segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Males causados pela interrupção das Cruzadas

São Luis IX rei da França, estátua equestre, EUA.
São Luis IX rei da França, estátua equestre, EUA.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs








Nunca, talvez, a palavra epopeia foi melhor empregada do que falando das cruzadas.

Nunca a atração do Oriente se manifesta com mais ardor e, apesar dos aparentes fracassos, conduz a mais espantosas realizações.

Basta evocar as fundações dos “francos” na Terra Santa: feitorias dos comerciantes, estabelecimentos organizados que formam verdadeiras cidadezinhas, com sua capela, banhos públicos, entrepostos, habitações dos mercadores, sala do tribunal e de reuniões; praças-fortes, cuja massa desafia ainda o solo, como o krak dos cavaleiros, o castelo de Saône e as fortificações do Tyr; e ainda feitos de armas extraordinários, como os de Raymond de Poitiers ou de Renaud de Châtillon, que fazem pensar que as Cruzadas, posta à parte a sua finalidade piedosa, foram um feliz derivativo para o ardor efervescente dos barões.

A Europa perderá muito no século XIV, quando a sua atenção se afasta do Oriente.

Beato Carlos Magno em guerra contra os mouros
Beato Carlos Magno em guerra contra os mouros
São Luís IX tinha entrevisto a possibilidade de aliança com os mongóis.

Se ela tivesse sido aproveitada, teria provavelmente mudado completamente o destino dos dois mundos, oriental e ocidental.

A sua morte prematura, a estreiteza de vistas dos seus sucessores, deixaram no estado de esboço um projeto cuja importância foi valorizada pelos trabalhos de René Grousset.

Só os mongóis, que procuravam a aliança franca e favoreciam os cristãos nestorianos, podiam opor ao Islã uma barreira eficaz.

Cavaleiro parte para a Cruzada abençoado por São Marcos
Cavaleiro parte para a Cruzada abençoado por São Marcos
As relações estabelecidas por Jean du Pan-Carpin, depois por Guillaume de Rubruquis — quando em 1254 visitava Karakoroum, capital do Grande-Khan — tinham feito uns e outros compreenderem quais frutos poderiam nascer de semelhante união, pois os mongóis se ofereciam para reconquistar Jerusalém aos turcos mamelucos.

Mas a sua oferta não foi tomada em consideração.

O citado historiador das cruzadas fez notar a coincidência das duas datas: 1287, embaixada do nestoriano mongol Rabban Çauma junto a Filipe, o Belo, sem resultado; e 1291, perda de São João d’Acre.

Submergido pelo Islã, o Oriente fechar-se-á à influência e ao comércio europeu, o que marca uma decadência irremediável para as cidades mediterrânicas e para os armadores inquietados pelos piratas.

Só os cavaleiros hospitalários continuarão a lutar palmo a palmo, e de Rodes a Malta desenvolverão encarniçados esforços para manter a nossa via para o Oriente.

Luta desigual, mas admirável, que não cessará antes da tomada de Malta por Bonaparte.


(Autor: Régine Pernoud, “Lumière du Moyen Âge” - Bernard Grasset Éditeur, Paris, 1944)




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Um comentário:

  1. Como hoje, temos religiosos em cargos de importancia abrindo o ocidente para as hordas invasores do oriente. Ao mesmo tempo recusam a aliança dos russos e chineses. Haverá o dia que o ocidente corrupto será dominado pelo Islão e o fim do cristianismo. Não por merito deles para pela traição dos nossos. Como fizeram os traidores visigodos da peninsula iberica.

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