segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Muçulmanos iniciaram violências e morticínios contra os peregrinos

continuação do post anterior

De todas as partes, então, entre os cristãos, aqueles que buscavam obter grandes favores, ou expiar grandes quedas, se colocam em peregrinação aos lugares santos juntamente com os fiéis piedosos que para lá se dirigiam possuídos somente pelo amor ao Redentor.

Entre os peregrinos ilustres destes primeiros tempos, citamos São Silvino, bispo regional cujo nome conta na lista dos bispos de Toulouse e na lista dos bispos de Thérouenne. Ele assistiu ao batismo de Carlos Martel;

Santo Arculfo, prelado nas Gálias, que escreveu em seu retorno uma descrição dos lugares santos [Mabillon a conservou nas Acta Benedictorum];

Santo Willibald, bispo de Aichstaldt, na Francônia, e um dos apóstolos da Alemanha. Uma santa religiosa de sua família narrou sua viagem.

Muitos partiram para expiar crimes. Em 868, um senhor da Bretanha francesa, chamado Frotmond, assassino de seu tio e mais jovem de seus irmãos, recebeu absolvição após ter feito três vezes a peregrinação de Jerusalém.

Os rigores contra os cristãos reapareceram sob os fracos sucessores de Carlos Magno.

No século X, eles se tornaram mais violentos; o que não detinha, ainda, o zelo dos peregrinos para a santa viagem.

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

A cidade santa profanada inspira a Cruzada

Califa Ali Ben Hamet, Theodore Chasseriau (1819 – 1856)
continuação do post anterior

Omar, sucessor do Profeta, imediatamente edificou uma mesquita no lugar aonde estava levantado o templo de Salomão. Não atormentando, contudo, os cristãos.

Somente após sua morte, em 644, que as ignomínias e as espoliações vieram experimentá-los; os peregrinos foram obrigados a pagar um tributo para ter o direito de se prosternar no Calvário.

O tributo que se exigia dos peregrinos na entrada da cidade santa, inicialmente leve, logo tornou-se pesado, e aqueles fiéis que guardavam os lugares santos caíram rapidamente sob uma tirania odiosa.

Carlos Magno se encontrava bastante ocupado, assim como foram Carlos Martel e Pepino, com suas guerras contras os frísios e os saxões, guerras que eram verdadeiras cruzadas, mesmo que esse nome não tivesse ainda sido cunhado.

Carlos Magno envia então ao califa Haroun-al-Raschid, o chefe supremo do islamismo em Bagdá, um embaixador encarregado de reclamar a liberdade dos cristãos.

Haroun, antipático aos heróis do Ocidente, como dizem os historiadores, pois ele admirava somente a si mesmo, contudo, temendo os exércitos do grande chefe dos francos, cujo renome já havia chegado até ele (visto em uma carta de Silvestre II) [Gerberti Epist. 107].

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Os cruzados e a cidade santa de Jerusalém

Psalterio medieval: Jerusalém é representada no centro do mundo
Psalterio medieval: Jerusalém é representada no centro do mundo
Ó Jerusalém! o amor de minha alma, a alma de meus pensamentos e de meus desejos, os desejos de meu coração, o coração de minhas afeições e as afeições de minha vida, ai de mim! sois vós que eu procuro.
P. Boucher, peregrino nos lugares santos.

Jerusalém, a mais célebre e sem dúvida a mais misteriosa das cidades que brilharam sobre a terra, era, para os hebreus, o que Roma é para nós: o centro augusto de sua nacionalidade religiosa e o ponto rumo ao qual se voltavam seus corações para orar.

Todo filho de Israel deveria viajar para a cidade santa, e todos aqueles que podiam, iam lá celebrar todos os anos a festa da Páscoa. Eis aí, portanto, a mais ilustre e mais antiga peregrinação.

É neste local que nos dias de Abraão, o rei de Salém, no país dos Jebuseus, Melquisedeque, anunciava o mais adorável de nossos mistérios, oferecendo a Deus, por sacrifício, o pão e o vinho. É ali que o Senhor escolheria mais tarde seu santuário.

Ali todos os profetas anunciaram os acontecimentos futuros escritos nos santos Evangelhos.

Contudo, o povo de Deus, frequentemente infiel, ou mesmo ingrato, também mereceu constantemente os grandes reveses que testemunharam tão claramente o governo temporal da Providência. Mais de uma vez a cidade de Jerusalém, saqueada, expiou suas traições.

Ela estava no alto e radiante quando o Redentor, que queria salvá-la, chorou sobre ela.