segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

O rei leproso começa pondo em xeque o poder de Saladino

Coroação de Balduíno IV
Coroação de Balduíno IV

continuação do post anterior: Balduíno IV, o rei leproso que espantava os muçulmanos


Nos dias que se seguiram à morte de Amaury I e após a sagração de seu sucessor na Coroa do Santo Sepulcro, começou a luta pelo poder em volta do jovem doente.

Porém, como o reino corria grave perigo, o realismo prevaleceu e o instinto de conservação dominou o “Parlamento”, reunião realizada em Jerusalém no fim de 1174.

Dito “Parlamento” aclamou Raimundo III, conde de Trípoli, como regente, com o apoio da unanimidade dos bispos e dos nobres, decisão que “todo o povo recebeu com grande alegria”.

Tão logo assumiu sua função, o regente deu um golpe de mestre contra o Islã. No transcurso do inverno 1174—1175, Saladino veio sitiar Alepo. Se ele conseguisse tomar a praça, a unidade muçulmana ficaria selada do Sudão ao Eufrates.

Mas o conde de Trípoli correu e, com uma rápida intervenção sobre Homs, obrigou Saladino a deixar sua presa (fevereiro de 1175).

Enquanto o regente trabalhava desse jeito no norte, o menino-rei não ficava inativo na Palestina.

No mesmo ano de 1175, no momento da safra, ele se pôs à testa dos seus (tinha então 14 anos e a doença ainda não havia arrasado sua energia física). Conduziu então uma brilhante cavalgada para além do maciço do Hermon até Dareya, apenas a cinco quilômetros de Damasco.


Saladino se viu diante da perspectiva de uma guerra em duas frentes e preferiu fazer a paz com os francos.

Saladino incendeia uma cidade. Chroniques de Guilhaume de Tyr. BNF, Mss fr 68, folio 359.
Saladino incendeia uma cidade. Chroniques de Guilhaume de Tyr.
BNF, Mss fr 68, folio 359.
Porém, foi apenas um adiamento. Levado pelo desejo de completar a unidade da Síria muçulmana, Saladino voltou a sitiar Alepo em julho de 1176.

O jovem Balduíno IV voltou a se pôr em campanha, desta vez visando o fértil vale da Beqaa.

Após derrotar um corpo de exército damasceno perto de Andjar, Balduíno conduziu com “grande alegria” sua cavalaria até Tiro, onde o botim foi dividido.

Assim, sob o reinado do pobre leproso adolescente, inclusive na presença da unidade muçulmana reconstituída em quase três quartas partes, os francos mantinham o Islã em xeque.


(Autor: René Grousset, de l’Académie française, L’épopée des Croisades, Perrin, Paris, 2002, 321 páginas, pp 171 e ss. Excertos).




continua no próximo post: Contra Saladino, Balduíno IV conquista em Montgisard a mais bela vitória das armas cristãs



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