de gota, e era opinião comum que lhe seria impossível resistir às fadigas da viagem.

Florentinos chegaram a colocar em mãos do sultão cartas interceptadas aos venezianos, nas quais se revelavam os planos daquela potência marítima, enquanto se dizia que estava a caminho de Veneza um enviado turco, que vinha tratar sobre a paz. Contudo, de muitos países afluíam milhares de pessoas do povinho.

Pio II. Catedral de Siena. Bernardino di Betto, 'Pinturicchio' (1454–1513)
Pio II. Catedral de Siena.
Bernardino di Betto, 'Pinturicchio' (1454–1513)
O apelo do Papa tinha comovido as nações tão profundamente, que "se os príncipes e os grandes tivessem sido os mesmos de três séculos antes, todo o Ocidente se teria posto em movimento".

Muitos, entretanto, vinham sem armas nem recursos, e assim foi preciso encarregar o Bispo de Creta de persuadir a voltarem para suas pátrias os que eram inúteis para a guerra.

Inquebrantável e indiferente às pressões dos cardeais, dos familiares e dos médicos, o Papa tomou a cruz na Basílica Vaticana em 18 de junho de 1464.

Medalhas cunhadas na ocasião mostram o Pontífice na proa de um navio, bendizendo com uma mão e tendo à outra o estandarte da cruz, com a legenda: "Exsurgat Deus et dissipentur inimici ejus.

"Adeus, Roma! Não tornarás a ver-me vivo!" — disse comovido o Papa. Embarcou por via fluvial, não desembarcando nem à noite, porque qualquer movimento lhe era extremamente doloroso. Aos padecimentos corporais somavam-se os do espírito.

O Cardeal Forteguerri — do qual se julgava que estivesse navegando para Ancona, porto onde se deveria fazer o embarque para o Oriente — se apresentou ao segundo dia de caminho, anunciando que as galeras de Pisa ainda não estavam armadas.

E correu que muitos cruzados, que haviam empreendido a expedição sem recursos e sem se formar ideia das dificuldades vindouras, voltavam a seus países.

Para evitar a Pio II o deprimente espetáculo daqueles fugitivos, fechavam-se as cortinas de sua liteira todas as vezes que passava alguma tropa deles.

Em Loreto, ofereceu o Papa a Nossa Senhora um cálice de ouro, pedindo-lhe a graça da saúde para proveito da Cristandade. Entrou finalmente em Ancona, o porto de embarque.

Pio II instalou-se no palácio episcopal, junto à Catedral de São Ciríaco, que havia sido edificada no lugar de um antigo templo de Vênus.

Da altura em que se levanta aquela antiga basílica se pode contemplar a velha cidade, o amplo mar e pitorescas margens, e "parece como se ali soprassem já as auras da Grécia e como se o sol irradiasse com o brilho dos países orientais".

Nesse cenário se deu o desenlace final da tragédia gloriosa do Pontífice, pois, se seu pontificado foi todo um encadeamento de desenganos, estes se multiplicaram especialmente nos últimos dias de sua vida.

No fundo, Pio II estava completamente só.

Todos tentaram dissuadir o Pontífice. Os cardeais e os médicos diziam que ele morreria dois dias após o embarque. Os mentores de sua corte e os diplomatas lhe lembravam que Luís XI poderia convocar um concílio contra ele — uma ameaça, aliás, reiterada várias vezes. Ele declarou que sua resolução era irrevogável.

Por outro lado, a própria estrutura de alianças que formava o arcabouço da cruzada estava em evanescença.

Permaneceram verbalmente ligados à expedição apenas Veneza e Milão, mas sua contribuição efetiva ia sendo postergada.

Os cardeais, cada um dos quais devia armar uma galera, também fugiam a seus compromissos; e percebendo que o Papa poderia estar mortalmente enfermo, já se estavam ocupando das negociações relativas ao futuro conclave.

Os armamentos feitos para a cruzada tinham saído tão defeituosos, que de antemão era impossível pensar em tomar a ofensiva.

Em Lepanto, um século depois, ao início da batalha o vento favorecia os muçulmanos, mas logo ele se inverteu, o que foi considerado excelente presságio para os cristãos. Na cruzada de Pio II, entretanto, todos os ventos sopravam contra, bem como todas as circunstâncias e até os imponderáveis.

Em Ancona não havia alojamento suficiente e faltava água. Por causa das elevadas temperaturas, em breve declarou-se uma enfermidade pestilencial, que não só arrebatou muitos dos cruzados que andavam lutando uns contra os outros, mas também penetrou na casa dos cardeais, fazendo muitas vítimas entre os de suas comitivas.

