Sultão: Tranquilo, sim... o deve estar, e com sobrada razão, quem não tem coração, ou como o teu, que é de neve!
De grande ruindade se necessita – disse ruindade?, de covardia! – para vir neste dia falar de uma Cruz bendita, de um Deus que será um qualquer, e que na verdade e não gracejando, será um criado de Maomé dos de mais baixa extração.
São Fernando: Ímpio, cala esses lábios!
Sultão: Cristão, não alces o grito, pois para um lenho e um mito não há ofensa nem agravos. Seu valor é tão minguado e tão mesquinho seu preço, que só com meu desprezo considero-o muito bem pago.
Já verás, grande General, dentro de breves momentos, essas cruzes e esses contos aonde vão parar.
Caravaca de la Cruz: confraria de mouros.
Já verás o fim que têm teus orgulhos altaneiros e esses míseros guerreiros que lutar contra mim vêm. Sangue, lodo e confusão ficarão apenas deles antes que o Sol seus resplendores retire desta mansão.
E ao golpe dos cutelos de minhas hostes agarenas [descendentes de Agar] cobrirão estas arenas os corpos dessas falanges, e uma por uma cortadas suas cabeças desgrenhadas, em minhas altas fortalezas ordenarei sejam penduradas, onde a águia e o milano, com suas garras como o ferro, não deixem rastro de um cão desse exército cristão.
E essa Cruz tão altaneira, falsa, enganosa e mentirosa, a olharás convertida em mastro de minha bandeira.
O que eu disse? Loucura foi elevá-la a tal destino: a queimo... e teu Deus divino que a tire da fogueira. São Fernando: Maldito sejas, agareno, maldita a tua raça moura e maldito quanto adora esse povo sarraceno. Infame, blasfemo, vil, escória suja do inferno, aborto do mesmo inferno e venenoso réptil!
Já para ti não há perdão, africano mal nascido, que de meu peito ouviste a piedosa compaixão.
Guerra de morte, miserável! Guerra sem quartel, para ti e essa canalha asquerosa e desprezável; e extermínio, sangue e fogo, que façam de seus ídolos farrapos e reduzam a cinzas esse Alá que renego!
Caravaca de la Cruz: confraria de cristãos.
Só isto espero, traidor! Só isto espero, covarde! Tremes? Pois onde está tua gabolice de arrogância e valor? O que fizeste daqueles brios que mostravas belicoso quando humilde e silencioso escutei teus desvarios?
Que grande mentira revela esse rosto contorcido, de uma simples mulherzinha mais próprio que de um soldado.
Sultão: Cristão!
São Fernando: Não há um só minuto a perder. Escuta: quiseste luta? À luta, até morrer ou vencer.
Manda mouros aos milhões, traz teus estados inteiros, que um punhado de guerreiros basta para as tuas legiões.
Diz a Alá que te empreste luz, diz a ele que de sua altura desça e em minha presença ultraje a minha Santíssima Cruz!
Cruz bendita, Cruz gloriosa, Mãe do mundo cristão, vem e que o cão africano se cegue ao ver-te tão formosa.
Vem em minha ajuda, vem radiante de glória e preside a vitória dos filhos de teu Deus.
Andor da relíquia da Cruz em Caravaca
Vem a essa luta e goza, pois a pele desse agareno cobrirá o pó e a lama por onde tua carruagem passar.
Vem que teu filho está aqui, e terminando esta guerra não haverá um só lugar na Terra onde não se adore a Ti. À batalha agora mesmo!
Sultão: Mas se o prazo se dilatasse.
São Fernando: Encontrar-te-ei, ainda que te ocultasses no seio do abismo! Tua cabeça é minha ambição, dar-te morte, meu desejo, e cuspir em teu rosto feio, minha maior satisfação. Afasta-te mouro ímpio!
Sultão: Voltarei, cão cristão...
São Fernando: Não voltarás, africano, juro-o pelo meu Deus. Sultão: Guerra de morte, cristão!
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
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Na cidade espanhola de Caravaca de la Cruz, região de Murcia se realiza todos os anos um rico e original cerimonial para adorar uma relíquia da Santa Cruz.
O Ritual do Banho da Santíssima e Verdadeira Cruz nasceu na Idade Média, quando Caravaca era terra de fronteira com o Reino muçulmano de Granada e constitui um dos mais antigos desse gênero.
A cerimônia vem sendo celebrada pelo menos desde o ano 1384.
