terça-feira, 25 de fevereiro de 2025

São João Damasceno: Doutor da Igreja explica erros do Islã

São João Damasceno, Padre e Doutor da Igreja (676 -749)
São João Damasceno, Padre e Doutor da Igreja (676 -749)
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs





São João Damasceno (675 – 749) como seu nome indica nasceu em Damasco, capital da Síria, ocupada havia não muitos anos pelo invasor islâmico.

Paradoxalmente, foi filho de um importante ministro católico do Califa, e neto de um ministro do imperador cristão de Bizâncio. Ele próprio, iniciou sua carreira na Corte do supremo chefe islâmico.

Na época, muitos acreditavam que o Islã era mais uma das muitas heresias e cismas que devoravam o Oriente cristão.

No convívio quotidiano, São João Damasceno percebeu que o Islã era uma outra religião que visava o extermínio do cristianismo.

Retirou-se como monge a Jerusalém e desde ali empreendeu douta e destemida pregação, com homilias e escritos. Ele abriu os olhos dos católicos para os erros e os enganos da religião de Maomé, além de muitas outras grandes heresias da época, especialmente a dos iconoclastas.

São João Damasceno é Doutor da Igreja e sua festa comemorada em 27 de março foi transferida em 1969 para o 4 de dezembro, dia de sua morte.

Poucos doutores estão mais habilitados em ciência e em experiência do que ele para falar sobre o Islã. Ouçamos o que ele nos ensina:

1. Há entre os ismaelitas [árabes] uma superstição enganosa sempre ativa, que serve de precursora do Anticristo.

Ela tem sua origem em Ismael, nascido de Abraão e Agar. É por isso que eles são chamados agarenos ou ismaelitas.

Também os chamam de sarracenos, porque, ao que parece, foram devolvidos sem nada por Sara. Pois Agar disse ao anjo: “Sara mandou-me embora sem nada”.

[N.T.: Realmente significa “povo do deserto” em grego. Este termo não tem nada a ver com o nome Sara. Ele deu “sarrasins” em francês.]

Os sarracenos eram idólatras e adoravam a estrela da manhã, como também a Afrodite.

Este nome na língua deles significa Majestoso (Habar), razão pela qual até o tempo de Heráclio eles eram certamente idólatras.

2. A partir dessa época, surgiu no meio deles um falso profeta; chamava-se Maomé.

Ele ouviu algumas vezes o Antigo e o Novo Testamento, e acredita-se que em seguida encontrou um monge ariano. Finalmente, acabou criando sua própria heresia.

Depois, desgostoso, fez crer ao povo que era um “temente a Deus”, e mandou espalhar o boato de que um livro santo [o Alcorão] lhe fora trazido do céu.

Ele começou a escrever em seu livro sentenças das quais só se pode rir, e deu-as a seus seguidores para que as obedeçam.

Maomé no inferno (acima na direita). Giovanni di Pietro Falloppi, ou da Modena (1379 – 1455), Cappella Bolognini.
Maomé no inferno (acima na direita).
Giovanni di Pietro Falloppi, ou da Modena (1379 – 1455), Cappella Bolognini.
Ele dizia que só existia um Deus único, criador de todas as coisas, que não engendrou nem foi engendrado.

Dizia que Cristo era a Palavra de Deus e seu Espírito, que ele foi criado e é um servo, que nasceu da estirpe de Maria, irmã de Moisés e de Arão.

Porque, diz ele, a Palavra de Deus e o espírito entraram em Maria, e ela deu à luz Jesus, que foi um profeta e servo de Deus.

Ele afirma que os judeus, tendo violado a lei, queriam crucificá-lo, e após prendê-lo, crucificaram sua sombra, mas o verdadeiro Cristo, dizem eles, não foi crucificado nem morreu; porque Deus o levou para junto de si no céu, porque Ele o amava.

Ele afirma que quando Cristo subiu aos céus, Deus interrogou-o, dizendo: “Ó Jesus, tu disseste que eu sou o Filho de Deus, e Deus?”

E Jesus, afirmam eles, respondeu: “Tem misericórdia de mim, Senhor; sabes que eu não me vangloriaria de ser teu servo, e que eu não lhes disse isso; mas os homens que se desviaram escreveram que eu falei desse modo, e contam mentiras sobre mim, e enganaram-se a si próprios”.