Só ao cabo de três semanas inteiras chegaram os navios de Veneza, mas já encontraram apenas um pequeno resíduo de tropas de cruzados. A maioria deles já havia abandonado a cidade. Isto, segundo o Cardeal Ammanati, representou o golpe mortal para o Pontífice.

O Papa mandou que suas próprias galeras, com 5 cardeais, saíssem ao encontro das naus venezianas, e com muita fadiga se fez levar a uma janela de seu palácio.

À vista das naves que se acercavam, apoderou-se dele uma profunda tristeza, e exclamou soluçando: "Até este dia faltou-me uma esquadra para embarcar, e agora haverei de ser eu quem falte à esquadra".

Poucos dias depois recebeu o Santo Viático. Em 14 de agosto de 1464 reuniu em torno de si os cardeais, e com suas últimas forças os exortou a prosseguir na santa empresa à qual havia consagrado sua vida.

À noite, depois de ter recebido a extrema-unção e de ter recomendado novamente a continuação da cruzada, expirou suave e tranquilamente.

(Fontes:
Ludwig von Pastor, "Historia de los Papas" - Ed. G. Gili, Buenos Aires, 1949.
Rohrbacher, "Histoire de l’Église Catholique" - Societé Generale de Librairie Catholique, Bruxelles, 1885.
"Enciclopédia Universal Ilustrada" - Espasa Calpe, Madrid.)


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terça-feira, 27 de setembro de 2022

Proezas portuguesas contra os mouros

Dom Afonso II, rei de Portugal
Dom Afonso II, rei de Portugal
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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No tempo de el-rei Afonso II foram vencidos em Salácia (Alcácer do Sal) mais de 60.000 mouros.

E na célebre batalha do Salado, em que el-rei D. Afonso IV de Portugal ajudou nervosamente a el-rei de Castela, morreram 200.000, pelo cômputo mais escasso.

Reinando D. Afonso V, cercou el-rei de Fez a Alcácer Ceguere, com 30.000 cavalos e inumeráveis de pé, mas saindo de dentro pouco mais de 30 cavaleiros portugueses, mataram tantos que os outros, com medo, levantaram o cerco.

A mesma felicidade se viu na tomada de Ceuta em tempo de el-rei Dom João I, e nas de Arzila e Tânger em tempo do dito D. Afonso V, e nos famosos sítios que sustentaram nossos capitães nestas praças, e na de Mozagão, e nas de Diu, Calecute, Chaul, Columbo, Cananor, Cochim, Malaca, contra mui poderosos inimigos.

No cerco de Diu, que sustentou o grande capitão Antônio da Silveira, sendo Fernão Penteado ferido gravemente na cabeça, foi ao cirurgião para que o curasse.

E achando-o ocupado na cura de outros, enquanto aguardava a sua vez, ouviu estrondo de um rebate que os turcos davam.

Não lhe sofrendo o coração não se achar nele, correu àquela parte onde, envolvido na refrega, ganhou segunda ferida grave na cabeça.

Com que apertado, tornou ao cirurgião, a quem achou ainda mais ocupado que antes.

E como neste tempo os turcos apertassem muito com os nossos, ele tornou a acudir com grande alvoroço, onde recebeu terceira cutilada no braço direito; e veio curar-se de todas três.

Dom Afonso IV, rei de Portugal
Dom Afonso IV, rei de Portugal
De sorte que assim ia este soldado buscar mais feridas, como se, achando o cirurgião ocioso, quisesse dar-lhe em que se ocupar, e mais falta fazia ao seu natural a briga do que à sua cabeça o sangue, querendo antes ferir-se depressa do que curar-se devagar.

A tarântula, ainda depois de esmagada, salta, se lhe tangem; este animoso guerreiro, ainda rota a cabeça, pulava se ouvia estrondos militares, porque eram música para ele.

No mesmo cerco, outro português, cujo nome se lhe não sabe, acabando-se-lhe as balas e não tendo à mão com que carregar o mosquete, abalou e arrancou um dente.

Usando-o como bala, fez o tiro e acertou em um turco, para o qual não foi favo doce, senão bocado amargoso, isto que saiu da boca deste leão.

Adaptara na boca do mosquete o dente da sua, mandando-lhe que mordesse ao longe, já que não podia de perto.

Outros muitos casos semelhantes omito, porque ao meu intuito bastam os referidos.

