segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Beato Marco d’Aviano aclamado herói no esmagamento dos turcos

O cerco de Viena e a atuação política do admirável capuchinho
Batalha de Viena: o Beato foi o líder espiritual da coalizão católica contra os turcos

Na noite do dia 7 de julho, o Imperador foi obrigado a abandonar a cidade, para congregar as tropas aliadas mais a oeste. No dia 17, os turcos fecharam o cerco em torno da capital.

Setenta mil pessoas permaneciam em Viena, entre as quais 10 mil soldados. A defesa foi organizada com a ajuda das Corporações de Ofício e dos estudantes.

O famoso historiador von Pastor observa que “assim começava o mais preocupante de todos os cercos da História”. Se Viena fosse conquistada, toda a Europa ficaria ameaçada de cair sob o domínio muçulmano.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Beato Marco d’Aviano, frade líder da Europa Cristã face à investida muçulmana

Beato Marco d'Aviano, igreja dos capuchinos, Viena
O Pe. Marco d’Aviano nasceu em 17 de novembro de 1631 na cidade de Aviano (Friulia – Itália). Segundo filho de uma abastada e piedosa família, com 10 filhos.

Em 1645, com apenas 14 anos, Carlo Domenico ficou muito impressionado com os relatos da defesa da ilha de Creta pelas tropas da República de Veneza contra as forças turcas.

Decidiu então ajudar os cristãos perseguidos pelos turcos muçulmanos no Oriente. Juntou o pouco dinheiro que acumulara como estudante e, sem avisar ninguém, partiu de navio para Capo d’Istria.

Nessa cidade, por falta de meios, chegou a passar fome, vendo-se compelido a pedir abrigo em um convento de capuchinhos.

Lá recebeu o chamado de Deus para entrar na Ordem dos capuchinhos, onde, teve conhecimento de que também poderia ser nomeado capelão das tropas que lutavam contra os maometanos.

Exímio pregador para a santificação das almas


Husares do rei polonês Jan Sobieski
O Irmão Marco foi ordenado em 18 de setembro de 1655 e, em setembro de 1664, aos 33 anos, recebeu a láurea de pregador.

Em 8 de setembro de 1676, foi-lhe apresentada a Irmã Vincenza Francesconi, que há mais de 13 anos jazia paralisada em uma cama. Rezou com ela a Ladainha Lauretana e, depois, deu-lhe a bênção. Sentindo a ação da graça, a doente exclamou: “Estou curada”. A partir desse momento multiplicaram-se sem cessar os milagres.

Em 1680 foi publicado em Bozzanno um livreto contendo reflexões extraídas dos Sermões do Padre Marco, intitulado A gravidade do Pecado.

Esse opúsculo veio ter às mãos do Imperador Leopoldo I, que após lê-lo, escreveu em suas páginas: “Eu não sei se haverá alguém que, depois de tê-lo lido, ainda ouse pecar. Parece ter sido escrito para mim, pobre pecador”.

Padre Marco chegou a ser conduzido perante o Tribunal da Inquisição, que o proibiu de dar a bênção aos doentes. Tal proibição, contudo, teve pouca duração.


Profeta de desgraças vindouras

Padre Marco corajosamente censurou as indecisões do Imperador nos negócios de Estado e muitas injustiças cometidas por funcionários e juízes.

O Imperador pediu-lhe que repetisse tais admoestações em suas homilias na igreja dos capuchinhos. Foi então que proferiu, de maneira profética, a ameaça. “Convertei-vos, senão virá sobre Viena um castigo mais terrível do que a peste de 1678-80”.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Retrato do rei São Luís IX por quem o conheceu (2)

São Luis IX, Sainte-Chapelle, Paris
continuação do post anterior


O rei amou tanto toda espécie de pessoas que crêem em Deus e O amam, que deu dignidade de condestável de França ao Sr. Gilles Lebrun, que não era do reino da França, porque ele tinha grande reputação de crer em Deus e de amá-lo. E eu creio verdadeiramente que assim foi.

Muitas vezes acontecia que no verão ele ia sentar-se no bosque de Vincennes, depois da Missa, apoiava-se contra um carvalho e fazia-nos sentar em torno dele.

Todos aqueles que tinham assunto iam falar com ele, sem empecilho de ajudas de câmara nem de outros.

Então ele mesmo perguntava: “Há alguém aqui que tenha pendência?”

Aqueles que tinham pendência levantavam-se, e então ele dizia: “Calai-vos todos, e sereis atendidos um depois do outro”.

Então chamava o Sr. Pierre de Fontaines e o Sr. Geoffroy de Vilette, e dizia a um deles: “Atendei-me esta pendência”. Quando via alguma coisa a corrigir, no arrazoado dos que falavam por outro, ele mesmo a corrigia.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Retrato do rei São Luís IX por quem o conheceu (1)


Em nome de Deus Todo-Poderoso, eu, João, senhor de Joinville, Senescal de Champagne, faço escrever a vida de nosso São Luís, e aquilo que eu vi e ouvi pelo espaço de seis anos que estive em sua companhia, na viagem de ultramar e depois que voltamos.

E antes de vos contar seus grandes feitos e sua cavalaria, contar-vos-ei o que vi e ouvi de suas santas palavras e bons ensinamentos, para que se achem aqui numa ordem conveniente, a fim de edificar os que ouvirem.

Esse santo homem amou Deus de todo o coração e agiu em conformidade com esse amor.

Pareceu-lhe bem que, assim como Deus morreu pelo amor que tinha por seu povo, assim o rei colocasse seu corpo em aventura de morte, o que bem poderia ter evitado se tivesse querido, como se verá a seguir.

O amor que tinha a seu povo transpareceu no que ele disse a seu filho primogênito, durante uma grande doença que teve em Fontainebleau:

“Bom filho — disse-lhe — peço-te que te faças amar pelo povo de teu reino, pois verdadeiramente eu preferiria que um escocês viesse da Escócia e governasse o povo do reino bem lealmente, a que tu o governasses mal”.