Pelo fato das guerras contínuas promovidas pelos islâmicos contra os cristãos a procissão e adoração da Cruz foi sempre acompanhada por uma escolta militar.
Após a expulsão dos mouros do território espanhol invadido a Sagrada Relíquia da Cruz continuou saindo em procissão do Santuário até o ‘banho’, fora dos muros da cidade.
Este singular ‘banho’ consiste em que uma parte do relicário da Cruz é submergido nas águas limpas e claras da fonte e que banharão, ou regarão, as férteis terras.
O Templete onde está a fonte das águas que vão ser abençoadas
A Solene Procissão do Banho
A procissão sai da Paróquia do Salvador em direção ao chamado Templete [Templinho], levando o augusto relicário com a cruz de Cristo em esplêndido andor de prata.
Simbolicamente desfilam confrarias de “Mouros” e Cristãos, precedendo o carro procissional da Cruz.
Quando este carro chega ao alto da encosta, onde se divisa o Templete, realiza-se a vistosa ré-encenação do Parlamento entre o sultão mouro Ceyt Abuceyt, e o rei São Fernando III o Santo, acontecido em 1231.
Diálogo entre o rei santo e o sultão
O Parlamento ou conversa prévia ao combate era frequente na Idade Média e visava um entendimento que evitasse a luta e o derramamento de sangue.
O diálogo entre os dois monarcas, na sua versão atual foi escrito por José Ortega Martínez, membro da Confraria da Vera Cruz de Caravaca, em 1883. (ver embaixo o vídeo)
Como conta a história, a reconciliação foi impossível e os dois líderes, o santo e o maometano, empurraram suas tropas para a batalha.
Desde o alto da encosta, uma grande Cruz preside o magnifico campo de batalha, e espera que se dirima a luta, a fim de descer majestosa para seu ‘banho’ nas águas do Templete.
Trata-se de uma das cenas históricas das mais sugestivas: os reis preparados, rodeados por suas respectivas hostes com espadas, cutelos, estandartes e bandeiras, enquanto a Cruz preside a discussão.
O sacerdote imerge a Cruz na fonte
e abençoa as águas
A encenação é vivida com intensidade e os espectadores, atentos ao discorrer das estrofes, participam com aplausos de repulsa e aprovação.
O posterior simulacro de combate, lembrança da batalha verdadeira acontecida outrora, dá lugar a uma luta desgarrada, insultos recíprocos, o triunfo da Cruz, sons de clarins, gritos, confrontos, ruídos de espadas, disparos e cheiro de pólvora dos trabucos, símbolos dos dois exércitos com cujas vozes as pessoas se animam.
A Bênção das Águas
Após o Parlamento e a batalha, realiza-se o Banho da Cruz e a Bênção das Águas.
A região é semiárida é a rega é fundamental. A devoção pedia que em sinal de impetração à Providência Divina que tudo rege com sabedoria, as próprias águas que iam fertilizar as terras fossem abençoadas especialmente.
Depois do ‘banho’, a procissão continua até a noite pelas ruas centrais da cidade até a Paróquia do Salvador, onde a relíquia fica exposta para adoração.
Tradução do Parlamento
Eis o texto do ‘Parlamento’ com as palavras do rei santo e do insolente chefe islâmico:
São Fernando: Convoquei-te, e vieste pressuroso à convocação; peço à minha Cruz bendita que o céu te faça ditoso.
Sultão: No Parlamento me anunciaram os sons de teus clarins, e venho saber as razões que te impulsionaram a tal. Sê breve.
São Fernando: Já o verás, pois assalta-me a impaciência em fazer cumprir minha consciência um sagrado dever.
Sultão: Diz, pois, cristão.
São Fernando: Sultão! Nossos bravos soldados, frente a frente situados, prontos para a luta estão.
O relinchar dos brutos e o ranger das couraças se ouvem quais ameaças de desolação e de luto. Logo os resplendores desse sol que nos ilumina se converterão em penumbra cheia de sangue e horrores.
E esse tapete matizado de violetas e tomilhos, e esses ternos passarinhos que cantam nos galhos, e essas fontes cristalinas nas quais se olham os céus, e esses mansos riachos, essas colinas bordadas, ruínas ficarão amanhã da destrutora guerra e não haverá um palmo de terra que não tenha uma tumba humana.
Sultão: Tétrica é a descrição que fazes da guerra. Crês que meu ânimo se aterra? Termina já o teu sermão.
São Fernando: Sê indulgente, grande Sultão, e um momento mais escuta.
Sultão: Vamos, cristão, à luta.