Agora o que esperamos é que a última e total ruína do império otomano se deva também, por eleição divina, às armas portuguesas, conforme os mesmos mouros temem e se diz terem disso tradição antiga (Veja-se Sebastião de Paiva, na sua "Monarquia").



(Autor: Padre Manuel Bernardes, "Nova Floresta" - Lello & Irmão, Porto, 1949)


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terça-feira, 13 de setembro de 2022

Quem foi Maomé, segundo São João Bosco

São João Bosco é um dos maiores formadores de gerações inteiras de católicos
São João Bosco é um dos maiores formadores
de gerações inteiras de católicos
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Em sua renomeada obra “História Eclesiástica”, don Bosco nos ensina quem foi Maomé, fundador do islamismo e como fez para espalhar suas crenças, conseguir adeptos e atacar a Terra Santa, a Cristandade e a todos os que não pensavam como ele.

Com linguagem didática, o santo educador nos expõe brevemente toda a verdade básica sobre o Islã.

Maomé e sua religião


Nasceu este famoso impostor em Meca, cidade da Arábia, de família pobre, de pai gentio e mãe judia.

Errando em busca de fortuna, encontrou-se com uma viúva negociante em Damasco, que o nomeou seu procurador e mais tarde casou-se com ele.

Como era epilético, soube aproveitar-se desta enfermidade para provar a religião que tinha inventado e afirmava que suas quedas eram outros tantos êxtases, durante os quais falava com o arcanjo Gabriel.

A religião que pregava era uma mistura de paganismo, judaísmo e cristianismo. Ainda que admita um só Deus, não reconhece a Jesus Cristo como filho de Deus, mas como seu profeta.

Como dissesse com jactância que era superior ao divino Salvador, instavam com ele para que fizesse milagres como Jesus fazia; porém ele respondia que não tinha sido suscitado por Deus para fazer milagres, mas para restabelecer a verdadeira religião mediante a força.

terça-feira, 30 de agosto de 2022

O conde de Blois descreve o avanço da I Cruzada

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Estevão Henrique II, Conde de Blois e de Chartres (1045 – 19.5.1102), casou com Adela de Normandia, filha de Guilherme o Conquistador, por volta de 1080 em Chartres.

Teve onze filhos, entre os quais: Guilherme, (†1150), Conde de Sully e Chartres; Teobaldo II, conde de Champagne; Estevão, rei da Inglaterra e Henrique, bispo de Winchester.

O conde Estevão foi um dos líderes da Primeira Cruzada. Ele escreveu pormenorizadas cartas a sua esposa Adela contando os progressos da mesma.

Ele voltou a casa em 1098 quando o assédio de Antioquia se eternizava, sem cumprir o voto de liberar Jerusalém.

Pressionado por Adela, em 1101 fez uma segunda peregrinação junto com outros que voltaram prematuramente.

Em 1102, Estevão encontrou a morte na batalha de Ramla quando tinha 57 anos.

Morreu heroicamente mas sem ter a glória de conquistar Jerusalém, fato que aconteceu durante seu retorno a Europa.A carta seguinte é de 1098 e foi escrita durante o sitio de Antioquia:

terça-feira, 16 de agosto de 2022

Na Europa o Islã bane demográficamente a Cruz

“Sete passos até o Inferno” livro denuncia inercia das elites ante o banimento da cultura cristã pela islâmica. Foto em Paris
“Sete passos até o Inferno”: livro denuncia inércia das elites
ante o banimento da cultura cristã pela islâmica. Foto em Paris
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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“Sete passos até o Inferno” é o sugestivo título do novo livro em que Alain Chouet, ex nº 2 da DGSE, o poderoso serviço de contra-inteligência francês, acusa as elites europeias de displicência culpada diante da substituição da civilização outrora cristã pela islâmica, recenseou Giulio Meotti, editor cultural do diário Il Foglio, para o Gatestone Institute.

Chouet lembra que, quando proferia uma palestra anual em Molenbeek, subúrbio de Bruxelas, apresentou-se Philippe Moureaux, prefeito socialista da cidade e chefão do Partido Socialista da Bélgica, com dois imponentes guarda-costas trajando robes muçulmanos, de barbas e boinas brancas.

E diante de toda a plateia, o prefeito interrompeu a sessão acusando o palestrante de provir de um país – a França – que torturou muçulmanos na Argélia, se referindo a fatos de metade do século XX.

