segunda-feira, 14 de agosto de 2017

São João Damasceno: Doutor da Igreja explica erros do Islã

São João Damasceno, Padre e Doutor da Igreja (676 -749)
São João Damasceno, Padre e Doutor da Igreja (676 -749)
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs





São João Damasceno (675 – 749) como seu nome indica nasceu em Damasco, capital da Síria, ocupada havia não muitos anos pelo invasor islâmico.

Paradoxalmente, foi filho de um importante ministro católico do Califa, e neto de um ministro do imperador cristão de Bizâncio. Ele próprio, iniciou sua carreira na Corte do supremo chefe islâmico.

Na época, muitos acreditavam que o Islã era mais uma das muitas heresias e cismas que devoravam o Oriente cristão.

No convívio quotidiano, São João Damasceno percebeu que o Islã era uma outra religião que visava o extermínio do cristianismo.

Retirou-se como monge a Jerusalém e desde ali empreendeu douta e destemida pregação, com homilias e escritos. Ele abriu os olhos dos católicos para os erros e os enganos da religião de Maomé, além de muitas outras grandes heresias da época, especialmente a dos iconoclastas.

São João Damasceno é Doutor da Igreja e sua festa comemorada em 27 de março foi transferida em 1969 para o 4 de dezembro, dia de sua morte.

Poucos doutores estão mais habilitados em ciência e em experiência do que ele para falar sobre o Islã. Ouçamos o que ele nos ensina:




1. Há entre os ismaelitas [árabes] uma superstição enganosa sempre ativa, que serve de precursora do Anticristo.

Ela tem sua origem em Ismael, nascido de Abraão e Agar. É por isso que eles são chamados agarenos ou ismaelitas.

Também os chamam de sarracenos, porque, ao que parece, foram devolvidos sem nada por Sara. Pois Agar disse ao anjo: “Sara mandou-me embora sem nada”.

[N.T.: Realmente significa “povo do deserto” em grego. Este termo não tem nada a ver com o nome Sara. Ele deu “sarrasins” em francês.]

Os sarracenos eram idólatras e adoravam a estrela da manhã, como também a Afrodite.

Este nome na língua deles significa Majestoso (Habar), razão pela qual até o tempo de Heráclio eles eram certamente idólatras.

2. A partir dessa época, surgiu no meio deles um falso profeta; chamava-se Maomé.

Ele ouviu algumas vezes o Antigo e o Novo Testamento, e acredita-se que em seguida encontrou um monge ariano. Finalmente, acabou criando sua própria heresia.

Depois, desgostoso, fez crer ao povo que era um “temente a Deus”, e mandou espalhar o boato de que um livro santo [o Alcorão] lhe fora trazido do céu.

Ele começou a escrever em seu livro sentenças das quais só se pode rir, e deu-as a seus seguidores para que as obedeçam.

Maomé no inferno (acima na direita). Giovanni di Pietro Falloppi, ou da Modena (1379 – 1455), Cappella Bolognini.
Maomé no inferno (acima na direita).
Giovanni di Pietro Falloppi, ou da Modena (1379 – 1455), Cappella Bolognini.
Ele dizia que só existia um Deus único, criador de todas as coisas, que não engendrou nem foi engendrado.

Dizia que Cristo era a Palavra de Deus e seu Espírito, que ele foi criado e é um servo, que nasceu da estirpe de Maria, irmã de Moisés e de Arão.

Porque, diz ele, a Palavra de Deus e o espírito entraram em Maria, e ela deu à luz Jesus, que foi um profeta e servo de Deus.

Ele afirma que os judeus, tendo violado a lei, queriam crucificá-lo, e após prendê-lo, crucificaram sua sombra, mas o verdadeiro Cristo, dizem eles, não foi crucificado nem morreu; porque Deus o levou para junto de si no céu, porque Ele o amava.

Ele afirma que quando Cristo subiu aos céus, Deus interrogou-o, dizendo: “Ó Jesus, tu disseste que eu sou o Filho de Deus, e Deus?”

E Jesus, afirmam eles, respondeu: “Tem misericórdia de mim, Senhor; sabes que eu não me vangloriaria de ser teu servo, e que eu não lhes disse isso; mas os homens que se desviaram escreveram que eu falei desse modo, e contam mentiras sobre mim, e enganaram-se a si próprios”.

E eles dizem que Deus lhe respondeu: “Eu sabia que tu não dirias uma coisa dessas”.