E eles dizem que Deus lhe respondeu: “Eu sabia que tu não dirias uma coisa dessas”.

E embora ele introduzisse nesse escrito muitos outros absurdos que só podem ser objeto de ridículo, Maomé insiste que isso lhe foi transmitido do céu por Deus.

Quanto a nós, perguntamo-nos: “Quem pode testemunhar que Deus lhe deu esses escritos? Que profeta anunciou antecipadamente que apareceria semelhante profeta?”

E porque eles ficaram surpresos e envergonhados, acrescentamos que Moisés recebeu a Lei no Monte Sinai à vista de todo o povo, quando Deus apareceu na nuvem e no fogo, nas trevas e na tempestade.

Ficaram assombrados pelo fato de que todos os profetas, começando por Moisés e aqueles que vieram depois dele, predisseram a vinda de Cristo, e também que Cristo é Deus e que o Filho de Deus virá, encarnando-se, que será crucificado, morrerá e que será o juiz dos vivos e dos mortos.

E então, quando lhes perguntamos:

“Como é que vosso profeta não veio dessa forma, havendo outras pessoas que testemunham sobre ele?

“Porque, ao contrário de Moisés, a quem Deus deu a Lei enquanto o povo via e que a montanha estava envolta pela fumaça, Deus não deu a vosso profeta o escrito em vossa presença.

“Do contrário, também vós poderíeis ter certeza”.

E eles respondem que Deus faz o que lhe aprouver.

Isso, dizemos nós, também sabemos; mas como é que esse escrito desceu até o vosso profeta? Isso é o que vos perguntamos.

E eles respondem que o santo livro desceu sobre ele enquanto dormia.

Maomé no inferno com as vísceras abertas. Gravura de Gustave Doré (1832 – 1883) para a Divina Commedia de Dante Alighieri.
Maomé no inferno com as vísceras abertas.
Gravura de Gustave Doré (1832 – 1883)
para a Divina Commedia de Dante Alighieri.
Assim, nós lhes dizemos, brincando, que posto ter recebido o Corão enquanto dormia, ele não tinha consciência do que estava acontecendo, [N.: defeito no texto original].

Quando voltamos a lhes perguntar:

“Como é que, apesar de em seus escritos sagrados ele vos tenha ordenado nada fazer nem receber sem a presença de testemunhas, não lhe perguntastes:

“Prova primeiro, com o apoio de testemunhas, que tu és um profeta e que vieste de Deus, e que escrito santo testemunha em teu favor?”

Eles ficam em silêncio porque estão envergonhados.

Posto não terdes permissão para casar sem testemunhas ou para comprar qualquer coisa ou para adquirir bens (não tendes sequer o direito de comprar sem testemunha sequer um burro ou qualquer outro animal), e assim, pois, comprais mulheres, propriedades, burros e tudo mais, na presença de testemunhas; mas só aceitais sem testemunhas vossa fé e vossos escritos sagrados.

Isso provém do fato de que a pessoa que vos deu os escritos não tirou sua autoridade de lugar algum.

Além disso, não há ninguém conhecido que tenha testemunhado antecipadamente sobre isso.

Deve-se acrescentar que o Profeta recebeu essa coisa enquanto dormia.

3. Chamam-nos ademais de “idólatras” porque, argumentam eles, nós introduzimos um sócio ao lado de Deus, dizendo que Cristo é o Filho de Deus e é Deus.

Nós lhes respondemos:

“Isto é o que as Escrituras e os profetas nos transmitiram, e vós, como o proclamais, aceitais a autoridade dos profetas.

“Se, portanto, estávamos errados afirmando que Cristo é o Filho de Deus, então aqueles que nos ensinaram e nos transmitiram tais escritos também se enganaram”.

“Alguns sarracenos sustentam que nós adicionamos essas coisas, manipulando os profetas.

“Outros proclamam que foram os judeus que, cheios de ódio, nos enganaram com falsos escritos de profetas para nos desviar do caminho.

“Mais uma vez, nós lhes respondemos:

“Dado que dizeis que Cristo é a Palavra e o Espírito de Deus, então como podeis nos tachar de idólatras?

“Porque a Palavra e o Espírito são inseparáveis daquele em quem tudo isto tem a sua origem. Se a palavra está em Deus, é evidente que ela também é Deus.

“Se, por outro lado, ela está fora de Deus, então Deus, na vossa opinião, carece de palavra e de Espírito.