A atitude provocativa do procedimento, diz Chouet, é típica desde o final dos anos 1980, quando a esquerda europeia foi atrás do islamismo militante.

terça-feira, 2 de agosto de 2022

Da invasão migratória à guerra civil

Enfrentamentos étnicos em Londres
Enfrentamentos étnicos em Londres
Roberto de Mattei
(1948 - )
professor de História,
especializado nas ideias
religiosas e políticas no
pós-Concilio Vaticano II.




O plano era — e continua sendo — de destruir os Estados nacionais e suas raízes cristãs, não para construir um super-Estado, mas para criar um não-Estado, um horrível vácuo, no qual tudo aquilo que ainda tem a aparência de verdade, de bom, de justo, seja tragado no abismo do caos.

Até os mais relutantes começam agora a abrir os olhos. Existe um plano organizado para desestabilizar a Europa por meio da invasão migratória.

Este projeto vem de longe. No fim dos anos noventa, no livro 1900 a 2000. Dois sonhos se sucedem: a construção, a destruição (Fiducia, Roma 1990), descrevi-o através das palavras de alguns de seus “apóstolos”, como o escritor Umberto Eco e o cardeal Carlo Maria Martini.

Eco escrevia:

“Hoje na Europa não estamos diante de um fenômeno de imigração. Encontramo-nos diante de um fenômeno migratório […]

“e, como todas as grandes migrações, terá como resultado final uma reorganização étnica da terra de destino, uma mudança inexorável dos costumes, uma incontenível hibridação que mudará estatisticamente a cor da pele, do cabelo, dos olhos das pessoas”.

terça-feira, 19 de julho de 2022

Na catedral de VIENA: glorificação de São João de Capistrano, herói da Cruzada contra os turcos

O púlpito desde onde
São João de Capistrano
pregou a Cruzada
Luis Dufaur
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No lado externo da catedral de Viena, capital da Áustria, perto da entrada das catacumbas se encontra o chamado púlpito de São João de Capistrano coroado de glória.

É um conjunto que chama a atenção de todos os que passam por esse local central.

Na noite: catedral de Viena dedicada a Santo Estevão
Mas poucos explicam por que é que está do lado de fora da catedral um tão pomposo monumento que tem como peça central um púlpito.

Desde esse púlpito que outrora era o principal dentro da catedral, o santo capuchinho São João de Capistrano pregou a Cruzada em 1456 para repelir as invasões muçulmanas que se abatiam sobre a Europa Cristã.

O púlpito foi usado também pelo voivoda [título de nobreza para o defensor das fronteiras, equivalente ao de marquês] húngaro João Hunyadi, comandante das forças cruzadas que arengou os soldados para a difícil campanha militar que se avizinhava.

A estátua do santo está coroada por um sol com a inscrição IHS: Iesus Hominibus Salvator, Jesus Salvador dos Homens, feita no século XVIII.

O santo frade filho espiritual de São Francisco é apresentado esmagando um turco derrotado.

São João de Capistrano O.F.M. (1386 – 1456), foi cognominado O Guerreiro Franciscano de Belgrado.

Interior da catedral onde estava o púlpito medieval.
Interior da catedral onde estava o púlpito medieval.
O episódio principal daquela Cruzada se deu nas batalhas livradas por ocasião do sitio de Belgrado de 1456.

Os maometanos foram esmagados por um exército fundamentalmente austríaco, cujo o grande animador foi o humilde capuchinho.

A catedral de Viena dedicada a Santo Estevão
A catedral de Viena dedicada a Santo Estevão
O santo de origem italiana, como indica seu nome, famoso pela sua oratória cheia de fé que movia os corações mais endurecidos, foi enviado pelo Papa Nicolau V, convocador da Cruzada, como seu pregador e chefe religioso.

São João de Capistrano foi um capuchinho que percorreu o tempo inteiro as fileiras dos cavaleiros, mostrando-lhes o Crucifixo e pregando a guerra.

Num momento desesperado do combate São João de Capistrano ordenou aos homens que voltassem se refugiar nas muralhas.

Mas ele inspirava tanta confiança que logo se viu rodeado por 2.000 cruzados que não queriam se afastar dele.

Então lhes ordenou avançar contras as linhas turcas exclamando: “O Deus que iniciou a batalha se encarregará de terminá-la!”

Quando, no cair da tarde, os turcos fugiram, fez-se, como era costume naquele tempo, a celebração do chefe vitorioso.

Hunyadi, general das tropas cristãs mandou chamar São João de Capistrano e disse:

“Ele vai ganhar as glórias da vitória ao meu lado. Porque ele fez com o crucifixo na mão, mais do que eu com minha espada!”



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