segunda-feira, 5 de março de 2012

Restauração de Nossa Senhora da vitória de Lepanto

Nossa Senhora do Rosário, estava na nau capitânia em Lepanto
e foi atingida pelo fogo mouro
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs








Na manhã de 7 de outubro de 1571, as naves de guerra da Santa Liga, embora minoritárias e em posição desfavorável, lançaram-se ao ataque contra a poderosa frota turca do almirante otomano Ali-Pachá que vinha a invadir Europa.

A batalha aconteceu nas proximidades de Lepanto, porto no estreito de igual nome que liga o Golfo de Patras ao de Corinto, na Grécia. Veja a localização da batalha.




À testa da frota católica estava a “Galera Real”, a nave de guerra mais formidável do Ocidente, propriedade de Sua Majestade Católica Felipe II, da Espanha.

Plano da batalha. Museu Vaticano.
A “Galera Real” estava ornada luxuosamente com cores vermelhas e douradas.

Tinha numerosas esculturas e baixo-relevos, muitos deles religiosos, e era comandada por Dom Juan d’Áustria, Almirante-em-chefe da frota católica.

A “Real” enfrentou-se diretamente contra “A Sultana”.

Essa foi a nau insígnia dos otomanos no qual estava Ali Pachá, que acabou sendo morto por um marinheiro espanhol.

No coração da “Real” havia uma imagem de Nossa Senhora, a verdadeira Rainha da frota em Cruzada contra o Islã invasor.

Essa imagem, que se acreditava perdida, foi recuperada e está sendo restaurada no Museu Naval da Espanha, noticiou o jornal “ABC” de Madri.

Ela representa Nossa Senhora do Rosário.

Mas é mais conhecida como Virgem da Vitória, pois conduziu os estandartes católicos para o grande e improvável triunfo de Lepanto.

Aparição de Nossa Senhora apavorando os muçulmanos decidiu a batalha
A imagem – que sofreu estragos na batalha e hoje está sendo restaurada – foi um presente dos venezianos a Dom Juan de Áustria,

O príncipe quis que a mesma ficasse com a Confraria das Galeras, na Igreja de San Juan de Lebrón, em Puerto de Santa Maria.

É todo um símbolo que está sendo restaurado, no momento histórico em que o Islã não oculta sua intenção de invadir novamente a Europa.





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segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

A Batalha de Hastings, marco na história inglesa com imponderável de Cruzada (1)

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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No Ano do Senhor de 1066, perto da abadia de Hastings, Inglaterra, deu-se um dos acontecimentos que mais marcaram a história medieval. E que ainda continua marcando o presente. Veja fotos da re-encenação da batalha, e ainda mais AQUI.

Guilherme, o Conquistador, duque de Normandia, venceu o príncipe anglo-saxão Haroldo, tornando-se Rei da Inglaterra. Os leões da Normandia são até hoje símbolo da monarquia inglesa.

A luta pela sucessão após a morte do rei Santo Eduardo, o Confessor, fora difícil. Pelo costume inglês da época, o rei agonizante dava a conhecer o nome daquele que deveria lhe suceder. A escolha de Santo Eduardo era indubitável: o duque Guilherme. O rei doente o fez assim saber mais de uma vez.

Porém, Santo Eduardo veio a falecer enquanto Guilherme cuidava de seus feudos na sua Normandia natal, na França, do outro lado do Canal da Mancha.

Prevalecendo-se dessa ausência, o cobiçoso Haroldo declarou que o santo rei agonizante escolhera a ele, aduzindo o falso testemunho de alguns cúmplices.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

A Batalha de Hastings, marco na história inglesa com imponderável de Cruzada (2)

William of Malmesbury
Luis Dufaur
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continuação do post: A Batalha de Hastings, marco na história inglesa com imponderável de Cruzada (1)




Em post anterior, reproduzimos a famosa descrição da batalha de Hastings feita por Guilherme de Malmesbury (c. 1095/96 – c. 1143, foto ao lado).

Neste segundo post, reproduzimos as análises dos pródromos religiosos e sociais do conflito e as conseqüências positivas da vitória de Guilherme de Normandia para a história da Inglaterra, segundo o mesmo historiador.

Inglaterra, a “Ilha dos Santos”

Havia muito que a Inglaterra adotara os costumes dos anglos, e de fato os havia alterado com o tempo, pois nos primeiros anos de sua chegada, eles foram bárbaros na aparência e nos modos, bélicos em seus costumes e pagãos em suas leis.

Depois de abraçar a fé de Cristo, em consequência da paz de que gozavam, relegaram a força bruta a um segundo plano e aplicaram toda sua atenção na religião.

