segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Milagre de Nossa Senhora em Covadonga (Astúrias) impediu a conquista de Espanha pelos mouros

Nossa Senhora de Covadonga
Sob a proteção de Nossa Senhora de Covadonga se iniciou a Reconquista da Espanha, com o milagre que Ela realizou socorrendo o Rei Don Pelayo e os pouquíssimos cavaleiros que estavam com ele nas montanhas das Astúrias, no monte Auseba.

Deu-lhes uma grandiosa vitória sobre os maometanos, justamente quando pareciam perdidos, premiando assim seu denodo, seu heroísmo e sua fé.

Em 718 estava D. Pelayo rodeado por duzentos mil homens do exército de Alkamah, lugar-tenente do Wali Helor.

O Bispo Dom Opas, que já havia pactuado, se adiantou para tentar convencê-lo da inutilidade de resistir e da conveniência de seguir seu exemplo.

Invocando o auxílio de Deus e da Virgem, que tinha como seguros, D. Pelayo rechaçou indignado a proposta traidora, dispondo-se a batalhar até o fim contra os inimigos da Fé.

Gruta de batalha de CovadongaVendo Alkamah o fracasso da missão de submeter o Rei D. Pelayo, iniciou o ataque contra esse último baluarte da Cristandade, mas encontrou a heróica oposição dos católicos.

Pouco depois Deus mostrou sua intervenção com um portentoso milagre, pela intercessão de Nossa Senhora de Covadonga: um grande tremor de terra moveu o campo de batalha, e a metade da montanha caiu sobre o exército muçulmano, fazendo enorme destruição.

O Rei Don Pelayo, com os seus, perseguiu o que restava do exército dos infiéis, completando o extermínio, no qual morreu também Alkamah e desapareceu D. Opas.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Costumes de cavaleiro, cruzado e monge


Numerosos guerreiros, para serem mais garantidamente admitidos na bem-aventurada morada, tomam a precaução de vestirem, antes de morrer, hábitos de Monge, com o qual serão enterrados.

Vendo-os aparecer em tais vestes, S. Pedro não ousará fechar-lhes as portas.

Esse uso praticado pela Cavalaria continuou até o fim do século XIV. Em algumas abadias haviam Monges especialmente designados para vestir os cavaleiros que exprimissem tal desejo.

Se o Cavaleiro morresse em uma batalha, depositava-se sobre a tumba sua bandeira, seu estandarte e o pequeno estandarte de seu elmo. Se ele não tivesse morrido em batalha, era permitido colocar-se apenas duas destas insígnias.

Savanes, em seu “Tratado sobre a Espada Francesa”, fala do costume de se levar a uma igreja as armas do Cavaleiro morto, para serem conservadas no tesouro do templo.

A espada de Santa Joana D’Arc encontra-se na igreja de Santa Catarina de Fierbois. A Santa guerreira considerava um verdadeiro dom celeste a espada que recebera.

(Fonte: Funck Brentano, « Féodalité et Chevalerie »)

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Carlos Magno e a bênção das Cruzadas


A palavra "Cruzada" ficou como que marcada com uma água benta especial. As primeiras gotas dessa água benta caíram sobre Carlos Magno.

Em qualquer lugar que se fala dele, fala-se com respeito.

Há historiadores que atacam Carlos Magno mas tratá-lo com irreverência ou fingir pouco caso é impossível. Ele é grande demais.

Sobretudo há nele o imperador sagrado, o imperador supremo de todo o Ocidente, sacrossanto, ungido por um papa santo: é o grande Carlos.

Também porque ele era forte, rachava o que tinha que rachar, escangalhava o que tinha que escangalhar, e elevava o que tinha que elevar.

A palavra "cruzado" ficou ligada a isto.

Plinio Correa de Oliveira, 25/9/94. texto sem revisão do autor.

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segunda-feira, 8 de setembro de 2008

A batalha de Ourique e o nascimento do reino de Portugal


Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs




Foi na Batalha de Ourique que nasceu o Reino português. Enfrentando os infiéis maometanos, os portugueses achavam-se grande inferioridade numérica, sendo que muitos cronistas idôneos referem-se a cem ismaelitas para cada lusitano. Nessa situação crítica, Nosso Senhor veio em auxilio dos católicos e ordenou que D. Afonso Henriques ficasse rei daquele povo.