“Então, tentando não associar pessoas a Deus, vós mutilates Deus.

“Ter-vos-ia sido mais vantajoso dizer que Deus tem uma pessoa associada, em vez de mutilá-lo e apresentá-lo da mesma forma que se faria com uma pedra, madeira ou qualquer outro objeto inanimado.

“É assim que vós nos chamais erradamente de “idólatras”. Em sentido contrário, chamamo-vos de “mutiladores” (Koptas) de Deus”.

São João Damasceno, Padre e Doutor da Igreja (676 -749).
São João Damasceno, Padre e Doutor da Igreja (676 -749).
4. Eles nos acusam injustamente de idólatras, porque veneraramos a cruz, e eles a desprezam. A isto respondemos:

“Como é que esfregais vossa Kaaba numa pedra e manifestais vossa veneração por essa pedra beijando-a?”

Alguns respondem dizendo que Abraão manteve relações sexuais com Agar nessa pedra; outros dizem que esse é o lugar onde ele amarrou seu camelo antes de sacrificar Isaac.

E nós lhes respondemos:

“Posto que a Escritura diz que havia uma montanha e uma floresta, da qual Abraão cortou a lenha para o holocausto sobre o qual ele deitou Isaac, e também que ele deixou os burros atrás com os servos; de onde tirais vossa história?

“Nesse lugar não havia madeira proveniente de floresta alguma, nem sequer sendeiro para os burros”.

Ei-los então embaraçados. No entanto, continuam afirmando que se trata da verdadeira pedra de Abraão.

Nós lhes respondemos:

“Suponhamos que isso que vós dizeis de modo insensato seja verdade. Não sentis vergonha alguma de beijar a pedra, só porque Abraão teve relações com uma mulher ou porque amarrou seu camelo nela?

“E nos vituperais porque veneramos a cruz de Cristo, por meio da qual o poder dos demônios e a astúcia do Diabo foram aniquilados!!!”

Portanto, aquilo que chamam de “pedra” é na verdade a cabeça de Afrodite que eles adoram. Chamavam-na de Haber, e ainda hoje vemos entalhes na pedra, aqueles que os entendem veem nela gravações.

5. Como já mencionamos, Maomé inventou muitas histórias e atribuiu a cada uma um título como, por exemplo, O Tratado da Mulher.

“Nesse escrito ele admite que alguém pode ter legalmente quatro mulheres e mil concubinas, se puder dar-se esse luxo, com tal de manter também as quatro mulheres.

“Todos podem repudiar cada uma de suas esposas segundo o seu desejo e recasar-se com outra mulher.

“Ele criou essa lei por causa da seguinte história.

“Maomé tinha um amigo chamado Zaid. Esse homem tinha uma mulher bonita pela qual Maomé se apaixonou.

Certo dia em que os dois amigos estavam sentados juntos, Maomé disse: “Escuta, meu amigo, Deus me ordenou casar com tua esposa, para que ela se torne minha”.

Ao que o amigo respondeu: “Tu és um apóstolo, faz como Deus te disse; pega a minha esposa”. E a repudiou.

Ou melhor, para contar a história desde o início, ele lhe disse: “Deus me ordenou dizer-te que tens que repudiar tua mulher”.

Poucos dias depois, ele retomou: “Mas agora Deus ordenou que eu a tome por esposa”.

Maomé numa representação imaginária turca.
Maomé numa representação imaginária turca.
E após levá-la e cometer adultério com ela, inventou a seguinte lei: “Quem quiser, pode mandar sua mulher embora. Mas, se após o divórcio ele quiser voltar para ela, é preciso que a mulher tenha anteriormente sido casada com outra pessoa. Pois não está permitido recuperá-la, a menos que ela tenha se recasado com outra pessoa. Um irmão pode casar com a mulher repudiada por seu irmão, se assim o desejar” (...)

7. Maomé também fala do Tratado da Mesa. Ele afirma que Cristo pediu a Deus uma mesa, e ela lhe foi dada.

“Porque, segundo relatou, Ele respondeu: “Eu te dei, bem como a seus companheiros, uma mesa incorruptível”.

também o Tratado da Novilha e algumas outras estórias, das quais só se pode rir, e não vamos falar de todas devido a seu grande número.

“Ele criou uma lei dizendo que homens e mulheres devem ser circuncidados, e ordenou-lhes que não observassem o sábado nem se fizessem batizar.

