segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Godofredo de Bouillon descreve ao Papa Pascoal II a Primeira Cruzada (1099) ‒ II

Godofredo de Bouillon, Bruxelas
continuação do post anterior

E tendo o exército sofrido muito durante o cerco [de Jerusalém], especialmente por conta da falta d’água, um conselho foi realizado e os bispos e príncipes.

Eles ordenaram que todos marchassem com pés descalços ao redor das muralhas da cidade, a fim de que Ele, que nela entrou humildemente por amor a nós, seja movido por nossa humildade a fim de abrir-nos as portas da cidade e julgar seus inimigos.

Aplacou-Se Deus com essa humildade e no oitavo dia depois da penitência entregou-nos a cidade e os seus inimigos.

Era de fato o dia em que a igreja primitiva fora dali expulsa e em que se comemora a dispersão dos Apóstolos. E se vós desejais saber o que foi feito com os inimigos que lá se encontravam, saibais que no Portal de Salomão e do seu templo nossos homens cavalgavam no sangue dos sarracenos até os joelhos dos cavalos.

Tomada de Jerusalém
Então, quando estudávamos quem deveria defender a cidade, e alguns, movidos pela saudade de seu país e de seus parentes queriam voltar para casa, foi-nos anunciado que o rei de Babilônia chegara a Ascalon com uma incontável multidão de soldados.

Seu propósito, como ele mesmo disse, era levar os francos que estavam em Jerusalém para o cativeiro e tomar Antioquia de assalto.

Mas Deus tinha outros planos para nós. Assim, soubemos que o exército dos babilônios estava em pé de guerra para nos atacar, porém eles não tinham armas confiáveis.

Não pode haver dúvida de quão grandes foram seus despojos, pois os tesouros do rei da Babilônia foram capturados. Mais de 100 mil mouros ali morreram a fio de espada.

Além disso, seu pânico foi tão grande que cerca de 2.000 foram sufocados na entrada da cidade. Inúmeros morreram no mar. Muitos pereceram enredados nas moitas.

Todos os elementos certamente lutaram por nós, e se muitos de nós não tivéssemos parado para saquear o acampamento, uma grande multidão de inimigos não teria escapado.

E embora possa ser entediante, o seguinte não deve ser omitido: no dia anterior a batalha o exército capturou milhares de camelos, bois e ovelhas.

Por ordem dos príncipes, foram eles divididos entre as pessoas. Ao avançarmos para a batalha, deu-se um fato maravilhoso: os camelos formaram-se em vários esquadrões e as ovelhas e bois fizeram o mesmo.

Todos esses animais nos acompanhavam, parando quando parávamos, avançando quando avançávamos, e atacando quando atacávamos. As nuvens nos protegiam do calor do sol e nos refrigeravam.

Assim, após celebrar a vitória, o exército voltou a Jerusalém. O duque Godofredo lá ficou; o conde de Saint Gilles, Roberto, conde da Normandia, e Roberto, conde de Flandres, voltaram a Laodicéia. Ali encontraram a frota dos pisanos e de Boemundo.

Bronze de Godofredo de Bouillon. Fundo: igreja do Santo Sepulcro
Tendo o arcebispo de Pisa obtido um acordo de paz entre Boemundo e nossos chefes, Raimundo preparou-se para voltar a Jerusalém pelo amor de Deus e dos irmãos.

Assim, conclamamos a todos os senhores da Igreja Católica de Cristo e de toda a Igreja latina a exultaram com a admirável bravura e devoção de vossos irmãos.

Com a gloriosa e tão desejável recompensa de Deus onipotente, e com a muito e devotamente esperada remissão de nossos pecados pela graça de Deus.

E rogamos que Ele faça com que todos vós –bispos, clero e monges de vida devota, e todo o laicato – se sentem à mão direita de Deus, que vive e reina por todos os séculos dos séculos.

E vos pedimos e rogamos em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo, que permanece sempre conosco e nos livra de todas as tribulações, que cuidem bem de nossos irmãos que a vós retornam, fazendo-lhes gentilezas e pagando suas dívidas, para que Deus os recompense e absolva de todos os vossos pecados e vos conceda uma participação nas bênçãos que nós e eles temos merecido diante do Senhor. Amém.

Laodicéia, Setembro de 1099



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