Bastantíssima era a tradição do aparecimento de Cristo; nosso Salvador, feito a el-rei D. Afonso Henriques, e mais, confirmando-se com os escritos de nossos autores e de muitos estrangeiros gravíssimos, para se ter certo o favor que Deus Nosso Senhor quis fazer à nação portuguesa. Mas para maior confirmação ordenou o mesmo senhor, parece que com particular providência, nos ficasse outra memória ilustríssima dessa verdade. E é uma escritura autêntica em que o mesmo rei D. Afonso jura aos santos Evangelhos como viu com os seus próprios olhos ao Salvador do mundo na forma que temos contado.

Vila de Ourique, Brasão ©Sergio Horta..pngAchou-se, em o ano de 1506, no cartório do real mosteiro de Alcobaça e foi instrumento o Doutor Frei Bernardo de Brito, cronista-mor de Portugal, a quem o Reino deve com a gloria adquirida por seus escritos, as graças de tão ditoso achado. É um pergaminho de letra antiga, já gastado, com selo de el-rei D. Afonso, e outros quatro de cera vermelha, pendentes de fios de sede da mesma cor, confirmados por pessoas de autoridade, em que se fenda o maior crédito humano que pode haver em escrituras.

O Doutor Frei Lourenço do Espírito Santo, abade então daquela casa geral da ordem de Cister, neste reino, pessoas de grandes letras e muita prudência, julgou ser vontade de Deus divulgar-se por todos esta memória. E assim, indo a Lisboa, alevou o pergaminho e mostrou aos senhores do governo, e depois fazendo jornada à corte de Madrid, o apresentou ao católico rei D. Felipe II, e o viram também muitos grandes de sua corte, e de todos foi venerado e estimado como merecia um documento de tanto preço, do qual o teor é o seguinte:

Dom Afonso Henriques, fundador do reino de Portugal“Eu, Afonso, Rei de Portugal, filho do conde Henriques e neto do grande rei D. Afonso, diante de vós, Bispo de Braga e Bispo de Coimbra e Teotônio, e de todos os mais vassalos de meu reino, juro em esta Cruz de metal, e neste livro dos Santos Evangelhos, em que eu ponho minhas mãos, que eu, miserável pecador, vi com estes olhos indignos a Nosso Senhor Jesus Cristo estendido na cruz, no modo seguinte:

“Eu estava com meu exército nas terras de Alentejo, no Campo de Ourique, para dar batalha a Ismael e outros quatro reis mouros que tinham consigo infinitos milhares de homens. E minha gente temerosa de sua multidão, estava atribulada e triste, sobremaneira. Em tanto que publicamente, diziam alguns ser temeridade acometer tal jornada. E eu, enfadado do que ouvia, comecei a cuidar comigo que faria. E como estivesse na minha tenda um livro em que estava escrito o Testamento Velho e o de Jesus Cristo, abri-o e li nele a vitória de Gedeão, e disse entre mim mesmo. Muito bem sabeis vós, Senhor Jesus Cristo, que por amor vosso tomei sobre mim esta guerra contra vossos adversários. . Em vossa mão está dar a mim e aos meus, fortaleza para vencer estes blasfemadores de Vosso nome.

“Ditas estas palavras, adormeci sobre o livro e comecei a sonhar que via um homem velho vir para onde eu estava e que me dizia: Afonso, tem confiança, porque vencerás e destruirás estes reis infiéis e desfarás sua potência e o Senhor se te mostrará.

Batalha de D. Afonso Henriques, Sacavém. As Cruzadas“Estando nesta visão, chegou João Fernandes de Souza, meu camareiro, dizendo-me: Acordes, senhor meu, porque está aqui um homem velho que vos quer falar. Entre -lhe respondi - se é católico.

“E tanto que entrou, conheci ser aquele que no sonho vira, o qual mo disse:

“Senhor, tende bom coração, vencereis e não sereis vencido. Sois amado do Senhor, porque sem dúvida pôs sobre vós, e sobre vossa geração depois de vossos dias, os olhos de sua misericórdia, até a décima sexta descendência, na qual se diminuirá a sucessão, mas nela assim diminuída, Ele tornará a pôr os olhos e verá. Ele me manda dizer-vos que quando na seguinte noite ouvirdes a campainha de minha ermida, na qual vivo a sessenta e seis anos guardando no meio dos infiéis com o favor do mui Alto, saiais fora do real, sem nehum criado, porque vos quer mostrar Sua grande piedade.

