segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Terror dos islâmicos, Balduino I consolida o reino

Balduino I entrando em Edessa.
Balduino I entrando em Edessa.
Luis Dufaur


O terror que os cristãos inspiravam era tão grande que os infiéis não ousavam mais enfrentar seus ataques, nem suportar lhes a presença.

Em vão o califa do Egito, ordenava aos seus emires, encerrados em Ascalon, que combatessem os francos e que trouxessem à sua presença, carregado de ferros, aquele povo mendigo e vagabundo: os guerreiros egípcios hesitavam em deixar seus abrigos e suas defesas.

Por fim, levados pelas ameaças do califa, encorajados pela multidão, tentaram uma incursão a Ramla. Balduino, avisado de sua marcha, reuniu depressa duzentos e oitenta cavaleiros e novecentos soldados de infantaria.

Logo que chegou diante do exército egípcio, dez vezes mais numeroso que o dos cristãos, disse aos soldados que eles iam combater pela glória de Cristo; se alguém tinha vontade de fugir, devia lembrar-se de que o Oriente não oferecia asilo para os vencidos e que a França estava muito longe.

O Patriarca de Jerusalém, há muito tempo em litígio com o rei, não tinha seguido o exército; o venerável abade Gerle, que trazia em seu lugar a verdadeira cruz, mostrou-a aos soldados, lembrando-lhes que deviam vencer' ou morrer.

O exército cristão contemplava num silencio morno a imensa multidão de sarracenos, etíopes, turcos, árabes, vindos do Egito. Estes, confiando em seu número, avançavam ao ruído de cornos e de tambores. Travam combate com tal fúria que as duas primeiras linhas dos cristãos são logo desfeitas.



O rei Balduino, ficara nas últimas fileiras, mas mandou vários batalhões para ajudar os que fugiam. A vitória parecia decidir-se pelos muçulmanos: então o arcebispo de Cesaréia e o abade Cerle, que trazia a cruz do Salvador, aproximam-se do rei e dizem-lhe que a misericórdia divina se havia retirado dos cristãos por causa da divergência entre ele e o patriarca.

A essas palavras, Balduino, cai de joelhos diante do sinal sagrado da Redenção dos homens.

“O juízo da morte, diz ele aos dois pontífices, está perto de nós; de todos os lados os inimigos nos rodeiam; eu sei que não poderei vencê-lo, se a graça de Deus não estiver comigo; imploro pois o auxílio do Todo-Poderoso e juro restabelecer a concórdia e a paz do Senhor.”

Balduino confessa ao mesmo tempo seus pecados e recebe a absolvição. Confia a dez dos seus cavaleiros a guarda da verdadeira cruz, depois sobe ao seu cavalo que era chamado de gazela, pela sua velocidade e precipita-se para o meio da luta.

Uma bandeira branca presa à sua lança mostra aos seus cavaleiros o caminho do perigo e da matança. Diante deles, em redor deles, tudo é presa da espada. Atrás vem a Cruz do Salvador; em todos os lugares onde aparece o lenho sagrado só há salvação para os que tem rápidos corcéis.

Os soldados cristãos que se haviam deixado vencer no começo da luta, tinham tomado o caminho de Jaffa, mas na fuga vieram cair sob os golpes do inimigo.

Revestidos das armaduras e das vestes dos cristãos que eles haviam matado, os muçulmanos apresentaram-se diante das muralhas de Jaffa. Gritaram em altas vozes que o exército cristão tinha perecido, que o rei tinha morrido.

Houve grande consternação na cidade; a Rainha de Jerusalém que então estava em Jaffa mandou por mar uma mensagem a Tancredo para lhe dar essas tristes notícias e anunciar-lhe que o povo de Deus chegaria ao seu último momento, se ele não viesse em seu auxílio.

Enterro de Balduino I.
Enterro de Balduino I.
Entretanto, Balduino de nada sabia do que se estava passando em Jaffa; o exército vitorioso, depois de ter perseguido os infiéis até às portas de Ascalon, voltara à tarde, para a planície onde se dera a batalha.

Os cristãos deram graças ao Senhor e passaram a noite sob as tendas dos inimigos. No dia seguinte, quando voltavam a Jaffa de repente, um grupo de infiéis apresentou-se diante deles, carregados de despojos e vestindo hábitos dos francos.

Eram os que no dia anterior tinham ido aos muros de Jaffa e cuja presença tinha causado tanto terror. Ante o exército cristão, ficaram todos fora de si, e não resistiram nem ao primeiro ataque daqueles que julgavam mortos e derrotados. Do alto das torres de Jaffa veem-se as bandeiras triunfantes do exército de Balduino.

“Deixo-vos imaginar, diz aqui Foulcher de Chartres, que gritos de vitória partiram então da cidade, e que louvores se deram ao Senhor.”

Essas coisas passaram-se no dia sete de setembro, dia do nascimento da Virgem, no segundo ano do reinado de Balduino.

(Autor: Joseph-François Michaud, “História das Cruzadas”, vol. II, Editora das Américas, São Paulo, 1956. Tradução brasileira do Pe. Vicente Pedroso, páginas 90 ss).



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