segunda-feira, 28 de junho de 2010

As Cruzadas no cerne das raízes cristãs ‒ Apologia da Cruzada I

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
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 O Professor Roberto de Mattei, professor catedrático de História Moderna na Universidade de Cassino, publicou uma luzidia “Apologia das Cruzadas” cujas partes essenciais reproduziremos nos próximos posts.

O Prof. de Mattei também leciona História do Cristianismo e da Igreja na Universidade Européia de Roma, e é responsável da área das ciências jurídicas, sócio-econômicas, humanísticas e dos bens culturais do Consiglio Nazionale della Ricerca, da Itália.

“Adeus ao espírito de Cruzada na Igreja” é um refrão que se repete pelo menos há quarenta anos e que condensa a visão de um cristianismo que fez do diálogo ecumênico seu evangelho.

Esta visão é baseada em distorções históricas e numa deformação muito grave da doutrina da Igreja.

Quais são essas raízes cristãs que, de acordo com Bento XVI e seu predecessor João Paulo II, não só os católicos, mas até mesmo os laicos têm o direito e o dever de defender?

Os frutos dessas raízes estão sob nossos olhos: são as catedrais, monumentos, palácios, praças e ruas, mas também música, literatura, poesia, ciência, arte.

As Cruzadas fazem parte da paisagem espiritual católica européia do mesmo modo que as catedrais. Elas expressam a mesma visão do mundo.

O historiador de arte Erwin Panofsky estudou a relação entre as janelas góticas e a filosofia escolástica, e enfatizou quanto o brilho dos vitrais das catedrais medievais corresponde à transparência de trabalhos como a “Summa Theologica” de S. Tomás de Aquino (Erwin Panofsky, “A arquitetura gótica e a filosofia escolástica”).

Da epopéia das Cruzadas emana ‒ poderíamos acrescentar ‒ o mesmo brilho, a mesma beleza diáfana, o impulso para cima, a mesma força criativa da obra de Santo Tomás de Aquino e de Dante.

As próprias Cruzadas são parte do patrimônio de valores derivados do Evangelho e desenvolvidos em sintonia com ele.

“As obras de arte que nasceram na Europa nos séculos passados são incompreensíveis sem levar em conta a alma religiosa que as inspirou”, disse ainda Bento XVI, na audiência geral de 18 de novembro de 2009.


O mesmo poderia ser dito das Cruzadas, que tiveram os campos de batalha da Palestina, mas foram inspiradas pela mesma escala de valores que durante esses anos guiou os arquitetos das catedrais de pedra.

Nem as Cruzadas nem as catedrais podem ser compreendidas por aqueles que ignoram o pensamento e, acima de tudo, a fé viva que inspirou seus criadores.

Na Catedral, os cristãos se reuniam em torno do padre que celebrava a missa em um altar olhando para o Oriente e renovava, sem derramamento de sangue, o máximo mistério do cristianismo: a Encarnação, Paixão e morte de Jesus Cristo.

Nas Cruzadas, as mesmas pessoas pegavam em armas para libertar a Cidade Santa de Jerusalém que caíra nas mãos dos maometanos.

O túmulo vazio do Santo Sepulcro, junto com o Santo Sudário, são testemunhos vivos da Ressurreição e as mais preciosas relíquias da Cristandade.




(Fonte: Prof. Roberto de Mattei, “Il Foglio”, 08/06/2010, apud Corrispondenza Romana, 08/06/ 2010).

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segunda-feira, 14 de junho de 2010

São Bernardo: “a penitência de vossos pecados é defender a Terra Santa!”

São Bernardo, Biblioteca Apostólica Vaticana
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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São Bernardo de Claraval (1091–1153) foi delegado pelo Papa para pregar a Segunda Cruzada.

Por volta de 1145 ele pronunciou um sermão reproduzido, embora parcialmente, por Joseph-François Michaud; na sua obra de referência “Histoire des Croisades”  e que tiramos de: Bartleby.com, Great books online:



Vós não podeis ignorar que vivemos num período de castigo e ruína. O inimigo da humanidade soprou um bafo de corrupção que paira sobre todas as regiões.

Nós não encontramos senão a impiedade impune. As leis dos homens e as leis da religião não têm mais suficiente poder para conter a depravação dos costumes e o triunfo da iniquidade.

O demônio da heresia tomou posse da cátedra da verdade, e Deus fez descer a maldição sobre seu santuário.

Eia, pois, vós que me ouvis, apressai-vos para apaziguar a ira do Céu, deixando de implorar seus benefícios por meio de pedidos vãos.

Revesti-vos não com o saco dos penitentes, mas recobri-vos com armaduras impenetráveis.

O exercício das armas, os perigos, os esforços, as fatigas da guerra são as penitencias que Deus vos impõe.

Apressai-vos a expiar vossos pecados obtendo vitórias sobre os infiéis, e que a liberação dos locais santos seja o fruto de vosso arrependimento.

Se vos fosse anunciado que o inimigo invadiu vossas cidades, vossos castelos e vossas terras; que ele raptou vossas mulheres e filhas e profanou vossos templos — quem de vós não pegaria em armas?

Bem, então, todas essas calamidades, e calamidades ainda maiores, caíram sobre nossos irmãos na família de Jesus Cristo, que é a vossa.

Por que hesitais na hora de reparar tantos males? Em vingar tantos ultrajes?

Permitireis que os infiéis contemplem em paz os estragos que cometeram contra o povo cristão?

Lembrai-vos que o triunfo deles será tido como objeto de censura em todas as épocas e como um eterno opróbrio para a geração que o permitiu.

Sim, o Deus vivo encarregou-me de anunciar-vos que Ele quer punir aqueles que não o terão defendido contra seus inimigos.

Voai, pegai nas armas, deixai-vos vos inflamar de uma santa cólera na luta, e fazei vibrar o mundo cristão com estas palavras do profeta: “Maldito aquele que não ensangüenta sua espada!”

Não acrediteis que a mão do Senhor perdeu seu poder pelo fato de vos convocar para defender sua herança. Não poderia Ele enviar doze legiões de anjos ou sussurrar uma simples palavra para que seus inimigos se desintegrem como areia?

São Bernardo, Dijon
Mas, Deus levou em consideração os filhos dos homens, e quis abrir uma estrada para Sua graça.

Sua bondade permitiu que hoje amanhecesse para vós um dia de salvação vos convocando para vingar Sua glória e Seu nome.

Guerreiros cristãos, quem deu Sua vida por vós, hoje vos pede a retribuição. Esses são os combates dignos de vós, batalhas em que é glorioso conquistar e vantajoso morrer.

Ilustres cavaleiros, generosos defensores da Cruz, lembrai o exemplo de vossos pais que conquistaram Jerusalém, e cujos nomes estão inscritos no Céu.

Abandonai, pois, as coisas perecíveis para ganhar palmas imarcescíveis e conquistar um Reino que não terá fim.





(Fonte: Bartleby, Great books online).




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