“E, de um lado, mandou-lhes comer o que está proibido na Lei, e de outro se absterem de alimentos que a Lei permite; também proibiu beber vinho”.


(Fonte: “De Haeresibus” de São João Damasceno, apud Blog Valentin Beziau)



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terça-feira, 11 de fevereiro de 2025

Skanderbeg (II), herói da Cristandade e flagelo dos turcos

Skanderbeg, monumento em Pristina, Albania

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs




continuação do post anterior: Jorge Castriota, 'Skanderbeg' (I): espada e escudo da Cristandade




Em 1457, amargurou a Skanderbeg, o herói albanês, a defecção de seu sobrinho Hamsa, que se uniu aos implacáveis inimigos da fé e sequazes do Islã.

Naquele ano, o sobrinho renegado invadiu seu país, acompanhado do general turco Isabeg com numeroso exército. Skanderbeg tinha para defendê-lo apenas 12 mil homens.

Por isso, não enfrentou diretamente o inimigo, mas procurou atraí-lo para lugares isolados.

Em 2 de setembro desse ano, Skanderbeg, num combate sangrento, obteve a vitória nos arredores de Tomorniza, surpreendendo o exército turco enquanto este se entregava ao repouso.

Mais de 15 mil turcos foram mortos e 1500 feitos prisioneiros, entre eles o renegado Hamsa, a quem Skanderbeg poupou a vida, mas enviou-o a Nápoles para que estivesse preso com segurança.

Em carta de 17 de setembro de 1457, escreveu o Papa ao general albanês:
"Amado filho: perseverai do mesmo modo no futuro, em defesa da Fé Católica, pois Deus, por quem pelejais, não abandonará sua causa; Ele vos dará, estou seguro disso, a vós e aos demais cristãos, junto com a maior glória e triunfo, a vitória sobre os malditos turcos e demais infiéis".(4)
O Sumo Pontífice mostrou seu júbilo pela vitória obtida, nomeando Skanderbeg Capitão General da Cúria na guerra contra os turcos.

Casco de Skanderbeg, em Viena
O elmo de Skanderbeg, Viena

Conclama os príncipes do Ocidente a uma Cruzada


Depois dessa vitória, o herói albanês escreveu aos príncipes do Ocidente, dizendo-lhes que não tinha condições de continuar sua guerra contra os turcos se não recebesse deles auxílio.

Que era chegado o tempo em que esses príncipes despertassem do sono a que até então tinham se entregado, renunciassem às suas discórdias e se coligassem para defender a liberdade do mundo cristão.

Somente Nápoles ouviu seu apelo e mandou algumas tropas.

A Albânia resistia havia dezenove anos ao poder dos sultões.

Apesar de algumas derrotas e enfraquecido pela defecção de certos aliados seus, Skanderbeg mantinha contínuo assédio às tropas turcas.

Maomé II resolveu então acabar de vez com essa resistência, enviando contra ele todos os seus generais. Mas quando três deles foram derrotados, o próprio Maomé pediu a paz em 1461.

Três anos após, o Papa Pio II pregou uma nova Cruzada. Skanderbeg derrotou sucessivamente dois generais dos mais importantes do sultão.

Depois, cedendo aos apelos do Papa, ajudou a repor no trono de Nápoles a Fernando, filho de Afonso V, que havia sido destronado por João de Anjou.

Com o apoio do Papa, vence o cerco de Kruja


Na primavera de 1466, um exército turco - composto, segundo uns, de 200 mil homens; segundo outros, de 300 mil - invadiu a Albânia, comandado pelo próprio Maomé II.

Replica do elmo e da espada de Skanderbeg no museu de Kruje, Albânia
Replica do elmo e da espada de Skanderbeg no museu de Kruje, Albânia
Pouco depois, circulou pela Europa a notícia de uma derrota de Skanderbeg, devido à traição e abandono de muitos cristãos.

O pânico apoderou-se sobretudo dos italianos, tanto mais que a notícia vinha acompanhada de outra, a de que um exército turco já ameaçava a Hungria.

Felizmente a notícia da derrota do herói albanês era falsa.

Não podendo enfrentar exército tão numeroso, entregara-se à tática de guerrilha, que tantas vezes lhe tinha sido eficaz.

Estabeleceu uma forte posição nos bosques de Tumenistos, e desde lá fatigava o exército turco por meio de surpresas, falsos alarmes e fugas simuladas.

