segunda-feira, 9 de junho de 2014

Estímulos de São Bernardo a seu tio André, cavaleiro do Templo

Estímulos de São Bernardo a seu tio André, cavaleiro do Templo
Estímulos de São Bernardo a seu tio André, cavaleiro do Templo
São Bernardo deplora o lamentável resultado da II Cruzada e manifesta a seu tio o desejo de vê-lo.

l. Eu estava no leito pela doença, quando recebi vossa última carta. E não saberia vos dizer com quanta pressa eu a recebi, com quanta felicidade a li e reli; mas quão mais feliz eu teria sido se voltasse a vos ver.

Sim, a vós! Vós me testemunhais o mesmo desejo, expondo-me os temores que vos inspiram o estado do país que o Senhor honrou com sua presença, assim como os perigos que ameaçam a cidade regada com seu sangue.

Oh! Desgraça para os nossos príncipes cristãos! Eles nada de bom fizeram na Terra Santa, apressando-se a voltar a seus países apenas para se entregarem a toda espécie de desordens insensíveis à opressão de José.

Impotentes para o bem, infelizmente eles são poderosos demais para o mal.


Entretanto, eu espero que o Senhor não rejeite seu povo e não abandone sua herança à mercê de seus inimigos. Seu braço é suficientemente potente para socorrê-lo, e sua mão sempre rica em maravilhas.

O universo reconhecerá que mais vale depositar a confiança em Deus do que nos príncipes da Terra.

Vós tendes bem razão em vos comparar com uma formiga. Não somos outra coisa com toda a pena e fatiga que, pobres humanos, nós sofremos por causa de coisas inúteis ou vãs.

Que outra coisa é o homem que tira tantas penas e trabalhos sob a face do sol?

Elevemos nosso olhar para o céu, e que nossa alma vá adiante até aquele local onde um dia nosso corpo deverá acompanhá-la.

É isso o que vós fazeis, meu caro André, pois ali se encontram o fruto e a recompensa de vossos trabalhos.

Aquele que vós servis sob o sol habita no mais alto dos Céus, e se o campo de batalha é aqui embaixo, a recompensa ao vencedor se encontra lá no alto.

Pois não é absolutamente nesta terra que cumpre procurar o prêmio da vitória; ele está mais alto e seu valor supera tudo quanto existe nos limites deste universo.

Sob o sol não há senão indigência e pobreza; lá encima estaremos não apenas na abundância, mas receberemos a medida plena e superabundante que o Senhor derramará em nosso peito (Lc. VI, 38).

2. Vós tendes o maior desejo de me ver, acrescentando que ele não depende senão de mim para obter essa felicidade, e que eu só tenho a dizer uma palavra para que vós venhais.

O que vos dizer? Eu desejo vos ver, mas tenho medo de ao mesmo tempo em que vierdes, eu não saiba o que escolher.

Por um lado, eu me sinto levado a satisfazer vosso desejo e o meu. Por outro, temo vos tirar do país [Terra Santa] onde se diz que vossa presencia é mais do que necessária, e que em virtude de vossa ausência se encontraria exposto aos maiores perigos.

Eu não ouso, pois, vos desvendar o desejo de minha alma e, entretanto, o quanto eu seria feliz de vos rever antes de morrer!
São Bernardo de Claraval, abade, taumaturgo, devotíssimo de Nossa Senhora e ardoroso pregador das Cruzadas
São Bernardo de Claraval, abade, taumaturgo,
devotíssimo de Nossa Senhora e ardoroso pregador das Cruzadas

Vós estais em melhor posição do que eu para ver e julgar se podeis deixar esse país sem inconveniente e escândalo para ninguém.

Talvez vossa viagem até nosso país não fosse tão inútil e, pela graça de Deus, poderia ser que não retornásseis sozinho à Palestina.

Sois conhecido e amado aqui, e não faltariam pessoas que se poriam ao serviço da Igreja junto convosco.

Nesse caso vós podereis exclamar com o santo patriarca Jacó: “Eu estava só quando atravessei o Jordão, e agora eu volto a atravessá-lo escoltado com três tropas” (Gen., XXXIII, 10).

Em todo caso, se vós deveis vir me ver, que seja mais cedo do que tarde, de medo que não encontreis mais ninguém, pois eu me debilito rapidamente e não acredito que minha peregrinação sobre a terra prossiga ainda por muito tempo.

Deus queira que eu tenha a consolação de gozar de vossa doce e amável presença pelo menos durante alguns instantes antes que eu parta deste mundo!

Eu escrevi à rainha nos termos que vós desejáveis, e eu estou muito contente do elogio que me fizestes de sua pessoa.

Cumprimentai de minha parte o vosso Grão Mestre e vossos confrades, os cavaleiros do Templo, assim como os do Hospital, do mesmo modo como eu a vós mesmo vos saúdo.

Eu vos rogo recomendar-me, havendo ocasião, aos reclusos e aos religiosos que me enviaram cumprimento por vosso intermédio. Aceitai ser meu intérprete junto a eles.

Eu saúdo com o maior afeto o nosso caro Geraldo, que ficou algum tempo entre nós e que, segundo dizem, agora é bispo.




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