Caravaca de la Cruz: confraria de cristãos.
São Fernando: É que eu a quero evitar. Quero que sejamos irmãos, que como tais nos amemos, e só adoremos ao Deus que nós cristãos adoramos.
Que não busques outra luz do mundo em nosso caminho que a do farol divino de minha Santíssima Cruz.
Que jamais ostentar deixes, essas relíquias mentirosas de seitas envilecidas, que obras são dos hereges.
Que te inspires em meu Deus, de Céus e Terra Rei, e de sua divina Lei caminheis sempre em pós.
Que apagues teu fero rancor e a fazer paz te decidas, para salvar estas vidas que vai ceifar o aço, e com nobreza e honra os exércitos unidos, a partir de hoje fiquem convertidos à graça do Criador.
O falar-te neste estilo já vês que não me envergonha, cumpri assim com minha consciência e espero o julgamento tranquilo.
Escritor, jornalista,
conferencista de
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Quando o Papa Inocêncio III, subiu ao trono, encontrou que a heresia maniquéia invadira todo o sul da França, o norte da Itália, penetrara nos próprios Estados Pontifícios.
Era também conhecida como heresia cátara ou albigense.
Havia cidades que dependiam politicamente do Papa, dentro dos quais essa heresia estava absolutamente difundida.
Cerca de 1000 cidades declararam-se oficialmente maniquéias. Sobretudo no sul da França, os nobres e os clérigos eram maniqueus.
E dentre os nobres, entre os maiores senhores havia precisamente a maior proporção de maniqueus.
Qual foi a atitude de Inocêncio III?
Logo que subiu ao trono, redigiu um documento sobre os maniqueus, com alguns dos apelativos:
– gangrena que ataca as carnes ainda sadias;
– escorpiões que mordem com veneno de perdição eterna;
– gafanhotos ocultos na poeira e perdidos no meio de incontáveis vermes;
– gente que apresenta o veneno das serpentes na taça áurea de Babilônia;
– servos da perversidade diabólica.
– em relação aos cátaros e valdenses, os maniqueus eram com as raposas de
Sansão, de raça diferente mas ligadas pela cauda; todas colaborando contra a
Igreja Católica.
Imoralíssimos cátaros expulsos pelos Cruzados de suas cidadelas.
Depois dele ter exortado contra o maniqueísmo, ele convocou uma Cruzada, soltou os cruzados para derrotar os cátaros, que de fato acabou com eles.
Com sua linguagem e uma atitude dessas ensinou o horror ao mal.
Ele censurava o clero que não combatia o maniqueísmo como devia combater. Suas expressões eram:
“Vós tomais lã e leite das ovelhas, em vez de combater o lobo; vós não servis de muralha contra o inimigo, pois fugis de medo. Por vossa mania de presentes, justificais os ímpios deixando-vos corromper por eles”.
Um bispo escreveu a ele dizendo que era muito duro lutar contra os hereges e pedia demissão por isso. Ele aceitou a demissão e nomeou outro.
Esta atitude contra os maniqueus naturalmente atraiu a irritação de muitos historiadores.
Enérgico só com os ruins? O mais interessante é quando se é enérgico com os bons.
Monsegur, último castelo cátaro tomado pelos Cruzados no sul da França.
Em plena Cruzada, Inocêncio III recebe a comunicação de que os cruzados haviam atacado uma cidade católica, pertencente ao rei da Hungria. Qual a atitude do Papa?
“Satanás vos impeliu a voltar as vossas primeiras armas contra um povo católico; vós oferecestes ao demônio as premissas de vossa peregrinação. Não dirigistes vossos passos no rumo de Jerusalém, não descestes no Egito.
“Deveríeis, pelo menos, terdes dominado melhor nesse empreendimento criminoso, pelo respeito que deveis à Cruz que trazeis e pela consideração que mereceria o rei da Hungria e seus irmãos, e pela autoridade da Santa Sé que vos tinha dado ordens precisas a esse respeito.
“Nós vos exortamos a não levar mais longe essas abominações, e a restituir todo o produto de vosso saque aos delegados do rei da Hungria. E se assim não fizerdes lançaremos contra vós a excomunhão, nós vos declaramos decaídos de todo os benefícios da Cruzada”.
Inocêncio III dardejou contra eles essa comunicação violenta. Qual foi a atitude deles? Rumaram para Jerusalém ou para o Egito, e mandaram uma delegação pedir desculpas ao Papa!