“Obedeci, e prostrado em terra, com muita reverência, venerei o embaixador e Quem o mandava. E como, posto em oração, aguardava o som, na segunda vela da noite ouvi a campainha, e armado com espada e rodela, saí fora dos reais, e subitamente vi à parte direita, contra o nascente, um raio resplandecente e indo-se pouco a pouco clarificando, cada hora se fazia maior. E pondo de propósito os olhos para aquela parte, vi de repente, no próprio raio o sinal da Cruz, mais resplandecente que o Sol, e um grupo grande de mancebos resplandecentes, os quais creio que seriam os santos anjos. Vendo pois esta visão, pondo à parte o escudo e a espada, (...) me lancei de bruços e desfeito em lágrimas comecei a rogar pela consolação de meus vassalos, e disse sem nenhum temor:

Alfonso Henriques, Alentejo“A que fim me apareceis, Senhor? Quereis porventura acrescentar fé, a quem tem tanta? Melhor é, por certo, que Vos vejam os inimigos e creiam em Vós, que eu que desde a fonte do batismo Vos conheci por Deus verdadeiro, Filho da Virgem e do Padre Eterno, e assim Vos conheço agora.

“A Cruz era de maravilhosa grandeza, levantada da terra quase dez côvados. O Senhor. com um tom de voz suave, que minhas orelhas indignas ouviram, me disse:

“Não te apareci deste modo para acrescentar tua fé, mas para fortalecer teu coração neste conflito, e fundar os princípios de teu reino sobre pedra firme. Confia, Afonso, porque não só vencerás esta batalha, mas todas as outras em que pelejares contra os inimigos de minha Cruz. Acharás tua gente alegre e esforçada para a peleja, e te pedirá que entre na batalha com o título de Rei. Não ponhas dúvida, mas tudo quanto te pedirem, lhes concede facilmente. Eu sou fundador e destruidor dos reinos e impérios, e quero em ti e em teus descendentes fundar para mim um império, por cujo meio, seja meu nome publicado entre as nações mais estranhas. E para que teus descendentes conheçam Quem lhes dá o reino, comporás o escudo de tuas armas do preço com que Eu Remi o gênero humano, e daquele por que fui comprado pelos judeus, ser-me-á reino santificado, puro na fé e amado na minha piedade.

“Eu, tanto que ouvi estas coisas, prostrado em terra, O adorei dizendo: Por que méritos, Senhor, me mostrais tão grande misericórdia? Ponde, pois, Vossos benignos olhos nos sucessores que me prometeis, e guardai salva a gente portuguesa. E se acontecer que tenhais contra ela algum castigo aparelhado, executai-o antes em mim (...) e livrai este povo que amo como o único filho.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Papa João VIII: indulgência para os que morrem lutando contra os inimigos da religião e da ordem cristã

Luis II recebe o Papa João VIII, As CruzadasO Papa João VIII governou a Igreja nos anos 872-882. A epístola seguinte é do ano 878.

“João VIII aos bispos do reino de Luiz II [da França].

“Vós tendes nos manifestado humildemente o desejo de saber se aqueles que morreram recentemente na guerra, combatendo em defesa da Igreja de Deus e pela preservação da religião e do Estado cristãos, ou aqueles que podem no futuro cair pela mesma causa, podem obter a indulgência de seus pecados.

“Com toda segurança nos vos respondemos que aqueles que, por amor à religião cristã, morram na batalha lutando bravamente contra os pagãos ou incrédulos, ganharão a vida eterna.

“Porque o Senhor disse pela boca de seu profeta: “Qualquer que seja a hora em que um pecador se converta, eu não lembrarei mais de seus pecados”.

“Pela intercessão de São Pedro, que tem o poder de abrir e fechar no Céu e na terra, eu absolvo, em toda à medida que me é possível, todos eles e os encomendo com minhas orações ao Senhor.”

Fonte: Migne, Patrologia Latina, 126: 816. Oliver J. Thatcher, and Edgar Holmes McNeal, eds., A Source Book for Medieval History, (New York: Scribners, 1905), 512.
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