A tática foi empregada por tanto tempo, que foi desgastando o exército infiel, acostumado a travar uma guerra regular.

Cansado, Maomé retirou-se a Constantinopla para passar o inverno, deixando o general Balaban à frente de 80 mil homens fazendo o cerco de Kruja.

Como Skanderbeg, com seus poucos homens, não podia levantar o cerco, dirigiu-se à Itália em busca de socorro, armas e dinheiro.

O Papa e os cardeais o receberam entusiasticamente em Roma, e "com muitos presentes e uma considerável soma de dinheiro regressou Skanderbeg aos seus, alegre e animoso", escreve seu primeiro biógrafo Bartelius.(5)

De volta à Albânia, Skanderbeg derrotou os turcos em abril de 1467, fazendo prisioneiro um irmão de Balaban.

Pouco depois alcançou outra vitória, ocasionando a morte do próprio Balaban.

Com isso as tropas turcas fugiram, e levantou-se o cerco de Kruja.

Grandeza de alma, lealdade e fé sincera


Mas o heroico guerreiro estava no fim.

"Vinte e quatro anos de luta contínua esgotaram aquela natureza de ferro. E, havendo sido atacado pelas febres, morreu em Alessio aos cinquenta e três anos, terminando assim a epopeia albanesa [...].

"À grandeza de alma, à lealdade, a uma fé sincera, juntava ele uma inteligência extraordinária, uma penetração segura e uma sagacidade pouco comum [...].

"Caridoso e humano, não parecia o mesmo homem na guerra; pois, fogoso, violento, às vezes impiedoso, chegava a assustar os mais valentes: até esse ponto o exaltavam seu ódio pelos turcos e seu amor à independência [da Albânia]".(6)

Nossa Senhora do Bom Conselho foi miraculosamente trasladada pelos anjos de Scutari na Albânia até Genazzano na Itália, onde hoje é venerada
À notícia de sua morte, seu mais feroz inimigo, o sultão Maomé II, exclamou: "Por fim, me pertencem a Europa e a Ásia. Ai da Cristandade, que acaba de perder sua espada e seu escudo!".(7)
Mas Nossa Senhora tinha outros desígnios sobre a Cristandade.

Após as infidelidades do povo albanês e da morte de Skanderbeg, a imagem albanesa de Nossa Senhora do Bom Conselho transferiu-se milagrosamente, pelos ares, para Genazzano, na Itália, acompanhada por dois devotos que atravessaram a pé o Mar Adriático.
________
Notas:
(1) Ludovico Pastor, Historia de los Papas, Gustavo Gili, Barcelona - Herrero Hermanos, México, 1910, vol. II, p. 422.
(2) www.masterclass. Spunti tratti da un'articolo di A. Raspagni sulla Rivista "Militaria", nº 11, anno 2.
(3) V. Fallmerayer, Albanes. Clement 5. 7. Apud Pastor, op. cit. vol. II, p. 423.
(4) L. Pastor, op. cit., vol. II, p. 427.
(5) Cfr. L. Pastor, vol. IV, p. 82.
(6) Diccionario Enciclopedico Hispano-Americano, Barcelona, Montaner y Simón, Editores, 1896, tomo XVIII, p. 819.
(7) L. Pastor, op. cit., vol. IV, p. 84.

(Autor: José Maria dos Santos, "Catolicismo", abril de 2004)


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terça-feira, 28 de janeiro de 2025

Jorge Castriota, 'Skanderbeg' (I): espada e escudo da Cristandade

Skanderbeg , heroi católico albanes na luta contra os turcos

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
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Príncipe da Albânia, cognominado pelo Papa Calixto III de atleta de Cristo, "durante vinte e quatro anos inteiros opôs vitoriosa resistência aos exércitos turcos, com freqüência 10 a 20 vezes mais numerosos que o seu".(1)

Jorge era o mais novo dos filhos do Príncipe João Castriota, senhor de Ematie, na Albânia, e da Princesa sérvia Voizava, tendo nascido no ano de 1414.

Quando, em 1423, o sultão turco Amurath II invadiu a Albânia, o Príncipe João, para salvar o reino, não podendo pagar a vultosa soma que lhe era exigida como dano de guerra, precisou dar como reféns ao vencedor seus quatro filhos, Estanislau, Reposio, Constantino e Jorge.