Falo dos príncipes que, na grandeza de seu poder, tinham toda a liberdade para se jogarem nos prazeres. Contudo alguns deles, no seu próprio país e outros em Roma, mudaram seus hábitos e instalaram um reino celestial e um relacionamento santo.

Muitos outros se dedicaram durante toda a vida aos assuntos terrenos, para encher seus tesouros e esgotá-los com os pobres ou dividi-los entre os mosteiros.

O que posso dizer da multidão de bispos, eremitas e abades?

Não está a ilha toda repleta de tão numerosas relíquias de santos de seu próprio povo que mal se pode passar por uma aldeia de qualquer relevância sem ouvir o nome de algum novo santo? E de quantos outros a lembrança pereceu pela falta de registros?

Decadência da Inglaterra

Infelizmente, vários anos antes da chegada dos normandos, o interesse pelo estudo e pela religião tinha diminuído gradualmente. O clero, contente com um pouco de aprendizado confuso, mal conseguia balbuciar as palavras dos sacramentos, e uma pessoa que sabia a gramática era objeto de admiração e espanto.

Os monges ridicularizavam a regra de sua ordem, o uso de vestes finas e a utilização de certos tipos de alimento.

A nobreza, dada ao luxo e à libertinagem, não ia à igreja pela manhã, à maneira dos cristãos, mas apenas, de uma forma descuidada, ouvia as matinas e as missas de um padre, mudando incessantemente de leitos entre as seduções de suas esposas.

A plebe, desprotegida, tornou-se presa dos mais poderosos, que acumulavam fortunas apropriando-se das propriedades ou vendendo seus donos em países estrangeiros, embora a característica deste povo o incline mais à orgia do que à acumulação de riquezas.

Beber em festas era uma prática universal que enchia dias e noites inteiras. Eles consumiam todos os seus bens em casas medíocres e desprezíveis, ao contrário dos normandos e franceses, que vivem frugalmente em mansões nobres e esplêndidas.

Os vícios ligados à embriaguez debilitam a mente humana. Foi por isso que eles se engajaram contra Guilherme com mais imprudência, precipitação e fúria que habilidade militar, condenando seu país à escravidão por uma única e simples derrota. Pois nada é menos eficaz do que temeridade; ela começa com violência, rapidamente cessa e é repelida.

Costumes dos anglo-saxões

Os ingleses usavam naquela época roupas curtas, tinham o cabelo cortado, a barba raspada, os braços carregados de braceletes de ouro e a pele adornada com tatuagens.

Eles estavam acostumados a comer até se fartarem e a beber até ficarem doentes. Eu não atribuo essas propensões ao inglês em geral, pois bem sei que muitos do clero trilharam o caminho da santidade de uma vida irrepreensível, e muitos leigos de todas as classes e condições foram bem agradáveis a Deus.

Castelo de Ô, Normandia

Esteja a injustiça longe desse relato, pois a acusação não envolve o todo indiscriminadamente. Mas, da mesma maneira que a misericórdia de Deus trata bem os maus e os bons em seu conjunto, assim igualmente a severidade divina os pune com o cativeiro em seu conjunto.

Costumes dos normandos

Os normandos naquela época, e mesmo agora, tomavam cuidado muito especial com a vestimenta, eram exigentes na alimentação, mas não excessivos.

Eles são uma raça acostumada à guerra, e dificilmente podem viver sem ela, apressando-se ferozmente contra o inimigo. E, onde a força não lhes dá o sucesso, estão prontos para usar estratagemas ou corromper pelo suborno.

Eles moram, como eu disse, em casas espaçosas com economia, imitam a seus superiores hierárquicos, querem superar seus iguais e saquear seus súditos apesar de defendê-los dos outros, pois eles são fiéis a seus senhores. Ponderam a traição pela chance de sucesso e mudam seus sentimentos por dinheiro.

Os normandos formam a mais hospitaleira de todas as nações. Eles consideram os estrangeiros dignos de honras iguais às deles. Eles também se casam com seus vassalos.

Com Guilherme rei começou uma regeneraçãao religiosa da Inglaterra.
O gótico desenvolveu-se muito
Efeitos benéficos da vitória dos normandos para a Igreja e para a Inglaterra

Chegando à Inglaterra eles restauraram o papel da religião, que tinha ficado sem vida em todos os lugares.

Podem-se ver igrejas surgirem em todas as aldeias, e mosteiros nas vilas e cidades, construídos num estilo nunca antes conhecido (o gótico).

Pode-se ver o país florescente, com costumes renovados, de modo que cada homem rico julgava perdido o dia caso deixasse de fazer alguma generosa ação caritativa.