E embora ele introduzisse nesse escrito muitos outros absurdos que só podem ser objeto de ridículo, Maomé insiste que isso lhe foi transmitido do céu por Deus.

Quanto a nós, perguntamo-nos: “Quem pode testemunhar que Deus lhe deu esses escritos? Que profeta anunciou antecipadamente que apareceria semelhante profeta?”

E porque eles ficaram surpresos e envergonhados, acrescentamos que Moisés recebeu a Lei no Monte Sinai à vista de todo o povo, quando Deus apareceu na nuvem e no fogo, nas trevas e na tempestade.

Ficaram assombrados pelo fato de que todos os profetas, começando por Moisés e aqueles que vieram depois dele, predisseram a vinda de Cristo, e também que Cristo é Deus e que o Filho de Deus virá, encarnando-se, que será crucificado, morrerá e que será o juiz dos vivos e dos mortos.

E então, quando lhes perguntamos:

“Como é que vosso profeta não veio dessa forma, havendo outras pessoas que testemunham sobre ele?

“Porque, ao contrário de Moisés, a quem Deus deu a Lei enquanto o povo via e que a montanha estava envolta pela fumaça, Deus não deu a vosso profeta o escrito em vossa presença.

“Do contrário, também vós poderíeis ter certeza”.

E eles respondem que Deus faz o que lhe aprouver.

Isso, dizemos nós, também sabemos; mas como é que esse escrito desceu até o vosso profeta? Isso é o que vos perguntamos.

E eles respondem que o santo livro desceu sobre ele enquanto dormia.

Maomé no inferno com as vísceras abertas. Gravura de Gustave Doré (1832 – 1883) para a Divina Commedia de Dante Alighieri.
Maomé no inferno com as vísceras abertas.
Gravura de Gustave Doré (1832 – 1883)
para a Divina Commedia de Dante Alighieri.
Assim, nós lhes dizemos, brincando, que posto ter recebido o Corão enquanto dormia, ele não tinha consciência do que estava acontecendo, [N.: defeito no texto original].

Quando voltamos a lhes perguntar:

“Como é que, apesar de em seus escritos sagrados ele vos tenha ordenado nada fazer nem receber sem a presença de testemunhas, não lhe perguntastes:

“Prova primeiro, com o apoio de testemunhas, que tu és um profeta e que vieste de Deus, e que escrito santo testemunha em teu favor?”

Eles ficam em silêncio porque estão envergonhados.

Posto não terdes permissão para casar sem testemunhas ou para comprar qualquer coisa ou para adquirir bens (não tendes sequer o direito de comprar sem testemunha sequer um burro ou qualquer outro animal), e assim, pois, comprais mulheres, propriedades, burros e tudo mais, na presença de testemunhas; mas só aceitais sem testemunhas vossa fé e vossos escritos sagrados.

Isso provém do fato de que a pessoa que vos deu os escritos não tirou sua autoridade de lugar algum.

Além disso, não há ninguém conhecido que tenha testemunhado antecipadamente sobre isso.

Deve-se acrescentar que o Profeta recebeu essa coisa enquanto dormia.

3. Chamam-nos ademais de “idólatras” porque, argumentam eles, nós introduzimos um sócio ao lado de Deus, dizendo que Cristo é o Filho de Deus e é Deus.

Nós lhes respondemos:

“Isto é o que as Escrituras e os profetas nos transmitiram, e vós, como o proclamais, aceitais a autoridade dos profetas.

“Se, portanto, estávamos errados afirmando que Cristo é o Filho de Deus, então aqueles que nos ensinaram e nos transmitiram tais escritos também se enganaram”.

“Alguns sarracenos sustentam que nós adicionamos essas coisas, manipulando os profetas.

“Outros proclamam que foram os judeus que, cheios de ódio, nos enganaram com falsos escritos de profetas para nos desviar do caminho.

“Mais uma vez, nós lhes respondemos:

“Dado que dizeis que Cristo é a Palavra e o Espírito de Deus, então como podeis nos tachar de idólatras?

“Porque a Palavra e o Espírito são inseparáveis daquele em quem tudo isto tem a sua origem. Se a palavra está em Deus, é evidente que ela também é Deus.

“Se, por outro lado, ela está fora de Deus, então Deus, na vossa opinião, carece de palavra e de Espírito.

“Então, tentando não associar pessoas a Deus, vós mutilates Deus.