Dos quatro, dois morreriam envenenados; um terceiro, retornando à Albânia, entraria num mosteiro; e somente o caçula, Jorge, tornar-se-ia um grande guerreiro.

Chegados à Turquia, os três mais velhos foram postos no calabouço, pois não estavam dispostos a renunciar à sua fé. Como Jorge tinha apenas nove anos e era de muito boa presença, foi circuncidado e educado no islamismo. Mas, em segredo, guardou a fé de seus pais.

Tanta era a estima que tinha por ele o sultão, devido às suas inatas qualidades, que fez com que lhe ensinassem o árabe, o turco, o eslavo e o italiano, além do exercício das armas.

Skanderbeg, um novo Alexandre Magno


Aos 18 anos foi nomeado sandiak. Posto à frente de um exército de cinco mil ginetes, passou para a Ásia, onde demonstrou um valor extraordinário.

Foi aí que recebeu dos turcos o sobrenome de Iskander-bei (príncipe ou chefe Alexandre, em alusão a Alexandre o Magno), que os albaneses mudaram para Skanderbeg.

Skanderbeg, George Castriota, museo de Kruja, cruzado e salvador da identidade nacional albanes“Dele se diz que era de aspecto majestoso, e dotado de uma força fora do comum. [...]

“Conta-se que, durante um combate, logrou com um só golpe cortar em dois um guerreiro protegido com couraça”.(2)

“Todos os contemporâneos o elogiam como um dos mais belos e esforçados caracteres varonis daquele século. [...]

“Sua afeição aos combates era tão grande, que o dar uma batalha de quando em quando constituía para ele uma necessidade.

“ Nele se juntavam o valor do soldado e o olhar penetrante do general; suas forças corporais apenas podiam esgotar-se com esforços, e a rapidez de seus movimentos militares trazia à memória os de César”.(3)

Entretanto, Skanderbeg não se esquecia de seu país e procurava uma ocasião para a ele retornar.

Em 1432, com a morte de seu pai, deveria herdar suas possessões. Mas o sultão, em vez de lhe dar o território que lhe competia por herança, quis tê-lo para si.

E enquanto mandava um dos seus chefes tomar conta dele, mandou Skanderbeg invadir a Sérvia.

Jorge aproveitou-se do momento imediatamente precedente à batalha para passar para o lado sérvio. Antes, porém, tinha forçado o secretário de Estado do sultão a entregar-lhe uma ordem, dirigida ao comandante de Kruja, na Albânia, para que reconhecesse o portador como seu sucessor no comando daquela praça e lha entregasse.

Líder das tropas albanesas, cruzado contra os otomanos


Nossa Senhora do Bom Conselho de Scutari, Skanderbeg foi grande devoto dela
Nossa Senhora do Bom Conselho de Scutari, Skanderbeg foi grande devoto dela
Depois da batalha, vencida pelos cristãos sérvios, Skanderbeg refugiou-se nas montanhas, com 600 cristãos fugidos das tropas turcas e mais alguns montanheses.

Tendo entrado em Kruja, onde recebeu o comando da praça, à noite abriu as portas para seus partidários, que aniquilaram a guarnição turca. Skanderbeg chamou depois todos os seus parentes e albaneses a Kruja, para tomarem parte na libertação de seu país.

A insurreição se alastrou com tal rapidez, que em pouco tempo Skanderbeg havia tomado as principais praças da região.

Convocou então uma reunião em Alessio, em território veneziano, da qual participaram albaneses e venezianos, sendo eleito indiscutível chefe, aclamado por todos.

Posto à frente de sete mil infantes e oito mil cavaleiros, Skanderbeg enfrentou e derrotou em 1444 um exército turco de 40 mil homens, comandado por Ali Pachá.

Skanderbeg procurou unir-se com a Hungria e a Transilvânia na luta contra os otomanos, e aderiu ao plano de Cruzada proposto pelo Papa Eugênio IV.

No ano de 1448, Skanderbeg derrotou mais uma vez os turcos comandados pelo paxá Mustafá, fazendo-o prisioneiro como a outros de seus oficiais, por cuja liberdade exigiu vultosa soma.


continua no próximo post: Skanderbeg (II), herói da Cristandade e flagelo dos turcos

(Autor: José Maria dos Santos, "Catolicismo", abril de 2004)


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Por que líderes católicos ignoram o martírio de seus irmãos na Fé?