A sensibilidade das almas medievais explica a cordura episcopal na Idade Média
Ela explica o aparecimento de bispos de uma cordura tão grande dentro do período medieval. A cordura deles parece ser o contrário da combatividade.
Mas acontecia que as almas eram tão tocáveis em muitos lugares que o Papa e a Igreja podiam agir com elas desse modo.
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Na Fleet Street, uma das mais movimentadas do centro de Londres, um pátio tranquilo leva a uma capela circular, e a uma estátua de dois cavaleiros em cima de um único cavalo.
É a Temple Church (Igreja do Templo), a “casa londrina dos cavaleiros do Templo” construída pela Ordem dos Templários em 1185.
O nome provinha do fato de sua sede principal estar construída na esplanada do antigo Templo de Salomão, em Jerusalém.
A Temple Church foi o primeiro banco de Londres, explica Tim Harford, redator de economia no “Financial Times” e animador do programa “as 50 coisas que fizeram a Economia Moderna” na BBC.
Os cavaleiros templários eram monges guerreiros, inspirados pela missão de ser um exército armado dedicado à “guerra santa” contra o Islã que invadira a Terra Santa.
Eles se dedicavam inteiramente à defesa de peregrinos cristãos a caminho de Jerusalém reconquistada na primeira Cruzada em 1099.
Desde aquela data ondas de peregrinos viajaram milhares de quilômetros pela Europa e pelo Meio Oriente para venerar os locais sagrados onde pregou, padeceu e morreu Nosso Senhor Jesus Cristo para nossa Redenção.
A Temple Church foi o primeiro banco de Londres
Obviamente, esses peregrinos precisavam carregar consigo grandes somas de dinheiro para meses de comida, transporte e acomodação, fato que os tornava alvo de assaltantes das estradas.
Acrescia que naqueles tempos não havia policiamento e perseguir os criminosos era tarefa dos senhores feudais locais.
Mas esses também estavam sobrecarregados de funções de governo e administração.
Os Templários deram a solução. O peregrino podia deixar seu dinheiro na Temple Church em Londres, ou em qualquer outra casa templária no caminho.
Ele recebia uma carta encriptada que ele podia exibir nessas casas e retirar a quantia que precisava carregando assim o dinheiro necessário para a etapa, como se fosse um cartão de crédito.
Os Cavaleiros do Templo eram por excelência as pessoas de confiança para lhe entregar as moedas de outro e prata, instrumento que se usava na época.
Eles não cobravam nenhum juro ou serviço e ainda por cima ofereciam proteção armada contra bandidos e pagãos, hospital, hospedagem e comida gratuita ao longo de milhares de quilômetros.
Também eram famosos pelo seu heroísmo. Em quem confiar mais?
Templários: Em quem confiar mais?
Na dinastia Tang na China ouve o “feiquan” - “dinheiro voador”, operado pelo governo.
Mas o sistema dos Templários funcionava como um banco privado – obedecendo aos Mandamentos sob severa regra e autoridade do Papa – ligado a reis e príncipes na Europa toda e gerenciado por monges com voto de pobreza.
Em seu livro Money Changes Everything (“Dinheiro muda tudo”, em tradução livre), William Goetzmann diz que eles ofereciam uma série de serviços financeiros reconhecidamente avançados para a época.
O rei Henrique III da Inglaterra comprou a ilha de Oleron, a noroeste de Bordeaux, na costa oeste da França com o auxílio dos Templários.
O rei pagou 200 libras por ano por cinco anos para os Templários em Londres, e quando seus homens tomaram posse da ilha, os Templários zelaram para que o vendedor tivesse recebido todo o dinheiro.
Desde os anos 1200, as Joias da Coroa britânica ficavam resguardas no Templo – e ali seguem bem resguardadas até hoje, ainda quando os templários não existem mais.
O Templo conservava valores de terceiros pela segurança que inspirava e como garantia de empréstimos, agindo a casa dos Templários como uma casa de penhor em quem todos confiavam.
Sede dos templários em Paris
Os Templários passaram a constituir a maior potência econômica da Europa, sem as mazelas a que estamos acostumados no III milênio. Só em Paris o bairro que era sua sede ocupava uma quarta parte da cidade.
Isso suscitou uma inveja indissimulável. Os príncipes e Papas penetrados do espírito renascentista que começava a se infiltrar cobiçavam essa influência moral que resultava na administração de enormes riquezas.
Riquezas aliás que não iam para proveito da Ordem, mas para financiar as Cruzadas, hospitais, hospedagens e auxílios de toda espécie para os romeiros.