“Ter-vos-ia sido mais vantajoso dizer que Deus tem uma pessoa associada, em vez de mutilá-lo e apresentá-lo da mesma forma que se faria com uma pedra, madeira ou qualquer outro objeto inanimado.

“É assim que vós nos chamais erradamente de “idólatras”. Em sentido contrário, chamamo-vos de “mutiladores” (Koptas) de Deus”.

São João Damasceno, Padre e Doutor da Igreja (676 -749).
São João Damasceno, Padre e Doutor da Igreja (676 -749).
4. Eles nos acusam injustamente de idólatras, porque veneraramos a cruz, e eles a desprezam. A isto respondemos:

“Como é que esfregais vossa Kaaba numa pedra e manifestais vossa veneração por essa pedra beijando-a?”

Alguns respondem dizendo que Abraão manteve relações sexuais com Agar nessa pedra; outros dizem que esse é o lugar onde ele amarrou seu camelo antes de sacrificar Isaac.

E nós lhes respondemos:

“Posto que a Escritura diz que havia uma montanha e uma floresta, da qual Abraão cortou a lenha para o holocausto sobre o qual ele deitou Isaac, e também que ele deixou os burros atrás com os servos; de onde tirais vossa história?

“Nesse lugar não havia madeira proveniente de floresta alguma, nem sequer sendeiro para os burros”.

Ei-los então embaraçados. No entanto, continuam afirmando que se trata da verdadeira pedra de Abraão.

Nós lhes respondemos:

“Suponhamos que isso que vós dizeis de modo insensato seja verdade. Não sentis vergonha alguma de beijar a pedra, só porque Abraão teve relações com uma mulher ou porque amarrou seu camelo nela?

“E nos vituperais porque veneramos a cruz de Cristo, por meio da qual o poder dos demônios e a astúcia do Diabo foram aniquilados!!!”

Portanto, aquilo que chamam de “pedra” é na verdade a cabeça de Afrodite que eles adoram. Chamavam-na de Haber, e ainda hoje vemos entalhes na pedra, aqueles que os entendem veem nela gravações.

5. Como já mencionamos, Maomé inventou muitas histórias e atribuiu a cada uma um título como, por exemplo, O Tratado da Mulher.

“Nesse escrito ele admite que alguém pode ter legalmente quatro mulheres e mil concubinas, se puder dar-se esse luxo, com tal de manter também as quatro mulheres.

“Todos podem repudiar cada uma de suas esposas segundo o seu desejo e recasar-se com outra mulher.

“Ele criou essa lei por causa da seguinte história.

“Maomé tinha um amigo chamado Zaid. Esse homem tinha uma mulher bonita pela qual Maomé se apaixonou.

Certo dia em que os dois amigos estavam sentados juntos, Maomé disse: “Escuta, meu amigo, Deus me ordenou casar com tua esposa, para que ela se torne minha”.

Ao que o amigo respondeu: “Tu és um apóstolo, faz como Deus te disse; pega a minha esposa”. E a repudiou.

Ou melhor, para contar a história desde o início, ele lhe disse: “Deus me ordenou dizer-te que tens que repudiar tua mulher”.

Poucos dias depois, ele retomou: “Mas agora Deus ordenou que eu a tome por esposa”.

Maomé numa representação imaginária turca.
Maomé numa representação imaginária turca.
E após levá-la e cometer adultério com ela, inventou a seguinte lei: “Quem quiser, pode mandar sua mulher embora. Mas, se após o divórcio ele quiser voltar para ela, é preciso que a mulher tenha anteriormente sido casada com outra pessoa. Pois não está permitido recuperá-la, a menos que ela tenha se recasado com outra pessoa. Um irmão pode casar com a mulher repudiada por seu irmão, se assim o desejar” (...)

7. Maomé também fala do Tratado da Mesa. Ele afirma que Cristo pediu a Deus uma mesa, e ela lhe foi dada.

“Porque, segundo relatou, Ele respondeu: “Eu te dei, bem como a seus companheiros, uma mesa incorruptível”.

também o Tratado da Novilha e algumas outras estórias, das quais só se pode rir, e não vamos falar de todas devido a seu grande número.

“Ele criou uma lei dizendo que homens e mulheres devem ser circuncidados, e ordenou-lhes que não observassem o sábado nem se fizessem batizar.

“E, de um lado, mandou-lhes comer o que está proibido na Lei, e de outro se absterem de alimentos que a Lei permite; também proibiu beber vinho”.


(Fonte: “De Haeresibus” de São João Damasceno, apud Blog Valentin Beziau)




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