Luis Dufaur
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O jornalista árabe muçulmano Bassam Tawil externou seu pasmo vendo a apatia do mundo católico ocidental quando um míssil teleguiado do grupo terrorista Hisbolá atingiu em cheio a Igreja Greco-Católica de Santa Maria em Iqrit, norte de Israel.

O ataque feriu gravemente um fiel de 85 anos. O Hisbolá se vangloriou do crime num vídeo dos seus mísseis demolindo a igreja.

Enquanto isso acontecia o Papa Francisco I insinuava que Israel é culpado do assassinato de duas mulheres católicas no complexo da Paróquia Católica da Sagrada Família, na Faixa de Gaza.

O papa ecoou falsas alegações do Hamas e de outros grupos terroristas. Mas não foi um fato isolado, explicável por razões pontuais, mas corresponde a uma linha de conduta que já tem vários anos, observou o muçulmano Tawil.

Quando os maometanos martirizam católicos no Oriente, os líderes de sua Igreja fingem não tomar conhecimento. Por quê?

Cada vez há mais provas de que terroristas islâmicos do Hamas utilizam igrejas para lançar seus foguetes, como revelou sem vergonha até Mons. Alexios, arcebispo grego ortodoxo de Gaza.

Fontes militares europeias e dos EUA atribuíram o ataque ao Hospital Al-Ahli na Faixa de Gaza, a um foguete árabe e desqualificaram o número de mortos aduzido pelo Hamas.

Porém, o Patriarcado Latino de Jerusalém adotou em comunicado a fake dos terroristas corânicos de que as vítimas “foram baleadas a sangue frio”, e tudo sem qualquer prova, exclama Tawil.

Apontando com dedo acusatório ao lado não culpado, o Papa e o Patriarcado Latino em Jerusalém adotam as falsas alegações do Hamas. Num piscar de olhos, levantaram falso testemunho e nem se incomodaram com a investigação do incidente da igreja em Gaza.

Assim também age a grande mídia no Ocidente.

Onde estavam o Papa e demais organizações católicas quando seus irmãos na Fé eram sistematicamente visados e perseguidos pela ramificação da Irmandade Muçulmana? Perguntou o muçulmano Tawil.

“O Hamas está transformando (as áreas controladas pelos palestinos) numa teocracia islâmica, e os cristãos são continuamente discriminados.

Grupos como o Hamas e a Jihad Islâmica conceberam uma cultura de ódio contra os cristãos que produz numerosos atentados, escreveu o advogado internacional de direitos humanos Justus Reid Weiner.

Weiner diz que esses crimes religiosos se inspiram no pensamento primordial do Islã:

“no Islã cristãos e judeus recebem o status social inferior ou dhimmitude.

“A dhimma é um contrato legal de submissão imposto a judeus e cristãos que os sujeita a restrições legais e culturais sob a lei islâmica.

“Os muçulmanos podiam andar a cavalo, mas cristãos e judeus só podiam montar burros.

“Os muçulmanos podiam usar tecidos finos, mas cristãos e judeus só podiam usar tecidos grossos”.

Weiner observa que: “na sociedade palestina, os cristãos árabes não têm voz nem proteção. 70% dos cristãos árabes da Cisjordânia e Gaza agora vivem no exterior”.

No Natal, na Nigéria, 160 cristãos foram assassinados em ataques coordenados por grupos islamitas.

Em 2022 a Nigéria foi o nº 1 do mundo no sinistro ranking de cristãos martirizados pela sua fé.

Porém, quando se cometem essas atrocidades, raramente se ouve as vozes dos próprios líderes católicos ocidentais que dizem se preocupar com o bem-estar e a segurança de todos os homens.

Esses líderes estão causando enormes danos aos seus rebanhos, diz perplexo Tawil. E acrescentamos nós, escandalizam até muitos muçulmanos cultos como Tawil.

A insensibilidade desses líderes faz e ainda fará que os cristãos sejam alvo de ataques mais ferozes do que nunca.

Eles estão dando luz verde ao Hamas, ao Hezbolá e a outros terroristas islâmicos para que assassinem e destruam locais sagrados dos católicos.

Qual é então a sinceridade de suas exigências pela paz, pela vida, pelos direitos do homem, pelo ecumenismo, quando não parecem se importar até quando o banho de sangue de mártires os salpica sem cessar?


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