As necessidades se tornaram mais prementes depois que Jerusalém caiu na posse dos infiéis em 1244
O rei Felipe o Belo todo penetrado do novo espírito revolucionário materialista, ávido de gozar descontroladamente os prazeres da vida, confabulou com o Papa Clemente V, a extinção da Ordem em 1312 levantando contra ela falsas e monstruosas acusações.
Monges guerreiros fundaram um sistema bancário sem mazelas e foram invejados
Os bens da Ordem foram confiscados para lucro do rei e cúmplices, o Grão Mestre foi queimado vivo, os cavaleiros foram supliciados, salvo os que conseguiram fugir para Portugal ou Rússia. Muitos anos depois uma bula vaticana reconheceu que as acusações tinham sido falsas, mas já não ficava nada da Ordem.
A finalidade da proibição foi se apropriar do dinheiro que aliás não era dos Templários, mas dos romeiros.
Nela foi pego um comerciante italiano que fazia fortunas no local sem comprar nem vender nada. Tudo com uma mesa e um tinteiro, onde recebia comerciantes e assinava pedaços de papel e ficava rico.
Os comerciantes honestos de mentalidade medieval olhavam para ele com suspeita, narra Harford.
Mas para a nova elite internacional das grandes casas de comercio da Europa todas penetradas de espírito cínico renascentista, suas atividades eram perfeitamente legítimas.
Detalhe do sarcófago dos templários em Santa Maria la Blanca (Villalcázar de Sirga, Castela, Espanha). Pobreza até na morte
O que comercializava esse desconhecido personagem? Comprava e vendia dívidas gerando um considerável valor econômico.
Um comerciante de Lyon que queria lã de Florença, podia ir a esse banqueiro e pedir um empréstimo chamado de “conta de troca”, ou um documento de crédito, que não especificava a moeda de transação.
O valor era expressado em “ecu de marc”, uma moeda privada usada por uma rede internacional de banqueiros.
A “conta de troca” do banqueiro de Lyon seria aceita pelos banqueiros de Florença, que trocariam pela moeda local e assim pela Europa toda.
Os agentes dessa rede de banqueiros se encontravam em grandes feiras como a de Lyon, conferiam suas anotações e acertavam as contas entre si.
Assim chegamos a nosso sistema financeiro atual, mais desenvolvido é claro.
Dar tudo pela Terra onde Jesus viveu: um outro conceito da finalidade do dinheiro.Temple Church
Transformando obrigações pessoais em dívidas negociáveis internacionalmente, esses banqueiros renascentistas criaram seu próprio dinheiro privado, fora do controle dos governantes.
Ficaram tão ricos e poderosos, que eles não precisavam mais se submeter às moedas soberanas de seus países.
Os reis acabaram se endividando com eles.
De certa forma isso ainda é feito hoje em dia.
Os bancos internacionais estão fechados em uma rede de obrigações mútuas difícil de entender ou controlar, explica Harford.
Eles podem usar seu alcance internacional para tentar contornar impostos e regulamentações até o ponto que quando bancos estão fragilizados ou com problemas, o sistema monetário do mundo todo também fica vulnerável.
Nós ainda estamos tentando entender o que fazer com esses bancos.
Nós não podemos viver sem eles, ao que parece, mas também não temos certeza de que queremos viver com eles.
A paz e estabilidade econômica e financeira dos pobres monges templários desapareceu do mundo quando eles foram iniquamente fechados.
Padre Gabriele Amorth, exorcista oficial da diocese de Roma: “Satanás impulsiona o Estado Islâmico, com certeza” Luis Dufaur Escri...
Dom Sebastião, rei do Portugal, e a batalha de Alcácer-Quibir, 4-8-1578
Mapa da agressão invasora islâmica
A Batalha de Poitiers/Tours 732 D.C
A vitória de Lepanto, maior batalha naval da história (em espanhol)
Islã ataca a Cristandade. A batalha de Viena 1683
Acompanham As Cruzadas:
O que diz o Alcorão sobre os cristãos:
Em numerosos versículos, o Corão fulmina os que acreditam na Santíssima Trindade e na divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo como “ímpios”, “idólatras” e “blasfemos” que devem ser reduzidos a um estado de humilhação – a dhimma – ou exterminados:
“Sim, aqueles que dizem: ‘Deus é o terceiro de três’ são ímpios (...) Se não renunciarem ao que dizem, um terrível castigo cairá sobre eles” (V, 73);
“Sim, aqueles que dizem ‘Deus é o Messias, filho de Maria’, são ímpios” (V, 72);
“Combatei contra aqueles que não acreditam em Alá, que julgam lícito aquilo que Alá e seu profeta declararam ilícito, assim como contra aqueles dos povos do Livro’ que não praticam a religião verdadeira, até que paguem o tributo, humilhados e com suas próprias mãos” (IX, 29);
“Combatei-os (...) até que não exista outra religião senão a de Alá” (VIII, 39);
“Fazei-os prisioneiros! Sitiai-os! Armai emboscadas contra eles!” (IX, 5);
“Nenhum profeta pôde fazer prisioneiros sem antes ter praticado massacres na terra” (VIII, 67);
“Não afrouxeis e não pedi a paz enquanto sejais os mais fortes” (XLVII, 35).
