segunda-feira, 19 de abril de 2010

O Papa Pascoal II comemora a conquista de Jerusalém e exorta a reforçar a Cruzada

O Papa Pascoal II com o rei da Franca Felipe I, em 1107.
O Papa Pascoal II com o rei da Franca Felipe I, em 1107.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs




Pascoal bispo, servidor dos servidores de Deus, a todos os arcebispos, bispos e abades da Gália, saudações e bênção apostólica.

Nós estamos obrigados por uma gratidão sem limites à compaixão de Deus Onipotente, porque no nosso tempo Ele determinou liberar a Igreja da Ásia dos bandos turcos e abrir aos soldados cristãos a própria cidade onde o Senhor padeceu e foi enterrado.

Entretanto, nós devemos receber a graça divina com todas as conseqüências que isso implica.

Ele deu-nos aquelas terras que outrora foram do povo da Palestina ou Canaã, e ajuda efetivamente nossos irmãos que ali ficaram.

Urgi, por isso mesmo, a todos os soldados de vossa região, para remissão e perdão de seus pecados, a partirem com presteza a sustentar nossa Mãe a Igreja de Oriente.

Compeli especialmente aqueles que endossaram o sinal da Cruz em sinal desta promessa a apressarem sua partida, a menos que a pobreza os impeça.

Além do mais, nós decretamos que permaneçam excomungados aqueles que incorreram na desgraça de abandonar o cerco de Antioquia por falta de fé ou questionáveis argumentos, a menos que patenteiem com sólidas promessas que pretendem voltar.

Nós ordenamos especialmente que sejam devolvidas todas as poses a nossos irmãos que estão voltando depois da vitória do Senhor, de acordo com o que, vós lembrais, foi ordenado em decreto sinodal por Urbano, nosso predecessor de feliz memória.

Agindo assim em todos os assuntos, cumprindo zelosamente vosso dever, podeis ter certeza que por nosso zelo conjunto nossa Mãe a Igreja de Oriente será reconduzida a seu devido estado, pela misericórdia do Senhor.

(Fonte: August. C. Krey, The First Crusade: The Accounts of Eyewitnesses and Participants, (Princeton: 1921), 279, Internet Medieval Source Book)

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Após as derrotas, Saladino aceita condições e morre abatido e envergonhado

Jaffa
Após a libertação de Jaffa, Ricardo Coração de Leão só dispunha de dois mil homens, dos quais só cinqüenta eram cavaleiros, aliás desmontados. A debilidade numérica inspirou aos turcos a esperança de tirar revanche.

Assim que o exército de Saladino conseguiu se reorganizar em Yazour, ele percebeu a imensa vergonha do pânico do 1º de agosto.

Ele ficou sabendo que a pequena tropa de Ricardo, com louca despreocupação, acampava fora dos muros de Jaffa. Passar no sabre nesses pedestres parecia fácil.

Na noite do 4 ao 5 de agosto, a cavalaria muçulmana se pôs em marcha sob a luz da lua em direção ao acampamento inglês.

Estourou uma disputa entre os mamelucos que atrasou um pouco a marcha, de maneira que quando eles chegaram diante do acampamento cristão já era de manhãzinha.

Um genovês que se afastara pelos campos viu brilhar as armaduras e deu a alarme. Acordados às pressas, Ricardo e os seus apenas tiveram tempo de pagar nas armas, alguns até tiveram que combater semi-nus.

Formando linhas fechadas, com um joelho em terra para ficarem mais firmes, puseram os escudos encravados na terra e as lanças inclinadas para frente.

Assim, eles receberam sem fissuras, nos primeiros albores da manhã, a carga furiosa dos esquadrões maometanos. Ricardo, a toda pressa, dissimulou entre os lanceiros, um número igual de besteiros.

Quando os cavaleiros turcos viam que sua carga era quebrada pelas lanças, eles davam meia volta para se reorganizarem. Então, os besteiros atiravam, matando os cavalos e semeando a desordem nos esquadrões.

Todas as cargas de Saladino arrebentaram-se diante desta tática precisa. Foi em vão que o sultão exortou seus soldados por trás das fileiras.,
“A bravura dois francos era tal, escreve Béhá ed-Dín, que nossas tropas desencorajadas, contentavam-se em mantê-los cercados, mas ficavam à distância”.

Foi então que Ricardo Coração de Leão passou ao ataque contra esse exército desmoralizado.

“Ele lançou-se no meio dos turcos e os rachava até os dentes. Ele projetou-se tantas vezes, deu-lhes tantos golpes que acabou se fazendo mal e a pele de suas mãos descolou-se. Ele golpeava para frente e para trás e com sua espada abria passagens por toda parte que ele ia. Seja que ele ferisse um homem ou um cavalo, ele abatia tudo. Foi lá que ele deu um golpe que arrancou o braço e a cabeça de um emir vestido de ferro e que enviou direto para o inferno. Quando os turcos viram esse golpe, abriram um espaço tão largo que, graças a Deus, ele voltou sem dano. Mas, sua pessoa, seu cavalo e suas costas estavam tão cobertas de flechas que ele parecia um porco espinho”.

Ricardo Coração de Leão esmaga Saladino
A batalha durou todo o dia 5 de agosto. Na tarde, a vitória dos cruzados era completa. Diante do rei de Inglaterra e seu punhado de heróis o exército muçulmano bateu em retirada.

Saladino saiu humilhado e desencorajado.

Tão grande foi a admiração dos muçulmanos pela bravura do grande Plantagenet que em plena batalha Mélik el-Adil, vendo-o combater sobre um cavalo medíocre e já cansado, enviou-lhe um novo corcel.

Fendendo a multidão dos combatentes vira-se chegar ao galopo e se deter diante de Ricardo um mameluco que conduzia dois magníficos cavalos árabes, “porque não era conveniente que o rei combatesse a pé”.