segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

O Grande Cerco de Malta (1)

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs




Uma pequena ilha no Mediterrâneo foi o cenário de mais um embate entre a Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo e o Crescente islâmico.

O destino da Europa cristã ficou reservado à bravura de poucos cavaleiros que se mantiveram firmes para defender um único bastião contra uma quase incalculável horda de inimigos.

E pior, esses cavaleiros cristãos sabiam que para eles mesmos não havia esperança.

Veremos como se deu a brilhante defesa da ilha de Malta pelos valorosos cavaleiros da Ordem de São João de Jerusalém.

Histórico da Ordem até Malta

O cerco de Malta em 1565 foi o auge da longa história da Ordem de Cavalaria de São João. Ela havia surgido logo após a primeira Cruzada (1099) com o objetivo de dar abrigo aos peregrinos que chegavam a Jerusalém.

O “hospital” fundado na cidade não era destinado somente à cura de enfermidades, mas também ao refúgio dos peregrinos.

Os “hospitalários”, como passaram a ser chamados, constataram depois a necessidade de defender com armas os peregrinos nas perigosas estradas da Terra Santa. Nascia assim uma ordem militar religiosa, seguindo o exemplo dos Templários.

Essas duas ordens militares passaram a ser o corpo de elite dos exércitos cristãos do Reino de Jerusalém. Sua fama era grande.

Seus componentes sempre eram destacados para ocupar as posições mais perigosas nas batalhas e afirmava-se que lutavam como se fossem um só homem, tal era sua disciplina.



Restos do antigo Hospital recuperados em Jerusalém.
Restos do antigo Hospital recuperados em Jerusalém.
Com a dramática destruição do Reino de Jerusalém no final do século XIII, os Cavaleiros do Hospital viram-se forçados a migrar para a ilha de Chipre e depois para a ilha de Rodes (sécs. XIV e XV).

Neste período, adaptaram de maneira formidável seu modo de combate para as lides marítimas.

Passaram a ser chamados de “escorpiões do mar”, pois estavam em constante luta contra a poderosa frota turco-otomana no Mediterrâneo. Os muçulmanos infiéis viam na Ordem do Hospital seu maior inimigo.

O sultão turco não podia suportar a presença dos cavaleiros em Rodes, ilha situada ao sul da atual Turquia.

Em 1522, os hospitalários tiveram que se retirar da ilha, depois de seis meses de cerco — em que todo Império Turco se engajou — e diante dos apelos da população cristã que preferiu a trégua.

Em 1530, o imperador Carlos V cedeu aos cavaleiros a pequena ilha de Malta, localizada ao sul da península itálica e Sicília. Malta passou a ser a sede da ordem, bem como o posto avançado da Cristandade contra o poderio turco-otomano.

O Império Otomano e a Europa em crise

No século XVI, os turcos continuavam sua expansão por todas as encostas do Mediterrâneo. Com uma formidável frota marítima, ameaçavam a Europa cristã. O objetivo final do sultão era levar a religião de Maomé até Roma.

Acrescenta-se a isso a confusão interna nos países cristãos, sobretudo por causa da revolução protestante, iniciada pelo monge apóstata Martinho Lutero em 1517.

O Grão-mestre Philippe Villiers de L'Isle-Adam toma pose de Malta
O Grão-mestre Philippe Villiers de L'Isle-Adam toma pose de Malta
O momento era propício para os inimigos da Cruz.

O sultão Solimão II desejava para logo a conquista de mais territórios europeus, contando com a superioridade naval turca e as divisões existentes entre os príncipes cristãos.

Mas, antes de tudo, impunha-se conquistar a pequena ilha-rocha de Malta, ponte que levaria os turcos à Itália.

Malta era então sede dos poucos, mas impertérritos cavaleiros de São João, sempre devotados na luta contra os turcos.

Em 1565, o sultão reuniu um exército de 40 mil homens e 180 navios de guerra. Sua missão: eliminar de uma vez por todas os cavaleiros de Malta.

Dois comandantes turcos foram designados para a empresa: Piali Paschá e Mustafá Paschá, famosos por suas façanhas.

Em maio daquele ano, as avassaladoras forças turcas chegaram a Malta e lançaram toda sua potência contra a pequena ilha. Mas os cavaleiros da Cruz estavam preparados para detê-las.



(Autor: Paulo Henrique Américo de Araújo, in CATOLICISMO, agosto e outubro 2014)




continua no próximo post: La Valette: heroico líder da resistência


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