Fim

(Original: William of Malmesbury (+ 1143?); “The Battle of Hastings, 1066”. O texto foi resumido em algumas partes para caber nos posts. Texto completo em: Medieval Sourcebook. From: James Harvey Robinson, ed., Readings in European History, 2 Vols. (Boston: Ginn & Co., 1904-06), Vol. I: From the Breaking up of the Roman Empire to the Protestant Revolt, pp. 224-229. Scanned in and modernized by Dr. Jerome S. Arkenberg, Dept. of History, California State - Fullerton).

Re-encenação da batalha de Hastings





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segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Cidade dos cruzados atrai crescente interesse

São João de Acre: fortaleza dos monges-cavaleiros hospitalários

Escavações recentes em São João de Acre, cidade da Galiléia de 50 mil habitantes, desvendaram uma cidade da era dos cruzados.

A prefeitura vai abrir ao público um bairro inteiro da Idade Média, quando Acre era a porta de entrada dos cruzados que iam libertar ou proteger Jerusalém.

A cidade foi conquistada pelos cruzados em 1104 e se tornou um centro de soldados e peregrinos católicos, que defendiam Jerusalém dos infiéis muçulmanos que ocuparam a região por volta do ano 632.

O bairro cruzado ficou tal como era em 1291, quando Acre foi conquistada subitamente por muçulmanos egípcios.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Fisionomia moral de um cruzado


Luis Dufaur
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O primeiro aspecto que chama atenção na escultura do homem que figura nesta foto é o modo de estar de pé.

Tal escultura pode bem representar o cruzado no apogeu da Idade Média.

Ele apresenta um equilíbrio de corpo perfeito.

Os pés não são pés chatos, como os de pato, com a precária firmeza deste. Não.

É a estabilidade corporal do homem, na qual não falta uma certa nota de elegância, em que entra algo de espiritual.

As pernas, o tronco, os braços, representam a solidez física perfeita de um homem que venceu a ação da gravidade.

Ele não cedeu em nada à preguiça.

Mas também não está efervescente, não tem a mentalidade do homem de negócios, que fala em cinco telefones ao mesmo tempo...

Mantém-se inteiramente tranqüilo, mas de uma tranqüilidade tal, que seu repouso se volta inteiro para a ação.

E atuação que já é de uma vez a guerra. A mais absorvente de todas as atividades, aquela que se opõe mais diretamente à preguiça. Não é o trabalho, é a luta.

Ele está numa posição em que a qualquer momento pode iniciar o combate.

Está fazendo uma proclamação com os grandes braços abertos.

Como quem diz: "Isto é assim e não vai por menos, ai de quem negar o que proclamo, porque pego a espada...".

É a proclamação perfeita de quem anuncia e ameaça.

Por outro lado, o cruzado permanece numa atitude contemplativa.

Sua fisionomia indica que ele não está vendo o que se passa em torno de si.

Está olhando dentro de si mesmo.

E de dentro de si considera um ideal inteiramente superior, que lhe ilumina a alma: são os princípios a favor dos quais o homem é obrigado a combater.

Ele todo é um edifício de coerência, de metafísica, pronto para descarregar o golpe.

Todas as razões do combate lhe estão presentes, tudo raciocinado, coerente, tudo positivo.

É um homem profundamente sério.

Se acontecer qualquer coisa diante dele, sua visão será a da realidade inteira.

Não irá exagerar, nem subestimar, nem torcer a realidade, nem mentir. Ele vê o que acontece e diz o que vê.

É o varão sério por excelência.



_____________________
Excertos de conferência proferida pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira, 22 de abril de 1967. Sem revisão do autor.




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segunda-feira, 17 de outubro de 2011

O cerco de Arsur e o triunfo da intransigência

Godofredo de Bouillon, vitral na abadia de Saint-Denis, Paris
Após a conquista de Jerusalém, na primeira Cruzada, os principais chefes cristãos escolheram rei o Duque de Lorena, Godofredo de Bouillon.

Era um cavaleiro intrépido, famoso pela sua coragem, e a quem mais se devia a vitória.

Quando lhe perguntavam de onde vinha a força para cortar um homem ao meio só com um golpe, ele dizia que suas mãos nunca se tinham manchado com pecados de impureza.

Ao ser eleito rei de Jerusalém, recusou dizendo que “não queria ser coroado com ouro onde Jesus o fora com espinhos”. Aceitou somente o título de Barão e Defensor do Santo Sepulcro.

A cidade muçulmana de Arsur se rebelou. O exército cristão veio então cercá-la com torres rolantes e aríetes.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

São Luís, o mameluco Octai e a honra do cavaleiro cristão


Luis Dufaur
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A cavalaria católica deu à Igreja muitos santos, como São Luís IX, rei da França. Alcançou sua maior perfeição nas Ordens Religiosas militares, como a do Santo Sepulcro, a dos Hospitalários e a dos Templários.