1672-1683: a católica Polônia repele a invasão islâmica
São Francisco de Assis e a base evangélica para recuperar as terras invadidas pelos muçulmanos
Diálogo entre São Francisco de Assis e o Sultão al-Malik al-Kamil em 1219, perto de Damieta, Egito.
“O sultão lhe apresentou outra questão:
− “Vosso Senhor ensina no Evangelho que vós não deveis retribuir mal com mal, e não deveis recusar o manto que quem vos quer tirar a túnica, etc. Então, vós, cristãos não deveríeis invadir as nossas terras, etc.”.
“Respondeu o bem-aventurado Francisco:
− “Me parece que vós não tendes lido todo o Evangelho. Em outra parte, de fato, está dito: Se teu olho te escandaliza, arranca-o e joga-o longe de ti (Mt. 5,25).
“Com isto quis nos ensinar que também no caso de um homem que fosse nosso amigo ou parente, que nos amássemos como a pupila do olho, nós devemos estar dispostos a separa-lo, e afastá-lo de nós, até arrancá-lo de nós, se tenta nos afastar da fé e do amor de nosso Deus.
“Exatamente por isto o cristãos agem de acordo com a Justiça quando invadem vossas terras e vos combatem, porque vós blasfemais contra o Nome de Cristo e vos empenhais em afastar de Sua religião todos os homens que podeis.
“Se, pelo contrário, vós quiserdes conhecer, confessar e adorar o Criador e Redentor do mundo eles vos amariam como a si próprios”.
“Todos os presentes ficaram tomados de admiração pela resposta dele”.
São Bernardo abade de Claraval, falou sobre a vida que devem levar aqueles que combatem por Jesus Cristo, com estas palavras:
“Quando se aproxima a hora do combate, armam-se de fé os cavaleiros, abrem-se a Deus em sua alma e cobrem-se, por fora, de ferro, não de ouro, a fim de que assim sejam bem apercebidos de armas, não adornados com jóias, infundam medo e pavor aos seus inimigos, sem excitar sua cobiça.
“É preciso ter cavalos fortes e velozes, não formosos e bem ajaezados pois o verdadeiro cavaleiro pensa mais em vencer do que em fazer proezas e os cavaleiros mundanos precisamente o que desejam é causar admiração e pasmo e não causar medo.
“Mostrando-se em tudo verdadeiros israelitas, que se adiantam ao combate pacífica e sossegadamente; mas apenas o clarim dá o sinal do ataque, deixando subitamente sua natural benignidade, parecem gritar com o salmista: Não temos odiado, Senhor, aos que te aborrecem? Não temos consumido de dor, ao ver a conduta de teus inimigos?”
A Canção de Rolando (Canção de Roldão) (9 excertos)
“Maomé seduziu os povos prometendo-lhes deleites carnais. ....
“Introduziu entre as poucas coisas verdadeiras que ensinou muitas fábulas e falsíssimas doutrinas. Não aduziu prodígios sobrenaturais, único testemunho adequado da inspiração divina. ....
“Afirmou que era enviado pelas armas, sinais estes que não faltam a ladrões e tiranos. Desde o início, não acreditaram nele os homens sábios nas coisas divinas e experimentados nestas e nas humanas, mas pessoas incultas, habitantes do deserto, ignorantes de toda doutrina divina. E só mediante a multidão destes, obrigou os demais, pela violência das armas, a aceitar a sua lei.
“Nenhum oráculo divino dos profetas que o precederam dá testemunho dele; ao contrário, ele desfigura totalmente o Antigo e Novo Testamento, tornando-os um relato fantasioso, como o pode confirmar quem examina seus escritos.
“Por isso, proibiu astutamente a seus sequazes a leitura do Antigo e Novo Testamento, para que não percebessem a falsidade dele”.