segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Como Boemundo de Taranto se fez cruzado ‒ Gesta Dei per Francos 4






Supõe-se que o autor da “Gesta Dei per Francos” foi um clérigo, muito próximo, ou a serviço de Boemundo de Taranto, um dos heróis da I Cruzada.

A grande quantidade de pormenores a respeito deste chefe cruzado fundamenta essa suposição.
Mas Boemundo, poderoso na batalha, que estava envolvido no cerco de Amalfi no mar de Salerno, soube que uma hoste incontável de Cristãos de Francos havia chegado para ir ao Sepulcro do Senhor, e que estavam preparados para dar batalha contra a horda pagã.

Começou então a investigar de perto que armas de combate essas pessoas portavam, e que sinal de Cristo carregavam no caminho, ou que brado de guerra davam.

Em ordem, foram-lhe dadas as seguintes respostas:

‒ “Eles carregam armas adequadas para a batalha;

‒ no ombro direito, ou entre ambos os ombros, usam eles a Cruz de Cristo;

‒ o brado, “Deus o quer!, Deus o quer!, Deus o quer!” bradam eles, em verdade, a uma só voz”.

Movido diretamente pelo Espírito Santo, ordenou que a mais preciosa capa que trazia consigo fosse cortada em pedaços, e logo fez com que dela se fizessem cruzes.

Então, a maioria dos cavaleiros engajados naquele cerco correu ansiosamente até ele, de maneira que o Conde Rogério permaneceu praticamente sozinho.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Relato dos principais exércitos cruzados ‒ Gesta Dei per Francos 3





Logo eles [N.R.: os exércitos francos que partiram da Gália] deixaram suas casas na Gália e, em seguida formaram três grupos.

Um grupo de Francos, a saber, Pedro, o Eremita, o Duque Godofredo, seu irmão Balduíno, e Balduíno, Conde do Monte entraram na região da Hungria. Estes poderosíssimos cavaleiros, e muitos outros que desconheço, foram pelo caminho que Carlos Magno, o milagroso rei da França, há muito tempo havia percorrido, até Constantinopla. ...

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

O fim da Cruzada Popular ‒ Gesta Dei per Francos 2

Encontro dos restos da "cruzada popular" de Pedro o Eremita



Um dos episódios mais tristes e errados do tempo da Primeira Cruzada foi protagonizado pela “Cruzada Popular”, ou “dos camponeses”, convocada por um pregador de grande capacidade de atração popular: Pedro o Eremita.

Pedro agiu em desobediência às prudentes exortações do Beato Urbano II. O Papa, e com ele seus sucessores, exortavam à Cruzada com explícita exclusão daqueles que não tinham condições de combater ou habilidades para isso, como anciãos e mulheres.

Pedro com seus inflamados discursos congregou uma multidão de populares, incluindo crianças, incapacitados para uma campanha militar do fôlego da Cruzada, contra inimigos da força bélica e da ferocidade como os turcos seljúcidas.

A multidão de Pedro, sem preparo, sem planificação, sem chefes militares experientes, acabou sendo horrivelmente massacrada pelas hordas maometanas.

Assim narra aquele trágico fim, a Gesta Dei per Francos (A Gesta de Deus através dos Francos):

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

A Gesta de Deus através dos Francos, por vez primeira em português

Godofredo de Bouillon.
No fundo, a igreja do Santo Sepulcro, Jerusalém.

A Gesta Francorum (“Gesta dos Francos”) é uma crônica da Primeira Cruzada, escrita em latim em torno de 1100-1101 por um participante da épica empresa sagrada.

O nome completo é Gesta Francorum et aliorum Hierosolymytanorum (“Gesta dos Francos e os outros peregrinos para Jerusalém”).

Esta Crônica narra os acontecimentos da Primeira Cruzada a partir do lançamento, em novembro 1095 até a batalha de Ascalon, em agosto de 1099.

Ninguém sabe o nome do autor (que muitas vezes é referido como “Anônimo”), mas é sabido que fazia parte do exército cruzado recrutado por Boemundo de Taranto em 1096 no ducado de Apúlia, sul da Itália.

Quase certamente foi um normando ou italiano, e deve ter sido apenas um cavalheiro, e não um grande líder ou um clérigo.

O relato foi composto e redigido durante a Cruzada com a ajuda de um escriba que, ocasionalmente, acrescentou comentários pessoais.

A Gesta descreve o dia-a-dia da Cruzada (itinerário, operações táticas, logística) e aquilo que se passava no ânimo dos cruzados (mudanças de estados de espírito, disposições em relação aos gregos, etc.).

Enquanto depoimento de uma testemunha ocular dos acontecimentos, a Gesta tem um valor incomparável.

Para os contemporâneos cultivados da Idade Média, seu autor era um “rústico”.

Foi assim que Gilberto de Nogent escreveu sua Dei gesta per Francos (1108) com base no origianal, mas dizendo que ele “muitas vezes deixava o leitor atordoado pela sua vacuidade insípida.”

O monge Roberto de Reims foi contratado para reescrever o Gesta completa visando a beleza histórica e literária. Houve ainda outros embelezamentos.

Porém, o original ficou conservado até nossos dias, constituindo uma das mais prezadas fontes contemporânea da Primeira Cruzada.

Esse original foi escrito em latim. Grandes excertos dele foram vertidos para o inglês.

Nos post seguintes oferecemos uma tradução para o português.

Tal vez seja a primeira tradução a nossa língua, pelo menos disponível na Internet.