O cavaleiro era respeitado e amado. Mesmo entre os infiéis o prestígio da instituição era extraordinário. Seus brasões e cruzes infundiam terror e admiração.

Na cruzada de São Luís contra o Egito deu-se um episódio característico.

O exército cristão sofreu grave derrota em Mansurah. A doença completou a desgraça. São Luís doente caiu em poder dos muçulmanos junto com a maior parte de suas tropas.

O sultão Almoadam ficou ébrio de orgulho. Mas os mamelucos do Egito, que tinham suportado o peso da guerra, estavam descontentes e resolveram assassiná-lo durante as festas da vitória.

No final do banquete um oficial tentou matá-lo, mas apenas conseguiu feri-lo. Ele fugiu e se encerrou numa torre.

Os rebeldes puseram fogo à torre. Vendo-se perdido, Almoadam lançou-se do alto e caiu aos pés de seus inimigos. Implorou perdão e ofereceu em prantos o seu próprio trono, em troca da vida.

Tudo em vão. Um dos chefes de sua guarda, Octai, o repeliu com ira, os mamelucos o transpassaram com inúmeros golpes.

Em Forescour estavam os prisioneiros cristãos, inclusive São Luís.

No meio dessa angústia, Octai entrou na tenda São Luís com a espada ensangüentada.

O maometano disse: “Almoadam já não existe. Que me darás por ter-te libertado de um inimigo que premeditava a tua ruína e a nossa?”

São Luís nada respondeu.

O infiel apontou-lhe a espada, e exclamou irado: “Não sabes que eu sou senhor de tua pessoa? Faze-me cavaleiro, ou serás morto!”

São Luís respondeu então: “Faze-te cristão, e te farei cavaleiro”.

Octai retirou-se, sem fazer mal a São Luís.

Podendo pedir terras, riquezas (São Luís prometera um milhão de bizantinos de ouro pelo resgate de suas tropas), podendo vingar-se contra o rei cristão, esse maometano preferia a honra de ser cavaleiro.

Assim, Octai, um infiel, provou o prestígio e a glória da cavalaria medieval.




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segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Santa Aliança católica contra a expansão muçulmana

Papa São Pio V vê miraculosamente a vitória das armadas católicas contra os turcos em Lepanto
O músico Fernando de las Infantas (Córdoba, 1534-1609) quis comemorar a união das forças católicas para enfrentar a expansão do poder otomano no Mediterrâneo sob o impulso do Papa São Pio V.

E compôs a partitura “Ecce quam bonum” – “Oh, como é bom, como é agradável para irmãos unidos viverem juntos”, Salmo 132 (133).

A partitura leva o o subtítulo “com motivo do Sagrado Convênio”. Quer dizer, a Santa Aliança formada pelos Estados Pontifícios, Espanha, Veneza e Malta, no fim de 1570, por iniciativa do glorioso São Pio V.

Veja vídeo
“Oh, como é bom
e agradável para irmãos
viverem juntos”

A Santa Aliança visava cortar o passo à expansão turco-maometana.

E resultou na histórica – e miraculosa – vitória sobre a frota muçulmana em Lepanto.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

O velho abade cruzado e o jovem traidor

Montemor o Velho, lenda do abade de Montemor, ©Rui Ornelas
Numa fria noite de Natal, em pleno século IX, o abade Dom João de Montemor, superior de todos os abades de Portugal, regressava à sua casa depois de haver celebrado.

Ao passar por uma das igrejas que havia no caminho, ia persignar-se devotamente, quando o pranto de um menino o deixou surpreso.

Aproximou-se da porta de igreja, e viu que na entrada havia uma criatura que tremia de frio. Com muita compaixão, tomou o menino, arrumou-o bem e o levou consigo ao seu palácio.

Grande foi a admiração de todos os familiares e serventes do abade, ao vê-lo aparecer com uma criança nos braços.

Explicou o ocorrido, e ordenou ao seu mordomo que dispusesse todo o necessário para que o menino abandonado fosse atendido devidamente. Com efeito, tudo de que necessitava foi-lhe proporcionado. E assim foi crescendo o menino, que recebeu o nome de Garcia.

O bom abade Dom João de Montemor, que havia já passado os umbrais da ancianidade, via com júbilo que aquele menino abandonado ia se fazendo galhardo mancebo, e certos temores que havia alentado se desvaneceram. Sucedia que o menino havia sido fruto do pecado, e o abade tinha medo de que no rapaz se demonstrasse a perversidade da sua origem.